27 de dezembro de 2015

O espetáculo de luzes anuncia: Haja Paz!

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Ainda impactado pela apresentação de ontem (21) decidi pesquisar sobre a origem de tão bela apresentação que está completando 5 anos. Segundo o site Sopa Cultural*, foi “inspirada no tradicional Coral de Crianças do Palácio Avenida, um dos eventos turísticos de natal de Curitiba, que Jeanni Purin, integrante da Igreja Batista do Méier, criou o projeto Janelas do Natal.” E que bela inspiração! Como completa a reportagem, “uma forma de levar para fora um espetáculo que até então ficava entre as paredes do templo.”

“O coro do natal do Palácio Avenida [fonte da inspiração] é formado por aproximadamente 130 crianças, entre 7 e 16 anos, das 11 instituições parceiras do Programa HSBC Educação”, cujo objetivo é “oferecer uma oportunidade de crescimento emocional, social e artístico às crianças participantes e todo o público que acompanha as belíssimas apresentações.” Embora tenha morado naquela cidade por algum tempo, não tive a oportunidade de assistir a nenhuma delas na conhecida Rua das Flores, em Curitiba. Contudo, no ano passado, fui impactado pela primeira vez pelas apresentações do Janelas do Natal na praça Agripino Grieco, no Méier. Mais do que um trabalho social, as janelas anunciam Jesus, o Senhor do natal.

O tema deste ano não poderia ser mais oportuno: “Haja Paz”. Por tudo que vimos em 2015, no Brasil e no mundo, a paz tornou-se ainda mais desejada e esperada. Por isso, desejo que apesar das perdas, que haja Paz; apesar das dificuldades de saúde, que haja Paz; apesar dos desempregos e das incertezas no ano que virá, que haja Paz. Haja Paz na sua casa, no seu trabalho e nos seus projetos para o próximo ano. E, ainda que tudo pareça ou seja difícil, que a Paz de Jesus, o príncipe da Paz, esteja no seu coração.

Conforme Ele nos afirma no Evangelho de João 14.27: “Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não permitais que vosso coração se preocupe, nem vos deixeis amedrontar.” (KJA)

Haja Paz! Assim nos assevera o Senhor, assim anunciaram os anjos e esse é também o meu desejo a todos os amigos da Igreja Batista do Méier.

Com carinho,

Leonardo Martins.
*Fonte: Sopa Cultural

7 de novembro de 2015

A gratidão do velho Jacó

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José, filho de Raquel, era o preferido de Jacó. Por ciúme e inveja os irmãos o venderam e fizeram o pai acreditar que ele havia morrido. Um sofrimento muito grande: “Todos os seus filhos e filhas se achegaram para oferecer-lhe consolo, contudo ele recusou toda e qualquer consolação, e declarou: ‘Não! É em luto que descerei ao Sheol para me encontrar com meu filho!” (Gn 37.35).

Raquel, a amada de Jacó, morreu no parto de Benjamin. Por isso, quando o Governador do Egito (José) prendeu Simeão até que lhe trouxessem o irmão caçula, Jacó escolheu Benjamin. Nem Ruben fez o pai mudar de ideia. “Podes tirar a vida de meus dois filhos se eu não o trouxer de volta.” (Gn 42.37). Jacó morreria de tristeza se algo acontecesse a Benjamin e todos sabiam disso: “O menino não pode se ausentar de seu pai; se ele deixar seu pai, este morrerá de desgosto” (Gn 44.22), disse Judá ao Governador do Egito.

Mas uma notícia o reanimou. “Basta! José, meu amado filho, ainda está vivo! Que eu vá imediatamente vê-lo antes de morrer!” (Gn 45.28). Quando Jacó chegou ao Egito e José viu seu pai “correu para abraçá-lo e, abraçando-o com grande emoção, chorou longamente.” (Gn 46.29).

Com frequência, a história de José é lembrada por seu perdão aos seus irmãos, pelo modo como Deus o usou para salvar toda a terra e a própria descendência, e por sua integridade diante de todas as injustiças e tentações que sofrera. No entanto, a perspectiva de Israel (Jacó) não é menos comovente.
O homem que, à beira da morte, revive ao saber que José vivia, se declara feliz pelo simples fato de rever seu filho. “Agora, pois, já posso morrer em paz, porquanto vi o teu rosto e sei que ainda estás vivo!” (Gn 46.30). Mas Jacó também precisou fazer escolhas. Viver a amargura e o rancor pelos anos de separação de José ou viver intensamente a alegria de tê-lo ao seu lado. Viver em atrito com seus filhos por tudo que eles lhe fizeram ou viver em paz com todos e em família.

Jacó morreu feliz porque escolheu deixar no passado toda dor que sofrera e, olhando para o presente com alegria, viveu o futuro com esperança. Se o valor de uma história está no modo como ela termina, a história de Jacó termina com um coração cheio de gratidão ao Senhor. “A mim, que não tinha mais a esperança de rever teu rosto, eis que Deus me concede a bênção de ver até teus descendentes!” (Gn 48.11).

Tão comovente como a história de José é perceber a gratidão do velho Jacó.

O Cristianismo da pureza

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A vida é tão curta e nós tão frágeis. Deveríamos aproveita-la mais nos ocupando das coisas realmente importantes.  Via de regra o cristão deveria ser feliz. Feliz porque tem uma nova vida a qual nunca se acaba. Uma vida que começa aqui e vai à eternidade. Contudo, como ser feliz neste mundo? Ou melhor, como ser um cristão puro diante de um mundo contaminado? Como ser puro diante de igrejas que se deixam contaminar pelos valores mundo?

Pureza, simplicidade e humildade. “Em verdade vos digo que qualquer que não receber o reino de Deus como menino, de maneira nenhuma entrará nele”. (Marcos 10.15).

O Cristianismo puro é simples como é um menino. O cristianismo puro/autêntico é vivido por um coração puro. O Cristianismo puro/verdadeiro é vivido com humildade. Afinal, quantos têm condições de perceber as malícias e artimanhas deste mundo? Quantos percebem a volúpia dos corações de seus líderes? Isso pouco importa! Se o homem pode fazer bem e não faz, peca. Contudo, o cristão humilde sabe discernir uma coisa da outra pela razão? Só pelo Espírito.

É o Senhor quem dá dons a quem Ele quer. Ai daqueles que têm o dom de governo e não governam. Ai daqueles que têm o dom de pastoreio e são mercenários. Ai dos que têm o dom de mestre e não ensinam. Cada dará conta de si e estes darão conta também dos que lhe foram confiados. “E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá”. (Lucas 12.4b).

É preciso ser como um menino para viver o Evangelho de Cristo. É preciso depender como um menino, orar e chorar como um menino. É preciso ter a pureza, a franqueza, a alegria e a simplicidade de um menino. Por isso, não importa ao cristão puro/íntegro os desvios dos outros. O que importa é guardar o seu coração reto diante do Senhor! Simplicidade, é isso que Ele nos pede. “E que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a misericórdia e andes humildemente com o teu Deus?” (Miquéias 6.8c).

Talvez alguém pergunte: - E as agruras da vida? O que fazer num mundo mal e violento? Respondendo com outra pergunta: o que fazer? Matar, morrer? Não, viver!

Portanto, viva e deixe viver! A vida é dura e também bela.
Viver uma vida justa, simples e humilde diante de Deus. Essa é a teologia de Jesus, este é o cristianismo puro que Ele nos ensinou. As demais coisas são importantes (os desvios de pessoas mal intencionadas), mas não são as essenciais.

6 de novembro de 2015

Dia (Inter)Nacional do idoso

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27 de setembro ou 1 de outubro?

A história do dia Internacional do idoso começou em 1982 com o Plano Internacional de Ação sobre o Envelhecimento em Viena, Áustria. Aprovado pela Assembleia Mundial do Envelhecimento e, no mesmo ano, pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o Plano foi o primeiro instrumento internacional sobre o envelhecimento, e forneceu uma base para a formulação de políticas e programas sobre envelhecimento. Ele incluía sessenta e duas recomendações para a pesquisa-ação de endereçamento, coleta de dados e análise, treinamento e educação, bem como as seguintes áreas setoriais: saúde e nutrição, proteção dos consumidores idosos, habitação e meio ambiente, família, assistência social, segurança de renda e de emprego, e educação.

No dia 14 de dezembro de 1990 a Assembleia Geral da ONU, por meio da resolução 45/106, determinou o dia 1º de outubro como Dia Internacional do Idoso. Na Assembleia seguinte (1991), a ONU aprovou a resolução 46/91 que trata dos direitos dos idosos, cujos princípios norteiam as discussões contemporâneas sobre a situação do idoso. Entre esses princípios, estão os da “autorrealização” e da “dignidade”.

No Brasil, a Comissão de Educação do Senado Federal aprovou a emenda ao Projeto de lei 513/1999 estabelecendo o dia 27 de setembro como Dia Nacional do Idoso, dia de São Vicente de Paula, considerado o pai da caridade. Até 2006, o Dia do Idoso era celebrado no dia 27, mesmo dia em que as religiões afro-brasileiras comemoram o dia de Cosme e Damião. – No catolicismo comemora-se no dia 26.

O Plano Internacional de Ação sobre o Envelhecimento de Madri, Espanha, e a Declaração Política aprovada na Segunda Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento em abril de 2002, marcam um momento decisivo na forma como o mundo abordaria o desafio-chave da "construção de uma sociedade para todas as idades". O Plano de Ação traz uma nova agenda ousada para lidar com a questão do envelhecimento no século XXI. Ele se concentra em três áreas prioritárias: as pessoas idosas e seu desenvolvimento; a promoção da saúde e bem-estar na velhice; e assegurar ambientes propícios e favoráveis. É um recurso para a formulação de políticas, sugerindo formas de governos, organizações não governamentais e outras entidades, no sentido de reorientar as maneiras pelas quais suas sociedades percebem, interagem e cuidam de seus cidadãos mais idosos. Além disso, o Plano representa a primeira vez em que Governos concordaram em vincular questões do envelhecimento com outras estruturas de desenvolvimento social e econômico e dos direitos humanos.

No dia 1º de outubro de 2003 foi aprovada a Lei nº 10.741, que tornou vigente o Estatuto do Idoso no país. Com a criação do Estatuto, o Brasil começou a incorporar à sua jurisprudência resoluções de organizações internacionais, como a ONU e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Finalmente, em 28 de dezembro de 2006, entrou em vigor a Lei Federal nº 11.433/06 que dispõe sobre o Dia do Nacional Idoso a ser comemorado no dia 1º de outubro, juntamente com o Dia Internacional do Idoso.

