Mostrando postagens com marcador Vida em Família. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vida em Família. Mostrar todas as postagens

2 de fevereiro de 2016

A Confusão Mental dos Idosos

0 Depoimento(s)

Por Arnaldo Lichtenstein

"Durante as aulas de clínica médica que ministro aos estudantes do 4º. ano de Medicina, a certa altura, faço a seguinte pergunta:
- Quais as causas mais comuns de confusão mental nas pessoas idosas?

Alguns tentam adivinhar: "Tumor na cabeça".

Eu respondo: "Não".

Outros arriscam: "Mal de Alzheimer"

Novamente, respondo: "Não".

A cada negativa os alunos vão demonstrando espanto.... E ficam ainda mais boquiabertos quando menciono os três motivos mais comuns:

 diabetes fora de controle;

 infecção urinária;

 a família foi passear e deixou o avô e a avó em casa, para não se cansarem.

Embora pareça brincadeira, não é nada disso. Como o avô e a avó não sentiram sede, não ingeriram líquidos.

Quando não há ninguém mais em casa para lembrá-los de tomar água, ou chá, ou um suquinho, eles desidratam-se rapidamente.

A desidratação pode vir a ser grave, afetando todo o organismo. Pode causar confusão mental repentina, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos, angina (dor no peito), coma e até o óbito.

Atenção: não é brincadeira.

O processo natural de envelhecimento faz com que, na terceira idade  que começa aos 60 anos  tenhamos pouco mais de 50% de água no organismo.

Portanto, os idosos têm menor reserva de líquidos.

Para complicar mais o quadro, mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água porque, muitas vezes, há certa disfunção nos seus mecanismos de equilíbrio interno.

Conclusão:

As pessoas idosas desidratam-se com mais facilidade não apenas porque têm menos reserva de água, mas também porque não se dão conta de que necessitam de água. Mesmo que o idoso seja saudável, a falta de líquido reduz o desempenho das reações químicas e funcionais de todo o organismo.

Por esse motivo, aqui estão dois alertas:

1 - O primeiro é para as pessoas idosas: fiquem bem conscientes do hábito de tomar líquidos. Por líquido entenda-se água, chás, água-de-coco, melancia, sucos, melão, abacaxi, tangerina, gelatina, laranja, leite, sopas... O importante é, a cada duas horas, ingerir um copo ou uma xícara com líquido. Lembrem-se bem disso!

2 - O segundo alerta é endereçado aos familiares: ofereçam com bastante freqüência líquidos aos idosos. Ao mesmo tempo, prestem atenção. Caso percebam que estão rejeitando líquidos e, que, de repente, ficam confusos, irritadiços, alheios ao que se passa ao redor, cuidado!. “É quase certo que sejam sintomas de desidratação.”

"Deem-lhes líquidos e procurem logo atendimento médico".

(*) Arnaldo Lichtenstein, médico, é clínico-geral do Hospital das Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Fonte: http://primeiraedicao.com.br

7 de novembro de 2015

A gratidão do velho Jacó

0 Depoimento(s)
José, filho de Raquel, era o preferido de Jacó. Por ciúme e inveja os irmãos o venderam e fizeram o pai acreditar que ele havia morrido. Um sofrimento muito grande: “Todos os seus filhos e filhas se achegaram para oferecer-lhe consolo, contudo ele recusou toda e qualquer consolação, e declarou: ‘Não! É em luto que descerei ao Sheol para me encontrar com meu filho!” (Gn 37.35).

Raquel, a amada de Jacó, morreu no parto de Benjamin. Por isso, quando o Governador do Egito (José) prendeu Simeão até que lhe trouxessem o irmão caçula, Jacó escolheu Benjamin. Nem Ruben fez o pai mudar de ideia. “Podes tirar a vida de meus dois filhos se eu não o trouxer de volta.” (Gn 42.37). Jacó morreria de tristeza se algo acontecesse a Benjamin e todos sabiam disso: “O menino não pode se ausentar de seu pai; se ele deixar seu pai, este morrerá de desgosto” (Gn 44.22), disse Judá ao Governador do Egito.

Mas uma notícia o reanimou. “Basta! José, meu amado filho, ainda está vivo! Que eu vá imediatamente vê-lo antes de morrer!” (Gn 45.28). Quando Jacó chegou ao Egito e José viu seu pai “correu para abraçá-lo e, abraçando-o com grande emoção, chorou longamente.” (Gn 46.29).

