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24 de janeiro de 2019

A Fábula dos Dois Lobos (dos índios Cherokee)

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Certo dia, um jovem índio Cherokee chegou perto de seu avô para pedir um conselho. Momentos antes, um de seus amigos havia cometido uma injustiça contra o jovem e, tomado pela raiva, o índio resolveu buscar os sábios conselhos daquele ancião.

O velho índio olhou fundo nos olhos de seu neto e disse:

“Eu também, meu neto, às vezes, sinto grande ódio daqueles que cometem injustiças sem sentir qualquer arrependimento pelo que fizeram. Mas o ódio corrói quem o sente, e nunca fere o inimigo. É como tomar veneno, desejando que o inimigo morra.”

O jovem continuou olhando, surpreso, e o avô continuou:

“Várias vezes lutei contra esses sentimentos. É como se existissem dois lobos dentro de mim. Um deles é bom e não faz mal. Ele vive em harmonia com todos ao seu redor e não se ofende. Ele só luta quando é preciso fazê-lo, e de maneira reta.”

“Mas o outro lobo… Este é cheio de raiva. A coisa mais insignificante é capaz de provocar nele um terrível acesso de raiva. Ele briga com todos, o tempo todo, sem nenhum motivo. Sua raiva e ódio são muito grandes, e por isso ele não mede as consequências de seus atos. É uma raiva inútil, pois sua raiva não irá mudar nada. Às vezes, é difícil conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito.”

 O garoto olhou intensamente nos olhos de seu avô e perguntou: “E qual deles vence?”
Ao que o avô sorriu e respondeu baixinho: “Aquele que eu alimento.”

Fonte: https://obemviver.blog.br/2015/03/23/a-fabula-dos-dois-lobos-qual-deles-voce-quer-alimentar-reflexao/

26 de março de 2016

O Nobel da paz: Porque todo mundo pode mudar

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Alfred Bernhard Nobel nasceu em 21 de outubro de 1833, em Estocolmo, Suécia, em uma família de engenheiros. Ele foi químico, engenheiro e inventor. Nobel acumulou uma fortuna durante a sua vida, a maior parte dela como resultado das suas 355 invenções, das quais a dinamite é a mais famosa. Numa manhã de 1888 ele ficou surpreso ao ler o próprio obituário em um jornal francês intitulado: "O mercador da morte está morto". O jornal confundiu Nobel com seu irmão, Alfred Ludvig, que realmente havia falecido. O artigo desconcertado fê-lo refletir sobre como seria lembrado inspirando-o a mudar sua vontade.

Nobel deixou uma herança de 32 milhões de coroas e escreveu vários testamentos em vida. O último, em 1895, para o espanto generalizado, determinava a criação de uma instituição à qual caberia recompensar, a cada ano, aqueles que conferem "maior benefício à humanidade" nos campos da paz ou da diplomacia, literatura, química, fisiologia ou medicina e física. O testamento estabelecia também que a nacionalidade das pessoas não seria considerada na atribuição do prêmio. Nobel legou 94% de seus ativos totais, 31 milhões de coroas suecas, para estabelecer os cinco prêmios Nobel.

No Rio, os resultados dos exames feitos pelo governador, Luiz Fernando Pezão, mostraram que ele tem linfoma não-Hodgkin. O tipo de linfoma diagnosticado nos exames é o anaplásico de grandes células T-ALK positivo que, segundo os médicos, é um dos mais agressivos, mas totalmente curável. O governador não vai passar por nenhuma intervenção cirúrgica, a não ser a colocação de um cateter para receber a medicação. O oncologista Daniel Tabak explicou: “o dado mais importante é que não existe nenhum comprometimento volumoso de linfonodomegalias. Não atingiu nenhum órgão crítico. Por isso, temos uma perspectiva boa. Mais de 70% dos pacientes ficam curados com este tipo de tratamento.”

O governador também está otimista e afirmou durante a coletiva: "Tem coisas piores na vida. Tem coisas que Deus dá para a gente porque sabe que somos capazes de carregar. Eu sei que vou passar por isso daí e vou acabar mais forte."

Considerando a situação atual do país, em particular a do Estado do Rio de Janeiro, pode ser que Deus não esteja dando algo que ele “seja capaz de carregar”, mas, sim, uma segunda chance ao governador, assim como fez com Alfred Nobel. Quem sabe não seja o momento dele refletir sobre o legado que deixaria para história do povo fluminense, se a sua própria história se encerrasse de repente. Embora as perspectivas sejam favoráveis, sempre há o risco do insucesso. Diante da fragilidade da vida, o Pezão talvez possa ser mais Luiz com os Luizes, Joãos e Marias, que dependem da saúde pública (dever do Estado e cujo representante é ele), tornando-se mais sensível à dor do outro.

Que a saúde do governador do segundo maior estado do país se reestabeleça e que, com ela, haja uma mudança na sua forma de pensar. Que ele seja mais humano com os que sofrem, valorize o serviço público porque é prestado àqueles que não têm como pagar um tratamento como ele tem, e, finalmente, tenha a coragem de romper com os tentáculos inescrupulosos dos velhos aliados de campanha. Que ele possa, como Nobel, surpreender a todos e reescrever sua história, quem sabe mais bela, para posteridade. Porque Deus sempre dá a cada pessoa ao menos uma oportunidade de mudar.

4 de novembro de 2015

Nova geração de discípulos

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"A questão é: em 10 anos, você terá feito a diferença?"

O dia dos avós é muito mais do que isso

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"A tigela de madeira" conta a história de um garoto que aprende como tratar seus pais quando eles ficarem velhos, isto é, do mesmo modo que eles tratavam o seu avô: "estou fabricando uma pequena tigela para você e a mamãe comerem sua comida quando eu crescer". Infelizmente, isso está longe de ser apenas uma história.

"Por um instante observo um casal com seus filhos e uma senhora idosa perambulando pelo supermercado. As crianças, com 5 e 7 anos de idade aproximadamente, brincam com um saco plástico ao mesmo tempo que seguem os pais. O entra e sai nervoso dos corredores e os olhares do casal não escondem o desagrado em acompanhar essa senhora cansada pelo peso da idade. Ela parece confusa diante de tanta gente com pressa, falando alto, e tantas gôndolas com promoções. .... em voz alta o homem diz àquela senhora: ‘Já não basta pagar as compras, eu ainda tenho que ficar acompanhando a senhora de um lado para o outro que nem barata tonta. Afinal, eu não tenho tanto tempo assim. Tudo isso porque esqueceu a lista de novo?’ A senhora responde: ‘Desculpa, meu filho, eu te amo. Não queria estragar o seu sábado.'"*

Dia 27 de julho, dia dos avós, é mais do que um dia para celebrar. É um dia para refletir. Recentes pesquisas afirmam que a partir de 2030 nossa população começa a diminuir e que em 2050 as pessoas com mais de 60 anos representará um terço dos brasileiros.