Para este 25º Dia Internacional do Idoso, a ONU tem como tema: "Sustentabilidade e inclusão do idoso no ambiente urbano" – sublinhando a necessidade de tornar as cidades inclusivas para pessoas de todas as idades.

Portanto, tão importante quanto conhecer a história do dia Nacional ou Internacional do idoso é conhecer o Estatuto e participar dos Fóruns, Congressos e Simpósios, como, por exemplo, o II Simpósio do Envelhecimento promovido pela prefeitura do Rio.

Feliz dia do Idoso!

Bereanos ou baderneiros?

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Cena 1: Atos 17.1-9

Ao chegarem a Tessalônica Paulo e Silas fazem o habitual, vão à sinagoga. Por três sábados Paulo explica e comprova: “Este Jesus que vos anuncio é o Messias!” (v. 3)

Resultado 1: “alguns dos judeus foram convencidos e se uniram a Paulo e Silas, bem como uma multidão de gregos obedientes a Deus e diversas senhoras da alta sociedade local.” (v. 4)

Resultado 2: Com “forte inveja” os líderes judeus reuniram homens perversos dentre os desocupados para causar um tumulto na cidade, e ainda, acusaram Paulo e Silas diante dos governantes: “Estes que têm causado alvoroço em todo o mundo, agora chegaram também aqui.” (v. 6)

Cena 2: Atos 17.10-16

Paulo e Silas vão para Berea e fazem a mesma coisa, vão à sinagoga anunciar o Messias.

Resultado 1: Os bereanos dedicaram-se a estudar a Escritura para verificar se o que Paulo dizia “correspondia à verdade.” (v. 11)

Resultado 2: Muitos judeus, gregos e mulheres da alta sociedade creram em Jesus. (v. 12)

Resultado 3: Os líderes judeus de Tessalônica foram imediatamente à Berea, cerca de 102km de distância por rodovia, para causar confusão na cidade. (v. 13)

Por um lado, é fácil entender a narrativa, por outro, alguns elementos ajudam na compreensão do significado mais profundo do texto. Vide vocabulário abaixo.


Baderneiros

A inveja nunca dá bons frutos.

1) Rejeição. Paulo provou pela Escritura a verdade sobre o Messias. Diante dela, uns aceitaram, outros rejeitaram. Paulo esteve com eles por três sábados, tempo suficiente para que a Escritura fosse examinada e, se estivesse errada, fosse contestada. Eles sabiam que não estava porque Paulo provou, pela Escritura, que Jesus era o Messias. Portanto, aqueles líderes rejeitaram a Escritura, a Verdade e o Messias, e não a Paulo e Silas.

2) Perseguição. Não podendo refutar a Escritura, decidiram perseguir seus pregadores, Paulo e Silas. Talvez seja essa uma das tantas perseguições que Paulo fala em 2Co 11.

3) Abuso. Usando de uma autoridade que tinham (religiosa) invadiram a casa de Jasom com uma autoridade que não tinham (policial). (v. 5)


















4) Insanidade. A palavra inveja, no original, é “forte inveja”. Tal sentimento levou os líderes da religião judaica (a religião de Deus) a se associarem com as piores pessoas da cidade, por mais incrível que isso possa parecer. Uma associação impensável: Juntar religiosos com maus-caracteres. Naquela época muitas pessoas trabalhavam por um salário diário (os diaristas dos nossos dias). Mas os religiosos contrataram justamente aqueles que estariam dispostos a fazer um “trabalho sujo”.

5) Mentira. Os defensores da verdade divina descumpriram o mandamento de Deus: “Não darás falso testemunho contra o teu próximo.” (Êx 20.16) Mentiram intencionalmente acerca de Paulo e Silas aos magistrados romanos. Também na condenação de Jesus, um grupo de líderes religiosos mentiu acusando Jesus perante Pilatos, o governador da Judéia: “Encontramos este homem subvertendo a nossa nação. Inclusive, proibindo o pagamento de impostos a César e se dizendo o Messias, o Rei!” (Lc 23.2)

6) Covardia. Fraudulentamente colocaram pessoas simples (os servos de Deus) contra as autoridades do governo romano: “eles estão agindo contra os decretos de César, proclamando que existe um outro rei, chamado Jesus!” Assim como a atitude de Pilatos foi de tentar libertar Jesus, em Lucas 23, a atitude dos magistrados (não crentes) foi favorável aos inocentes: “libertaram Jasom e os demais irmãos ... ” (v. 9a)

7) Prejuízo ao reino de Deus. A justiça feita a Jasom teve um preço. Eles foram libertos “ ...  após o pagamento da fiança estipulada.”  (v. 9b)


Bereanos

Com frequência ouvimos a expressão, sou bereano! Bereano tornou-se um adjetivo, um sinônimo de virtude atribuída ao cristão atento à leitura da Bíblia. Ou seja, aquele que sempre investiga se o que está sendo exposto está de acordo com a Escritura.

Em primeiro lugar, ser leitor atento da Bíblia é de fato uma virtude, – quanto mais nestes tempos em que ela é mal lida ou negligenciada –, no entanto, Tiago vai além: “Sede praticantes da Palavra e não simplesmente ouvintes, iludindo a vós mesmos.” (Tg 1.22) Ler a Bíblia não é a maior das virtudes e conhecê-la também não, principalmente se considerarmos que o Diabo usou a Escritura para tentar o Filho de Deus.

Em segundo lugar, os líderes de Tessalônica, perseguidores de Paulo e Silas, examinavam atentamente a Escritura. Eles eram líderes da religião judaica e a ensinavam na sinagoga, onde haviam muitos prosélitos (os gregos). Tanto examinavam que não puderam confrontar Paulo. A Escritura era de conhecimento de todos, por isso várias pessoas foram convencidas, pela Palavra, que Jesus era o Messias. Portanto, não havia falta de conhecimento ou exame das Escrituras em nenhuma das duas cidades.

Em terceiro lugar, os bereanos não eram deslumbrados com a eloquência de Paulo (como também não o foram os de Tessalônica). A mensagem recebida no sábado foi “ruminada” todos os dias da semana: “dedicaram-se ao estudo diário das Escrituras”.
Por último, eles avaliaram se tudo era mesmo verdade (assim como fizeram os moradores de Tessalônica).

Logo, a virtude dos moradores de Berea consistia em sua mente “mais nobre”. Havia genuíno interesse pela Palavra de Deus a qual recebiam com “vívido interesse”. Ora, só se interessa por algo quem está, de algum modo, comprometido com esse “algo”. Os bereanos queriam conhecer a Escritura para viver segundo Ela e não apenas saber por saber, muito menos intentaram rejeitar a Verdade da Escritura. Por isso, a reação dos homens de Berea foi oposta a dos líderes da cidade vizinha.

Por um lado, examinavam atentamente o que era pregado para não serem levados por qualquer vento de doutrina. Por outro, estavam dispostos a abrir mão da tradição, dos conceitos e pré-conceitos religiosos, e, de toda e qualquer liderança que tivessem em prol da Verdade da Escritura. Para aqueles homens não importava se quem estava pregando era o rabino mais sábio de Jerusalém, o apóstolo Paulo ou qualquer iletrado. Se a Verdade os confrontasse mudariam de procedimento submetendo-se a Palavra de Deus. Nisso consistia a nobreza dos cristãos de Berea. Para os homens da cidade de Berea a Escritura era “a suprema regra de fé e prática”.

Mas a inveja é incansável em fazer o mal. Como os bereanos não se opuseram a verdade apresentada por Paulo e Silas, os religiosos tomaram uma atitude: “.. quando os líderes judeus de Tessalônica tomaram conhecimento que Paulo estava ensinando a Palavra de Deus em Berea, rumaram imediatamente para lá, agitando e instigando a população.” (v. 13)

Definitivamente a inveja é destrutiva em todos os sentidos.


Nos dois casos, Paulo não refutou, reagiu ou defendeu-se das acusações mentirosas. Ao ser perseguido, não criou confusão nas cidades onde passou, antes partiu para outro lugar e continuou anunciando que Jesus é o Messias. E, para isso, usava tão somente a Escritura. Sola scriptura.

Conclusões

Diante da Verdade ninguém fica imparcial. Ou rejeita ou aceita. Quem não se submete a Escritura a persegue, se rebela e nega a soberania do Senhor sobre a sua vida.

Conhecer a Escritura não torna ninguém melhor. Dependendo da intenção do coração pode, até, levar a práticas ruins e impensáveis.

A Verdade sempre é bíblica. Anunciar o Evangelho nunca pode prescindir da Escritura. Assim faziam Paulo e Silas.

Ser cristão não é e nunca foi sinônimo de “alvoroçador” (arruaceiro, baderneiro). Embora na língua portuguesa alvoroço possa assumir um valor positivo, e até de virtude, o texto de Atos 17, não confirma isso.

O cristão chamado bereano examina atentamente a Palavra com coração nobre, ou seja, disposto a moldar a sua vida a vontade do Senhor Jesus. Por isso, tem compromisso com a Escritura a fim de conhecer o propósito de Deus para sua vida.

Finalmente, o que se chama bereano, deve ser um leitor atento da Escritura para não ser levado por um discurso bem elaborado, de quem quer que seja, e acabar fazendo ou repetindo o que não agrada a Deus e não é bíblico.

Bereano, sim, baderneiro, nunca!



Vocabulário.

1 – Desocupados (agoraio). a) mascates, pequenos comerciante, distribuidores varejistas; b) vadios, ociosos, o povo simples, humilde, povo pobre.

2 – Perversos (poneros). Mau, de natureza ou condição má. a) num sentido físico: doença ou cegueira; b) num sentido ético: mau, ruim, iníquo.

3 – Alvoroçar (anastatoo). Agitar, excitar, perturbar. a) incitar tumultos e sedições no estado; b) inquietar ou perturbar pela disseminação de erros religiosos.

4 – Nobre (eugenes). 1) bem nascido, de família nobre; 2) de mente nobre.

Texto em homenagem a todos os bereanos submissos a Escritura e dedicados ao estudo “com o propósito de avaliar se tudo correspondia à verdade.”

Referência bíblica: BJK


5 de novembro de 2015

A força do querer

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Por Anna Veronica Mautner

“Velhice e fim têm coisas parecidas e coisas diferentes, mas o fim que eu promovo não é igual ao fim que ocorre fora da minha vontade”


Parar de querer pode ser visto como um aspecto de parar de ter curiosidade. É como se não se quisesse conhecer nada mais do que já se conhece. Parar de querer não é uma ruptura, é um definhar não só da curiosidade, mas – bem pior do que isso – da vontade.

