24 de outubro de 2012

Uma dose (cavalar) de realidade em apenas uma gota

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Domingo vivi uma experiência muito singela da realidade pastoral. Antes mesmo de terminar o culto de posse de um grande amigo de seminário fui ao sepultamento da mãe de um outro amigo. Ela era uma destas mulheres que são/falam/vivem coisas incríveis. Foram muitos os testemunhos da sua vida. Fico apenas com um deles. Sua resposta à pergunta: O que você faria se soubesse que tem mais trinta dias de vida? ... “Eu acho que seria muito pouco tempo para agradecer por todas as coisas que o Senhor fez por mim”. A cada testemunho crescia em mim a admiração por aquela mulher que não conheci.

A questão é o que dizer numa hora destas? O que dizer aos parentes? O que dizer ao meu amigo que sofria a perda de sua querida mamãe?

Comecei um “passeio” por todas as coisas que estudei na teologia. E, no final, senti certo desapontamento. Nessa hora fiquei aliviado por não ser eu o pastor a conduzir a cerimônia fúnebre. Então entendi que nenhum livro CLÁSSICO de teologia poderia me ajudar.

Depois comecei a folhear a Bíblia para trazer uma palavra de conforto à família. E, embora conhecesse certo número deles, nenhum parecia adequado. Folheei, folheei, folheei ... até que:
Descobri que na Bíblia não encontraria um versículo que pudesse ESPECIFICAMENTE amenizar aquela dor, mas encontrei um grande valor contido nela: o silêncio.

Antes dos amigos começarem a falar bobagem, julgando a vida de Jó, eles foram de uma profunda sensibilidade/sabedoria. Eles simplesmente se calaram:

Ouvindo, pois, três amigos de Jó todo este mal que tinha vindo sobre ele, vieram cada um do seu lugar [...] e combinaram condoer-se dele, para o consolarem. E, levantando de longe os seus olhos, não o conheceram; e levantaram a sua voz e choraram, e rasgaram cada um o seu manto, e sobre as suas cabeças lançaram pó ao ar. E assentaram-se com ele na terra, sete dias e sete noites; e nenhum lhe dizia palavra alguma, porque viam que a dor era muito grande.” (Jó 2,11-13).

Foi o melhor que pude fazer. Abraçar meu amigo e dizer-lhe “Conte comigo”. Qualquer coisa além disso me pareceu insano. Preferi o silêncio. Por alguns instantes vivi uma pequena amostra da rotina do ministério pastoral, algo quase esquizofrênico: alegria e tristeza profundas. Foi uma dose cavalar de realidade numa pequena gota de tempo. Vivi algo que nenhuma teoria pode dar conta. Algo, aí, bem presente e muito real na vida das pessoas.

15 de outubro de 2012

Ensinado o quê, para quem e para quê?

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Comemoramos, hoje, 15 de outubro, o dia do professor. Uma boa sugestão de leitura/prática é o livro Teaching to Change Lives do professor Howard G. Hendricks. Em poucas páginas, ricas em conteúdo, ele enumera sete leis do ensino. Um livro dialogal que impactou a maneira como vejo o ensino/aprendizagem.
Por exemplo: Sempre pensei ser impossível ensinar a quem não quer aprender, mas descobri que isso, com raras exceções, não é verdade.

Pouco depois que mudei para o Texas, citei um conhecido dito popular:  ‘Podemos levar um cavalo a um bebedouro, mas não podemos obrigá-lo a beber.’ E logo em seguida um vaqueiro texano, sujeito alto e forte, replicou:
‘Rapaz, você está enganado. Podemos dar sal para ele.’
Quero perguntar uma coisa ao leitor: aqueles que o ouvem saem dali tão sedentos que não vêem a hora de ‘beber’ da Palavra de Deus por si mesmos?
Então, todas as vezes que formos dar uma aula, devemos responder ás seguintes perguntas: O que é que sei e desejo que esses alunos saibam também? O que sinto, e desejo que eles sintam também? O que estou fazendo e quero que eles façam também?” (HENDRICKS, Howard G. Lei – 4: Comunicação, pg. 79)

Essas três perguntas sempre estão a ecoar na minha mente.

1 de outubro de 2012

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