Ora, os avós de hoje estão longe de serem pessoas de cabelos brancos sentados em cadeiras de balanço na varanda. Entretanto, não há como negar o quanto os valores de nossa sociedade estão distantes daqueles quando essa eram as imagem da figura dos avós. O dia dos avós é mais do que saudosismo, é resgate. Resgate dos valores da família com pai, mãe, filhos e avós. Valores do "respeito aos mais velhos", do ceder o lugar no ônibus para um idoso antes de haver leis e bancos preferenciais para eles.

Celebrar o dia dos avós é mais do que olhar o passado, é construir o futuro, mesmo que seja por uma razão meio egoísta: "respeitar as pessoas idosas é tratar o próprio futuro com respeito". Respeito que começa na infância, no modo como tratamos nossos pais a vistas dos filhos, no nosso proceder diário nos supermercados da vida, na forma como lembramos das datas importantes, como o dia dos avós, por exemplo.

Sem o dia 15 de junho, Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, dificilmente saberíamos que "cerca de 10% dos idosos brasileiros morrem por homicídio" vítimas de violência visível e invisível. Sem o dia 23 do mesmo mês, Dia Mundial de Prevenção de Quedas, talvez esse assunto tão importante sequer fosse abordado. Por isso, celebrar o dia 26 de julho é tão importante. É construir na mente dos pequeninos, os netos, o valor de tê-los, os avós, no seio da família no modelo proposto por Deus. É perpetuar valores de respeito e dignidade tão raros em nossa sociedade. E, por último, é olhar para si mesmo com respeito. Porque se a estatística estiver correta a aritmética não deixa dúvida. No último censo (2010) as pessoas com mais de 60 anos somavam 23 milhões de brasileiros (12%). Em 2050 os netos de hoje serão os adultos e nós, os adultos, faremos parte dos cerca de 63 milhões de brasileiros acima dos 60 anos (33%). E aí, não vai adiantar olhar para traz ou reclamar. "Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará." (Gl 6.7)

Portanto, celebre esse dia em família, celebre com alegria, celebre dando honra a quem tem honra. Porque o dia dos avós é muito mais do que isso. – Leonardo Martins.

*Hercules e Nirvana Garcia – Professores na classe de Casais. Pensar nº 8: junho/2014 (pg. 04)

3 de outubro de 2015

O culto como um texto

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Quando olhamos para um culto, com as partes que o compõem, a forma como se desenvolve e os objetivos que procura alcançar, percebemos a grande semelhança que ele conserva com um texto. Daí podermos desenvolver a ideia de culto como um texto.

Ao pensarmos num livro, por exemplo, que é um texto mais elaborado, percebemos nele uma série de elementos que não constituem o texto, propriamente, mas funcionam como acessórios, que entre outras funções preparam o leitor para o conteúdo principal, que virá a seguir. Passamos pela capa, contracapas, orelhas, dedicatórias, agradecimentos, prefácio, antes de iniciarmos a Introdução. E o que isso tem a ver com o culto? A resposta é simples: nada. Na realidade, podemos afirmar que esses elementos assemelham-se àqueles que devem ocorrer no momento que aqui denominamos de Pré-culto, aquele espaço de tempo que dedicamos às boas-vindas, cumprimentos, abraços, avisos, informações, promoções, vídeos,   que precedem o culto propriamente dito. É o único momento de informar que o livro mais recente do pregador e o CD do cantor convidados estarão à venda após o culto. Neste espaço só não cabe fazer aquelas perguntinhas óbvias, que não merecem resposta, nem recriminar os irmãos, perguntando-lhes se não tomaram café, por não terem dado uma sonora resposta a um cumprimento. Nos tempos atuais, de tantas tecnologias, uma boa prática é transformar em vídeo tudo o que for possível, para tornar o pré-culto bem objetivo e enxuto.

Encerrado o pré-culto, o ideal é que haja algo que deixe bem marcada a transição para o culto. Um tempo de oração silenciosa, por exemplo, uma música com letra em língua portuguesa que seja bem conhecida, que propicie a reflexão, algo que prepare o fiel para cultuar.

O culto como um texto começa a ser preparado bem antes de sua realização. Quando o pastor, ou o responsável por pregar nos cultos, elabora o seu plano de pregação, ele escolhe o tema de cada sermão e o(s) texto(s) bíblico(s) que servirá(ão) de base para cada um. De posse dessas informações, o responsável pela elaboração das ordens de culto prepara cada uma de forma tal que todo o culto caminhe para a consecução daquele(s) objetivo(s) que o pregador deseja alcançar ao fim de sua mensagem. Para isso essa pessoa seleciona outros textos bíblicos relacionados ao tema já definido, bem como as músicas que serão cantadas. Aqueles que forem convidados para participações especiais, como cantores e grupos, devem ser orientados a escolher músicas dentro desse mesmo tema. No culto como um texto cada participante tem sua função específica: dirigentes dirigem o culto e os cantos da congregação; cantores apenas cantam; pregadores pregam. (grifo nosso).

É na preparação da ordem do culto que aquele que a elabora pode perceber a grande semelhança entre texto e culto. Tudo começa com o tema proposto pelo pregador. A partir daí, ao elaborar a ordem de culto, ele pensa na Introdução e no Desenvolvimento que conduzam à Conclusão, que virá ao fim da mensagem. Além desses três elementos básicos do texto, o culto precisa de Coesão, Coerência e Argumentação.

A função do dirigente do culto é muito importante, pois é ele que “costura” cada uma dessas partes, para que elas constituam um todo harmônico que prepare a congregação para a mensagem que será entregue pelo pregador. Para isso ele deve estudar cada texto bíblico que será lido, cada música que será cantada pela congregação, para estar preparado e tenha o que dizer. Em momentos de descontração, seminaristas costumavam citar uma regra da homilética, criada por eles, naturalmente: “Quando o seu argumento for fraco, dê um grito e um soco na mesa”. Isso nos remete ao texto de 1Reis 19.11,12, em que lemos: “o Senhor não estava no vento”... “o Senhor não estava no terremoto”... “o Senhor não estava no fogo; e ainda depois do fogo uma voz mansa e delicada... Que fazes aqui, Elias?”. A voz mansa e delicada é muito mais propícia à reflexão, ao louvor, à adoração, mas tem estado ausente em muitos dos nossos cultos. Quando a Bíblia não entra na ordem do culto, e quando o dirigente não estuda o conteúdo do que a congregação canta, o grito parece a alternativa natural. com Igrejas do século 21 correm o sério risco de confundir templo com arena, culto com show, e congregação plateia.

Ainda em relação às músicas cantadas pela congregação, é preciso destacar o papel dos instrumentos. Assim como uma moldura em um quadro, os instrumentos devem ter a função de destacar o canto, as vozes, e não competir com elas. O primeiro plano deve ser sempre o das vozes, enquanto, ao fundo, os instrumentos devem emoldurá-las, pois é nas vozes que se encontra a mensagem, que por sua vez conduz o desenvolvimento do culto em direção ao seu objetivo (estamos pensando aqui no “culto racional!”). É comum o uso do playback em substituição aos instrumentos, mas é preciso treinar os operadores de som para que eles não o transformem em “playfront” como costuma acontecer.