Não se trata do que eu posso ou não posso fazer ou promover. É muito diferente de não poder. Quando paramos de querer nos aproximamos da desesperança, do vazio. É quando não vemos nada à frente, no futuro próximo. Eis que surge o espaço para uma pergunta grave: então, viver para quê?
O parar de querer pode vir com a idade, mas não é obrigatório. Há muitos idosos que não conseguem mais andar, mas continuam interessados no que o amanhã lhes trará.

E tem mais: o definhar da curiosidade não é igual à depressão. Nesta não se dá valor para o que pode vir de fora, o que é muito diferente de não querer saber se há alguma coisa fora do "aqui agora".
Reparem que as senhoras idosas nunca ou raramente pedem receitas novas de comida. É desse jeito que o idoso vai se separando do mundo: deixando a curiosidade definhar. Que importa o amanhã se nem hoje quero algo novo?

Velhice e fim têm coisas parecidas e coisas diferentes. O fim imbuído do "não quero saber" é bem diferente daquilo que acaba independente da vontade e do qual eu posso vir até a sentir falta, se for o caso. O fim que eu promovo não é igual ao fim que ocorre fora da minha vontade, sem minha participação.

O avançar da idade aproxima a pessoa de um tipo de fim diferente do que vivencia o jovem nas várias etapas da sua vida. Deixar para trás a boneca, o carrinho, o jogo de panelinhas, é diferente de não conseguir mais se equilibrar no salto alto ou levantar peso.

O idoso não para de fazer coisas; ele deixa de fazer de uma vez por todas. Não quer mais saber, desinteressa-se. Afasta-se sem dor. Quando o desinteresse aterrissa na nossa vida tudo se torna monótono porque nada de novo entusiasma.

Existe o fim e o ir acabando. Existe o não conseguir mais e existe também o não querer mais. São momentos diferentes da vida da gente. Quando começa a predominar o "para quê?" estamos chegando a um momento grave.

O par de olhos que não procura mais o novo no horizonte pertence a alguém que não se surpreende mais. Não se surpreender traduz uma indiferença que torna o cotidiano difícil de ser tolerado. Tudo fica entediante. Cá entre nós, a surpresa é, na verdade, a alma do negócio de viver bem.

Esperar, aguardar, sonhar, imaginar muitos "depois" preenche a consciência de todos os seres humanos indistintamente, não importa a época, a idade, a origem, a raça, o gênero. Imagino que o homem das cavernas ansiava pela chuva da mesma forma que o jogador na mesa de roleta torce para sair o número que escolheu. Também os pais esperam ansiosos pelo nascimento de cada filho, não só o primeiro.

Cada um é uma nova surpresa. Sem falar da espera pelo prazer fugaz, porém não menos desfrutável, do cheiro de bolo fresco recém-saído do forno ou do pastel de palmito que está sendo frito na frigideira.

Parar de esperar é o começo do fim. Nós todos gostamos de correr atrás de uma cenoura. É a cenoura nossa de cada dia que nos move.

Anna Mautner é psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e autora de Cotidiano nas Entrelinhas: Ed. Ágora

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/05/1627701-anna-veronica-mautner-a-forca-do-querer.shtml

4 de novembro de 2015

Nova geração de discípulos

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"A questão é: em 10 anos, você terá feito a diferença?"

O dia dos avós é muito mais do que isso

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"A tigela de madeira" conta a história de um garoto que aprende como tratar seus pais quando eles ficarem velhos, isto é, do mesmo modo que eles tratavam o seu avô: "estou fabricando uma pequena tigela para você e a mamãe comerem sua comida quando eu crescer". Infelizmente, isso está longe de ser apenas uma história.

"Por um instante observo um casal com seus filhos e uma senhora idosa perambulando pelo supermercado. As crianças, com 5 e 7 anos de idade aproximadamente, brincam com um saco plástico ao mesmo tempo que seguem os pais. O entra e sai nervoso dos corredores e os olhares do casal não escondem o desagrado em acompanhar essa senhora cansada pelo peso da idade. Ela parece confusa diante de tanta gente com pressa, falando alto, e tantas gôndolas com promoções. .... em voz alta o homem diz àquela senhora: ‘Já não basta pagar as compras, eu ainda tenho que ficar acompanhando a senhora de um lado para o outro que nem barata tonta. Afinal, eu não tenho tanto tempo assim. Tudo isso porque esqueceu a lista de novo?’ A senhora responde: ‘Desculpa, meu filho, eu te amo. Não queria estragar o seu sábado.'"*

Dia 27 de julho, dia dos avós, é mais do que um dia para celebrar. É um dia para refletir. Recentes pesquisas afirmam que a partir de 2030 nossa população começa a diminuir e que em 2050 as pessoas com mais de 60 anos representará um terço dos brasileiros.

Ora, os avós de hoje estão longe de serem pessoas de cabelos brancos sentados em cadeiras de balanço na varanda. Entretanto, não há como negar o quanto os valores de nossa sociedade estão distantes daqueles quando essa eram as imagem da figura dos avós. O dia dos avós é mais do que saudosismo, é resgate. Resgate dos valores da família com pai, mãe, filhos e avós. Valores do "respeito aos mais velhos", do ceder o lugar no ônibus para um idoso antes de haver leis e bancos preferenciais para eles.

Celebrar o dia dos avós é mais do que olhar o passado, é construir o futuro, mesmo que seja por uma razão meio egoísta: "respeitar as pessoas idosas é tratar o próprio futuro com respeito". Respeito que começa na infância, no modo como tratamos nossos pais a vistas dos filhos, no nosso proceder diário nos supermercados da vida, na forma como lembramos das datas importantes, como o dia dos avós, por exemplo.

Sem o dia 15 de junho, Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, dificilmente saberíamos que "cerca de 10% dos idosos brasileiros morrem por homicídio" vítimas de violência visível e invisível. Sem o dia 23 do mesmo mês, Dia Mundial de Prevenção de Quedas, talvez esse assunto tão importante sequer fosse abordado. Por isso, celebrar o dia 26 de julho é tão importante. É construir na mente dos pequeninos, os netos, o valor de tê-los, os avós, no seio da família no modelo proposto por Deus. É perpetuar valores de respeito e dignidade tão raros em nossa sociedade. E, por último, é olhar para si mesmo com respeito. Porque se a estatística estiver correta a aritmética não deixa dúvida. No último censo (2010) as pessoas com mais de 60 anos somavam 23 milhões de brasileiros (12%). Em 2050 os netos de hoje serão os adultos e nós, os adultos, faremos parte dos cerca de 63 milhões de brasileiros acima dos 60 anos (33%). E aí, não vai adiantar olhar para traz ou reclamar. "Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará." (Gl 6.7)

Portanto, celebre esse dia em família, celebre com alegria, celebre dando honra a quem tem honra. Porque o dia dos avós é muito mais do que isso. – Leonardo Martins.

*Hercules e Nirvana Garcia – Professores na classe de Casais. Pensar nº 8: junho/2014 (pg. 04)

2 de novembro de 2015

A Reforma Protestante e o espírito dos batistas brasileiros

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Introdução

Martin Lutero foi um monge agostiniano empenhado em agradar a Deus com todas as suas forças, a ponto de ter sua saúde afetada por causa das longas privações e penitências praticadas no mais severo mosteiro da época, o qual escolheu para preparar-se para o sacerdócio. “Eu me torturava até a morte para conseguir a paz com Deus”. Apesar disso, Lutero não conseguia a paz tão desejada e concluiu: “Deus é mau em si, é preciso atribuir a diabolicidade a Deus.”

A interpretação da Escritura, segundo a igreja, asseverava as boas obras como o modo pelo qual o homem deve agradar a Deus. Dado que o homem é imperfeito, era impossível que qualquer ação humana merecesse o favor e a graça divina. Por isso, a resposta à pergunta, como sei se fiz o bastante? era: “Faça ainda mais”.

Como professor de grego na Universidade de Wittenberg, Lutero encontrou a liberdade no texto da carta aos romanos. “Mas o justo viverá pela fé.” (Rm 1.17) Na interpretação da versão em latim, a língua oficial da igreja, entendia-se que se alguém quisesse viver (vida eterna com Deus) precisava demonstrar sua fé, sendo justo. Em outras palavras, fazendo boas obras. Mas, então, retoma-se a pergunta: “Como saber se fiz o bastante?”.

No texto grego, a língua original, Lutero encontra a real compreensão da mensagem paulina. Basta crer em Jesus como Senhor para ser justificado por Ele mesmo, porquanto não há nada que o homem possa fazer para ser salvo (viver). “Porque nele [Jesus] se descobre a justiça de Deus de fé em fé”.
Lutero passou a dedicar-se ao estudo das Escrituras nas suas línguas pátrias (grego e hebraico) confrontando os dogmas e interpretações da igreja. Uma tarefa nada fácil: “A paz, se possível, mas a verdade, a qualquer preço.” Finalmente, decidiu traduzir a Bíblia direto dos textos originais, contribuindo para criação daquela que se tornaria língua alemã.

Direto do coração da reforma

Os batistas brasileiros possuem normas básicas de fé e conduta, os chamados princípios batistas. – “Princípio. Aquilo que regula o comportamento ou a ação de alguém; preceito moral.” – Estes princípios possuem muitos paralelos com a Reforma Protestante.

A AUTORIDADE

Solus Christus

Para Lutero, somente Cristo é o mediador entre Deus e o homem. Isso contrariava completamente a doutrina da igreja Católica, a qual afirmava que somente nela existe salvação para o homem, por se considerar a única igreja verdadeira, sucessora de Jesus por meio do apóstolo Pedro, o primeiro Papa.
Cristo como Senhor
Para os batistas, “A fonte suprema da autoridade cristã é o Senhor Jesus Cristo. Sua soberania emana da eterna divindade e poder – como o unigênito filho do Deus Supremo”. Como Lutero, os batistas creem na divindade de Jesus por ser filho de Deus Pai. Autoridade que remete a sua obra salvífica: “sua redenção vicária e ressurreição vitoriosa.”

Sola scriptura

Uma vez que Jesus não está mais entre nós, é preciso conhecer a sua vontade. Então, Lutero afirma que somente a Escritura é a única palavra autorizada por Deus por ser divinamente inspirada, novamente, contrariando a doutrina da igreja: “tudo o que está relacionado com a maneira de interpretar as Escrituras está sujeito ao julgamento da Igreja”. Ele sabia que isso poderia custar a sua vida, assim como de tantos outros antes dele, no entanto, Lutero afirmou:

“A Menos que eu seja convencido pela evidência das Escrituras ou por plena razão, – já que eu não aceito a autoridade do papa ou dos concílios sozinha, visto que, está claro, que eles frequentemente erraram e se contradisseram –, eu estou preso pelas Escrituras e a minha consciência está cativa a Palavra de Deus. Eu não posso e não vou reconsiderar, porque não é seguro nem é certo agir contra a consciência. Que Deus me ajude, amém.”