Com frequência, a história de José é lembrada por seu perdão aos seus irmãos, pelo modo como Deus o usou para salvar toda a terra e a própria descendência, e por sua integridade diante de todas as injustiças e tentações que sofrera. No entanto, a perspectiva de Israel (Jacó) não é menos comovente.
O homem que, à beira da morte, revive ao saber que José vivia, se declara feliz pelo simples fato de rever seu filho. “Agora, pois, já posso morrer em paz, porquanto vi o teu rosto e sei que ainda estás vivo!” (Gn 46.30). Mas Jacó também precisou fazer escolhas. Viver a amargura e o rancor pelos anos de separação de José ou viver intensamente a alegria de tê-lo ao seu lado. Viver em atrito com seus filhos por tudo que eles lhe fizeram ou viver em paz com todos e em família.

Jacó morreu feliz porque escolheu deixar no passado toda dor que sofrera e, olhando para o presente com alegria, viveu o futuro com esperança. Se o valor de uma história está no modo como ela termina, a história de Jacó termina com um coração cheio de gratidão ao Senhor. “A mim, que não tinha mais a esperança de rever teu rosto, eis que Deus me concede a bênção de ver até teus descendentes!” (Gn 48.11).

Tão comovente como a história de José é perceber a gratidão do velho Jacó.

6 de novembro de 2015

Dia (Inter)Nacional do idoso

0 Depoimento(s)

27 de setembro ou 1 de outubro?

A história do dia Internacional do idoso começou em 1982 com o Plano Internacional de Ação sobre o Envelhecimento em Viena, Áustria. Aprovado pela Assembleia Mundial do Envelhecimento e, no mesmo ano, pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o Plano foi o primeiro instrumento internacional sobre o envelhecimento, e forneceu uma base para a formulação de políticas e programas sobre envelhecimento. Ele incluía sessenta e duas recomendações para a pesquisa-ação de endereçamento, coleta de dados e análise, treinamento e educação, bem como as seguintes áreas setoriais: saúde e nutrição, proteção dos consumidores idosos, habitação e meio ambiente, família, assistência social, segurança de renda e de emprego, e educação.

No dia 14 de dezembro de 1990 a Assembleia Geral da ONU, por meio da resolução 45/106, determinou o dia 1º de outubro como Dia Internacional do Idoso. Na Assembleia seguinte (1991), a ONU aprovou a resolução 46/91 que trata dos direitos dos idosos, cujos princípios norteiam as discussões contemporâneas sobre a situação do idoso. Entre esses princípios, estão os da “autorrealização” e da “dignidade”.

No Brasil, a Comissão de Educação do Senado Federal aprovou a emenda ao Projeto de lei 513/1999 estabelecendo o dia 27 de setembro como Dia Nacional do Idoso, dia de São Vicente de Paula, considerado o pai da caridade. Até 2006, o Dia do Idoso era celebrado no dia 27, mesmo dia em que as religiões afro-brasileiras comemoram o dia de Cosme e Damião. – No catolicismo comemora-se no dia 26.

O Plano Internacional de Ação sobre o Envelhecimento de Madri, Espanha, e a Declaração Política aprovada na Segunda Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento em abril de 2002, marcam um momento decisivo na forma como o mundo abordaria o desafio-chave da "construção de uma sociedade para todas as idades". O Plano de Ação traz uma nova agenda ousada para lidar com a questão do envelhecimento no século XXI. Ele se concentra em três áreas prioritárias: as pessoas idosas e seu desenvolvimento; a promoção da saúde e bem-estar na velhice; e assegurar ambientes propícios e favoráveis. É um recurso para a formulação de políticas, sugerindo formas de governos, organizações não governamentais e outras entidades, no sentido de reorientar as maneiras pelas quais suas sociedades percebem, interagem e cuidam de seus cidadãos mais idosos. Além disso, o Plano representa a primeira vez em que Governos concordaram em vincular questões do envelhecimento com outras estruturas de desenvolvimento social e econômico e dos direitos humanos.

No dia 1º de outubro de 2003 foi aprovada a Lei nº 10.741, que tornou vigente o Estatuto do Idoso no país. Com a criação do Estatuto, o Brasil começou a incorporar à sua jurisprudência resoluções de organizações internacionais, como a ONU e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Finalmente, em 28 de dezembro de 2006, entrou em vigor a Lei Federal nº 11.433/06 que dispõe sobre o Dia do Nacional Idoso a ser comemorado no dia 1º de outubro, juntamente com o Dia Internacional do Idoso.