Todo culto deve ter a característica de ser saudável. Neste sentido, a ordem de culto deve prever os momentos em que a congregação permanecerá de pé, cuidando que estes não sejam demasiadamente longos nem repetitivos, tendências comuns atualmente. A sonotécnica, por sua vez, deve exercer um papel relevante: o de controlar a intensidade do som dos instrumentos e dos microfones. “De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o limite suportável para o ouvido humano é 65 decibeis. Acima disso, o organismo começa a sofrer. Para salas de aula, a Associação Brasileira de Normas Técnicas estipula que o limite tolerado é de 40 a 50 decibeis. Esse índice, aprovado por resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), tem força de lei” [confira]. Em nossos dias, quando observamos um enorme apreço pelo barulho, nossas igrejas parecem não estar preocupadas, neste particular, com a saúde de seus fiéis. Para tirar a dúvida, basta uma simples medição.

Nada desqualifica tanto um texto quanto erros gramaticais grosseiros em seu interior. Por isso é importante prestar atenção não só ao conteúdo mas também à forma do que projetamos em nossas telas.

Precisamos criar a cada dia maior intimidade com bons textos para que achemos natural pensar em culto como um texto. Pensar e pôr em prática.

Fonte: www.prazerdapalavra.com.br

10 de junho de 2015

Gente madura frutifica enquanto edifica

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Passando por Corinto, Paulo encontra Áquila e Priscila, sua esposa, vindos da Itália porquanto Claudio baixara um decreto intimando que todos os judeus se retirassem de Roma. Percebendo que tinham a mesma profissão, Paulo passa a morar e trabalhar na casa deles fabricando tendas. Algum tempo depois aqueles novos crentes estavam prontos para acompanhá-lo em sua viagem. Passando por Éfeso, Paulo segue viagem, mas deixa o casal na cidade.

“Chegaram então a Éfeso, onde Paulo deixou Priscila e Áquila. ... Assim que chegou a Cesareia, subiu até a Igreja para saudá-la e depois desceu para Antioquia. Havendo passado algum tempo em Antioquia, Paulo partiu dali e viajou por toda a região da Galácia e da Frígia, encorajando todos os discípulos.” (At 18.19,22-23).

A importância de irmãos maduros na fé para igreja é sabida, Antes mesmo dos pastores e Mesmo com os pastores. Gente madura edifica!

Entretanto, enquanto Paulo estava fora, Priscila e Áquila fizeram a mesma coisa que o apóstolo lhes fizera. “Enquanto isso, chegou a Éfeso um judeu, natural de Alexandria, chamado Apolo, homem eloquente e que acumulava grande experiência nas Escrituras. ... E assim que Priscila e Áquila o ouviram, convidaram-no para uma visita à casa deles e lhe explicaram com acerto e clareza o Caminho de Deus.” (At 18.24,26).

Por um lado, eles sabiam a importância da sua fé madura para a igreja de Éfeso; por outro, tinham o mesmo senso de oportunidade de Paulo. O Jovem Apolo “com notável fervor pregava e ensinava com exatidão a respeito de Jesus, ainda que tivesse apenas o conhecimento do batismo de João.” (v. 25). Por isso, o casal apressou-se a ensinar aquilo que havia acabado de aprender a respeito do Messias. Gente madura frutifica!

Portanto, quem tem a fé madura reconhece a sua importância para a igreja local, bem como, está atento às oportunidades que Deus lhes apresenta. Apolo era uma “pedra bruta”, a qual foi “lapidada” por dois leigos, Priscila e Áquila. Gente madura é assim: frutifica enquanto edifica.

12 de maio de 2015

O que é exortar?

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“Eu te encorajo solenemente, na presença de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, por ocasião da sua manifestação pessoal e mediante seu Reino: Prega a Palavra, insiste a tempo e fora de tempo, aconselha, repreende e encoraja com toda paciência e sã doutrina” (2Tm 4.1-2).

Esses versículos acompanham o meu ministério desde o Seminário. Na versão mais conhecida lemos: “Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes”. Exortar, a mim, parecia ser confrontar, desafiar e até “chamar a atenção” para a Palavra de Deus. De fato, os crentes parecem já saberem tudo da Bíblia ou, por outro lado, esperam que alguém lhes interprete. No entanto, a “longanimidade” já apontava noutra direção. Eu estava enganado e foi na revista da EBD (2014) que descobri o engano. Exortar é “estimular, animar; incutir coragem. Convencer ou tentar convencer, aconselhar (alguém) a (fazer algo)” (Dic. Aulete).

Portanto, exorto (incentivo, encorajo) que você estude, inclusive a Bíblia, inclusive na EBD, porque sempre podemos aprender algo novo que fará diferença nas nossas vidas e na vida do outro. Estimulo que compartilhe o que já sabe com quem sabe menos e, numa via de mão dupla, também se permita aprender. Se faltam valores a essa geração, Deus tem dado tempo e longevidade a quem os guarda, portanto não os guarde para si.

Foi acerca dessas coisas que se referia o conselho do experiente apóstolo Paulo a seu filho na fé, Timóteo. “Porquanto, chegará o tempo em que não suportarão o santo ensino; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, reunirão mestres para si mesmos, de acordo com suas próprias vontades. Tais pessoas se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos” (2 Tm 4.3-4). Faça como Paulo, exorte, encoraje. Deus conta com cada um dos seus filhos e ainda há muito para se fazer, ensinar e aprender.


9 de maio de 2015

Um dia eu chutei a sua barriga e ...

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“Um dia eu chutei a sua barriga e você chorou de emoção. Fiz você engordar uns vinte quilos e você só tinha palavras boas para mim. Fiz você quase morrer de dor e você deu um grito de alegria quando me viu pela primeira vez. Eu roubei o seu tempo, roubei o seu marido e a paixão só aumentou. Mãe, definitivamente você não bate bem e é por isso que eu te amo loucamente.” (autor desconhecido)

Esse texto é motivo de muitas “curtidas” e compartilhamentos nas redes sociais. Ele expressa de forma direta e clara o reconhecimento de um filho pelos sentimentos de sua mãe em meio às situações mais difíceis. Reconhecimento.

O filho de Deus nasceu da mulher, e não do homem, como foi determinado lá no Jardim do Éden. “Estabelecerei inimizade entre ti [a serpente] e a mulher, entre a tua descendência [da serpente] e o descendente dela [da mulher]; porquanto, este te ferirá a cabeça, e tu lhe picarás o calcanhar” (Gn 3.15). “Dela”, feminino singular, e não deles, Adão e Eva. Contrariando a visão de que a Bíblia é machista, Deus dá um valor especial à mulher (sempre deu) e, em particular, a sua maternidade.

Ora, Jesus foi gerado, cuidado, protegido e ensinado pela mãe. – Claro que José foi um excelente pai. Mas, Maria viveu os mesmos sofrimentos, preocupações e a maior dor que qualquer mãe poderia sofrer: ver seu filho morrer de modo tão vil. Diante de seus olhos estava a morte lenta, dolorosa e injusta. Mãe nunca abandona um filho.