As Escrituras

Para os batistas brasileiros “a Bíblia fala com autoridade porque é a palavra de Deus. É a suprema regra de fé e prática porque é testemunha fidedigna e inspirada dos atos maravilhosos de Deus.” Tal qual postulado por Lutero, o modo de pensar e agir do cristão está fundamentado na Bíblia e não em qualquer instituição ou pessoa, por mais justas e corretas que sejam. Por isso, o cristão batista “tem que aceitar a responsabilidade de estudar a Bíblia, com a mente aberta e com atitude reverente, procurando o significado de sua mensagem através de pesquisa e oração”.

A VIDA CRISTÃ

Sola gratia

Estudando os originais, Lutero entendeu corretamente o sentido da epístola de Tiago e percebeu que não havia qualquer contradição com Efésios ou Gálatas do apóstolo Paulo. Ele teve certeza de que somente a graça pode salvar o homem porque Deus é o autor dessa graça, sendo impossível ao ser humano fazer qualquer coisa para alcançá-la.

A salvação pela graça

Para os batistas “A graça é a provisão misericordiosa de Deus para a condição do homem perdido.” Como Lutero, os batistas rompem com duas ideias: 1) a de que o homem pode fazer algo que o faça merecedor da graça e; 2) a de que exista alguma autoridade espiritual terrena que possa conferir a graça ao pecador. “A salvação não é o resultado dos méritos humanos, antes emana de propósito e iniciativa divinos. Não vem através de mediação sacramental, nem de treinamento moral, mas como resultado da misericórdia e poder divinos.”

Sola fide

Se, por um lado, a salvação vem pela graça e isso não depende do homem, por outro, a graça não invade a pessoa sem que ela permita. Lutero, entendendo o texto da carta aos romanos, afirma que somente a fé no Sacrifício de Jesus, como àquele que pagou por nossos pecados, pode se apropriar dessa graça. Em outras palavras, aceitar que Deus nos aceita apesar de nossas mazelas. Aceitar é crer no sacrifício do seu filho, Jesus.

Nos princípios batistas este postulado encontra-se no mesmo item da graça. “A salvação do pecado é a dádiva de Deus através de Jesus Cristo, condicionada, apenas, pelo arrependimento em relação a Deus, pela fé em Jesus Cristo, e pela entrega incondicional a Ele como Senhor.”

Soli Deo gloria

Considerando a obra do Pai, pelo Filho e a ação do Espírito Santo para salvação do pecador, Lutero conclui que somente Deus é merecedor de toda glória, negando visceralmente com a tradição da igreja, seus líderes e seus antepassados, de merecerem qualquer glória, ainda que tenham morrido pelo Evangelho.

Nos princípios batistas não existe paralelo a esta sola de Lutero. A glória de Deus só é citada quando trata da mordomia cristã.

A NOSSA TAREFA CONTÍNUA

Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est

Finalmente, outros reformadores influenciaram os princípios batistas. Gisbertus Voetius postula que “A Igreja é reformada e está sempre se reformando.” Este conceito é muitas vezes mal compreendido.

“Só para ilustrar, ‘Sempre Reformanda’ é o nome de uma organização religiosa nos Estados Unidos, que defende a inclusão de gays e lésbicas no ministério pastoral e o casamento homossexual.”

O que Voetius propôs foi voltar a Escritura permitindo, assim, uma nova iluminação do texto bíblico. Ou seja, voltar a Escritura para que a igreja seja cada vez melhor.

A autocrítica

A herança de Voetius chega aos batistas como o último princípio da lista.  Este princípio preocupa-se em garantir que tudo o que é feito como denominação batista pode e deve ser avaliado e reavaliado, claro, à luz da Escritura.

“Tanto a igreja local quanto a denominação, a fim de permanecerem sadias e florescentes, têm que aceitar a responsabilidade da autocrítica. Seria prejudicial às igrejas e à denominação se fosse negado ao indivíduo o direito de discordar, ou se fossem considerados nossos métodos ou técnicas como finais ou perfeitos.”

Assim como Voetius percebeu, a igreja institucionalizada, tende, com o tempo, a se cristalizar ou dogmatizar. “O trabalho de nossas igrejas e de nossa denominação precisa de frequente avaliação, a fim de evitar a esterilidade do tradicionalismo.” Todo cristão batista deve contribuir para o “desenvolvimento à maturidade cristã, tanto para o indivíduo quanto para a denominação ... e  aceitar a responsabilidade da autocrítica construtiva.”

Conclusão

A Reforma Protestante deixou um grande legado para os batistas brasileiros. Conhecer os valores da Reforma e os princípios batistas, não significa fossilizar a igreja, mas, ao contrário, respirar o mais puro ar reformador do século XVI, percebendo pessoas que não aceitavam uma igreja que se fechava em dogmas e doutrinas, nem num clero sentado no trono de Deus como se de fato o fossem. As solas e princípios entregam na mão de cada cristão a responsabilidade por sua própria vida cristã, baseada na fé, na graça e na soberania de Jesus segundo a Palavra de Deus. A Reforma não se conforma, antes, questiona tudo a sua volta para o crescimento daquele que é chamado o corpo de Cristo.


Referências:

http://tempora-mores.blogspot.com.br/2006_04_01_archive.html
http://www.mensagenscomamor.com/frases-de-famosos/frases_martinho_lutero.htm
http://comandodafe.blogspot.com/2015/08/martinho-lutero-15201750-o-anjo-da.html
http://www.igrejaapedraangular.com.br/estudos/Votos.pdf
http://www.apalavraoriginal.org.br/mensprof/1960-12-09.pdf http://www.luteranos.com.br/site/conteudo_organizacao/confessionalidade-luteranos-em-contexto/martim-lutero-palavras
http://www.batistas.com/index.php?option=com_content&view=article&id=16&Itemid=16&showall=1
http://www.mackenzie.br/fileadmin/Mantenedora/CPAJ/revista/VOLUME_I__1996__2/lutero_ainda.....pdf

3 de outubro de 2015

O culto como um texto

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Quando olhamos para um culto, com as partes que o compõem, a forma como se desenvolve e os objetivos que procura alcançar, percebemos a grande semelhança que ele conserva com um texto. Daí podermos desenvolver a ideia de culto como um texto.

Ao pensarmos num livro, por exemplo, que é um texto mais elaborado, percebemos nele uma série de elementos que não constituem o texto, propriamente, mas funcionam como acessórios, que entre outras funções preparam o leitor para o conteúdo principal, que virá a seguir. Passamos pela capa, contracapas, orelhas, dedicatórias, agradecimentos, prefácio, antes de iniciarmos a Introdução. E o que isso tem a ver com o culto? A resposta é simples: nada. Na realidade, podemos afirmar que esses elementos assemelham-se àqueles que devem ocorrer no momento que aqui denominamos de Pré-culto, aquele espaço de tempo que dedicamos às boas-vindas, cumprimentos, abraços, avisos, informações, promoções, vídeos,   que precedem o culto propriamente dito. É o único momento de informar que o livro mais recente do pregador e o CD do cantor convidados estarão à venda após o culto. Neste espaço só não cabe fazer aquelas perguntinhas óbvias, que não merecem resposta, nem recriminar os irmãos, perguntando-lhes se não tomaram café, por não terem dado uma sonora resposta a um cumprimento. Nos tempos atuais, de tantas tecnologias, uma boa prática é transformar em vídeo tudo o que for possível, para tornar o pré-culto bem objetivo e enxuto.

Encerrado o pré-culto, o ideal é que haja algo que deixe bem marcada a transição para o culto. Um tempo de oração silenciosa, por exemplo, uma música com letra em língua portuguesa que seja bem conhecida, que propicie a reflexão, algo que prepare o fiel para cultuar.

O culto como um texto começa a ser preparado bem antes de sua realização. Quando o pastor, ou o responsável por pregar nos cultos, elabora o seu plano de pregação, ele escolhe o tema de cada sermão e o(s) texto(s) bíblico(s) que servirá(ão) de base para cada um. De posse dessas informações, o responsável pela elaboração das ordens de culto prepara cada uma de forma tal que todo o culto caminhe para a consecução daquele(s) objetivo(s) que o pregador deseja alcançar ao fim de sua mensagem. Para isso essa pessoa seleciona outros textos bíblicos relacionados ao tema já definido, bem como as músicas que serão cantadas. Aqueles que forem convidados para participações especiais, como cantores e grupos, devem ser orientados a escolher músicas dentro desse mesmo tema. No culto como um texto cada participante tem sua função específica: dirigentes dirigem o culto e os cantos da congregação; cantores apenas cantam; pregadores pregam. (grifo nosso).

É na preparação da ordem do culto que aquele que a elabora pode perceber a grande semelhança entre texto e culto. Tudo começa com o tema proposto pelo pregador. A partir daí, ao elaborar a ordem de culto, ele pensa na Introdução e no Desenvolvimento que conduzam à Conclusão, que virá ao fim da mensagem. Além desses três elementos básicos do texto, o culto precisa de Coesão, Coerência e Argumentação.

A função do dirigente do culto é muito importante, pois é ele que “costura” cada uma dessas partes, para que elas constituam um todo harmônico que prepare a congregação para a mensagem que será entregue pelo pregador. Para isso ele deve estudar cada texto bíblico que será lido, cada música que será cantada pela congregação, para estar preparado e tenha o que dizer. Em momentos de descontração, seminaristas costumavam citar uma regra da homilética, criada por eles, naturalmente: “Quando o seu argumento for fraco, dê um grito e um soco na mesa”. Isso nos remete ao texto de 1Reis 19.11,12, em que lemos: “o Senhor não estava no vento”... “o Senhor não estava no terremoto”... “o Senhor não estava no fogo; e ainda depois do fogo uma voz mansa e delicada... Que fazes aqui, Elias?”. A voz mansa e delicada é muito mais propícia à reflexão, ao louvor, à adoração, mas tem estado ausente em muitos dos nossos cultos. Quando a Bíblia não entra na ordem do culto, e quando o dirigente não estuda o conteúdo do que a congregação canta, o grito parece a alternativa natural. com Igrejas do século 21 correm o sério risco de confundir templo com arena, culto com show, e congregação plateia.

Ainda em relação às músicas cantadas pela congregação, é preciso destacar o papel dos instrumentos. Assim como uma moldura em um quadro, os instrumentos devem ter a função de destacar o canto, as vozes, e não competir com elas. O primeiro plano deve ser sempre o das vozes, enquanto, ao fundo, os instrumentos devem emoldurá-las, pois é nas vozes que se encontra a mensagem, que por sua vez conduz o desenvolvimento do culto em direção ao seu objetivo (estamos pensando aqui no “culto racional!”). É comum o uso do playback em substituição aos instrumentos, mas é preciso treinar os operadores de som para que eles não o transformem em “playfront” como costuma acontecer.

