31 de outubro de 2009

Uma Pergunta Teológica!

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QUEM É O DEUS DOS CRISTÃOS?

Aquele seria mais um dia comum na nossa rotina de estudos. Ao final da aula, como todo estudante de teologia, sempre temos muitas perguntas “teológicas”. Aquelas perguntas típicas de seminaristas. Foi então que meu amigo Jonathan perguntou: Leo, me responda o seguinte: Quem é o Deus dos cristãos? Não responda agora – Replicou. – Pensa com calma e depois responde.
Perguntei se poderia virar um artigo e ele concordou, sendo este o motivo deste post. Uma pergunta de suma importância! 

Antes de começar a tentar responder a pergunta é preciso, no entanto, estabelecer alguns parâmetros:

1 – Não sou teólogo, então não pretendo encontrar uma resposta definitiva para a pergunta. Mesmo que fosse, não tenho tal pretensão. Minha intenção é responder a um amigo por quem tenho grande apreço e respeito.

2 – A tentativa de resposta não é, de forma alguma, uma posição teológica da minha igreja ou denominação. Nem mesmo da teologia da academia, onde sou apenas mais um estudante ávido por respostas.

3 – Citando “Deus dos cristãos” então, me aterei a Cristo e não somente a Jesus. E mais, dentro do contexto evangélico na realidade do BRASIL.

4 - É possível ainda, que de algum modo cometa injustiça com alguma denominação cristã que não conheço. Por isso, gostaria que caso você faça comentários, que seja para nos ajudar a responder essa pergunta. Seu comentário deve levar em conta que eu sou ignorante (admito) quanto a seu credo em particular.

A tentativa de resposta tornou-se por demais inglória, ainda que restrita aos evangélicos e, somente aos evangélicos do Brasil. É algo que foge sobremaneira de uma resposta conclusiva, seja pela limitação deste autor, seja pela amplitude das possibilidades, seja ainda, pela subjetividade do tema. Temo ser impossível alguém responder com uma afirmativa. Portanto, apenas suspeito poder afirmar

QUEM NÃO É O DEUS DOS CRISTÃOS!

Se estivermos falando de Cristo, então o Deus dos cristãos não é o Cristo da cruz. Porque o que mais se fala é das bênçãos materiais e não das espirituais. Bênçãos conquistadas na cruz através da morte de Jesus. Cruz que cada um de seus discípulos deveria carregar, não somente na hora do apelo, mas na entrega da própria vida.  A cruz (a morte) de cada dia. E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. (Lucas 9:23). Não é o Cristo da cruz o Deus dos cristãos, porque não O temos seguido.

Também não é o Cristo humilde, que se humilhou a si mesmo na pior morte que se poderia pensar. Uma morte sob tortura, vergonhosa um escândalo para os Judeus. ...porquanto o pendurado é maldito de Deus... (Deuteronômio 21:23). Um Cristo que se humilhou desde o início, saindo das regiões celestiais para habitar no ventre da mulher e ali esperar nove meses para nascer na forma frágil de um bebê. Um Cristo que nasceu, viveu e morreu de forma humilde. Basta olhar às igrejas e perceberemos que o Cristo humilde não é o Deus dos cristãos.

Não é o Deus dos cristãos, o Cristo do amor e do perdão. Um Cristo que mesmo diante do mais vil pecador usava de misericórdia. E, como insistissem ... disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela. (João 8:7). Que não tripudiava sobre as pessoas só porque estavam erradas. ... e não vendo ninguém mais...disse-lhe: Mulher, onde estão os teus acusadores? Ninguém te condenou? (João 8:10). Um Cristo que olhava para o coração buscando perdoar, mas que nem por isso convivia com o pecado. ...Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais. (João 8:11). Tratando-se de misericórdia, tolerância ao pecado e julgamento, definitivamente, este não é o Deus dos cristãos.