Talvez seja por essa razão que o Evangelho de João registre o reconhecimento do Filho; pela mãe que o acolheu, protegeu e cuidou por tantos anos; pela mulher, que mesmo diante do maior infortúnio, estava ali, ao seu lado. “Quando Jesus, contudo, viu sua mãe ... disse: ‘Mulher, eis aí teu filho!’” (Jo 19.26).

Deus, o Pai, reconhece o valor da mulher e da sua maternidade. Jesus, o Filho, viveu de modo exemplar em obediência a pai e mãe. E a ela, em particular, soube honrar. Quer saber qual o presente mais desejado por sua mãe neste dia? ... Se ainda for possível, esteja com ela.


24 de fevereiro de 2015

Os sete mergulhos de Naamã!

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A “moda” são os sete mergulhos de Naamã? Que história é essa?


Naamã, capitão do exército do rei da Síria, estava leproso quando soube pela pequena escrava israelita que havia um profeta em Israel que poderia curá-lo. Ao chegar à casa de Eliseu ficou à porta. “Então este mandou um mensageiro dizer-lhe: ‘Vai lavar-te sete vezes no Jordão e tua carne te será restituída e ficará limpa!’”

“Naamã, sentindo-se insultado, retirou-se reclamando: ‘Ora, porventura os rios de Abana e Farfar de Damasco não são melhores do que todas as águas de Israel?’”

Após ouvir um sábio conselho, ele foi, mergulhou sete vezes e ficou curado. Cheio de gratidão Naamã voltou e insistiu com Eliseu para que recebesse as muitas e preciosas ofertas que havia trazido, ao que respondeu convicto Eliseu: “Vive o Senhor, em cuja presença estou, que não a aceitarei.”

Mas será que não podia? Pelo menos uma ajudinha “pro café”!

“Quando Naamã já estava a certa distância, Geazi, o servo de Eliseu, o homem de Deus, protestou: ‘O meu senhor poupou este sírio Naamã, negando-se aceitar dele alguma gratificação do muito que trazia! Tão certo como vive o SENHOR, irei atrás dele e receberei dele alguma recompensa!’”

Correu e, alcançando o Naamã, mentiu dizendo que Eliseu precisava de alguns bens para visitantes inesperado recém-chegados a casa de Eliseu. Em casa, Eliseu confrontou o servo mentiroso e ganancioso: “Certamente este não era o momento para receberes prata e roupa, tampouco para cobiçares olivais, vinhas, ovelhas, bois, servos e servas!”

Resultado? Disse Eliseu: “‘Por esse motivo a lepra, a enfermidade que assolava a pele de Naamã, atingirá a tua pessoa e todos os teus descendentes para sempre!’ E assim Geazi saiu da presença de Eliseu já leproso, e seu corpo parecia coberto de neve.”

Essa é a historia de Naamã segundo o livro de 2 Reis no capítulo 5. Qualquer coisa diferente disso, não está na Bíblia.

21 de fevereiro de 2015

Depressão: o assunto é sério!

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A morte do jovem pastor da PIB de Serrinha-BA, Agnaldo Alonso Ferreira Freitas Junior, deveria servir de alerta para todos nós cristãos.  “O que se comenta aqui é que ele havia retornado do culto com a esposa e, alguns minutos depois, os vizinhos ouviram a mulher dele pedindo socorro. O rapaz que mora ao lado correu, pulou o muro e encontrou o corpo já pendurado”, comentou um policial. Entre os amigos o que se diz é “que Agnaldo se matou porque estaria sofrendo de depressão. A informação não foi confirmada pela família.” (Vigiai) O conhecido ator Robin Williams também foi encontrado enforcado em sua casa na região de San Francisco, nos Estados Unidos. Williams lutava contra o alcoolismo e o recente mal de Parkinson, todavia (em ambos os casos) a depressão não está descartada.

Com muita facilidade nós, os evangélicos, atribuímos a morte do ator às doenças e a “falta de Jesus” na sua vida*. Mas como explicar a morte do pastor Agnaldo?

Texto duro e difícil!? Dura será a vida daquela jovem esposa ao enfrentar os “fariseus” de Serrinha com suas “teologias” cuja letra mata. Difícil será explicar aos meninos a morte do pai e ainda encontrar forças para mantê-los nos caminhos do Senhor apesar dos pesares. Minha oração é que essa viúva (e mãe) encontre muitos misericordiosos os quais também “alcançarão misericórdia” da parte de Deus.

A depressão é uma doença silenciosa que vem crescendo em todo o mundo. No meio evangélico a ignorância e o preconceito são seus maiores aliados. Diagnosticada a tempo ela pode ser controlada, mas enquanto ficarmos “demonizando” a doença ou “teologizando” o problema ela vai continuar ceifando vidas de jovens, idosos, pastores** e leigos. Porque a depressão não faz acepção de pessoa, idade, gênero, condição social ou país. Pense nisso com carinho e procure ajuda!

*De acordo com a autópsia, Williams "não tinha drogas ou álcool em seu sistema quando ele morreu". Fonte: abcNEWS

**Pesquisa realizada nos Estados Unidos traçou um panorama dos problemas da atividade pastoral...
70% dos pastores admitem sofrer de depressão e estresse. Fonte: Pastores Feridos

12 de fevereiro de 2015

O que é mais importante, dizer ou agir?

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1 - Questionado por religiosos sobre a autoridade para ensinar sobre o Reino de Deus, Jesus propõe uma parábola sobre um homem o qual pede aos dois filhos: "Filho, vai trabalhar hoje na vinha". O primeiro disse: "'Não quero ir'. Todavia, mais tarde, arrependido, foi." O segundo "respondeu: 'Sim, senhor!' Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?" Cont ...

2 - Responderam: "O primeiro". Disse Jesus: "Com toda a certeza vos afirmo que os publicanos e as prostitutas estão ingressando antes de vós no Reino de Deus." Quem!? Publicano: cobrador de taxas/impostos). Classe detestada por judeus e outras nações por causa de seu trabalho, sua crueldade, avareza e engano usados para realizar sua tarefa. Cont ...

3 - Uma questão de gênero: de um lado publicanos, do outro prostitutas. Prostituta: mulher praticantes da porneia. Relação sexual ilícita como adultério, fornicação, homossexualidade, lesbianismo, zoofilia, incesto, além de relação entre divorciados). Jesus cita dois grupos detestáveis daquela sociedade. Mas por que logo estes?

4 - Ao afirmar que publicanos/prostitutas entram primeiro no Reino de Deus, Jesus: 1) Não está dizendo que os religiosos não entram; 2) Não está se limitando apenas a estes dois grupos; 3) Não está enaltecendo o comportamento deles; 4) Não está afirmando uma prática errada dos religiosos. Explica Jesus: "João veio para vos mostrar o caminho da justiça, mas vós não acreditastes nele; em compensação, os cobradores de impostos e as meretrizes creram."