Todo culto deve ter a característica de ser saudável. Neste sentido, a ordem de culto deve prever os momentos em que a congregação permanecerá de pé, cuidando que estes não sejam demasiadamente longos nem repetitivos, tendências comuns atualmente. A sonotécnica, por sua vez, deve exercer um papel relevante: o de controlar a intensidade do som dos instrumentos e dos microfones. “De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o limite suportável para o ouvido humano é 65 decibeis. Acima disso, o organismo começa a sofrer. Para salas de aula, a Associação Brasileira de Normas Técnicas estipula que o limite tolerado é de 40 a 50 decibeis. Esse índice, aprovado por resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), tem força de lei” [confira]. Em nossos dias, quando observamos um enorme apreço pelo barulho, nossas igrejas parecem não estar preocupadas, neste particular, com a saúde de seus fiéis. Para tirar a dúvida, basta uma simples medição.

Nada desqualifica tanto um texto quanto erros gramaticais grosseiros em seu interior. Por isso é importante prestar atenção não só ao conteúdo mas também à forma do que projetamos em nossas telas.

Precisamos criar a cada dia maior intimidade com bons textos para que achemos natural pensar em culto como um texto. Pensar e pôr em prática.

Fonte: www.prazerdapalavra.com.br

9 de agosto de 2015

Pai é PAI e não ajudante da mãe!

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Por Içami Tiba

Paternidade é uma função própria do pai, com direitos e obrigações familiares importantes. Pai não é coadjuvante da mãe, é seu complementar.

A mãe costuma pedir ajuda ao pai: Ajude aqui, por favor, fique um pouco com as crianças! Ele acha que está apenas ajudando a mãe e não se sente fazendo a sua parte. Muitos pais nada fazem enquanto suas mulheres não pedem. Para os filhos não interessa se é a mãe que está muito ativa ou se o pai é muito passivo. O que eles precisam é de pai e de mãe. Neste ponto, alguns pais reclamam que suas mulheres os tratam como se fossem filhos.

Paternidade é a atitude de estar pronto a atender seus filhos, sem esperar que a mãe peça.
Um pai acomodado, além de não ser um bom exemplo na família, estimula o filho a explorar a mãe. Numa família assim pode se estabelecer uma confusão entre pai acomodado/pai bonzinho e mãe ativa/mãe rabugenta – quando na realidade o pai é negligente e a mãe ativa é obrigada a cobrar as obrigações de todos.

Fica muito clara esta situação quando uma mãe reclama que ela é a “pãe” da família. Ela tenta preencher também as funções de pai, o que é quase impossível.

Há muitos homens, no entanto, que já assumem bem mais seu papel. Muito longe de querer substituir a mãe, eles querem tomar parte na educação do filho. Reparei em um passageiro que, em pleno voo, trocava as fraldas de seu bebê, que deveria ter um ano de idade. A mãe não estava presente. Um bebê cuidado pela mãe e pelo pai cresce com menos preconceitos e com menos machismo. Aquela família parece estar desenvolvendo a Alta Performance.

*Içami Tiba: Psiquiatra, escritor e o educador com mais de 40 livros sobre o assunto entre eles os best-sellers “Quem ama, educa!” e “Limite na medida certa”.

26 de junho de 2015

Quem sabe faz a “obra”, não espera acontecer

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Após seu aprendizado Apolo desejou viajar para região da Acaia (onde ficava a igreja de Corinto), por isso "os irmãos o animaram e escreveram aos discípulos solicitando que o recebessem". Aquele que antes conhecia apenas o batismo de João, agora, provava "por meio das Escrituras, que o Messias é Jesus." (At 18.27-28). Enquanto Paulo preparava Timóteo para a igreja de Éfeso, Priscila e Áquila recomendavam Apolo, o futuro pastor de Corinto.

O que pensava o apóstolo sobre isso? Não sabemos ao certo se eles se encontraram ou não. Também não sabemos se foi Paulo quem recomendou Apolo à igreja de Corinto. No entanto, sabemos que Paulo reconhecia o preparo de Apolo e aprovava o seu ministério. "Quem é, portanto, Apolo? E quem é Paulo? Servos por intermédio dos quais viestes a crer ... Eu plantei; Apolo regou; mas foi Deus quem deu o crescimento." (1Co 3.5-6)

Os anciãos de Éfeso eram maduros o bastante para conduzir a igreja antes da chegada do futuro pastor, Timóteo. Priscila e Áquila os ajudaram nesse processo, pois tinham a visão de Reino e o senso de oportunidade ao capacitarem o jovem Apolo. Além disso, eles contavam com a confiança dos irmãos da região da Acaia e do apóstolo Paulo.

Atos dos apóstolos, com facilidade poderia ter como título: Atos da Igreja. Ela crescia de várias maneiras e em várias direções porque tinha um Corpo maduro. Havia uma clara harmonia entre aqueles irmãos, seja na visão de Reino, seja na confiança mútua, seja na preparação de novos líderes.

Quer fosse o apóstolo, quer fossem os leigos, todos estavam empenhados na edificação da Igreja de Jesus, na sua expansão e na capacitação de líderes que pudessem levá-la adiante. Foi assim que ela cresceu tanto e em tão pouco tempo. Foi assim que ela chegou até os nossos dias.

Paulo, Priscila, Áquila, anciãos e tantos outros, tinham absoluta clareza da missão, bem como a sua urgência. Parafraseando o poeta: "Quem sabe faz a obra, não espera acontecer".

17 de junho de 2015

O lápis

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O menino observava seu avô escrevendo em um caderno, e perguntou:
– Vovô, você está escrevendo algo sobre mim?

O avô sorriu, e disse ao netinho:
– Sim, estou escrevendo algo sobre você. Entretanto, mais importante do que as palavras que estou escrevendo, é este lápis que estou usando. Espero que você seja como ele, quando crescer.

O menino olhou para o lápis, e não vendo nada de especial, intrigado, comentou:
– Mas este lápis é igual a todos os que já vi. O que ele tem de tão especial?

– Bem, depende do modo como você olha. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir vivê-las, será uma pessoa de bem e em paz com o mundo – respondeu o avô.

Primeira qualidade: Assim como o lápis, você pode fazer coisas grandiosas, mas nunca se esqueça de que existe uma “mão” que guia os seus passos, e que sem ela o lápis não tem qualquer utilidade: a mão de Deus.

Segunda qualidade: Assim como o lápis, de vez em quando você vai ter que parar o que está escrevendo, e usar um “apontador”. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas ao final, ele se torna mais afiado. Portanto, saiba suportar as adversidades da vida, porque elas farão de você uma pessoa mais forte e melhor.

Terceira qualidade: Assim como o lápis, permita que se apague o que está errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos trazer de volta ao caminho certo.

Quarta qualidade: Assim como no lápis, o que realmente importa não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro dele. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você. O seu caráter será sempre mais importante que a sua aparência.

– Finalmente, a quinta qualidade do lápis: Ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida deixará traços e marcas nas vidas das pessoas, portanto, procure ser consciente de cada ação, deixe um legado, e marque positivamente a vida das pessoas.



(Autor desconhecido)

10 de junho de 2015

Gente madura frutifica enquanto edifica

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Passando por Corinto, Paulo encontra Áquila e Priscila, sua esposa, vindos da Itália porquanto Claudio baixara um decreto intimando que todos os judeus se retirassem de Roma. Percebendo que tinham a mesma profissão, Paulo passa a morar e trabalhar na casa deles fabricando tendas. Algum tempo depois aqueles novos crentes estavam prontos para acompanhá-lo em sua viagem. Passando por Éfeso, Paulo segue viagem, mas deixa o casal na cidade.

“Chegaram então a Éfeso, onde Paulo deixou Priscila e Áquila. ... Assim que chegou a Cesareia, subiu até a Igreja para saudá-la e depois desceu para Antioquia. Havendo passado algum tempo em Antioquia, Paulo partiu dali e viajou por toda a região da Galácia e da Frígia, encorajando todos os discípulos.” (At 18.19,22-23).

A importância de irmãos maduros na fé para igreja é sabida, Antes mesmo dos pastores e Mesmo com os pastores. Gente madura edifica!

Entretanto, enquanto Paulo estava fora, Priscila e Áquila fizeram a mesma coisa que o apóstolo lhes fizera. “Enquanto isso, chegou a Éfeso um judeu, natural de Alexandria, chamado Apolo, homem eloquente e que acumulava grande experiência nas Escrituras. ... E assim que Priscila e Áquila o ouviram, convidaram-no para uma visita à casa deles e lhe explicaram com acerto e clareza o Caminho de Deus.” (At 18.24,26).

Por um lado, eles sabiam a importância da sua fé madura para a igreja de Éfeso; por outro, tinham o mesmo senso de oportunidade de Paulo. O Jovem Apolo “com notável fervor pregava e ensinava com exatidão a respeito de Jesus, ainda que tivesse apenas o conhecimento do batismo de João.” (v. 25). Por isso, o casal apressou-se a ensinar aquilo que havia acabado de aprender a respeito do Messias. Gente madura frutifica!

Portanto, quem tem a fé madura reconhece a sua importância para a igreja local, bem como, está atento às oportunidades que Deus lhes apresenta. Apolo era uma “pedra bruta”, a qual foi “lapidada” por dois leigos, Priscila e Áquila. Gente madura é assim: frutifica enquanto edifica.

2 de junho de 2015

Mesmo com os pastores

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Movido de grande preocupação, Paulo deixa seu discípulo, Timóteo, em Éfeso. Não era para menos. “Alguns ... se desviaram desses princípios, e se entregaram a discussões sem valor algum, intentando ser mestres da Lei, quando não compreendem nem o que propalam nem os assuntos sobre os quais fazem afirmações com tanta convicção.” (1Tm 1.6-7). De que princípios o Apóstolo está falando? “Da obra de Deus, que tem como fundamento a fé”.

Os desvios daqueles crentes eram tão grandes que Paulo assevera na sua segunda carta: “nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens amarão a si mesmos, serão ainda mais gananciosos, arrogantes, presunçosos, blasfemos, desrespeitosos aos pais, ingratos, ímpios, sem amor, incapazes de perdoar, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, inconsequentes, orgulhosos, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus”(2Tm 3.1-4). Como Timóteo deveria agir?

