9 de dezembro de 2010

Um homem, um pastor, um exemplo

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Quando se pensa em ministério pastoral uma das imagens que nos vem a mente é a de um homem usando terno e gravata pregando sobre o cristianismo. Este estereótipo é associado à ideia de uma pessoa mansa, de modos comedidos e hábitos discretos. Pastor é quem pastoreia, ou, conforme a orientação de Jesus: “Apascenta as minhas ovelhas”.
Procurando nos bons exemplos do passado surpreendi-me com algumas descobertas a começar pela história de um homem em particular. Será que você o conhece?

Deixo algumas de suas frases como pistas:
1 – "A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar."
Filho de pai pastor e mãe professora estudou em escolas públicas formando-se em sociologia aos 19 anos. Fez teologia, foi nomeado pastor batista e concluiu seu Phd em Teologia Sistemática pela Universidade de Boston. Um homem letrado dedicado a esposa e aos quatro filhos e que lutava por justiça.

2 – "O ser humano deve desenvolver, para todos os seus conflitos, um método que rejeite a vingança, a agressão e a retaliação. A base para esse tipo de método é o amor."
Apesar de sua luta intensa pelos direitos civis ele era um pacificador. Defendia todo tipo de manifestação e protesto contra injustiça aos moldes de Gandhi, de forma pacífica. Pacifista por princípio declarava-se abertamente contra a Guerra do Vietnã. Essa, dentre outras atitudes, o tornaram um dos maiores líderes de seu tempo sendo premiado com o Nobel da paz com apenas 35 anos.

3 – "Se um homem não descobriu algo por que morrer, ele não está preparado para viver."
Morreu jovem, aos 39 anos, vítima de um atentado após comandar uma das maiores marchas até a capital do país, Washington. Não deseja morrer, mas desejava a paz e a justiça.

4 –  "A Verdadeira paz somente não é a falta de tensão, é a presença de justiça."
Hoje, terminado mais um semestre, fico pensando o porquê não estudamos sobre a vida de pastores como ele.  Um homem que dedicou-se com afinco aos estudos e lutou sempre de forma pacífica. Um pastor que soube dar o exemplo a ponto de ser reconhecido com o Nobel e teve a coragem lutar contra o preconceito racial até o ponto de ser morto. Um exemplo de alguém que sonha com um mundo melhor para todos independente de raça, credo, cor, sexo ou nacionalidade.

Um homem, um pastor, um exemplo, cujo sonho era um dia ver a justiça se cumprir.

5 – "Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados pelo caráter, e não pela cor da pele." (Martin Luther King Jr.)

17 de outubro de 2010

Jesus: Judas, pobre Judas!

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Você conhece alguém com o nome de Judas? Eu conheci um Matusalém, mas Judas, confesso que não.

Judas era um nome muito comum na época de Jesus. O Novo Testamento cita, pelo menos 5 Judas diferentes. Um nome importante para os hebreus cuja origem está ligada ao filho mais nobre dentre os filhos de Israel, Judá. Não é por acaso que este nome vem a identificar todo o povo chamado Judeu. Ora por que um nome tão importante, para nós, deixa de ser nome para tornar-se um adjetivo? Judas; sinônimo de traidor.

Judas (falamos do Iscariotes, é claro) tinha um desvio de caráter. Como tesoureiro do grupo subtraia o dinheiro da bolsa. (Jo 12.6). Mas por que ele fazia isso?

A Bíblia não fala claramente, mas penso que Judas tinha sede de poder. Assim como seus amigos, ele também tinha os “seus planos” para Jesus e como os outros, não entendia a missão do Mestre.
Certa ocasião a mãe de Tiago e João tenta um cargo especial para seus filhos no Reino de Deus. E essa atitude acaba aborrecendo os outros discípulos. (Mt 20.20-24). Portanto, é possível pensar que todos queriam um lugar especial neste reino. Tanto que Jesus indica-lhes qual seria o caminho. “Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal” (Mt 20.26).

Trair. O que é trair? O que é traição?

Se olharmos para Pedro, não podemos dizer que ele traiu Jesus ao negá-lo? E os demais discípulos não fizeram o mesmo? “Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja mister morrer contigo, não te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo.” (Mt 26.35). Percebeu o detalhe? Também não traíram os discípulos que fugiam para Emaús conforme Lucas 24.13? E, por que eles fizeram isso? Porque também não entendiam a missão de Jesus. Estavam decepcionados a espera de um rei que os liderassem pela espada. “E nós esperávamos que fosse ele o que remisse Israel; mas agora, sobre tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram.” (Lc 24.21).

Os planos de Judas de liberdade talvez fosse parecido com os dos seus companheiros. Ora, Jesus já havia manifestado seu poder em muitas ocasiões em que Judas estava presente. Talvez, na mente dele, pensasse: Se eu entregar Jesus, vou "ajudar" que o seu Reino comece logo. Talvez o seu desejo fosse que Jesus se rebelasse e mostrasse todo o seu poder tornando-se o Rei de Israel. Na lógica de Judas, ele e seus amigos seriam os maiores beneficiados, pois eram os mais próximos de Jesus.

Veja que isso passou também pela cabeça de Pedro. Quando viu o Mestre ser preso Pedro pode ter imaginado que era chegado o momento do levante e, pos isso, teria cortado a orelha do soldado. Mas para sua decepção Jesus o repreende. “Mas Jesus disse a Pedro: Põe a tua espada na bainha; não beberei eu o cálice que o Pai me deu?” (Jo 18.11).

Quando “nada” acontece, ou seja, Jesus se deixa aprisionar, tanto Pedro como Judas não sabem o que fazer. Pedro acompanha Jesus de longe alimentando, quem sabe, a esperança de ver o Mestre escapar. Enquanto isso, Judas tenta desfazer o seu erro devolvendo o dinheiro pelo pagamento de sua traição. Logo Judas que gostava tanto de dinheiro. (Será?)

Ao perceber que sua traição não surtiu o efeito esperado Judas se arrepende. “Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos,” (Mt 27.3). Mas era tarde demais para ele. Diante da dor de ter traído um inocente e sem conseguir desfazer seu erro Judas (pobre Judas!) vai enforcar-se. (Mt 27.4,5).

A traição, confesso, é um dos sentimentos que mais me aflige (ou afligia), contudo, olhando a partir da visão de Jesus fica difícil não perceber que seu perdão alcança a todos nós. Para Ele este pecado não é maior que nenhum outro. Analisando o comportamento de Jesus não consigo imaginar que ele guardasse mágoa de Judas.

Penso que se Jesus pudesse comentar sobre a história de Judas diria: - Judas, pobre Judas! Escreveu seu nome na história como traidor, amaldiçoando, entre os homens, o nome que Deus exaltou entre o seu povo. Judas, pobre Judas! Seu pecado não maior que os dos outros porque também por este entreguei a minha vida. Fiz isso para que você também fosse perdoado.

Nunca gostei (nem gosto) da atitude de traição dos “Judas” de nosso tempo, porém pensando no caráter de Jesus, certamente Ele perdoaria este pecado. Analisando a vida de Judas, coitado, percebo como ele sofreu.

Judas, pobre Judas!

8 de outubro de 2010

A Autoridade em Jesus ou de Jesus?

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Apesar de teremos a Bíblia na mão, muitos de nós não a leem como faziam as gerações passadas. Mas isso não significa que havia mais entendimento do que hoje sobre alguns assuntos simples da Escritura. Se alguém perguntasse: de onde vinha a autoridade de Jesus? Qual seria a resposta mais provável? De Deus é claro.

De fato a resposta não estaria errada, a não ser pelo fato de, primeiro, precisarmos definir o significa da expressão “de Deus”. Se significar que Jesus tinha autoridade por ser filho de Deus a resposta está equivocada. A autoridade de Jesus NÃO vem de sua hereditariedade paterna.

É preciso considerar quem foi Jesus desde sua concepção. Quem acompanha a gestação de um bebê sabe que ele vai crescendo dentro do útero materno. Logo, Jesus tinha aproximadamente oito centímetros aos três meses, aos quatro meses já tinha massa encefálica e cerca de quinze centímetros, e assim por diante. Jesus foi crescendo, crescendo, crescendo, até que, finalmente, depois de nove meses, nasceu como qualquer outro bebê. Foi frágil e dependente do cuidado dos pais para sobreviver. Ora Jesus foi criança, adolescente, jovem e finalmente adulto. Como eu e você se alimentava e, claro, também ia ao banheiro. Não quero aqui “desespiritualizar” Jesus. De forma alguma! Ele nasceu da semente de mulher e não pecou. Nisso foi diferente de nós!


