30 de julho de 2014

Quem vai cuidar?

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Naquele contexto onde a mulher tinha pouco valor, uma viúva dependia do filho ou da sociedade, nem sempre tão justa com ela como no caso da “viúva pobre”.

Aquela viúva acabara de perder o seu único filho e só ela sabia o tamanho da angústia e da tristeza do seu coração. E agora, quem iria cuidar? Mas Jesus estava em seu caminho e sentiu a sua dor. “E, vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela, e disse-lhe: Não chores.” (Lc 7,13).

É isso que o Senhor espera de nós, seus discípulos. Que sejamos movidos de íntima compaixão e cuidemos uns dos outros, principalmente dos que mais precisam. “Não chores! Você não está só, eu estou aqui”. Portanto, não esperemos que ele venha cuidar, façamos, nós, como ele fez.

20 de julho de 2014

Tempo que foge e foge depressa

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“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.”1

Em seu conhecido texto, o pastor Ricardo Gondim:2 1) Se dá conta que o tempo que falta viver é menor do que o aquele que viveu até agora; 2) Deseja aproveitar ao máximo o tempo que lhe resta: “faltam poucas”. Pensar sob essa perspectiva costuma realinhar o modo ver e viver a vida cristã. Normalmente ajuda a redefinir com o que vale ou não a pena gastar o tempo.

Para o autor, algumas coisas perderam a importância. “Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos ... para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos parlamentares e regimentos internos ... para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos ... para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções da Bíblia. ‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos. Já não tenho tempo para ficar dando explicação aos medianos se estou ou não perdendo a fé, porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes ...”

Por outro lado, outras valem cada segundo do seu tempo. “Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a ‘última hora’; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus. Caminhar perto dessas pessoas nunca será perda de tempo.”

Tomado por essa mesma sensação penso no Senhor Jesus. Ele veio ao mundo em forma humana e, decidiu andar, ensinar e acreditar nas pessoas. Num ato esplêndido de amor, aceitou morrer em favor dos redimidos, mesmo sabendo que nem todos o aceitariam. “Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10,45). Foi humilhado, traído e abandonado, inclusive por seus maiores amigos. Foi insultado, incompreendido pela religião dura e fria e, finalmente, foi açoitado e morto injustamente. Então; será que valeu a pena?

“Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si.” (Is 53,11). Sim, por amor valeu. Valeu a pena ser pisado e espremido (Getsêmani)3. Por “causa dos eleitos que escolheu” (Mc 13,20) valeu a pena gastar seu tempo e acreditar nas pessoas. Nossa vida cristã precisa valer a pena e, de modo geral, a finitude nos ajuda a realinha as prioridades e a valorizar aquilo que realmente tem valor: gente.

Portanto, precisamos remir o tempo de modo a produzirmos frutos dignos de arrependimento enquanto há tempo. Porque, pensando bem, o tempo foge e foge depressa.


1GONDIM, Ricardo. Eu creio, mas tenho duvidas (Tempo que foge). Viçosa: ed. Ultimato, 2007. p. 102.
2Alguns atribuem, por engano, a autoria desse texto a Rubem Alves.
3Lugar onde se espremiam as azeitonas para se retirar o azeite.

11 de julho de 2014

O que você está fazendo?

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O pastor se aproximou da senhora que cuidava das crianças durante o culto e perguntou.  – O que você está fazendo? A mulher parou por alguns instantes, olhou para pastor e disse.  – Que pergunta estranha pastor, qualquer um pode ver que estou cuidando deste bebê. – E se eu lhe dissesse que você não está trocando as fraldas?  Com olhar curioso a mulher observava o pastor, que continuou.  – Você está tornando possível a uma jovem mãe confiar seu filho aos cuidados de outra. E por causa disso, ela é capaz de ouvir a mensagem do Evangelho sem se distrair com as necessidades constantes de seu bebê. No final de culto, quando ela abrir seu coração ao Senhor, não serei eu a levá-la a Cristo ... Nós fizemos isso juntos!  Então, ela sorriu. – Obrigado por seu trabalho em ajudar a levar pessoas Cristo.1

A primeira coisa que Jesus fez em seu ministério, imediatamente após ser tentado, foi anunciar o reino de Deus. “Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.” (Mt 4,17) Na verdade, cada milagre, cada frase, cada ação, cada olhar, tudo, absolutamente tudo, estava comprometido com  o objetivo de levar pessoas a conhecerem o Pai. Mesmo a escolha dos apóstolos visava à continuidade dessa mensagem. Jesus nasceu, cresceu, viveu e morreu para que muitos tivessem a possibilidade de encontrar o caminho que leva ao seu reino. Na igreja de Jesus não há nada mais importante do que isso!

No passado, quando membro da comissão de indicação senti na pele a dificuldade em encontrar pessoas dispostas a colaborarem em cargos considerados menos importantes. Faltava a estes irmãos a visão de reino porque, na igreja de Jesus, todos os cargos são igualmente importantes.

Sou educador por profissão e atuei como professor de EBD nos últimos anos. É um dom e uma paixão. Mas como me sinto profundamente feliz em ser aluno na classe. Entendi que este é um tempo de aprender e reaprender. Para mim está muito claro que eu devo ser útil noutra área onde é mais necessário para Ele e o seu reino. Foi a partir da história acima que eu pude perceber o que o Senhor queria de mim. A pergunta do autor “o que você está fazendo?” foi escrita diretamente para mim, penso cá com os meus botões.

A felicidade não está em se fazer o que se gosta ou o que se sabe com mestria. Tão pouco está em ter um conhecimento profundo da Escritura. Tudo isso é bom e prazeroso, admito. Mas o que move o meu coração é ser útil no reino de Deus. É saber que de alguma maneira sou instrumento nas mãos dele. É saber que de alguma forma posso ser bênção para os outros. O que estou fazendo? Ajudando a levar pessoas aos pés de Jesus Cristo.

1 Adaptado de uma história do livro A igreja irresistível  de Wayne Cordeiro.
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