“O que ouviste de mim diante de muitas testemunhas, transmite a homens fiéis e capacitados a fim de que possam igualmente discipular a outros” (2Tm 2.2). A recomendação é clara. 1) Aquilo que ouvistes (akouo: entender, compreender o que foi ensinado) de mim; 2) transmite (paratithemi: a partir [de si mesmo], explica); 3) a homens [ou mulheres] fiéis (pistos: pessoa que mantêm a fé com a qual se comprometeu, digna de confiança); 4) capacitados a discipular (didaskalos: alguém que ensina a respeito das coisas de Deus, e dos deveres do homem) a outros.

Portanto, para manter a igreja viva, Timóteo precisava focar na sã doutrina ensinada por Paulo e precisava lembrar-se da fé não fingida ensinada por sua mãe e avó. Todavia, para resistir aos “homens que tiveram suas mentes corrompidas”, ele precisava contar com pessoas maduras e capacitadas a ensinar a outros acerca da sua fé em Jesus Cristo. A igreja de Éfeso, mesmo com um pastor tão bem preparado, contava com servos fiéis à Palavra e a Missão de Deus

27 de maio de 2015

Antes mesmo dos pastores

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“De Mileto, Paulo pediu para que fossem chamados os presbíteros da Igreja de Éfeso ... tende cuidado de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos estabeleceu como epíscopos para pastoreardes a Igreja de Deus, q
ue Ele comprou com o sangue do seu Filho Unigênito.” (At 20.17,28)

Apóstolo dos gentios, Paulo foi quem mais contribuiu para a expansão do Reino de Deus na sua época. Dedicado e incansável, fundou duas das três maiores igrejas do império, Corinto e Éfeso. (Só não fundou a igreja de Roma). Durante três anos, em Éfeso, Paulo ensinou sobre o Reino de Deus com total zelo e dedicação: “jamais deixei de vos pregar nada que fosse proveitoso, mas vos ensinei tudo em público e de casa em casa” (v. 20). Agora, de partida para Jerusalém, ele sabia que não voltaria mais a ver aqueles irmãos; sabia dos riscos da sua partida e, por isso, grande era sua preocupação com o futuro da igreja ainda sem pastor. “Eu sei que, logo após minha partida, lobos ferozes se infiltrarão por entre a vossa comunidade e não terão piedade do rebanho” (v. 29).

É nesse contexto que o apóstolo entrega a responsabilidade daquela grande igreja aos anciãos (presbíteros), os quais nomeia bispos (epíscopos). Todos tinham o mesmo tempo de experiência cristã, três anos, todavia, os mais velhos (os anciãos) tinham mais experiência de vida. A igreja nascida de casa em casa não tinha templo, não tinha pastor e, agora, perderia seu líder, Paulo. Por outro lado, havia o perigo iminente e real da igreja se perder. Mas Paulo sabia que podia contar com os mais experientes: “tende cuidado de vós mesmos e de todo o rebanho...”.

Portanto, apesar da sua simplicidade, a igreja primitiva já contava com a liderança forte dos anciãos para continuar viva e proclamando o Reino de Deus. Uma liderança estabelecida pelo Espírito Santo para pastorear “a Igreja de Deus”: antes mesmo que chegassem os pastores.

12 de maio de 2015

O que é exortar?

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“Eu te encorajo solenemente, na presença de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, por ocasião da sua manifestação pessoal e mediante seu Reino: Prega a Palavra, insiste a tempo e fora de tempo, aconselha, repreende e encoraja com toda paciência e sã doutrina” (2Tm 4.1-2).

Esses versículos acompanham o meu ministério desde o Seminário. Na versão mais conhecida lemos: “Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes”. Exortar, a mim, parecia ser confrontar, desafiar e até “chamar a atenção” para a Palavra de Deus. De fato, os crentes parecem já saberem tudo da Bíblia ou, por outro lado, esperam que alguém lhes interprete. No entanto, a “longanimidade” já apontava noutra direção. Eu estava enganado e foi na revista da EBD (2014) que descobri o engano. Exortar é “estimular, animar; incutir coragem. Convencer ou tentar convencer, aconselhar (alguém) a (fazer algo)” (Dic. Aulete).

Portanto, exorto (incentivo, encorajo) que você estude, inclusive a Bíblia, inclusive na EBD, porque sempre podemos aprender algo novo que fará diferença nas nossas vidas e na vida do outro. Estimulo que compartilhe o que já sabe com quem sabe menos e, numa via de mão dupla, também se permita aprender. Se faltam valores a essa geração, Deus tem dado tempo e longevidade a quem os guarda, portanto não os guarde para si.

Foi acerca dessas coisas que se referia o conselho do experiente apóstolo Paulo a seu filho na fé, Timóteo. “Porquanto, chegará o tempo em que não suportarão o santo ensino; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, reunirão mestres para si mesmos, de acordo com suas próprias vontades. Tais pessoas se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos” (2 Tm 4.3-4). Faça como Paulo, exorte, encoraje. Deus conta com cada um dos seus filhos e ainda há muito para se fazer, ensinar e aprender.


9 de maio de 2015

Um dia eu chutei a sua barriga e ...

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“Um dia eu chutei a sua barriga e você chorou de emoção. Fiz você engordar uns vinte quilos e você só tinha palavras boas para mim. Fiz você quase morrer de dor e você deu um grito de alegria quando me viu pela primeira vez. Eu roubei o seu tempo, roubei o seu marido e a paixão só aumentou. Mãe, definitivamente você não bate bem e é por isso que eu te amo loucamente.” (autor desconhecido)

Esse texto é motivo de muitas “curtidas” e compartilhamentos nas redes sociais. Ele expressa de forma direta e clara o reconhecimento de um filho pelos sentimentos de sua mãe em meio às situações mais difíceis. Reconhecimento.

O filho de Deus nasceu da mulher, e não do homem, como foi determinado lá no Jardim do Éden. “Estabelecerei inimizade entre ti [a serpente] e a mulher, entre a tua descendência [da serpente] e o descendente dela [da mulher]; porquanto, este te ferirá a cabeça, e tu lhe picarás o calcanhar” (Gn 3.15). “Dela”, feminino singular, e não deles, Adão e Eva. Contrariando a visão de que a Bíblia é machista, Deus dá um valor especial à mulher (sempre deu) e, em particular, a sua maternidade.

Ora, Jesus foi gerado, cuidado, protegido e ensinado pela mãe. – Claro que José foi um excelente pai. Mas, Maria viveu os mesmos sofrimentos, preocupações e a maior dor que qualquer mãe poderia sofrer: ver seu filho morrer de modo tão vil. Diante de seus olhos estava a morte lenta, dolorosa e injusta. Mãe nunca abandona um filho.

Talvez seja por essa razão que o Evangelho de João registre o reconhecimento do Filho; pela mãe que o acolheu, protegeu e cuidou por tantos anos; pela mulher, que mesmo diante do maior infortúnio, estava ali, ao seu lado. “Quando Jesus, contudo, viu sua mãe ... disse: ‘Mulher, eis aí teu filho!’” (Jo 19.26).

Deus, o Pai, reconhece o valor da mulher e da sua maternidade. Jesus, o Filho, viveu de modo exemplar em obediência a pai e mãe. E a ela, em particular, soube honrar. Quer saber qual o presente mais desejado por sua mãe neste dia? ... Se ainda for possível, esteja com ela.


3 de maio de 2015

Na onda da terceirização

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Esse é um dos assuntos mais discutidos hoje no país. Mas o que é ter-cei-ri-za-ção? “Terceirização do trabalho: processo pelo qual uma instituição contrata outra empresa para prestar um determinado serviço.” Por várias razões esta prática vem crescendo no Brasil e no mundo: transferir para outras empresas (terceiros) parte do produto ou serviço que era de sua responsabilidade.

Nossa matriz evangélica sempre teve um alto padrão de qualidade em tudo o que fez. Notadamente nós não herdamos esse mesmo padrão. Com frequência ouvimos: “é pra Deus, então está bom”. Não raro vemos literaturas com baixa qualidade (quando não é cópia, e ruim), músicas mal executadas e por aí vai. Mas como resolver?

Terceirizar é uma tendência que vem crescendo nas igrejas. Quem “pode pagar” contrata músicos de qualidade (se cristão ou não, não vem ao caso), contrata Ministro pra tudo e, claro, terceiriza missionários para cumprir o “ide de Jesus”, afinal essa é ordem do Mestre.

O que diz a Bíblia sobre essas coisas? Deus não economizou: “deu o seu Filho Unigênito”. Jesus não terceirizou: “veio para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”. Ele também não fez de qualquer maneira: “humilhou-se a si mesmo, entregando-se à obediência até a morte, e morte de cruz.” A cada ano que passa fico pensando na proximidade da aposentadoria. Desejo dar o meu melhor e fazer o máximo que posso, apesar de ser muito pouco diante do que Ele fez por mim. Não desejo enterrar meus talentos nem fazer de qualquer maneira. Almejo gastar-me no serviço do meu Rei. Por outro lado, não intento terceirizar aquilo que entendo ser a minha responsabilidade e a minha missão. Talvez eu seja um sonhador, como ouço muitas vezes. Que seja! Mas penso em Jesus, em tudo que Ele disse e tudo o que Ele fez. A Jesus sigo, não aos modelos e modismos desse mundo.

Enquanto Deus me der fôlego de vida desejo seguir o exemplo de seu Filho. Ameaçado de morte pelos judeus por curar um paralítico no sábado, Jesus respondeu: “Meu Pai continua trabalhando até agora, e Eu também estou trabalhando” (Jo 5.17). Sempre pergunto ao Senhor: o que posso fazer considerando meus “limites e limitações”? Sei que posso fazer mais, muito mais. Hoje, falta-me tempo. Mas, em breve ...



26 de abril de 2015

Limites e limitações

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Segundo os dicionários a palavra limite está associada à ideia de fronteira, espaço e tempo, entre outros, que determinam o fim de algo ou alguma coisa. Mesmo subjetivamente há uma clara intenção de identificar até quando ou onde se pode ir. Neste sentido, é possível admitir ir além dos limites, porque limite é, em última análise, um acordo o qual pode ser quebrado. Ultrapassar fronteiras, avançar além do tempo determinado e até mesmo superar uma expectativa é ir além dos limites.

No 13º Congresso Vida Radiante o preletor, pastor João Melo da PIB em Vila da Penha, falou sobre limitações dando exemplo de Moisés. “eles não acreditarão em mim ... Eu nunca fui bom orador, nem antes, nem agora” (Êx 4.1-10). Há uma evidente diferença entre os dois termos: limite e limitação. Limitação aponta para imperfeição, insuficiência ou impossibilidade e, neste caso, não há como superá-la.

Ora, Moisés foi o grande líder na libertação de Israel e, embora pudesse superar alguns limites, não podia vencer suas limitações. Reconhecer isso foi a sua virtude. Quem não respeita limites pode, sim, ir além (ainda que venha pagar o preço), mas quem não percebe suas limitações sempre se vê em apuros.