Então, como podemos explicar sua autoridade vinda do alto? Seria porque Ele não pecou? diriam.

A Bíblia é clara quanto à vida de Jesus. Como todo menino Judeu ele aprendeu com a mãe, Maria, e com o pai, José, sobre as Escrituras. Lhe ensinaram tão bem no dia do Bar Mitzvá disputava como os religiosos e “todos os que o ouviam admiravam a sua inteligência e respostas.” (Lucas 2.47) É muito curioso que nós poucas vezes percebemos o final deste capítulo de Lucas: “E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens. (Lucas 2.52). Foi com a Palavra que Jesus resistiu a tentação do Diabo por três vezes citando Dt 8.3, Dt 6.16 e Dt 6.13. Nesta passagem (Mateus 4.1-9) Jesus não diz “me foi revelado” ou “eu já sabia”. Diz claramente por três vezes “está escrito”. Isso implica no Seu conhecimento profundo da Lei (Torah). Ele não a lia simplesmente, mas, principalmente, a guardava no seu coração.

Mas somente conhecer muito bem a Escritura não é o bastante. Mesmo Nicodemos, um príncipe entre os Judeus, não a compreendia muito bem. Nicodemos, diferentes de seus colegas fariseus, reconhecia a autoridade de Jesus pelos sinais que o Mestre fazia. Então, voltamos à pergunta: De onde vinha esta autoridade?

Acontece que os sinais que Jesus fazia estavam sempre permeados pela oração. Oração antes, durante e depois. No dia da decisão mais difícil de sua vida, Jesus estava tão angustiado que suava sangue, enquanto orava ao Pai. Após a multiplicação dos peixes ficou sozinho para orar. Orava pelos discípulos, orava pela manhã, a tarde, a noite e na madrugada. Jesus orava tanto que certa vez “... estando ele a orar num certo lugar, quando acabou, lhe disse um dos seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos.” (Lucas 11.1)

Essas eram as fontes da autoridade de Jesus. Não era nenhum tipo de “fenômeno” ou "herança genética”. Era uma autoridade lapidada e forjada na obediência ao Pai. Obediência de quem conhece (pela Escritura) e é conhecido (pela vida de Oração). Ou como diria o Pr. Joed uma vida voltada para o básico de qualquer crente.

3 de outubro de 2010

Com que autoridade?

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Para nós que temos, hoje, a escritura nas mãos fica fácil perceber como os mesmos homens cometeram o mesmo erro duas vezes. Mas naquela época ainda não havia a Bíblia como nós a conhecemos. Por isso, os fariseus fizeram a mesma pergunta duas vezes: com que autoridade você faz estas coisas?

Na primeira vez, a pergunta foi destinada a João Batista com relação ao batismo. Ora, se ele mesmo confessava não ser nem o Cristo, nem Elias, nem um profeta “...Por que batizas...” (Jo 1,25). O leitor mais atento verá que não encontramos a palavra autoridade neste texto (Jo 1.19-25), entretanto, esta ideia está embutida no contexto como também reforçam as palavras de Jesus com relação a este mesmo batismo praticado por João (Mc 11.30; Mt 21.25 e Lc 20.4).

Na segunda vez a pergunta, ainda que não tenha sido a última, foi direcionada a Jesus. “E lhe disseram: Com que autoridade fazes tu estas coisas? ou quem te deu tal autoridade para fazer estas coisas?” (Marcos 11.28).

Parece claro que os religiosos da época sentiam sua autoridade ameaçada, ora por João Batista, ora por Jesus. Mas por que essa discussão sobre autoridade?

É preciso separar de que autoridade está se falando. Existe a autoridade dada pelos homens, ora pela vontade de Deus, ora pela vontade do próprio homem (permissão de Deus e não vontade d’Ele). Existe também a autoridade dada diretamente por Deus e era justamente essa a que incomodava àqueles religiosos.

Veja que Jesus conhecia bem os dois tipos de autoridade. “O batismo de João era do céu ou dos homens? respondei-me.” (Mc 11.30). Que pergunta embaraçosa! Se respondessem "do céu" Jesus lhes diria: “Então por que o não crestes?” (Mc 11.31c). Se respondessem “dos homens” a multidão se voltaria contra eles porque “todos sustentavam que João verdadeiramente era profeta.” (Mc 11.32b).

Parece-me que em nossos dias esta mesma crise está instalada, tanto na vida secular quanto na vida religiosa. É muito frequente alguém se faz valer de sua "autoridade" como se ela tivesse sido dada diretamente por Deus ou pela vontade d’Ele. E não raro tanto leigos quanto religiosos confundem os dois tipos de autoridade.

É por isso que admiro os princípios batistas. Para nós “A Bíblia como revelação inspirada da vontade divina, cumprida e completada na vida e nos ensinamentos de Jesus Cristo é a nossa regra autorizada de fé e prática.” (Princípio I – A Autoridade). Um princípio bem aos moldes de Martin Lutero (Martin Luther) que questiona a autoridade do Papa voltando-se à Escritura. “Sozinha Scriptura (só a Escritura): A única fonte de revelação e norma de vida são as Sagradas Escrituras do Antigo e Novo Testamento.” (Postulado 3).

"Holy Scripture, the Word of God, carries the full authority of God." (Divine authority)


Como é bom sermos livre para examinarmos as Escrituras e conduzimos as nossas vidas e as nossas ações por Ela e não pelas normas de homens que, por mais consagrados que sejam, podem falhar. Que bom não dependermos de uma "infalibilidade Papal" para nos guiar. Que bom é, termos a consciência que nossos líderes também são homens como nós cuja autoridade está fundamentada na perfeita submissão à Palavra de Deus.

Precisamos nos aprofundar no conhecimento das Escrituras e depositarmos n’Ela nossa confiança porque Ela é a nossa única fonte de autoridade. Caso contrário, repetiremos as mesmas perguntas dos religiosos daquela época. E como eles erraremos por não sabermos com que autoridade fazemos tais coisas.
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17 de setembro de 2010

Quem sou eu?

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Esta talvez seja a pergunta mais antiga, mais profunda e mais abrangente da história da humanidade. Desde os primórdios da filosofia grega, passando por Sócrates, Platão e Aristóteles até chegarmos aos nossos dias, encontramos a mesma pergunta: quem sou eu? No Oriente não é diferente. Na Índia, em todo oriente e em todo o mundo, o homem busca encontrar a mesma resposta, mas por quê?

Este artigo nasceu a partir da música de Mark Hall & Juan Deveo (Who am I?) na versão em português (Quem sou eu?) na voz do cantor PG. Ouvido a música, seja em Inglês, seja em português, é impossível não pensar na pergunta mais antiga do mundo.

Quando penso na extensão do planeta terra com mais de 51.0000.000/km (cinquenta e um milhões de quilômetros quadrados), dos quais jamais poderei caminhar ou navegar mesmo que dure uma vida inteira, eu me pergunto: quem sou eu?

A noite veja a lua a “me seguir” como que suspensa no ar absolutamente “presa no nada”. Me apavora imaginar que um dia ela possa se “desequilibrar” e cair sobre mim (sobre nós) e neste dia, simplesmente, a raça humana se extinga. Então, torna-me a pergunta: quem sou eu?


Tudo tão grande, tão forte, tão cheio de poder. E eu tão indefeso e tão frágil.

Porém o mais profundo pensamento me vem, assim como na poesia, quando penso no criador de todas as coisas. Porque olhando o gigantismo da terra percebemos quão pequeno somos. No entanto, nosso sol é só um ponto de luz, nosso planeta um grão de poeira no universo e toda a raça humana nada é.

Afinal, “quem sou? pra que o Deus de toda terra se preocupe com meu nome? Se preocupe com a minha dor?”

Não posso entender como o Senhor se importa comigo. Alguém como eu, um pecador, pó da terra, que nada posso fazer para chamar a Sua atenção. Alguém que não tem nada a oferecer de bom ao criador. Alguém que tão insignificante, mas que, apesar disso, é cuidado por Deus. Não pelo que sou ou possa fazer, mas pelo que o Senhor é, pelo Seu amor (que não cabe no meu entendimento). E, somente por causa deste amor é que sou alguém.