5 -  Tanto os publicanos quanto as meretrizes, creram e, certamente, mudaram suas práticas. Mudanças vindas do coração. Por outro lado, as boas práticas dos religiosos não eram sinceras, a ponto de questionarem Jesus sobre quem lhe dera autorização para ensinar tais coisas. Ou seja, viam as mudanças nas pessoas, mas ainda assim faziam críticas a Ele e a João Batista. Agir é melhor que dizer (lembra da parábola?). Mas um agir sincero é prioridade para Deus. Religiosidade? Está em segundo plano, segundo o ensino de Jesus.

30 de janeiro de 2015

O que é certo é certo!

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By Herizete Staneck
Imagine viver em um lugar onde os líderes oprimem o povo o qual deveriam cuidar; uma nação de profunda injustiça onde as sentenças são compradas; um país onde a informação é manipulada em favor dos poderosos e o engano dos inocentes. Pior, um lugar onde até os sacerdotes só pensam em dinheiro. Imaginou?

No Brasil a corrupção é mais antiga que o próprio país, data da época em que o primeiro forasteiro trocou espelhos por riquezas. Depois disso, ela mudou de forma, sistema político, camuflou-se e pulverizou-se em partidos, instituições e governos. Nos últimos anos ela se tornou mais evidente. No mundo globalizado onde a informação é cada vez mais rápida, os valores da corrupção tornaram-se milionários. O que fazer diante destes fatos? Fugir do país? Mudar os governos ou partidos? Impor uma moral pela força? O que nós cristãos podemos/devemos fazer?

Para combater a corrupção alguns defendem mudanças nos sistemas políticos, outros apostam na mudança dos governos, outros acreditam que nada pode mudar e, há quem aposte numa moralidade baseada na força.

No filme americano, Laranja Mecânica (1971) baseado na obra de Anthony Burgess (1962), “Alex (Malcolm McDowell), líder de uma gangue de delinquentes que matam, roubam e estupram”, é submetido a uma experiência científica para mudar seu o comportamento. O sucesso da experiência, contudo, mostra que ele tornou-se indefeso e “impotente para lidar com a violência que o cercava.” O protesto do capelão denuncia: “Alex foi privado de seu livre-arbítrio dado por Deus”. No fim ele voltou a ser o mesmo delinquente de antes (que crítica).

O regime da força nunca e em nenhum lugar da história da humanidade produziu mudanças permanentes no ser humano. Quando muito, o compeliu a uma falsa moralidade tal qual uma mola sob pressão pronta para voltar ao seu estado natural. Ou o homem se torna civilizado ou nada poderá fazê-lo, nem mesmo o castigo divino. É o que nos revela a história. Lembra da Nação lá do início? Não se trata do Brasil de 2015, mas de um país de 2700 anos passados.
“Então eu disse: Ouvi, rogo-vos, ó chefes de Jacó, e vós, ó príncipes da Casa de Israel: Não sois vós conhecedores do direito? Vós, que odiais o bem e sois apaixonados pelo mal, que arrancais a pele do meu povo e a carne dos seus ossos? ... Vossos líderes ajuízam debaixo da influência de subornos, seus sacerdotes ministram visando lucro, e até vossos profetas fazem revelações em troca de prata. E pior, ainda ousam apoiar-se no SENHOR, alegando: ‘Eis que Yahweh está no meio de nós. Nenhuma desgraça virá sobre nossas cabeças!’”(Miquéias 3,1-2 e 11). De modo claro e lamentável o texto mostra a união dos poderes políticos e religiosos contra os mais fracos.

O livro de Jeremias diz respeito a cerca de um povo obstinado o qual preferiu ouvir o que era conveniente (o profeta Ananiais) a mudar de comportamento. O resultado foram setenta anos de exilo. Em Malaquias (3,9) não sobra ninguém: “Estais debaixo de grande maldição, porquanto me roubais; a nação toda está me roubando.” São inúmeros os exemplos. Seja o povo escolhido ou não, a corrupção é vívida na história da humanidade desde os tempos remotos. Todavia um fato é perene: Só existe corrupção porque existe o corruptor. Quem é? Onde vive? Como age um corruptor?

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1 – Em meados de 2008 o artigo intitulado: “Pirataria ainda é crime” foi tema de uma campanha cujo objetivo era alertar sobre os valores éticos, morais e, principalmente, espirituais em relação às cópias não autorizadas de programas, músicas etc. A campanha teve culto de lançamento, camiseta com slogan do artigo e até uma divisa: “Não furtarás!” (Êxodo 20,15). 2 – "Ser como Cristo praticando a Bíblia!" foi o tema proposto pela Convenção Batista Brasileira (CBB) para o ano de 2012. A preocupação com a integridade estava destacada na ênfase: “Desafiados à prática da bíblia para ser padrão de integridade”. 3 – Em junho de 2013 a Controladoria Geral da União (CGU) lançou a campanha: “Pequenas corrupções, diga não!” cujo objetivo principal é “conscientizar os cidadãos para a necessidade de combater atitudes antiéticas – ou até mesmo ilegais –, que costumam ser culturalmente aceitas e ter a gravidade ignorada ou minimizada”.

O ponto comum nas três campanhas é o mesmo, o indivíduo. Para a CGU, por exemplo, falsificar a carteirinha escolar, roubar TV a cabo, aceitar troco a mais, furar fila, apresentar atestado médico falso, tentar subornar o guarda de trânsito, bater o ponto do colega, copiar trabalho acadêmico da Internet, declarar informação falsa no IR etc., são “hábitos cotidianos de um povo que podem refletir como são encaradas os casos de corrupção com dinheiro público no país.”

A raiz da corrupção está todos nós. Cabe a cada um fazer (individualmente) é dominar sobre esse mal. “Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Entretanto, se assim não fizeres, sabe que o pecado espreita à tua porta e deseja destruir-te; cabe a ti vencê-lo!” (Gênesis 4,7). A única diferença entre furtar uma caneta e roubar bilhões da refinaria de Pasadena é o tamanho do dano. Tudo mais é rigorosamente idêntico. O princípio é o mesmo e o sujeito também é. Como dizia mamãe: “quem rouba um centavo ou um milhão é ladrão do mesmo jeito”.

By Herizete Staneck
Portanto, ninguém pode acabar com a corrupção no Brasil ou qualquer outro país. No máximo pode-se reprimi-la pela força. Por outro lado, ninguém pode obrigar uma pessoa a ser corrupta: muito menos um cristão. O que podemos fazer? Cada um examine a si mesmo e pergunte: eu faço essa ou aquela coisa? Se cada um cuidar de si nas pequenas coisas já será um ótimo começo. “Foste fiel no pouco, muito confiarei em tuas mãos para administrar.” (Mateus 25,21).

Corrupção? Um princípio válido a qualquer pessoa (cristã ou não). “O que é errado é errado, mesmo que todo mundo esteja fazendo. O que é certo é certo, mesmo que ninguém esteja fazendo.” – Leonardo Martins.

