19 de agosto de 2011

Ministério (in)FELIZ

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Na primeira semana do semestre ouvi uma frase de um dos nossos professores cuja intenção era nos alertar sobre os cuidados pessoais no ministério pastoral. “Tem muito pastor que depois de nove, dez, doze anos de ministério se sente infeliz”. Segundo ele esta é uma constatação aferida nos bastidores (em conversas com pastores). "É comum os pastores, após este tempo, fazerem uma avaliação do seu ministério e muitos se descobrem infelizes".

Essa afirmativa preocupou ainda mais. Fiquei pensado, será!? Será que após nove, dez ou doze anos de ministério me sentirei infeliz como pastor (se é que o serei)? Passei então a relacionar algumas coisas que me fariam sentir infeliz no ministério a fim de evitar este mal no meu futuro.

Terei um ministério infeliz se vier a ser um pastor que visita tantos membros com toda dedicação, mas que ao olhar a minha própria casa, minha esposa e filhas eu perceba que sou apenas um visitante em meu lar. Se for um ótimo pregador sobre família, mas não encontra tempo para orar com minha esposa ou fazer culto doméstico na minha própria casa.

Terei um ministério infeliz se não souber para onde a igreja vai e passar ano após ano “inventando” um plano mirabolante para o crescimento dela. Propósito, célula, G12, rede ministerial e toda sorte de ideia “nova” demonstrando que estou perdido como condutor do rebanho que Ele, o Senhor, me confiou. Porque na realidade eu deixei de confiar Nele e passei a confiar em mim e nas minhas ideias.

Terei um ministério infeliz se estiver convencido de que sei tudo e que o povo não sabe nada. Porque estarei envolvido por meus fieis “amigos” que me “ensurdecem” ao me dizerem: Não de ouvidos as críticas; eles te criticam porque a igreja está crescendo na verdade eles têm inveja de você e do seu sucesso.

Terei um ministério infeliz se eu for um bom pregador, um bom orador e bom conhecedor da Palavra, mas que no fundo não a aplico em mim mesmo PRIMEIRO. Porque serei como metal que tine, mas sem amor, sem verdade e sem vida com Deus. Serei somente retórica. Da Verdade é certo, mas retórica sem da vida.

Terei um ministério infeliz se for chamado a ocupar vários cargos importantes, até mesmo fora da igreja local, mas não for capaz de fazer como Jesus; se não for capaz de fazer discípulos. Quando esquecer de como nascem as vocações, a começar pela minha, mas não lembrar de estimular novos pastores, missionários e músicos para o Reino de Deus.

Terei um ministério infeliz se, apesar de não ter dúvida de quem me chamou e para que me chamou, eu estiver mais preocupado com o crescimento dos membros da igreja para que o meu “salário” também cresça. Para mostrar como sou bom porque a igreja está “crescendo”, esquecendo que quem dá o crescimento é Deus, esquecendo que uma igreja grande não significa, necessariamente, uma grande igreja. Quando mesmo sabendo que é o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (não o dinheiro em si), mas que é nele que estou pensando de verdade lá no fundo do meu coração.

Tomara que neste dia nenhuma destas coisas tenha contaminado o meu coração, cegado meu olhos ou selado meus ouvidos. Para que não seja eu um crítico dos outros, e as vezes dos profetas, mas não consiga olhar para mim como eu realmente sou.
Como fazer para isso não acontecer? Eu, não sei. Primeiro, porque não sou pastor e segundo, porque não completei os anos de ministério. Mas sei o que a Bíblia diz a respeito:
Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume; Para que, porventura, estando farto não te negue, e venha a dizer: Quem é o SENHOR? ou que, empobrecendo, não venha a furtar, e tome o nome de Deus em vão”. (Provérbio 30.8,9)

Tomara que eu nunca deixe de viver isso na minha vida. Porque saber e viver são coisas muito diferentes.
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