Quem sou eu?

Só posso encontrar uma resposta. E assim como diz a canção: Eu sou teu Senhor.

Esta é única resposta que faz sentido pra mim. Porque a filosofia, a mais de 2.000 anos, não conseguiu responder a algo tão profundo. A esta pergunta que tanto angustia a o coração humano. Somente Deus, o criador do Universo, conseguiu preencher este vazio que havia dentro de mim.

Existe, ainda, uma pergunta suspensa no ar. Afinal, quem é você?

"Lembra-te de que a minha vida é como o vento; os meus olhos não tornarão a ver o bem.
Assim como a nuvem se desfaz e passa, assim aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir.
Que é o homem, para que tanto o engrandeças, e ponhas nele o teu coração,
E cada manhã o visites, e cada momento o proves?" (Jó 7.7;9;17;18)
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18 de agosto de 2010

Crise dos sentidos

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Certa vez um colega me perguntou: – Qual é o Deus dos cristãos? Isso virou um artigo com o consentimento dele, é claro. A pergunta era mais histórico-filosófica, mas como não a entendi respondi-lha teologicamente. Hoje quero pensar nesta pergunta sob uma perspectiva mais prática: O que é o Cristo para o mundo de hoje?

Não é preciso recorrer a tudo que temos visto e ouvido das diversas correntes doutrinárias e dogmática. Liga-se a televisão e está tudo lá. Milagres, curas, dons “especiais”, barganhas com Deus etc. Como dito no artigo do Joed, existe todo tipo de culto “ao gosto do cliente”.

Minha pergunta é outra. O que faz sentido neste cristianismo moderno? Preocupa-me que o Cristo morreu por nós, mas nos parece em vão este ato de amor. Porque não vejo muito sentido em como reagimos (ou como devemos AGIR) nestes tempos de tanta pluralidade, de tanta informação, de tantos questionamentos.

Por um lado nosso cristianismo está arraigado na tradição (nas tradições) que nos são herdadas ou impostas. Se não, de onde vêm tantos conceitos sobre igreja e práticas religiosas? da Bíblia? Isso é que não. Temos distorcido o texto bíblico dizendo ser esta a “Palavra de Deus”.

Por outro lado temos nos amoldado ao mundo e secularizado nossas igrejas a ponto de não sabermos mais a diferença entre uma igreja e um clube, ou um show. Temos até discutido os milagres sob perspectivas psíquico-somáticas. – Milagre? isso é coisa do passado, a ciência explica – é o que se ouve.

Mas será que existe um Deus para os nossos dias sem que sejamos fundamentalistas a ponto de negarmos a ciência? Existe um Jesus que não se amolde as práticas modernas e seja de fato o Cristo, aquele que é o filho de Deus? Alguém que veio salvar o rico e o pobre, o branco e o negro, a mulher e o homem? É possível haver ainda um Cristo que dê sentido a vida?

Certamente o cristianismo deste século, em particular no Brasil, grita por uma nova reforma, mas sem Luteros e sem “verdades absolutas”. Um cristianismo que faça sentido na vida das pessoas, de qualquer pessoa. Não o cristianismo utilitários que prega-se aos pobres ou o cristianismo efêmero que panfletamos aos ricos.

Penso num cristianismo aos moldes de Jesus, que resgatou Nicodemos, Barnabé e Zaqueu, homens ricos. Mas que também resgatou a mulher adúltera, que apesar de seu pouco valor social e seu pecado foi perdoada por Jesus. Penso num Jesus que fale aos corações dos nossos filhos de forma profunda nesta geração da Internet.

Penso num Cristo que dê sentido a vida. Num Cristo que olhe para o homem como só Ele pode olhar e diga ainda hoje: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. (Lucas 23.34).

Porque, não se engane, onde ainda há gente pregando daquilo viu e ouviu com propriedade, daquilo que vive e crê e, principalmente, com humildade de saber que se é um simples pecador, ali sempre haverá gente “bebendo” desta fonte.

O cristianismo vive em crise, uma crise de sentido, mas o Cristo não. Precisamos conectar novamente o cristianismo a sua verdadeira fonte, Jesus, o Cristo, o filho de Deus.

"Há duas formas para viver sua vida: Uma é acreditar que não existe milagre, a outra é acreditar que todas as coisas são um milagreAlbert Einstein
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12 de agosto de 2010

Imitando quem?

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No artigo anterior "Faça o que eu mando" falei para os crentes que se comportam de forma imatura “justificando” seus maus comportamentos e “rebeldia”, pelos maus exemplos de líderes que precisam, sim, dar o exemplo. Mas isso não justifica que eu, que vivo o cristianismo, deva ser prejudicado por estes “líderes”.  Hoje reflito sobre estes maus exemplos e seus efeitos sobre os crentes imaturos e recém-nascidos na fé e, principalmente, aos não crentes que não possuem um referencial de cristianismo a medida de Jesus Cristo.

Olhando as igrejas cristãs não é difícil perceber como são diferentes e diferentes um tudo. E o mais intrigante é que todas utilizam a mesma Bíblia, ou muito parecida. A pergunta que qualquer pessoa faz é: qual igreja está correta? ou qual a igreja verdadeira? Por trás dessa “simples” pergunta está uma ainda mais importante e relevante: onde está a verdade?

Apologias à parte, observemos o apóstolo Paulo (apóstolo mesmo). Ao escrever a primeira carta aos crentes de Corinto, ele nos ensina algo muito importante sobre o caráter que todo crente em Jesus deveria ter, tanto mais um líder cristão. “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo”. (I Corintios 11.1).

Só para lembrar o contexto, esta comunidade de cristão não tem nenhuma relação com as tradições judaicas (na melhor das hipóteses muito pouca). São pessoas de cultura Helênica e filosofia grega. Corinto é uma cidade rica e influente que prestava culto a deusa Afrodite (deusa da fertilidade). Que relação existe, então, entre este povo e os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó? Nenhuma.

Paulo, durante um ano e meio falou do amor de Jesus Cristo, fundou a igreja, discípulou os irmãos e foi embora. Uma igreja cheia de dons: “De maneira que nenhum dom vos falta...” (I Corintios 1.7b), mas com um problema. Ela estava dividida. Julgavam-se uns melhores que os outros, seja pela valorização de um dom sobre o outro, seja pelo saber mais que outro, seja pelo ter mais bens que o outro. Traduzindo: os mais “espirituais”, os mais inteligentes e os mais ricos.

Paulo os exorta falando de Jesus, pois é Ele o fundamento da fé e se alguém deseja gloriar-se que “glorie-se no Senhor”. (I Coríntios 1.31b).

Mas quem é esse Jesus? Um judeu, alguém que não conhecemos, alguém fora da nossa tradição, fora da nossa cultura? perguntariam àqueles irmãos de Corinto. E é aí, justamente na falta de referencial, que Paulo levanta sua voz e diz: - Olhem para mim! Se vocês não sabem o que é cristianismo e não conhecem o Jesus, então olhem o Cristo que há em mim. Paulo não teme ser referência porque ele é um imitador de Cristo. Não com vanglória, mas com humildade: “Está Cristo dividido? foi Paulo crucificado por vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo?” (I Coríntios 1.13b).

Ah, como seria bom se cada crente pudesse dizer como Paulo: - vocês não conhecem o Cristo? então, OLHEM PARA MIM, me tomem com referência, me imitem. Não por mim mesmo, mas porque eu imito a Cristo.

No dia que cada crente e cada líder cristão viver como Paulo, o mundo vai ver, pelo exemplo, o que é o verdadeiro cristianismo. Hoje, a contradição entre o discurso, principalmnete dos líderes (ainda que não sejam todos), e a prática é muito grande. Mas naquele dia, mesmo que muitos não O aceitem, todos dirão: - ali vai um cristão, sei disso porque ele é um imitador de Cristo.
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7 de agosto de 2010

Faça o que eu mando...

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Faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço.

Quando eu era criança ouvi muitas vezes esta frase de meus pais. Apesar da pouca idade nunca concordei muito com isso, mas foi na adolescência que rebelei contra ela. Durante muitos anos tive como certo que se alguém deseja ser líder tem, sim, que dar o exemplo.