29 de janeiro de 2015

Abraão o pai da fé madura

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1 - Abraão, confiando em Deus, deixou sua terra e peregrinou por longos anos em terra estranha. Conhecido por sua grande fé, ele também duvidou. Por duas vezes mentiu dizendo que Sarai (esposa) era sua irmã. Passados dez anos da promessa (ser  pai), aceitou a sugestão da esposa: ter sua descendência da escrava egípcia, Agar ...

2 - É comum atribuir a Sara nome de Isaque (riso), todavia foi Abraão quem riu primeiro da promessa de Deus. "Porque eu a hei de abençoar, e te darei dela um filho; e a abençoarei, e será mãe das nações ... Então ... Abraão ... riu-se, e disse no seu coração: A um homem de cem anos há de nascer um filho? E dará à luz Sara da idade de noventa anos?" Mas, de novo!?

3 - Tempos depois Abraão teve fé suficiente para oferecer seu único filho em sacrifício a Deus. Segundo o livro aos hebreus, confiava: 1) Na promessa ("... Isaque será chamada a tua descendência") e 2) no poder de Deus ("... era poderoso para até dentre os mortos o ressuscitar"). O tempo e o relacionamento com Deus fez de Abraão o "pai da fé". Abraão, um "herói" de carne e osso com virtudes e defeitos: bem humano!

28 de janeiro de 2015

Caim, um nome almaldiçoado. Será?

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1 - Seria seu nome, Caim, uma maldição? Seria ele um predestinado? Após agir de modo errado Deus o inqueriu. "Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante?" Era a dica para mudar de atitude. Todavia ele decidiu olhar para o lado (Abel) e inveja-lo. Mas, que escolha ele teria? Não é esse o seu nome? Nomes não carregam maldições? Sabe fazer bolo?

2 - Segundo aviso: "se não fizeres bem, o pecado jaz à porta ... mas sobre ele deves dominar." Caim estava preste a perder o controle da sua vida e do seu destino. Ainda dava tempo de mudar sua história.  Só dependia dele. Na receita, o fermento é a menor parte, no entanto é ele quem faz o bolo triplicar de tamanho. Caim fermentou o mal em sua mente. E claro, ele cresceu, tomou forma até que, finalmente, "ficou pronto". Matou!

3 -  Caim não era um predestinado a ser mau por causa do seu nome (ninguém é). Vítima dos maus pensamentos ele tornou-se amaldiçoado por causas das suas escolhas e atitudes. Errou (poderia refazer), pensou (poderia dominar), planejou (poderia desistir) e, executou (não havia mais volta). Das quatro, só a última fase era irreversível. Pobres pais: um filho assassino outro assassinado. Sabe fazer bolo? Não esqueça o fermento. Maus pensamentos? Melhor deixar "solar".

"E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão" (Gênesis 4,11)

26 de janeiro de 2015

A inveja matou Caim

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1 - “Onde está teu irmão Abel?” Retrucou Caim: “Não sei; acaso sou eu o protetor do meu irmão?” A pergunta é retórica, a resposta uma fuga. Caim havia acabado de matar seu irmão. Mas por que ele faria tal coisa? Inveja! Como diz o dito popular “a inveja matou Caim”. Inveja do que?

2 - Caim: 1) nome do primeiro filho de Adão e Eva; 2) verbo (entoar uma canção fúnebre). Abel (hebel): 1) nome próprio; 2) sopro, espírito. Abel ofereceu a Deus suas premissas, ou seja, o que era mais importante ou prioritário. Deus aceitou a sua oferta, mas não aceitou a oferta de Caim. Por que não?

3 - Quando o espírito (hebel) é reto as prioridades são claras e as atitudes corretas, portanto são aceitas por Deus. Caim, se irou porque a sua oferta não fora aceita. "Por que te iraste? ...  Se bem fizeres, não é certo que serás aceito?" Além de não agir corretamente, intentou e matou seu irmão. A inveja é assim, mata o espírito nobre.

"e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e o matou." (Gênesis 4,8b)

5 de janeiro de 2015

A tigela de madeira

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Um frágil e velho homem foi viver com seu filho, a nora e o neto de quatro anos. As mãos do velho tremiam, a vista era embaralhada e o seu passo era hesitante.

A hora da refeição era ainda mais complicada. Por causa das mãos trêmulas, por vezes o garfo ou a comida acabava caindo no chão. Ao pegar seu copo de leite, ele acabava derramando um pouco na toalha da mesa, o que irritava muito o filho e a nora.

“Nós temos que fazer algo com respeito ao papai”, disse o filho. “Já tivemos bastante do seu leite derramado, ouvindo-o comer ruidosamente e de sua comida pelo chão”.

O casal decidiu então colocar uma pequena mesa em um canto da cozinha, onde o velho comia sozinho, enquanto a família desfrutava do jantar no lugar de costume. Desde que o avô tinha quebrado um ou dois pratos, a comida dele passou a ser servida em uma tigela de madeira.

Quando a família olhava de relance na direção do velho, às vezes percebiam nele lágrimas nos olhos por estar só. Ainda assim, as únicas palavras que o casal tinha para ele eram advertências acentuadas por derrubar algo no chão. O menino assistia e prestava atenção a tudo em silêncio.

Certa noite, antes da ceia, o pai notou que a criança estava brincando no chão com sucatas de madeira e perguntou docemente ao menino: “O que você está fazendo?”

De modo inocente ele respondeu: “Eu estou fabricando uma pequena tigela para você e a mamãe comerem sua comida quando eu crescer”, e voltou a trabalhar.

Essas palavras fizeram os pais emudecerem e as lágrimas vieram aos seus rostos. Naquela mesma noite, o pai pegou o avô gentilmente pelas mãos e o levou até a mesa de jantar onde ele passou a comer com a família todos os dias.  A partir daquela data o casal não se importava mais com o garfo ou a comida que caía no chão, nem com o leite derramado sobre a toalha da mesa. (adaptado de autor desconhecido).

O estatuto do idoso completou 11 anos no dia 1º de outubro, no entanto, ele só terá efeito quando for entendido no seio das famílias. Nesse sentido, aliás, nem seria necessário um estatuto.

Eis aí a tua mãe!
Nós, cristãos, temos a Palavra a qual nos ensina muito a respeito deste assunto. “Honra a teu pai e tua mãe”, “Ensina a criança no Caminho em que deve andar”, “cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades”. Todavia, dentre todos, o que eu mais gosto vem do Mestre. “Quando Jesus, contudo, viu sua mãe e junto a ela o discípulo a quem Ele amava, disse à sua mãe: ‘Mulher, eis aí teu filho!’” (Jo 19,26).