Para este 25º Dia Internacional do Idoso, a ONU tem como tema: "Sustentabilidade e inclusão do idoso no ambiente urbano" – sublinhando a necessidade de tornar as cidades inclusivas para pessoas de todas as idades.

Portanto, tão importante quanto conhecer a história do dia Nacional ou Internacional do idoso é conhecer o Estatuto e participar dos Fóruns, Congressos e Simpósios, como, por exemplo, o II Simpósio do Envelhecimento promovido pela prefeitura do Rio.

Feliz dia do Idoso!

5 de novembro de 2015

A força do querer

0 Depoimento(s)

Por Anna Veronica Mautner

“Velhice e fim têm coisas parecidas e coisas diferentes, mas o fim que eu promovo não é igual ao fim que ocorre fora da minha vontade”


Parar de querer pode ser visto como um aspecto de parar de ter curiosidade. É como se não se quisesse conhecer nada mais do que já se conhece. Parar de querer não é uma ruptura, é um definhar não só da curiosidade, mas – bem pior do que isso – da vontade.

Não se trata do que eu posso ou não posso fazer ou promover. É muito diferente de não poder. Quando paramos de querer nos aproximamos da desesperança, do vazio. É quando não vemos nada à frente, no futuro próximo. Eis que surge o espaço para uma pergunta grave: então, viver para quê?
O parar de querer pode vir com a idade, mas não é obrigatório. Há muitos idosos que não conseguem mais andar, mas continuam interessados no que o amanhã lhes trará.

E tem mais: o definhar da curiosidade não é igual à depressão. Nesta não se dá valor para o que pode vir de fora, o que é muito diferente de não querer saber se há alguma coisa fora do "aqui agora".
Reparem que as senhoras idosas nunca ou raramente pedem receitas novas de comida. É desse jeito que o idoso vai se separando do mundo: deixando a curiosidade definhar. Que importa o amanhã se nem hoje quero algo novo?

Velhice e fim têm coisas parecidas e coisas diferentes. O fim imbuído do "não quero saber" é bem diferente daquilo que acaba independente da vontade e do qual eu posso vir até a sentir falta, se for o caso. O fim que eu promovo não é igual ao fim que ocorre fora da minha vontade, sem minha participação.

O avançar da idade aproxima a pessoa de um tipo de fim diferente do que vivencia o jovem nas várias etapas da sua vida. Deixar para trás a boneca, o carrinho, o jogo de panelinhas, é diferente de não conseguir mais se equilibrar no salto alto ou levantar peso.

O idoso não para de fazer coisas; ele deixa de fazer de uma vez por todas. Não quer mais saber, desinteressa-se. Afasta-se sem dor. Quando o desinteresse aterrissa na nossa vida tudo se torna monótono porque nada de novo entusiasma.

Existe o fim e o ir acabando. Existe o não conseguir mais e existe também o não querer mais. São momentos diferentes da vida da gente. Quando começa a predominar o "para quê?" estamos chegando a um momento grave.

O par de olhos que não procura mais o novo no horizonte pertence a alguém que não se surpreende mais. Não se surpreender traduz uma indiferença que torna o cotidiano difícil de ser tolerado. Tudo fica entediante. Cá entre nós, a surpresa é, na verdade, a alma do negócio de viver bem.

Esperar, aguardar, sonhar, imaginar muitos "depois" preenche a consciência de todos os seres humanos indistintamente, não importa a época, a idade, a origem, a raça, o gênero. Imagino que o homem das cavernas ansiava pela chuva da mesma forma que o jogador na mesa de roleta torce para sair o número que escolheu. Também os pais esperam ansiosos pelo nascimento de cada filho, não só o primeiro.

Cada um é uma nova surpresa. Sem falar da espera pelo prazer fugaz, porém não menos desfrutável, do cheiro de bolo fresco recém-saído do forno ou do pastel de palmito que está sendo frito na frigideira.

Parar de esperar é o começo do fim. Nós todos gostamos de correr atrás de uma cenoura. É a cenoura nossa de cada dia que nos move.

Anna Mautner é psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e autora de Cotidiano nas Entrelinhas: Ed. Ágora

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/05/1627701-anna-veronica-mautner-a-forca-do-querer.shtml

4 de novembro de 2015

Nova geração de discípulos

0 Depoimento(s)
"A questão é: em 10 anos, você terá feito a diferença?"

O dia dos avós é muito mais do que isso

0 Depoimento(s)
"A tigela de madeira" conta a história de um garoto que aprende como tratar seus pais quando eles ficarem velhos, isto é, do mesmo modo que eles tratavam o seu avô: "estou fabricando uma pequena tigela para você e a mamãe comerem sua comida quando eu crescer". Infelizmente, isso está longe de ser apenas uma história.