De fato esse pensamento não está de todo errado. Como é possível líderes viverem de forma antagônica com suas próprias filosofias? No campo da ética as diferenças entre o discurso e a prática tornam-se ainda mais evidentes. Se observarmos o atual cristianismo fica difícil para os não crentes compreenderem qual é o verdadeiro exemplo de Cristo.

Entretanto não falo para este agora, falo para os crentes que vez por outra reclamam de seus líderes (reclamações justas). Pessoas que buscam justificar-se no comportamento errado ou até antibíblico de alguns líderes. A elas diz o Senhor Jesus: “Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem”. (Mateus 23.3).

Em primeiro lugar Jesus está falando para os irmãos Judeus e discípulos. (Mateus 3.1a). Pessoas que já conheciam a religião judaica. Portanto não está falando aos alheios as leis de Deus.

Em segundo lugar Jesus se refere aos escribas e fariseus que estão sentados “na cadeira de Moisés” (Mateus 23.1b). Portanto, estes escribas e fariseus, são legítimos representantes da lei (de Moisés).

Em terceiro lugar Jesus critica a prática errada dos mesmos, quando afirma: “...não procedais em conformidade com as suas obras...”. Logo Jesus está indo justamente ao cerne da questão. O exemplo deles está errado, por isso não façam assim.

Em quarto lugar Jesus mostra as coisas que são ensinadas devemos primeiro “observar” e só depois “fazei-as”. Isso significa que estes homens, apesar de seus maus testemunhos, ensinavam o que era correto. Mas mesmo assim devemos observar se de fato o ensino é bíblico. Se for, façamos conforme o ensino, se não for bíblico, não o façamos.

Portanto Jesus fala para pessoas maduras, não para infantis que “nunca concordam muito” por causa da sua pouca idade, e também não fala para adolescente na fé “que se rebela contra”. Seu ensino é para crentes que venceram a infância da incompreensão e a adolescência da rebeldia e, agora estão chegando à maturidade de saber observar e decidir o que seguir ou não. Porque desculpar-se pelo mau exemplo de um líder (ainda que não devesse ser assim) é sim sinal de pouca maturidade cristã.

Para ser bíblico ditado popular deveria ser assim: Faça o que eu mando [se estiver na Bíblia], mas não faça o que eu faço [se não estiver].

Ora, estes [os de Beréia] foram mais nobres ... porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim”. (Atos 17.11). [destaques nosso]
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1 de agosto de 2010

Trinta e um anos, dez meses e... alguns dias

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O PRIMEIRO ENCONTRO
Aquela era uma semana de muita expectativa. Um por um nos apresentávamos para cada professor que iniciava sua aula e ficávamos atentos ao que eles tinham a nos dizer. Palavras de incentivo, alerta e palavras de desafios. Fazer teologia: um sonho ou um desafio? Mas quando ele se apresentou chamou minha atenção.

Não falo dos cabelos grisalhos, do jeito calmo ou das palavras acolhedoras, falo da voz. Uma voz tão baixinha e quase inaudível. Lembro bem do que ele nos disse, mas pensava comigo: como ele pode dar aula falando abaixo do tom da fala?

Naquele semestre quase que ele passou despercebido, mas, ao final, descobri algo de diferente naquele professor em particular.

O PROFESSOR E O EDUCADOR
No primeiro semestre não fui tão bem nas aulas de português (só um pouco acima da média), entretanto ao entregar minha última avaliação ele me disse: “Oh! você não foi tão bem nesta, mas vou te dar um voto de confiança. Espero que você ...”. Ele era assim, às vezes não terminava as frases (nem precisava). Refleti em suas palavras durante o recesso de julho de 2009 e comecei a entender o que estava acontecendo.

O professor Adalberto não era tão somente um professor, era um educador. Um professor preocupa-se em ensinar a matéria enquanto um educador preocupa-se em ensinar a vida. E como ele vibrava com os devocionais em nossas aulas de leitura. Ele nos corrigia com elegância e, principalmente, respeito; muito respeito.

Sabia que existia a avaliação dos alunos a cada final de semestre, mas isso não era o bastante. Ele queria ouvir a nossa opinião. E cá para nós, ele nos ouvia mesmo, não fingia que escutava. Como costumava dizer: “Vocês vão viver da palavra e o meu papel é ajudar”.

Terminou o segundo semestre e eu melhorei, mas não o bastante e nós sabíamos disso. Então ele fez ainda mais por mim: “Eu não tenho tempo pra nada, mas para você e para Priscila (nossa colega de classe) eu sempre arranjo tempo”.

O segundo semestre tinha sido confuso, mas naquele dia fiz-lhe uma promessa: “No próximo semestre não vou desapontá-lo, o senhor verá”. Ele não disse nada, só nos entreolhamos. Nascia ali uma bela amizade.

O AMIGO
De todos os semestres, o terceiro foi de longe o pior da minha vida acadêmica (foi ruim para todos nós), mas cumpri minha promessa. Fiquei pendurado em quase todo mundo, fui para reconstrução (segunda época) em quatro disciplinas. Mas eu não podia falhar com o professor, não podia decepcionar o educador e não poderia desonrar o amigo.

Eu fiz tudo o que foi combinado; fiz antes, fiz primeiro, fiz com alegria. As aulas do professor Adalberto foram umas das poucas coisas boas do terceiro período.

Eu poderia contar várias histórias: sobre as pessoas a quem ajudou, as coisas que fez, o que construiu, mas prefiro guardá-las comigo, quem sabe para um livro de memórias.

No dia vinte de julho comemoramos o dia do amigo. A data não era importante para mim até o dia que não me despedi de meu amigo Joed. Neste ano de 2010 faz um ano que ele partiu para Portugal. É, mas a vida haveria de me surpreender mais uma vez!

SEM DESPEDIDAS
Numa quarta-feira o professor do primeiro horário não veio e todos se perguntavam: será que o Adalberto vem? Então eu disse cheio de confiança: Adalberto é Adalberto, ele virá!

Enquanto esperávamos no corredor ele chegou, mais cedo como sempre, e lhe falamos do que conversávamos, foi quando eu o ouvi dizer: “São trinta e um anos, dez meses e ... alguns dias de trabalho e eu nunca faltei e nunca cheguei atrasado”. E continuou: “Não falto porque acho um desrespeito com meus alunos. Tem gente que vem de longe e eu não acho justo com vocês”.

Confesso que fiquei espantado e, enquanto aguardávamos o início da aula, convidei-o, e aos meus colegas, para um café em minha casa. O que eu não sabia é que aquele seria também o último.

Neste julho de 2010 descobri que dentre os professores que foram cortados estava o professor Adalberto Alves de Sousa. Professor titular da cadeira de português. Nunca faltou, nunca chegou atrasado. Já sabíamos da imposição dos cortes de professores (também por isso o semestre foi tão tenso), sabíamos que os mestrados e doutorados tinham a “preferência”, sabíamos também que bons professores teriam que sair. Assim como bons professores ficaram conosco, mas para mim a perda foi ainda maior e outra vez não pude me despedir de um amigo.

Estou começando a não gostar do mês de julho. Tenho poucos amigos e os poucos que tenho se vão sempre nos meses de julho.

SEM HOMENAGENS
Sei que foi muito bom para ele sair agora, afinal merecia um o justo descanso da aposentadoria já conquistada. Foi uma vida inteira de trabalho, muito trabalho. Uma infinidade de revisões livros, monografias, resenhas e textos que leu e corrigiu. Literalmente ele construiu sua vida sobre as palavras. Com palavras, educou suas filhas, conquistou seu espaço e transformou muita gente. Quantos pastores, professores e líderes nestes trinta e dois anos?

Alegro-me com meu amigo Adalberto e seu merecido descanso. Entretanto confesso que esperava mais. Com sua história de lutas, de fidelidade a Deus e aos homens, com sua dedicação para além das paredes da sala de aula, ele bem que merecia uma homenagem. Uma justa homenagem, diga-se de passagem. Mas nem uma “plaquinha” se quer? Para alguém que viveu pelo “prazer da palavra” ele bem merecia muitas palavras de gratidão.