Em meio à dor torturante da cruz e antes que tudo fosse consumado (v. 30) Jesus lembrou-se daquela que o carregou no ventre, alimentou e o educou até que se tornasse homem feito. Não, Ele não poderia deixá-la só, então: “Em seguida, disse Jesus ao seu discípulo: ‘Eis aí a tua mãe!’ E daquele momento em diante, o discípulo amado a recebeu como parte de sua família.” (Jo 19,27b)

20 de julho de 2014

Tempo que foge! E foge depressa

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“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.”1

Em seu conhecido texto: Tempo que foge, o pastor Ricardo Gondim:2 1) Se dá conta que o tempo que falta viver é menor do que o aquele que viveu até agora; 2) Deseja aproveitar ao máximo o tempo que lhe resta: “faltam poucas”. Pensar sob essa perspectiva costuma realinhar o modo ver e viver a vida cristã. Normalmente ajuda a redefinir com o que vale ou não a pena gastar o tempo.

Para o autor, algumas coisas perderam a importância. “Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos ... para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos parlamentares e regimentos internos ... para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos ... para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções da Bíblia. ‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos. Já não tenho tempo para ficar dando explicação aos medianos se estou ou não perdendo a fé, porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes ...”

Por outro lado, ele se encanta com outras pessoas que valem cada segundo do seu tempo. “Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a ‘última hora’; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus. Caminhar perto dessas pessoas nunca será perda de tempo.”

Tomado por essa mesma sensação penso no Senhor Jesus. Ele veio ao mundo em forma humana e, decidiu andar, ensinar e acreditar nas pessoas. Num ato esplêndido de amor, aceitou morrer em favor dos redimidos, mesmo sabendo que nem todos o aceitariam. “Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10,45). Foi humilhado, traído e abandonado, inclusive por seus maiores amigos. Foi insultado, incompreendido pela religião dura e fria e, finalmente, foi açoitado e morto injustamente. Então; será que valeu a pena?

“Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si.” (Is 53,11). Sim, por amor valeu. Valeu a pena ser pisado e espremido (Getsêmani)3. Por “causa dos eleitos que escolheu” (Mc 13,20) valeu a pena gastar seu tempo e acreditar nas pessoas. Nossa vida cristã precisa valer a pena e, de modo geral, a finitude nos ajuda a realinha as prioridades e a valorizar aquilo que realmente tem valor: gente.

Portanto, precisamos remir o tempo de modo a produzirmos frutos dignos de arrependimento enquanto há tempo. Porque, pensando bem, o tempo foge e foge depressa.


1GONDIM, Ricardo. Eu creio, mas tenho duvidas (Tempo que foge). Viçosa: ed. Ultimato, 2007. p. 102.
2Alguns atribuem, por engano, a autoria desse texto a Rubem Alves.
3Lugar onde se espremiam as azeitonas para se retirar o azeite.

11 de julho de 2014

O que você está fazendo?

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O pastor se aproximou da senhora que cuidava das crianças durante o culto e perguntou.  – O que você está fazendo? A mulher parou por alguns instantes, olhou para pastor e disse.  – Que pergunta estranha pastor, qualquer um pode ver que estou cuidando deste bebê. – E se eu lhe dissesse que você não está trocando as fraldas?  Com olhar curioso a mulher observava o pastor, que continuou.  – Você está tornando possível a uma jovem mãe confiar seu filho aos cuidados de outra. E por causa disso, ela é capaz de ouvir a mensagem do Evangelho sem se distrair com as necessidades constantes de seu bebê. No final de culto, quando ela abrir seu coração ao Senhor, não serei eu a levá-la a Cristo ... Nós fizemos isso juntos!  Então, ela sorriu. – Obrigado por seu trabalho em ajudar a levar pessoas Cristo.1

A primeira coisa que Jesus fez em seu ministério, imediatamente após ser tentado, foi anunciar o reino de Deus. “Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.” (Mt 4,17) Na verdade, cada milagre, cada frase, cada ação, cada olhar, tudo, absolutamente tudo, estava comprometido com  o objetivo de levar pessoas a conhecerem o Pai. Mesmo a escolha dos apóstolos visava à continuidade dessa mensagem. Jesus nasceu, cresceu, viveu e morreu para que muitos tivessem a possibilidade de encontrar o caminho que leva ao seu reino. Na igreja de Jesus não há nada mais importante do que isso!

No passado, quando membro da comissão de indicação senti na pele a dificuldade em encontrar pessoas dispostas a colaborarem em cargos considerados menos importantes. Faltava a estes irmãos a visão de reino porque, na igreja de Jesus, todos os cargos são igualmente importantes.

Sou educador por profissão e atuei como professor de EBD nos últimos anos. É um dom e uma paixão. Mas como me sinto profundamente feliz em ser aluno na classe. Entendi que este é um tempo de aprender e reaprender. Para mim está muito claro que eu devo ser útil noutra área onde é mais necessário para Ele e o seu reino. Foi a partir da história acima que eu pude perceber o que o Senhor queria de mim. A pergunta do autor “o que você está fazendo?” foi escrita diretamente para mim, penso cá com os meus botões.

A felicidade não está em se fazer o que se gosta ou o que se sabe com mestria. Tão pouco está em ter um conhecimento profundo da Escritura. Tudo isso é bom e prazeroso, admito. Mas o que move o meu coração é ser útil no reino de Deus. É saber que de alguma maneira sou instrumento nas mãos dele. É saber que de alguma forma posso ser bênção para os outros. O que estou fazendo? Ajudando a levar pessoas aos pés de Jesus Cristo.

1 Adaptado de uma história do livro A igreja irresistível  de Wayne Cordeiro.

25 de junho de 2014

Apenas uma luz

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“A história conta sobre uma expedição da Segunda Guerra Mundial com seis aviões que decolaram de um navio cargueiro. Eles lançaram seus explosivos e, sob a mortalha da noite, iniciaram seu caminho de volta.

Conectado pelo rádio ao navio, eles solicitaram que luzes fortes iluminassem as perigosas ondas do mar, de modo que pudessem aproximar-se do deck flutuante. A resposta foi que era preciso manter o blecaute absoluto por causa dos aviões inimigos que vigiavam os navios aliados.

Os pilotos enviaram de volta uma solicitação de socorro porque, sem as luzes, eles seriam incapazes de encontrar o navio no oceano tingido de negro. O operador rejeitou seus apelos.

– Pelo menos uma luz – o piloto-chefe implorou. – Apenas uma luz na proa, e nós teremos uma chance!
– Estamos apenas seguindo ordens – o operador retornou. – Sinto muito. Sinto muito mesmo – e as linhas de comunicação da torre se calaram.

Todos os seis aviões se perderam”.1

Apenas uma luz e teremos uma chance ...

“Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.” (Jo 9,5). O Senhor Jesus tinha muito claro o sentido de urgência. Ele sabia que a noite viria quando ninguém mais poderia trabalhar (v. 4).

Ao longo da vida muitas são as oportunidades de sermos luz para aqueles que precisam de uma palavra, um gesto, um abraço, um silêncio. Uma luz, ao menos uma, para que as pessoas tenham uma chance: de recomporem o casamento; de encontrarem uma saída melhor que o suicídio; de retornarem do caminho das drogas etc. Uma luz, ao menos uma.