Na gerontolescência* da vida não é mais possível correr, pular e plantar bananeiras como se fazia antes; não é mais possível lembrar tantas coisas, fazer tantos cálculos e decorar tantas informações como no passado; porque o tempo impõe limitações físicas e cognitivas. No entanto, Deus ajudou Moisés a superar suas limitações: “Arão, o levita, não é teu irmão? Eu sei que ele fala bem... Ele falará ao povo em teu lugar. Assim, ele será a tua boca ...  Portanto, levarás essa vara na tua mão e realizarás os sinais com ela” (Êx 4.14-17). Diante da incredulidade, uma simples vara é o instrumento de sinais poderosos. Diante da impossibilidade física, Arão é a boca de Moisés.

Se, por um lado, é possível ultrapassar os limites pelas próprias forças, por outro, Deus pode superar nossas limitações pelas forças Dele. E o melhor, neste caso, as consequências são sempre boas. É preciso respeitar os limites e deixar Deus superar as nossas limitações.

*Gerontolescente é aquele que reinventa o ato de envelhecer (Alexandre Kalache).

18 de abril de 2015

O “livro de miss”

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A obra do piloto francês Antoine de Saint-Exupéry, “O pequeno príncipe”, ficou conhecida no Brasil como o “livro de miss”, porque muitas candidatas o citavam como seu livro preferido. Na década de 1980 chegou a ser considerado um livro de autoajuda. Entre as muitas frases da obra, talvez a mais lembrada seja a da raposa: “Nous sommes responsables pour ceux qui nous avons apprivoise” (Nós somos responsáveis por aqueles que nós cativamos – tradução livre). – Na versão brasileira foi acrescentada a palavra “eternamente”. Longe de ser uma história para crianças, ela tem como tema principal, a meu ver, a amizade.

“O amigo dedica sincero amor em todos os momentos e é um irmão querido na hora da adversidade” (Pv 17.17).

Ao contrário da família, amigos nascem das escolhas que fazemos ao longo da vida e dos relacionamentos progressivos, assim como ressalta a raposa, numa aproximação maior a cada dia. O compromisso é fundamental à amizade porque demonstra a importância do outro. “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz”. Não obstante, amizades às vezes são incômodas ou frustrantes. Certo dia o Príncipe descobre que a sua flor, tão especial, era igual às tantas outras daquele belo jardim. Finalmente, ele compreendeu que o tempo e dedicação à sua rosa a tornava única no mundo inteiro. Escolhas, aproximação e dedicação é a receita do bom amigo, o qual, na adversidade, torna-se “um irmão querido”.

A atualidade nos impõe relacionamentos furtivos, virtuais ou, o mais comum, a indiferença. Ávidos pelo individualismo e impulsionados pela velocidade dos nossos dias, fazer amigos verdadeiros parece algo utópico ou adiável. Mas como diz o autor: “Num mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar um amigo”.

Esse é o sentido da parábola de Jesus. “Que farei? Trabalhar na terra, não tenho força; quanto a viver esmolando, tenho vergonha. Já sei o que farei para que, quando perder o cargo de administrador, as pessoas continuem a me receber em suas casas’ ... Então, o senhor elogiou aquele administrador da injustiça, pois agiu com sabedoria” (Lc 16,3-8).

Permita-se fazer amigos sinceros. “Porquanto, se um cair, o outro levantará seu companheiro. Mas pobre do que estiver sozinho e cair, assim não haverá quem o ajude a se reerguer!” (Pv 4.10).

9 de abril de 2015

Tanto para se fazer

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A história de Lillian Weber, uma senhora de 99 anos do estado de Iowa, nos Estados Unidos, é inspiradora. Ela assumiu o desafio de “costurar um vestido por dia para a associação filantrópica Little Dresses for Africa (Pequenos Vestidos para África), uma instituição beneficente cristã que distribui vestidos para meninas carentes em todo o continente africano.” A meta de Weber é alcançar mil vestidos costurados até o seu aniversário de 100 anos, em 6 de maio de 2015. O mais impressionante é o zelo com que trabalha. Ela admite que poderia fazer dois vestidos por dia, mas “se limita a apenas um, já que prefere customizá-los com bordados e uma série de intrincados detalhes.”

No Brasil, a Segunda Igreja Batista do Plano Piloto (SIBPP), em Brasília, assumiu o compromisso de fazer os uniformes das crianças da Escola Batista de Bafatá, na Guiné-Bissau. A escola criada por missionários (onde não havia escola) despertou o desejo no coração daquelas mulheres de participar. Diariamente a equipe trabalha na confecção dos uniformes. O pastor, fundador da missão, relatou certa vez que as camisas precisam ser vigiadas quando são lavadas. Se forem deixadas secando sozinhas elas serão roubadas dada à importância da escola naquela comunidade. Curiosamente estes uniformes custam (para igreja) R$ 30,00 cada um.

O valor não está nos tecidos, sejam dos vestidos das meninas, sejam nos uniformes escolares. O valor está no trabalho e no significado para quem recebe as roupas.

O desejo de Lillian Weber “é que as meninas que recebem seus vestidos tenham orgulho de si próprias e se sintam bonitas”. Orgulho semelhante sentem as crianças da escola de Bafatá.

Costurar roupas; algo aparentemente simples, mas capaz de abençoar tantas pessoas. Juntar peças de tecidos de pouco valor, mas que trazem sentido à vida de pessoas conhecidas, como a senhora Lillian, lá do Iowa, e pessoas anônimas, como as mulheres, lá de Brasília.

Histórias assim me fazem pensar: há tanto para se fazer no Reino de Deus. E, me fazem perguntar: como posso usar meus talentos para abençoar vidas como fazem essas mulheres?

“Eu devo fazer as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (Jo 9.4).

Fontes: http://awebic.com/pessoas/senhora-99-anos-costura-um-vestido-por-dia http://www.sibpp.org.br/index.php/inicio/101-uniforme.html


6 de abril de 2015

A Páscoa, o coelho e os ovos de chocolate

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– Pra você o que é páscoa?

– Páscoa vem de pessach (heb): passar “por cima”/saltar. Porque naquela noite a morte visitou o Egito matando todos os primogênitos. Contudo, pelos hebreus ela passou direto pois estavam em suas casas protegidos pelo sangue do cordeiro que haviam pintado nas portas.

– Mas você não é cristão?

– Sim. Jesus se fez cordeiro de Deus derramando seu sangue sobre a cruz. É por isso a morte não tem poder sobre aquele que está protegido por seu sangue. Isso é a Páscoa cristã.

– E qual a importância do coelho de dos ovos de chocolate?

– Bem, não como carne de coelho, mas se me derem ovos de chocolate como sem a menor culpa. Estas coisas não podem me impedem de celebrar a Páscoa em Jesus.

Feliz páscoa (Pessach Sameach)! E sem culpa.

29 de março de 2015

Conversando com Jesus - amar quem te odeia

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“Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem ...”
– Jesus, Jesus!
– Sim.
– Esse negócio de amar os inimigos é sério?
– É, por quê?
– Amar até os corruptos coletores de impostos?
– Claro! “Porque se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos (coletores de impostos corruptos) igualmente assim?”
– Mas, mas eles não merecem. São ladrões e roubam até mesmo os mais pobres.
– Eu sei. Acontece que o Pai “faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos”
– Mas assim tá difícil. Tudo bem, vou tentar.
– Faça isso.
– Mas pelo menos tenho meus amigos da igreja.
– Sei, e daí?
– Daí que não preciso me misturar. Nem é bom eu ser visto falando gente pecadora.
– Acho que você não entendeu.
– O que?
– Ora, “se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de notável? Não agem os gentios (os não crentes) também dessa maneira?”
– Assim não dá! Amar os inimigos e ainda falar com gente que não gosta de mim.
– É isso mesmo.
– E se eu não quiser?
– É o que eu ia dizer quando você me interrompeu “...para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus”.
– Hummm!
– Bem, a escolha é sua. Ainda assim Eu afirmo: “sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai que está nos céus.” (Mateus 5.43-48)

*Dedicado a um amigo com quem tomo café vez por por outra. A partir da conversa com ele sobre esse assunto é que nasceu a ideia.

26 de março de 2015

Valorize seus pais

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Um jovem candidatou-se a uma posição sênior em uma grande empresa. Ele passou na entrevista inicial e foi ao encontro do diretor para a entrevista final. Após observar o excelente currículo do rapaz o diretor perguntou:

– Você recebeu alguma bolsa na escola?
– Não, – respondeu o jovem.
– Foi o seu pai que pagou pela sua educação?
– Sim, – afirmou.
– Onde é que seu pai trabalha?
– Meu pai faz trabalhos de serralheria.
O diretor, então, pediu que o rapaz lhe mostrasse as mãos. Eram mãos macias e perfeitas.

– Alguma vez você já ajudou seu pai no seu trabalho?
– Nunca, meus pais sempre quiseram que eu estudasse e lesse muitos livros. Além disso, ele pode fazer essas tarefas melhor do que eu.

Então o diretor lhe disse:
– Eu tenho um pedido. Quando chegar a casa, vá e lave as mãos de seu pai, e venha me ver amanhã de manhã.

O jovem sentiu que havia uma chance muito grande de conseguir o emprego. Quando voltou para casa, ele pediu a seu pai que o deixasse lavar suas mãos. O pai achou pedido estranho. Feliz e com sentimentos misturados estendeu as mãos para o filho.

O rapaz passou a lavar as mãos de seu pai lentamente. Foi a primeira vez que ele percebeu que elas estavam enrugadas e tinham muitas cicatrizes. Algumas contusões eram tão doloridas que sua pele se arrepiava quando ele as tocava. Só então ele se deu conta do significado deste par de mãos: trabalhando todos os dias para pagar os seus estudos. As contusões nas mãos de seu pai eram o preço que ele pagou por sua educação, suas atividades escolares e seu futuro.

Depois de limpar as mãos do pai, o jovem, em silêncio, passou a arrumar e a limpar a oficina. Naquela noite, pai e filho conversaram por um longo tempo.

Na manhã seguinte, o rapaz foi encontrar-se com o Diretor. Percebendo as lágrimas nos olhos do moço ele perguntou:
– Você pode me dizer o que você fez e o que você aprendeu em sua casa ontem?

O rapaz respondeu:
– Lavei as mãos de meu pai e também terminei de limpar e organizar sua oficina. Agora eu sei o que é valorizar e reconhecer. Sem meus pais, eu não seria quem eu sou hoje. Por ajudar o meu pai, agora eu percebo o quão difícil e duro é conseguir fazer algo por conta própria. Eu aprendi o que é apreciar, dar importância e o valor de se ajudar a família.