No dia primeiro de agosto de 2010 ele terminou seu compromisso com o Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, exatamente no mesmo dia e mês em que começou seu ministério. E lá se vão não mais trinta e um anos, mas trinta e dois anos exatos de trabalho e dedicação... Sem NUNCA FALTAR E NUNCA CHEGAR ATRASADO!
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Para que não restem dúvidas:
1 – A exigência de cortes foi da CBB e não da direção ou da coordenação do STBSB.
Veja o item 3 do artigo:
http://coordinatum.blogspot.com/2010/06/2010166-pronunciamento-do-senhor.html
2 – Foi combinado com os alunos quais seriam os critérios preferenciais de corte de pessoal.
Veja o artigo:
http://coordinatum.blogspot.com/2010/03/2010043-das-reunioes-com-corpo-discente.html
3 – Decidi falar do amigo Adalberto e não dos tantos outros excelentes professores que também tiveram que sair.
4 – Não há demérito nos que ficaram. São igualmente excelentes professores.

O Autor.

25 de julho de 2010

Egos Inflados

1 Depoimento(s)
Dois homens buscavam falar com Deus, um era crente outro não-crente. O crente, orgulhoso, dizia a Deus. – Deus veja como sou bom. Faço tudo certinho para te agradar e não sou como este outro cheio de pecados. O não-crente, com vergonha de si, olhava para o chão batia no peito e dizia: – Deus tem pena de mim, um pecador. (paráfrase de Lucas 18.10-13).

Todos os dias vemos pessoas que se comportam exatamente como estes dois homens. Para se afirmarem boas desvalorizam o outro. O outro só é reconhecido como um exemplo ruim para que o “eu” seja exaltado. Ou seja, o valor do “eu” está diretamente ligado à falta de valor do outro.

O problema é que este comportamento vem se tornando, a cada dia, mais frequente dentro das igrejas chamadas cristãs. Quantos “irmãos” precisam mostra o quanto são importantes e competentes, para tanto fazem questão de mostra como o outro não é tão bom nem tão competente. Esses costumam dizer ou lamentar-se: “os outros me chamam, mas aqui nunca me dão uma oportunidade”, “se fosse eu faria muito melhor” e assim por diante. Gente sedenta de cargos, holofotes e reconhecimento.

Se não é assim pergunto: quantos participam do grupo de oração e quantos se entregam as cantatas? Quantos irmãos participam das vigílias e quantos vão aos retiros? Quantos trabalham nos congressos e quantos no evangelismo?

Como cristão precisamos aprender com o Mestre. Na noite da Sua despedida, ele colocou-se como servo lavando os pés dos seus discípulos. Mas por que o Mestre faria isso? – foi a pergunta dos discípulos. A resposta de Jesus foi imediata: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também”. (João 13.15). Nada mais direto e claro.

Não é preciso ser doutor em teologia para entender este ensino de Jesus. Qualquer pessoa é capaz de interpretá-lo. Logo, o verdadeiro líder deveria ser o que mais serve. “E, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo”. (Mateus 20.27).

Jesus Cristo, (de onde vem a palavra cristianismo) foi o maior exemplo de como agradar a Deus, humilhando-se a si mesmo, em obediência. E “por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome” (Filipenses 2:9).

Por isso” o que?

Porque Jesus, sendo Deus “...esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;” (Filipenses 2:7). Mas ele, não somente esvaziou-se também “...humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”. (Filipenses 2:8). Foi por essa razão que “Deus o exaltou”.

Jesus: exaltado por Deus por causa de sua humildade. O homem: exaltado pelo homem por causa da sua vaidade.

Portanto, o cristão há de saber que quanto mais perto de Deus “mais pequeno” há de se sentir e mais humilde há de tornar-se simplesmente porque Deus é grande demais. É no confronto com o Senhor que percebo que tanto eu quanto meu irmão, somos, tão somente, um grão de areia. E, se eu me julgo melhor que meu irmão, certamente, é porque não estou tão perto de Deus quanto imagino.

Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade”. (Eclesiastes 1.2)
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16 de abril de 2010

ANOSOGNOSIA ESPIRITUAL

0 Depoimento(s)
Por: Pr. Joed Venturini
 
Joseph Babinski nasceu em Paris, em 1857.  Filho de refugiados poloneses, se formou em Medicina e se dedicou a Neurologia.  Dedicou-se à clínica de casos neurológicos que descreveu com rigor.  Discorreu sobre os vários reflexos neurológicos e um deles leva seu nome. Tornou-se com o tempo professor de Neurologia da Universidade de Paris.  Em 1914 cunhou o termo anosognosia quando percebeu que muitos doentes neurológicos, principalmente com lesões cerebrais à direita, apresentavam dificuldade em reconhecer suas limitações e deficiências, mesmo que essas fossem evidentes.  Havia casos de doentes hemiplégicos, que não conseguiam movimentar o lado esquerdo do corpo, mas que negavam ter qualquer problema.   A anosognosia é assim um problema grave e infelizmente tem seu correspondente espiritual.

Um dos casos mais conhecidos de anosognosia espiritual é o descrito no primeiro livro de Samuel capítulo 15.   Deus enviara por meio de Samuel uma ordem clara, directa e especifica a Saul. Deveria derrotar Amaleque e destruir tudo na sua passagem.   Nada deveria ser tomado.  Nenhum despojo deveria ser tomado.  O líder do povo, primeiro rei de Israel descumpriu a ordem.  A ganância tomou conta e ele poupou o que havia de melhor.  Na sua visão não havia nada de errado em mudar um pouco a ordem de Deus.   Por que destruir tanta coisa boa? Por que desperdiçar um tão rico saque? Por que não aproveitar para encher um pouco a própria bolsa e a de seus homens? Não seria uma recompensa justa por todo seu esforço?

Quando Samuel o confrontou, Saul mostrou sinais evidentes de anosognosia.    Satisfeito da vida cumprimentou o profeta tranquilamente, pois pensava ter obedecido a Deus.  Quando Samuel chamou sua atenção para o barulho que os animais do despojo faziam ele agiu como se não houvesse nada de errado.  Negou o óbvio, o evidente, o inegável.  Achava mesmo que deveria ser congratulado por sua solicitude quando, na verdade, estava sendo rejeitado pelo Senhor, pois além de desobediente não era sequer capaz de reconhecer seus erros, que literalmente berravam ao seu lado.

Outros casos de anosognosia espiritual na Bíblia são, por exemplo, os líderes do templo de Jerusalém onde Jesus fez uma limpeza.  Não conseguiam ver o que era óbvio: que um lugar de adoração se transformara num antro de lucro e corrupção que impedia qualquer devoção. Num lugar onde as pessoas deveriam se juntar para orar em espírito de meditação havia bancas de vendas, barracas de animais, mesas de câmbio e um barulho ensurdecedor. Também Ananias e Safira, na igreja primitiva de Jerusalém, não conseguiam ver o mal em sua mentira ao Espírito Santo e à Igreja.  Achavam que sua mentira, sua falsidade e hipocrisia era coisa pequena e até digna de louvor.  Pelo seu erro pagaram com a vida!  Parece que a incapacidade de ver seus próprios males, mesmo os mais evidentes é doença comum.

Em nossos dias a anosognosia espiritual tem tomado proporções epidémicas.  Hoje é comum e triste vermos líderes no meio evangélico que abusam do poder, usam influência para conseguir vantagens, fazem mercado do ministério da Palavra e da Adoração, negociam com as igrejas, manipulam as multidões usando técnicas de psicologia de massa, usam de mentira nos púlpitos inflando seus números e actividades para impressionar. Vemos gente com títulos espirituais fazer o jogo sujo da política, burlando as leis e os impostos, deixando de pagar os direitos devidos a seus empregados, abusando da boa fé de muitos crentes, administrando as leis em benefício de seus caixas particulares.

Temos líderes dominados por luxúria que adulteram sem medo ou vergonha, que jogam com o divórcio como se fosse uma brincadeira e que pensam poder passar incólumes. Quando vemos que a Igreja Católica se debate com a crise da pedofilia, os evangélicos não deviam sorrir numa satisfação despropositada mas avaliar as próprias fileiras e chorar diante do Senhor.

De pouco serve dizer a um hemiplégico com anosognosia que seu lado está paralisado. Todos podem vê-lo.  Ele se arrasta de modo dramático, mas não reconhece e ainda se zanga com quem o contraria.  Devemos exortar àqueles que padecem deste fenômeno, mas nossa verdadeira esperança está primeiro em clamar ao Senhor, depois em examinar nossos próprios caminhos, corrigindo o necessário e por fim em fazer valer a justiça possível sobre aqueles que estão denegrindo o bom testemunho da Palavra.  Saul teve que ser derrubado através do exército Filisteu, o templo teve que ser purificado de um modo brusco, Ananias e Safira tiveram que morrer.