Há ainda muito outros pontos, contudo entendo que um último aspecto seja relevante. Se considerarmos os últimos séculos, o Deus dos cristãos não é o Cristo que voltará, reinará e julgará todas as nações. Um Cristo soberano cujo nome é sobre todo nome e que diante dele se hão de se dobrar ...todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra (Filipenses 2:10). Cujo nome é exaltado por Deus pai para que, um dia ...toda a língua confesse que Jesus Cristo é o SENHOR... (Filipenses 2:11). Um Cristo que estava desde o princípio que veio para os seus, mas o seus não o receberam.
Não é, definitivamente não é o Cristo da escatologia o Deus dos cristãos. Aquele que vai estabelecer o Seu reino o qual não terá fim. Porque se pensarmos bem, fazemos tantos planos pensando no futuro, querendo e “conquistando” tantas coisas, que esquecemos (abandonamos) o conceito do que sejam as almas perdidas. Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las. E foram para outra aldeia. (Lucas 9:56).

Porque temos visto um Evangelho fácil que satisfaz mais a carne e a razão (sabedoria humana) do que o espírito. Uma boa nova (Evangelho) onde o bom é a minha satisfação pessoal e do meu grupo (minha denominação).   Mas e o outro? O outro não importa. Se precisar passo por cima dele.  E o retrato mais claro disso é o tipo de liderança que tem recebido mais projeção; seja nas organizações, seja (e principalmente) na mídia. Estes (leigos e líderes) só agem como agem, porque pensam que não haverão de prestar contas a Rei dos reis. Os quais hão de dar conta ao que está preparado para julgar os vivos e os mortos. (I Pedro 4:5).


Se possível for pensar numa resposta para a pergunta, ela vai passar, pelo menos, por duas possibilidades. A primeira é entender o Jesus histórico ligado aos conceitos de ética e moral como propôs Kant, ou ligado a tradição judaico-católica (e/ou evangélicas). Ou seja, um Jesus de uma natureza puramente humana. Mas para este conceito existem muitos indultos eloqüentes com suas legiões de adeptos. Não ousaria eu navegar nestes mares, tão pouco este conceito satisfaz à pergunta.

A segunda possibilidade é entender um Cristo experiencial. Um Cristo que transforma vidas. Que de um modo inexplicável muda o coração do homem, transformando o mais embrutecido dos homens no mais manso deles.  Um Cristo que, sem nenhuma razão lógica, diz para um marginal confesso e da pior categoria, estarás comigo no paraíso.  O Cristo, um Deus que cada um nós individualmente (eu e você) só pode explicar pelo que experimenta. Não pelo estudo teológico, pela tradição de família ou pelo conhecimento da ciência.  Porque no dia em que eu puder explicar Deus, Ele deixará de ser o meu Deus.  Porque só posso explicar pelo que não se pode explicar, mas pelo que sinto, pelo que experimento e pelo que vivo. O Deus dos cristãos!?  Esse não o conheço e suspeito que jamais venha a conhecê-lo. Mas o meu Deus, ah, esse sei muito bem quem é.  Nos falamos TODOS os dias e nosso relacionamento tem sido mais íntimo a cada dia. É o Cristo que não conheço de ouvir falar, mas que O vêem meus olhos.

Acredito que a pergunta fundamental não seja Quem é o Deus dos cristãos, mas: O QUE É O CRISTO NA MINHA VIDA? E, com muito carinho e respeito (porque és meu estimado amigo) ouso te devolver a pergunta: O que é o Cristo na sua vida? Porque é isso o que realmente importa, é isso que faz realmente diferença. Uma diferença com data de validade para toda a eternidade.

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20 de outubro de 2009

EU TENHO MEDO!

2 Depoimento(s)
Assisti a um filme em que uma das personagens havia arriscado sua vida por pura diversão. Indagado se não tinha medo de morrer, respondeu que não tinha medo de nada. (Continua no final do artigo...)

Diferente da personagem do filme, eu tenho medo.