Então o diretor disse:
– Isso é o que eu procuro no meu pessoal. Quero contratar uma pessoa que possa apreciar a ajuda dos outros, uma pessoa que conheça os sofrimentos dos outros para fazer as coisas, e que não coloque o dinheiro como seu único objetivo na vida. Você está contratado.

Uma criança que tenha sido protegida e habitualmente dado a ela tudo o que quer, desenvolve uma mentalidade do “eu tenho direito”, e sempre se coloca em primeiro lugar, ignorando os esforços de seus pais. Se somos esse tipo de pais protetores, estamos realmente demonstrando amor ou estamos destruindo nossos filhos?

Você pode dar ao seu filho uma casa grande, boa comida, as melhores escolas e uma TV de tela grande. Mas quando você está lavando o chão ou pintando uma parede, por favor, que ele também experimente essas coisas. Depois do almoço, que lave os seus pratos com os seus irmãos e irmãs. Não é porque você não tem dinheiro para contratar alguém que possa fazer este trabalho; mas porque deseja amá-lo da maneira correta. Não importa o quão rico você seja, o que quero que entenda é: um dia você vai ter cabelos brancos como a mãe ou o pai deste rapaz.

O mais importante é que a criança aprenda a apreciar o esforço e a ter a experiência da dificuldade, aprendendo a capacidade de trabalhar com os outros para fazer as coisas.

Texto baseado em: vigiai.net/artigos/licao-de-vida

Adaptação e tradução livre – Leonardo Martins

18 de março de 2015

Respeite os mais velhos!

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Quando criança aprendi com meus pais: “respeite os mais velhos”. Ao longo dos anos a mídia e a sociedade ocidental passaram a enaltecer cada vez mais a juventude. Em 1984 o grupo alemão Alphaville gravou a música Forever Young (para sempre jovem), do álbum de mesmo nome, alcançando grande sucesso nos Estados Unidos e no Brasil. Com uma bela melodia e uma letra forte tornou-se uma espécie de hino à juventude. “Deixem-nos morrer jovens ou deixem-nos viver para sempre”, dizia um dos trechos da música. O refrão era ainda mais direto. “Para sempre jovem / Eu quero ser para sempre jovem / Você realmente quer viver para sempre? / Para sempre ou nunca”.

A música é apenas uma referência ao espírito da época. Aos poucos “velho” passou a significar obsoleto, ultrapassado ou, no mínimo, o que menos se deseja ser. Hoje, chamar alguém de velho é “deselegante”, por isso há tantos codinomes mais palatáveis. Aos poucos as rugas e os cabelos brancos – de grande valor nas comunidades indígenas, por exemplo –, tornaram-se símbolos de vergonha ou enfado.

Onde ficou o ensino de meus pais? Que valores tem uma sociedade que não respeita os mais velhos? Afinal, “Você realmente quer viver para sempre? Para sempre ou nunca?”

Pesquisando sobre o assunto deparei-me com um cartaz que dizia: “Respeitar as pessoas mais velhas é tratar o próprio futuro com respeito”. Mesmo sem conhecer a Bíblia, o ensino de meus pais estava correto. “... Deus não se permite zombar. Portanto, tudo o que o ser humano semear, isso também colherá!” (Gl 6.7b). O texto refere-se a outro assunto, mas se aplica perfeitamente a este caso. “E não nos desfaleçamos de fazer o bem, pois, se não desistirmos, colheremos no tempo certo. Sendo assim, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, principalmente aos da família da fé” (Gl 6.9-10).

Não, eu não quero ser para sempre jovem, e, ainda que quisesse, sei que não poderia. Portanto, vale ainda o velho conselho: Respeite os mais velhos!  Ensinaram-me meus pais e me ensina a Palavra.

15 de março de 2015

Por que Tomé duvidou?

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Estigmatizar: “Condenar; marcar uma pessoa negativamente ou de modo desagradável”.

Com frequência estigmatizamos as pessoas. Tomé é marcado como aquele que não creu. Uma marca capaz de adjetivar as pessoas até os dias de hoje. Mas será mesmo que Tomé é aquele que duvidou? Ou melhor, é justa essa marca?

Preâmbulo: Logo pela manhã Maria Madalena vai ao túmulo onde Jesus foi enterrado, vê que a pedra foi removida e corre para avisar a Pedro dizendo: “Eles tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o colocaram!” (Jo 20.3). Pedro e João correm até o local. Pedro entra, vê as faixas, mas o corpo não estava mais lá. Quando João entrou “viu e creu.” (Jo 20.8). Maria continuou do lado de fora chorando até que o próprio Jesus lhe apareceu. Então ele disse: “... vai, e ao encontrar meus irmãos, dize-lhes assim: ‘estou ascendendo ao meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus’” (Jo 20.17). Ela foi e fez conforme Jesus lhe havia dito.

É nesse contexto que encontramos a história que estigmatizou Tomé como aquele que precisa ver para crer.

No Evangelho de Mateus não encontramos detalhes do que sucedeu depois. Mas, segundo Evangelho de Marcos, “ela foi e comunicou aos que com Ele tinham estado. Eles, porém ... Quando receberam a notícia de que Jesus estava vivo e fora visto por ela, não conseguiram acreditar” (Mc 16.9-11). O Evangelho de Lucas é ainda mais enfático. “Entretanto, eles não acreditaram nelas, as palavras daquelas mulheres lhes pareciam um delírio” (Lc 24.11).

A bem da integridade do texto, no Evangelho de João não há uma referência clara a esse respeito: se eles creram ou não nas palavras de Maria Madalena. Contudo escapa um comportamento, no mínimo estranho, quando Jesus aparece aos discípulos. “Enquanto falava aos discípulos, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos ficaram muito alegres ao verem o Senhor” (Jo 20.20).

Dois detalhes chamam a atenção. Primeiro, sobre o que os discípulos falavam quando Jesus mostra as mãos e o lado? Segundo o texto, somente após este ato – então – eles “ficaram muito alegres”. O detalhe mais forte desta frase está em “ao verem ao Senhor”. Ora, o Senhor já não estava entre eles? Por que “ao verem”? Já não o estavam vendo?

Segundo, por que Jesus mostra as mãos e o lado aos seus discípulos? Não é essa atitude que vai estigmatizar Tomé como quem precisa ver para crer?

Ato contínuo, os discípulos anunciam a Tomé que estiveram com o Jesus, porquanto ele não estava com eles naquele dia. A resposta de Tomé é conhecida. “Se eu não vir as marcas dos pregos nas suas mãos, não colocar o meu dedo onde estavam os pregos e não puser a minha mão no seu lado, não acreditarei” (Jo 20.25). Aqui fica claro que as provas que Tomé precisa para crer na ressurreição são as mesmas protagonizadas por Jesus no encontro anterior.

Pensando neste contexto onde os discípulos passaram de um grande momento de dor para uma alegria extasiante, e considerando a ausência de Tomé no primeiro encontro, eu ousaria acrescenta a afirma de Tomé a palavra “também” sem muitas dúvidas. Caberia perfeitamente começar a frase com: “Se eu [também] não vir as marcas dos pregos nas suas mãos ...”. De todo modo tocar as mãos e o lado é a forma de Jesus provar que está vivo.


Finalmente o texto o qual estigmatiza Tomé. Depois de oito dias Jesus faz tudo igual: chega, anuncia a Paz e mostra as mãos e o lado para Tomé porque ele não cria. Então Jesus diz: “Tomé, porque me viste, acreditaste? Bem-aventurados os que não viram e creram!” (Jo 20.29).

Numa análise muito severa podemos afirmar que Jesus se refere claramente somente a Tomé. E isso pesa contra ele. Se, contudo, usarmos a mesma severidade que pese a seu favor que ele foi o único a reconhecer Jesus como Senhor e Deus. “E Tomé confessou a Jesus: ‘Meu Senhor e meu Deus!’” (Jo 20.28).

Numa análise menos rigorosa a partir da natureza humana – limitada à razão, aos sentidos e com grande dificuldade em compreender a grandeza de Deus –, não seria absurdo pensar que Tomé foi apenas isso, humano. Como os outros, ele não creu nas mulheres. Talvez o seu diferencial seja não ter crido no testemunho dos amigos. Mas será que eu e você teríamos crido estando neste mesmo contexto? Será que isso justifica a “marca” de Tomé?

O Evangelho de João é o mais teológico dos quatro. E, a frase que encerra essa narrativa é absolutamente clara:
“Verdadeiramente Jesus realizou, na presença dos seus discípulos, muitos outros milagres, que não estão escritos neste livro. Estes, entretanto, foram escritos para que possais acreditar que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu Nome” (Jo 20.30-31).

Portanto, Tomé sou eu, Tomé somos nós quando precisamos ver para crer e quando duvidamos da Escritura, a qual foi registrada pelo Apóstolo João para que pudéssemos crer que Jesus é o Cristo, nosso Senhor e nosso Deus.

28 de fevereiro de 2015

Verdade: a felicidade ou a desgraça?

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Uma sábia e conhecida estória diz que, certa vez, um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Logo que despertou, mandou chamar um adivinho para que interpretasse seu sonho.

– Que desgraça, senhor! – exclamou o adivinho. – Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade.

– Mas que insolente! – gritou o sultão enfurecido. – Como te atreves a dizer-me semelhante coisa? Fora daqui!

Chamou os guardas e ordenou que lhe dessem cem açoites. Mandou que trouxessem outro adivinho e lhe contou sobre o sonho. Este, após ouvir o sultão com atenção, disse-lhe:

– Excelso senhor! Grande felicidade vos está reservada. O sonho significa que haveis de sobreviver a todos os vossos parentes.

A fisionomia do sultão iluminou-se num sorriso, e ele mandou dar cem moedas de ouro ao segundo adivinho. E, quando este saía do palácio, um dos cortesões lhe disse admirado:

– Não é possível! A interpretação que você fez foi a mesma que o seu colega havia feito. Não entendo porque ao primeiro ele pagou com cem açoites e a você com cem moedas de ouro.

– Lembra-te meu amigo, – respondeu o adivinho – que tudo depende da maneira de dizer.

Um dos grandes desafios da humanidade é aprender a arte de comunicar-se. Da comunicação depende, muitas vezes, a felicidade ou a desgraça, a paz ou a guerra. Que a verdade deve ser dita em qualquer situação, não resta dúvida. Porém, a forma com que ela é comunicada é que tem provocado, em alguns casos, grandes problemas.

A verdade pode ser comparada a uma pedra preciosa. Se a lançarmos no rosto de alguém pode ferir, provocando dor e revolta, mas, se a envolvermos em delicada embalagem, e a oferecermos com ternura, certamente será aceita com felicidade.

Autor Desconhecido

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