O grito humano tem sido muitas vezes
"Liberdade ou Morte",
o grito da Igreja de hoje deveria ser
"SANTIDADE OU MORTE!"
Dá-nos Santos, Senhor! Faz-nos Santos, Óh Pai!
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24 de março de 2010

Seria Elias o perturbador de Israel?

0 Depoimento(s)
Por: Pr. Carlos Elias de Souza Santos

E sucedeu que, vendo Acabe a Elias, disse-lhe: ÉS TU O PERTURBADOR DE ISRAEL? Então disse ele: Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos do SENHOR, e seguistes aos baalins. (I Reis 18.17,18)


A pergunta de Acabe nos deve trazer uma grande reflexão sobre a postura dos profetas de nossa atualidade. Quem são hoje os “perturbadores” de Israel?

Perturbar é "desarranjar, atrapalhar, embaraçar, envergonhar, confundir, provocar tonteira ou atordoamento em; aturdir, atordoar, estontear, desnortear, desorientar." Ou seja, é tudo que um servo de Deus não intenta fazer, independentemente de quem seja o alvo da perturbação.

Exceto se este alvo for o diabo, ou mesmo os seus seguidores. Estes serão perturbados inevitavelmente. Foi o que aconteceu com Acabe. O profeta de Deus, o homem chamado de "santo homem de Deus", aquele que orou e multiplicou o azeite e a farinha da viúva, que deitou sobre uma criança e ela ressuscitou, que determinou que não chovesse e não choveu, para Acabe e os seus asseclas, era "o perturbador de Israel".

O profeta Joel nos diz: "Tocai a buzina em Sião, e clamai em alta voz no meu santo monte; perturbem-se todos os moradores da terra, porque o dia do SENHOR vem, ele já está perto." (Joel 2.1) Já ouviu falar de uma buzina que não perturba? Tocamos a buzina com nossa vida, nosso testemunho e falando o que o Senhor nos ordena.

Por que Israel estava atraindo para si tamanha “Perturbação”?

Amizade do mundo é inimizade contra Deus! “...não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” (Tiago 4:4)

Nitidamente Israel viveu essa perturbação descrita por Acabe, pois a inimizade era algo que realmente, nesse caso específico, interessava ao reino de Deus. Amizade do mundo é inimizade contra Deus!

Vejamos que Acabe delimitou bem a sua posição no mundo espiritual, quando se dirigiu a Elias o profeta: "Ao que disse Acabe a Elias: Já me achaste, ó inimigo meu? Respondeu ele: Achei-te; porque te vendeste para fazeres o que é mau aos olhos do Senhor". (1Reis 21.20).

Por que seria Elias neste momento além de perturbador, considerado um INIMIGO MEU?

Vejamos a história de Nabote e Acabe. Tudo começou por causa de uma vinha (entenda aqui que se trata de uma propriedade muito valiosa e bem localizada). (I Reis 21:1-4).

Nabote tinha uma chácara ao lado do palácio (v.1) que era o palácio de verão do rei Acabe, rei de Samaria. O Rei Acabe cobiça a chácara de Nabote (v.2). A cobiça sempre gera um espírito destrutivo nas pessoas e com Acabe não foi diferente, ele era um homem controlado por suas paixões e emoções. Queria por que queria comprar a vinha. Decidiu que faria uma boa oferta pela vinha (v. 2). Isto era uma grande tentação. O comprador era o rei, que tinha poder sobre vida e morte. A pressão sobre Nabote era grande, contudo, ele não sucumbiu a ela.

Nabote se recusou a vender a vinha (v. 3). Diante dele estavam duas opções: Agradar o rei, ou Agradar ao REI do reis. Nabote bem sabia que a Lei de Israel o proibia. Veja Levíticos 25:23 e também Números 36:7-8: "Também não se venderá a terra em perpetuidade, porque a terra é minha; pois vós estais comigo como estrangeiros e peregrinos". "Assim a herança dos filhos de Israel não passará de tribo em tribo, pois os filhos de Israel se apegarão cada um a herança da tribo de seus pais. E toda filha que possuir herança em qualquer tribo dos filhos de Israel se casará com alguém da família da tribo de seu pai, para que os filhos de Israel possuam cada um a herança de seus pais". Por razões financeiras a terra poderia ser vendida para um patrício, mas no ano do Jubileu a terra deveria voltar ao seu dono original.

O rei Acabe não gostou nada. Ele parece agir como uma criança (vs. 4-5). Aborreceu-se e indignou-se. Deitou-se. Virou-se para a parede e fez greve de fome (I Reis 21.4).

Diante de um homem que é fiel a Deus e aos seus princípios o que fazer? Essa era a pergunta de Jezabel a grande aliada de Acabe (gente sem escrúpulos terá sempre aliados sem escrúpulo algum). Decidiram puxar o tapete de Nabote (vs. 6-16). O plano era uma verdadeira maquinação do mal e vindo da Rainha Jezabel, envolvia: falsificação de documentos (v. 8), hipocrisia deliberada (em nome da religião) (vs. 9, 12), suborno (v.10) e perjuro (v.10). Observe-se aqui que tudo isso nos parece prática comum ainda nos dias de hoje. Era por tudo isso que Israel se mostrava perturbado e perseguido.

É exatamente aqui que entra “Elias” o homem de Deus. Ele como servo de Deus recebe a ordem para ir ao encontro de Acabe e fazer-lhe enxergar o mal que cometera. Não há acordo, nem meio termo. O Profeta de Deus não poderia deixar de falar do que tinha visto e ouvido. E agora? Acabe responde: INIMIGO MEU.

Não há alianças da luz com as trevas, não pode e nunca poderá ser assim. Sendo assim, em tempos de corrupção como hoje, em que nosso povo procura dar um "jeitinho" para que suas falcatruas pareçam corretas, seu comportamento leviano seja aceito ou ao menos tolerado. É certo então que Elias continuará a ser considerado: INIMIGO DE MUITOS, um PERTURBADOR de Israel.

Tudo isso porque "... virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas". (2 Timóteo 4.4).

Não é de hoje que os homens estão se tornando resistentes a Palavra de Deus. Paulo enfrentou a duras provas a idéia de ser considerado como inimigo de muitos. Assim disse Paulo a Timóteo: "Alexandre, o latoeiro, me fez muito mal; o Senhor lhe retribuirá segundo as suas obras. Tu também guarda-te dele; porque resistiu muito às nossas palavras".(2 Timóteo 4.14-15).

Essa é uma dimensão do ministério dos “ELIAS proféticos” que muitos não gostam de discutir ou de pensar. A Idéia de enfrentamento do mundo espiritual é hoje algo que tem se tornado muito tímido. Os homens parecem fazer o que querem, e já não tem encontrado com tanta freqüência os "profetas" de Deus em seu caminho.

Precisamos orar e orar muito, para que nosso Deus continue a usar profetas como Elias, que sejam capazes de discernir quando vem a ele a palavra de Deus. Que tenham coragem de ir ao encontro dos pecadores para lhes mostrar o caminho errado no qual estão se enveredando, procurando assim abrir-lhes os olhos para que vejam o pecado que tão de perto lhes rodeia.

Lembremo-nos que: "Onde não há profecia, o povo se corrompe..." (Provérbios 29.18).

Que ecoe em nossos ouvidos as palavras de Jesus: "Digo-vos que, se estes se calarem, as pedras clamarão". (Lucas 19.40).

As alianças feitas no seio de Israel precisavam ser enfrentadas pelos profetas de Deus. Creio que ainda hoje precisam. Imagine que Deus no Novo Testamento ainda nos adverte:

Apocalipse 2.20: "Mas tenho contra ti que toleras a Jezabel, mulher que se diz profetisa. Com o seu ensino ela engana os meus servos, seduzindo-os a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas aos ídolos".

Vejamos que a intolerância exigida e requerida aqui é da parte de Deus e não dos homens. A intolerância aqui é contra o pecado que está impregnado e amplamente acolhido no coração das pessoas.

Pelo fato de não se desviarem dos seus pecados, Acabe e Jezabel certamente não receberam um final de vida que esperavam. Deus também é Juiz.