“As pessoas sofridas não precisam de um novo clichê religioso ... de um novo jargão eclesiástico. Precisam apenas de alguém que fale em nome de Deus.”2 Alguém, ao menos um, que tenha intimidade com o Senhor. E, para isso, não é preciso ser um teólogo, um líder religioso, ou alguém “especial”. A única coisa necessária é viver aos pés de Cristo de tal forma que o falar, o pensar e o agir sejam iguais aos Dele.

“Então eles, vendo a ousadia de Pedro e João, e informados de que eram homens sem letras e indoutos, maravilharam-se e reconheceram que eles haviam estado com Jesus.” (At 4,13)

Se essas pessoas encontrarem um cristão, ao menos um, elas terão uma chance, ao menos uma de se salvarem.

Apenas uma pessoa e teremos uma chance ...

Querido Pai, que eu seja essa pessoa. Que eu tenha o mesmo sentido de urgência de Jesus, que eu nunca perca uma oportunidade de ser luz, e, principalmente, que eu tenha sempre intimidade contigo para poder falar em teu nome.

1 CORDEIRO, Wayne. Mentores segundo o coração de Deus (The Divine Mentor). Taubaté: ed. Vida, 2008. p. 201-202.
2 ibidem.

21 de junho de 2014

Emoções são más conselheiras

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Direto da sala da EBD. A pergunta desconcertante era: “Hananias cria mesmo na profecia que ele fez?”

Em primeiro lugar, os títulos da Bíblia (de todas) foram criados depois dela estar pronta (depois do Cânon). Portanto, chamá-lo de falso profeta é título e não texto bíblico.

Em segundo lugar, a pergunta era temporal, isto é, não anacrônica. A leitura e interpretação da bíblia costuma ser quase que 100% vezes anacrônica. Ou seja, o leitor, já conhecedor dos resultados, analisa os erros dos envolvidos quando eles não tinham a menor certeza do que iria acontecer.

Ora, Hananias repetiu a profecia de Jeremias, mas ... sutilmente divergiu dele quanto aos anos de cativeiro. Enquanto Jeremias havia profetizado setenta anos de cativeiro na Babilônia, Hananias falou em dois anos.

Jeremias: “Acontecerá, porém, que, quando se cumprirem os setenta anos, visitarei o rei de babilônia, e esta nação, diz o SENHOR, castigando a sua iniqüidade, e a da terra dos caldeus; farei deles ruínas perpétuas.” (Jr 25,12)

Hananias: “Depois de passados dois anos completos, eu tornarei a trazer a este lugar todos os utensílios da casa do SENHOR, que deste lugar tomou Nabucodonosor, rei de babilônia, levando-os a babilônia.” (Jr 28,3).

Antes de julgarmos o segundo profeta como falso, termo que, repito, não está na Bíblia, é preciso atenção à resposta do próprio Jeremias. “Disse, pois, Jeremias, o profeta: Amém!” (Jr 28,6). Amém quer dizer, assim seja, portanto Jeremias está concordando com a profecia de Hananias e não o desmentido.

O contexto de Judá sob quem a profecia se refere, era péssimo. O Reino do Norte já havia sido destruído e o Reino do Sul (Judá) estava sob o controle do rei da Babilônia, Nabucodonosor (cap. 25-27).

Jeremias não é conhecido como o “profeta chorão” por acaso. Ele tinha grande tristeza em seu coração por causa do grande sofrimento de seu povo. Ver duas gerações no exílio, 70 anos, era muito triste e certamente ninguém desejava isso; nem o rei, nem o povo, nem os profetas Jeremias e Hananaias. Por outro lado, muitas vezes o Senhor “mudou de ideia” diante do arrependimento de seu povo e até de outros povos, como os Ninivitas, por exemplo (livro de Jonas). Além disso, recentemente o Senhor havia livrado Judá da destruição certa de uma forma milagrosa (2 Rs 19) e todos sabiam disso. Mas havia uma diferença, Jeremias era prudente:

“Os profetas que houve antes de mim e antes de ti, desde a antiguidade, profetizaram contra muitas terras, e contra grandes reinos, acerca de guerra, e de mal, e de peste. O profeta que profetizar de paz, quando se cumprir a palavra desse profeta, será conhecido como aquele a quem o Senhor na verdade enviou.” (Jr 28,8-9).
Ora, todos os profetas antes dele profetizaram de males e pestes, agora Hananias profetizava de prosperidade, então somente se a profecia se cumprisse era vinda do Senhor.

Infelizmente, aquela notícia boa, a qual todos queriam ouvir e trazendo alegria aos corações era apenas movida pelos sentimentos e percepções do profeta Hananias. Suas emoções o levaram a mentir em nome de Deus e trazer grande sofrimento ao povo. Ao quebrar jugo de madeira, que o Senhor mesmo havia mandado, acabou por piorar a situação de Judá.

“E agora eu entreguei todas estas terras na mão de Nabucodonosor, rei de babilônia, meu servo; e ainda até os animais do campo lhe dei, para que o sirvam. E todas as nações servirão a ele, e a seu filho, e ao filho de seu filho ... E acontecerá que, se alguma nação e reino não servirem .. e não puserem o seu pescoço debaixo do jugo do rei de babilônia, a essa nação castigarei com espada, e com fome, e com peste, diz o SENHOR, até que a consuma pela sua mão” (Jr 27,6-8).

E foi isso que fez Hananias, rejeitou o jugo: “Então Hananias, o profeta, tomou o jugo do pescoço do profeta Jeremias, e o quebrou.” (Jr 28,10).

E disse ainda, “Assim diz o SENHOR: Assim, passados dois anos completos, quebrarei o jugo de Nabucodonosor, rei de babilônia, de sobre o pescoço de todas as nações.” (Jr 28,11).

Diante destas palavras e sem a certeza de qual seria o veredito do Senhor Jeremias decidiu ir embora. Jeremias não contendeu com Hananias, antes foi prudente e, ao ser confrontado, fez silêncio. Mas a dúvida não ficaria em seu coração, o Senhor não mudaria de ideia, não desta vez. Agora o jugo seria de ferro, a morte e a peste viriam por causa da desobediência do povo que decidiu dar ouvidos a Hananais, ou melhor, às suas próprias emoções.

Ainda que tenha dito amém preferiu ouvir o Senhor a ouvir o seu coração. Por mais dura ainda que fosse a mensagem de Deus, Jeremias ficou com ela. (Jr 28,13-14).

Hananias fez com que o “...povo confiasse em mentiras.” (Jr 28,15). Mentira, essa é a palavra descrita na Bíblia e não “falso”.

Numa sociedade tão embrutecida como a nossa, é claro que emoções (boas) são mais que bem vindas. Mas quando se trata da Palavra de Deus, as emoções não são boas conselheiras. No caso de Hananias custou-lhe a vida. “E morreu Hananias, o profeta, no mesmo ano, no sétimo mês.” (Jr 28,17).

Quanto à pergunta “Hananias cria mesmo na profecia que ele fez?” a resposta está diluída no corpo do texto. Examine a Bíblia e o texto com cuidado e encontre você mesmo a resposta.

Nossa gratidão ao professor Walmir da igreja do Méier por suas considerações.
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