Tenho medo de trair minha comunidade e de pregar aquilo que não creio. Medo de não ter a coragem de dizer que não creio mais, de não dizer que as palavras são só palavras de ordem que uso para controlar as pessoas que em mim resolveram confiar. Tenho medo de não confessar que me tornei um tirano, um aproveitador;   E, como diria o professor Osvaldo no artigo “quando os pastores são leões”,  meu medo é de um dia fazer parte da “alcatéia”1.   Tenho medo de esquecer qual é o verdadeiro “Perfil de um homem de Deus”, conforme o artigo do professor Adalberto.

Eu tenho medo de esquecer meu passado; medo de não poder olhar nos olhos de minha mãe, cuja firmeza de caráter é inconteste. De ver em seu olhar a decepção ao descobrir no que me tornei. Que desculpa lhe darei? Logo a ela que passou tudo o que passou e nunca recuou? E minha filha? Com que autoridade lhe falarei? Sim, eu tenho medo de olhar nos olhos de ambas e não poder firmar meu olhar. Tenho medo de perder o único valor que me resta, o caráter. Tenho medo de aos poucos, ficar mais preocupado com meu salário no final do mês, com os cargos, com as nomeações, com as reuniões e gabinetes, do que com o povo a quem escolhi e deveria servir.

Tenho medo de ficar “surdo” a Jesus quando me diz: “Apascenta as minhas ovelhas”. Tenho medo de, no fim, achar que as decisões e os postos que venha a ocupar são todos méritos meus. E, portanto, estão todos a meu serviço. Tenho medo de perder o amor pelas almas perdidas, de me tornar insensível ao sofrimento do outro, de tomar como mais importante matar a minha fome mesmo que custe a vida de alguém.

Tenho muito medo de Osiris me seduzir e quando eu perceber, já ter passado para “o lado negro da força”, como um “Darth Vader”. Tenho medo de tudo querer, nem que para isso me torne um Davi capaz de matar seu amigo fiel (coisa que ele não foi) para atingir seus objetivos pessoais de cobiça e desejo. Tenho medo da cobiça, do poder, dos cargos “importantes”; medo dos “valores” das denominações e dos estatutos. Tenho medo de me vender e como um Iscariotes trair a Jesus pela segunda vez.  O medo é positivo enquanto nos faz sobreviver e negativo enquanto nos paralisa.

Mas de que medo estou falando?  Do medo de ser pastor.

Porque todas as vezes que um colega de classe, um irmão ou dos professores me cumprimenta: Fala pastor! Me corre um frio de cima a baixo de puro medo.  Medo de trair, de esquecer, de me envaidecer e de me vender.  Sim, falhar é o meu maior medo!  Seria esse  um medo infundado ou sem razão?  Será uma fantasia ou fruto da imaginação?

Peço ao Senhor todos os dias que afaste “de mim a vaidade e a palavra mentirosa” para que eu seja reto no meu proceder. Peço também, que “não me dês nem a pobreza nem a riqueza”, porque se tiver muito talvez um dia, venha a negá-lo e dizer: “Quem é o SENHOR?” Ou, sendo eu muito pobre, “não venha a furtar, e tome o nome de Deus em vão”. Senhor não me negue estas duas coisas porque, por tudo que eu tenho visto e ouvido, confesso; Eu tenho medo.

(...continuação da primeira parte)
Vendo que o homem não temia a nada disse a outra personagem: “Quem não tem medo de nada é porque não ama coisa alguma”.

Duas coisas te pedi; não mas negues, antes que morra: Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume; Para que, porventura, estando farto não te negue, e venha a dizer: Quem é o SENHOR? ou que, empobrecendo, não venha a furtar, e tome o nome de Deus em vão. (Pv 30.7-9)
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1 alcatéia: 1 Bando de lobos. 2 Manada de quaisquer outros animais selvagens. 3 Quadrilha de malfeitores. Estar ou ficar de alcatéia: estar ou ficar de vigia, à espreita. (http://michaelis.uol.com.br/)

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