Os que acatam o convite de Deus e se tornam intolerantes ao pecado, serão sempre tratados e vistos como “perturbadores” e até “inimigos” de Israel.

Queira Deus que o mundo veja em nós "perturbadores" nos moldes de Elias o profeta de Deus. O Profeta sujeito às mesmas paixões que nós (Tiago 5.17).

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22 de março de 2010

Café com bolo de micro-ondas

3 Depoimento(s)
Brasil, 22 de março de 2010


Aqueles dias eram sempre diferentes. A rotina da casa mudava. Naqueles dias eu buscava minha filha na escola, almoçava em casa e chegava mais tarde no trabalho só porque nas terças-feiras ele vinha almoçar conosco. A rotina da minha esposa também mudava. Ela caprichava mais e, mesmo na sua simplicidade, tentava fazer as coisas de um modo todo especial só porque nosso amigo vinha almoçar conosco. Nos alvoroçávamos. Eu passava no mercado para comprar algo diferente, uma sobremesa, um refrigerante ou um sorvete.

Lembro que certa vez não estava bem com minha esposa, mas logo tudo se dissipou, afinal ele vinha a nossa casa e vinha para almoçar conosco.

Não, não era pelo almoço; era ele, o meu amigo. Nos tornamos tão próximos que eu fazia questão de encontrá-lo no trabalho. Como era bom ir caminhando naqueles 300 ou 400 metros que separam o CIEM do Seminário. E eu não poderia perder um minuto sequer de sua companhia porque ele era (e é) um amigo especial. Ah, como aquelas horas que passávamos juntos tornaram-se únicas.

E foi na simplicidade da nossa sala e durante aqueles almoços que nossa amizade foi crescendo. Ali ele não era o pastor, não era o médico, nem mesmo o professor. Ele era só meu amigo. O meu amigo sabia que poderia dizer o que pensava sem medo de ser censurado ou julgado. Caminhada, almoço e Seminário, a cada encontro nossa amizade crescia.

Aquelas terças do outono costumavam esfriar ao final do almoço, e então ele sempre dizia: “Com essa chuvinha e esse friozinho, humm... “. Mas ele era muito responsável e teria aula em seguida. Nunca entendi por que ia à aula da tarde se nada recebia por isso, mas nunca o questionei.

No primeiro almoço minha esposa resolveu experimentar um bolo que aprendera com uma amiga. Um bolo de chocolate que fica pronto em cinco minutos no micro-ondas. Que delícia! Diante daquele bolo quentinho e do dia frio convidativo a uma soneca foi que ele disse: “Esse bolo fica muito bom com....”. Confesso que levei alguns segundos parado pensando na resposta até que de repente disse: “com café”. Com seu jeito terno e seu humor contido ele sorriu meio de lado.

Tivemos outros almoços e outras sobremesas, mas nunca vou me esquecer do café com bolo de micro-ondas.

Mas um dia suas aulas terminaram e nunca mais as terças-feiras foram iguais. E agora meu amigo ia embora e de fato foi. Numa das noites mais frias de 2009 ele partiu. Que ironia e crueldade para mim, ele viajou justamente no dia do amigo e eu não pude me despedir dele.

Na última vez que nos encontramos fomos à Quinta da Boa Vista. Colocamos nossas filhas no pedalinho e passeamos pelo lago com elas. Mal sabia eu que esse seria nosso último encontro.

Tempos difíceis foram aqueles. Ele andava triste e talvez por isso mesmo nos tornamos tão próximos. Mas como era bom ver seu sorriso franco, por isso vivia contar-lhe piadas. A Ida também é muito risonha, mas fazê-lo rir era muito bom.

Hoje meu amigo está completando mais um ano de vida. Para mim um dia especial porque me alegro com ele, sua esposa e seus filhos, por sua vida. Sei que muitos o conhecem como um homem de Deus e nem sabem o seu nome; outros oram por ele e nunca estiveram com ele; e há quem tenha estado com ele sem o conhecer. Para alguns é um grande missionário da Junta de Missões Mundiais, para outros um médico conceituado e poliglota; há também quem o considere um grande pastor e um excelente pregador. Sim, de fato ele é isso tudo mesmo.

Homem de modos educados, formado pela escola européia, é muito simples e também generoso. Mas para mim ele é tão somente Joed Venturini, o meu grande amigo.

(Peço desculpas ao leitor deste blog por este particular. Mas se você soubesse quem é Joed Venturini certamente entenderia).

Agradecimento especial ao Prof. Adalberto.

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17 de março de 2010

Quando tudo parece perdido, eles estão morrendo de medo

1 Depoimento(s)
Sociedade dos poetas mortos é, certamente, um dos melhores filmes que já vi. Duas cenas me marcaram até hoje. A primeira é aquela em que o professor rasga todo o primeiro capítulo do livro de literatura, levanta, vai até o quadro de ex-alunos no corredor e diz: “vocês estão ouvindo o que eles estão dizendo? carpe diem”. (“colha o dia” ou “aproveita o momento”). (continua...)

Vladimir Maiakóvski, jamais imaginaria ver o dia em que aqueles que têm medo se levantariam e falariam tão alto e claro que todos teriam que ouvi-los. Logo eles os fracos, os oprimidos, os sem voz, os sem prestígio. Mas eles se levantaram e falaram, e como falaram. Meninos tornados adultos, postura de gente grande com o coração de gente inocente.

Que não os tomem por tolos. Primeiro soltaram o pitbull para ver o que aconteceria. A velha e manjada estratégia do “tira bom” e do “tira mau”. O famoso um morde o outro assopra. Não colou. E agora? Meninos, eles nunca não vão admitir, mas deixa eu contar-lhes: eles estão morrendo de medo. Medo de os enfrentar novamente porque agora, vocês estão mais fortes e mais sábios.

Na quinta e sexta passadas vimos a introdução da história que esses meninos (será) começaram a escrever. Hoje, meus olhos testemunharam a introdução do capítulo. E que beleza de obra. É verdade, ainda precisa de polimento, mas como foi bonito de ver esse “nascer do sol”.

Mas porque falam tão alto? O que querem esses moços afinal? Pelo que lutam?

Eles lutam por você, porque não há nada mais precioso que a vida humana. “Mas, se ergues da justiça a clava forte, / Verás que um filho teu não foge à luta, / Nem teme, quem te adora, a própria morte”. Se o hino nacional nos inspira que dirá a Palavra: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;” (Mateus 5:6). A misericórdia foi o único propulsor para transformar meninos medrosos em homens arrojados e maduros. Quem é o meu próximo? O que teve misericórdia. (Lucas 10:29-37).

Eles lutam pelos que vieram antes e pelos que virão depois. Gente que não conhecem nem conhecerão, mas sabem que no mesmo lugar onde dobram seus joelhos todos os dias, outros o fizeram antes deles e também o farão outros tantos. Eles lutam pela nossa história.

Esses moços barulhentos querem passar alimpo nossa moral, porque a ética existe (a Bíblia), mas a moral (as ações) não dão testemunho daquela. Esses moços sabem que toda boa limpeza começa por tirar a sujeira debaixo do tapete e quanta sujeira estamos vendo (e nem levantaram todo o tapete). Mas cá pra nós (eu e você) já sabíamos disso não é verdade.

Meninos, permaneçam firme mas cuidado! Existem ainda dois grandes perigos. O primeiro é o medo. Quando alguém se sente acuado é capaz de qualquer coisa. Não por maldade em si, é a lei da sobrevivência, portanto estejam alerta. O segundo é também o maior de todos, a vaidade. Ela e doce e mortal como o diabetes. Percebam meninos, foi última cartada de Satanás. “Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares”. (Mateus 4:8,9). Resitam a tentação porque certamente ela virá.

A segunda cena marcante é aquela que, quando tudo parecia perdido os meninos foram se levantando um a pós o outro e sem dizer nada subiram nas carteiras do colégio. Ali e naquele instante eles venciam o medo. Naquela hora deixavam de ser meninos para ser tornarem homens, curiosamente nem se davam conta isso.
Meninos, carpe diem!

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11 de março de 2010

Israel, Israel, ninguém te aguenta mais

2 Depoimento(s)
Tu havias te tornado de pequena em uma grande nação diante dos povos. O Senhor te fez prosperar, teus domínios se estenderam, mas tu, ó Israel, traíste o teu Deus, a Sua memória e a teus próprios irmãos. Em tua ganância vendeste o justo por dinheiro e o necessitado por um par de sapatos (Amós 2:6). E ainda dizias em teu coração: o Senhor é quem me faz prosperar. Ai de mim! Ai de ti Israel! Em tua indiferença e injustiça chegaste ao limite e, embora o Senhor seja longânimo, a Sua paciência também tem limite.

E agora!? Estás surdo, porquanto te consideras maior que Deus, pois o templo do Senhor é agora o teu palácio. (Amós 7:13). Te deitas em qualquer templo a beber vinho (Amós 2:8) e tornaste Betel (casa de Deus) em Bete-Áven (casa do pecado). (Oséias 4:15).
Pois saibas, que teu tempo chegou. “TEQUEL: Pesado foste na balança, e foste achado em falta”. (Daniel 5:27). Israel, Israel, ninguém te aguenta mais!

O Senhor te expulsará e a teus filhos esplhará, e não tornarão mais a terra. A tua história se encerrará no cativeiro e nunca mais se ouvirá falar de ti novamente. Somente Judá e Benjamim retornarão. (Esdras 1:5). Saiba, ó Israel, que neste dia, o justo juízo do Senhor sobre ti nos trará alívio por causa da tua tão grande opressão. Contudo, ao vermos o teu fim e dos teus filhos, nosso coração se encherá de dor pelo teu grande castigo. Aí de nós! Melhor seria o Senhor nos poupar desta horrível visão. Ai de ti, melhor seria que te arrependesses antes que ela se cumpra.

Ó Israel, ouve hoje agora “porque Jurou o Senhor DEUS por si mesmo, diz o SENHOR, o Deus dos Exércitos: Abomino a soberba de Jacó, e odeio os seus palácios; por isso entregarei a cidade e tudo o que nela há”. (Amós 6:8).
Salva os teus Israel! “Agora, pois, ouve a palavra do SENHOR: Tu dizes: Não profetizes contra Israel, nem fales contra a casa de Isaque. Portanto assim diz o SENHOR: Tua mulher se prostituirá na cidade, e teus filhos e tuas filhas cairão à espada, e a tua terra será repartida a cordel, e tu morrerás na terra imunda, e Israel certamente será levado cativo para fora da sua terra”. (Amós 7:16,17).

Israel, Israel conserta-te, assim diz o Senhor: “Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos”. (Oséias 6:6).

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28 de fevereiro de 2010

O crente que não leva a Bíblia a sério

2 Depoimento(s)
Ele está nos bancos das igrejas, lê a Bíblia, conhece muitos versículos de cor, age, vive e fala conforme a Escritura Sagrada. Sim, ele é crente de verdade e até conhece a Palavra de Deus, mas infelizmente não conhece o Deus da Palavra. Ele é o crente que não leva a Bíblia a sério. É fácil identificá-lo, pois ele possui uma das três características:

O néscio
O crente que não leva a Bíblia a sério é um néscio que acredita estar fazendo tudo certinho. Ele age de modo inocente diante da palavra que afirma ser a Palavra de Deus. Por exemplo: Ele acha o sermão do monte “muito legal”.
Por quê? Porque ele só lê o que é “bonitinho”. No livro de Mateus capítulo 5, Jesus está ensinando a multidão (v2). Seu primeiro ensinamento é: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;” (v3).
Talvez você pergunte; e daí? Vamos examinar com cuidado. Este irmão só consegue ler a parte boa “porque deles é o reino dos céus” e, neste caso, “dele” inclui quem está lendo. O problema é o que ele não lê “Bem-aventurados os pobres de espírito”, porque na verdade são desses o reino dos céus e não de todos.

Este irmão deveria ler de forma diferente. Ler, perguntar e, se tudo der certo, continuar lendo. Veja como seria: Após a primeira parte eu me pergunto? Sou “pobre de espírito”? Se sim, então continuo: “deles é o reino dos céus”. Viu como ficou diferente? É uma relação direta condicional.
Tenho eu “chorado”? Se sim, serei “consolado”. (v4). Sou “manso”? Se sim, “herdarei a terra”. (v5).
Tenho “fome de Justiça”? Sou “misericordioso”? Sou “limpo de coração”? Sou um “pacificador”? Sofro “perseguições”? Se sim, sim, sim …
Então, serei “farto” (v6), “alcançarei misericórdia” (v7), “verei a Deus” (v8) e assim por diante.
Na verdade bastaria uma leitura mais atenta dos versículos 11 e 12 para compreender o que Jesus está ensinando. Mas, como dissemos, o crente que não leva a Bíblia a sério não consegue aprender. Por isso acha o sermão do monte algo tão “bonitinho”.

O “surdo”
Outro aspecto é que o crente que não leva a Bíblia a sério é meio “surdo”. Ele escuta, mas não ouve. Ainda no mesmo ensino Jesus diz: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus”. (v20). É isso mesmo ele não “houve” a parte que diz “de modo nenhum entrareis no reino dos céus”. É como se esta parte não existisse ou nada significasse. Jesus explica claramente qual seja esta justiça que se precisa exceder. Enquanto a justiça dos homens diz “não matarás”(v21), Jesus diz, “… que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, e qualquer que disser a seu irmão: Raca, … e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno”. (v22). Mesmo quando Jesus afirma que antes de ofertar é preciso reconciliar-se com seu irmão (v23-26), este nosso irmão não “ouve”.
Quantos, com sinceridade, aplicam o ensino de “ … que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela”? (v28). Este assunto, inclusive, parece proibido em nossas igrejas. Neste aspecto os católicos não se esquivam. É um caso de surdez idêntica as dos escribas e fariseus ao questionarem a Jesus. E Sua resposta foi direta sobre o divórcio: 1 – No princípio não era assim; 2 – Ambos são uma só carne; 3 – Deus permitiu o divórcio por causa da dureza do coração do homem; 4 – Reafirma com clareza: “… que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério”, mas nada disso importa porque este irmão não consegue ouvir.

O "outro”
Há quem consiga interpretar e ouvir claramente o que Deus está falando. Falo destes textos fáceis e claros, mas para o crente que não leva a Bíblia a sério ainda que entenda ele sempre aplica ao outro. É fácil identificar este caso. A mensagem “coincide” com a vida dele, a aplicação está diretamente ligada à sua mudança de comportamento. E, pasmem, ele compreende a importância da Palavra e então dirá: “Tem que ter misericórdia”. Nessa hora se acende uma esperança de entendimento, porém, olhando nos seus olhos ele conclui. “E tem gente que vive assim, só mesmo tendo misericórdia”. Para ele a Bíblia é um espelho que distorce as imagens. Quando ele se vê tudo está certo, mas quando muda o ângulo, vê os demais como realmente são. Uma imagem torta (distorcida pelo pecado). Para ele não importa o quão direta seja a mensagem, nunca é para ele. É sempre para o outro.

Conclusão
O crente que não leva a Bíblia a sério, age deste modo porque: 1 – não consegue interpretar corretamente nem mesmo os textos fáceis ou; 2 – não “ouve” (ignora) os textos que não lhe interessam (agradam); ou ainda 3 – toda lição serve para “os outros”, nunca para ele.

Este irmão não tem consciência de que age assim. É algo quase ingênuo. É por isso que muitos estão fracos na fé. É por isso que não conseguem dar testemunho (principalmente na sua própria casa). É por isso que são levados por todo vento de doutrina. O crente que não leva a Bíblia a sério pode ser qualquer um com estes sintomas. Pode ser um “crente novo” (natural para quem está começando na fé) ou membro mais antigo. Ele pode ser diácono, pastor, ministro disso ou daquilo; não importa. Ele sempre apresenta estes mesmos comportamentos. É preciso ter compaixão destes nossos amados, porque são como ovelhas que não têm pastor. Estão todos subnutridos da Palavra.
Ocorre-nos a lembrança da pergunta do eunuco. Uma pergunta persistente que ecoa em nossa mente e coração quando levamos a Bíblia a sério. “… Como poderei entender, se alguém não me ensinar? … “ (Atos 8:31).

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22 de janeiro de 2010

Por que não fazemos nada?

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O poema de Maiakovski fala por si só.

E, porque não dissemos nada…

Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.


Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.


Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.


E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.

(Maiakovski)

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