"Por um instante observo um casal com seus filhos e uma senhora idosa perambulando pelo supermercado. As crianças, com 5 e 7 anos de idade aproximadamente, brincam com um saco plástico ao mesmo tempo que seguem os pais. O entra e sai nervoso dos corredores e os olhares do casal não escondem o desagrado em acompanhar essa senhora cansada pelo peso da idade. Ela parece confusa diante de tanta gente com pressa, falando alto, e tantas gôndolas com promoções. .... em voz alta o homem diz àquela senhora: ‘Já não basta pagar as compras, eu ainda tenho que ficar acompanhando a senhora de um lado para o outro que nem barata tonta. Afinal, eu não tenho tanto tempo assim. Tudo isso porque esqueceu a lista de novo?’ A senhora responde: ‘Desculpa, meu filho, eu te amo. Não queria estragar o seu sábado.'"*

Dia 27 de julho, dia dos avós, é mais do que um dia para celebrar. É um dia para refletir. Recentes pesquisas afirmam que a partir de 2030 nossa população começa a diminuir e que em 2050 as pessoas com mais de 60 anos representará um terço dos brasileiros.

Ora, os avós de hoje estão longe de serem pessoas de cabelos brancos sentados em cadeiras de balanço na varanda. Entretanto, não há como negar o quanto os valores de nossa sociedade estão distantes daqueles quando essa eram as imagem da figura dos avós. O dia dos avós é mais do que saudosismo, é resgate. Resgate dos valores da família com pai, mãe, filhos e avós. Valores do "respeito aos mais velhos", do ceder o lugar no ônibus para um idoso antes de haver leis e bancos preferenciais para eles.

Celebrar o dia dos avós é mais do que olhar o passado, é construir o futuro, mesmo que seja por uma razão meio egoísta: "respeitar as pessoas idosas é tratar o próprio futuro com respeito". Respeito que começa na infância, no modo como tratamos nossos pais a vistas dos filhos, no nosso proceder diário nos supermercados da vida, na forma como lembramos das datas importantes, como o dia dos avós, por exemplo.

Sem o dia 15 de junho, Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, dificilmente saberíamos que "cerca de 10% dos idosos brasileiros morrem por homicídio" vítimas de violência visível e invisível. Sem o dia 23 do mesmo mês, Dia Mundial de Prevenção de Quedas, talvez esse assunto tão importante sequer fosse abordado. Por isso, celebrar o dia 26 de julho é tão importante. É construir na mente dos pequeninos, os netos, o valor de tê-los, os avós, no seio da família no modelo proposto por Deus. É perpetuar valores de respeito e dignidade tão raros em nossa sociedade. E, por último, é olhar para si mesmo com respeito. Porque se a estatística estiver correta a aritmética não deixa dúvida. No último censo (2010) as pessoas com mais de 60 anos somavam 23 milhões de brasileiros (12%). Em 2050 os netos de hoje serão os adultos e nós, os adultos, faremos parte dos cerca de 63 milhões de brasileiros acima dos 60 anos (33%). E aí, não vai adiantar olhar para traz ou reclamar. "Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará." (Gl 6.7)

Portanto, celebre esse dia em família, celebre com alegria, celebre dando honra a quem tem honra. Porque o dia dos avós é muito mais do que isso. – Leonardo Martins.

*Hercules e Nirvana Garcia – Professores na classe de Casais. Pensar nº 8: junho/2014 (pg. 04)

9 de agosto de 2015

Pai é PAI e não ajudante da mãe!

0 Depoimento(s)

Por Içami Tiba

Paternidade é uma função própria do pai, com direitos e obrigações familiares importantes. Pai não é coadjuvante da mãe, é seu complementar.

A mãe costuma pedir ajuda ao pai: Ajude aqui, por favor, fique um pouco com as crianças! Ele acha que está apenas ajudando a mãe e não se sente fazendo a sua parte. Muitos pais nada fazem enquanto suas mulheres não pedem. Para os filhos não interessa se é a mãe que está muito ativa ou se o pai é muito passivo. O que eles precisam é de pai e de mãe. Neste ponto, alguns pais reclamam que suas mulheres os tratam como se fossem filhos.

Paternidade é a atitude de estar pronto a atender seus filhos, sem esperar que a mãe peça.
Um pai acomodado, além de não ser um bom exemplo na família, estimula o filho a explorar a mãe. Numa família assim pode se estabelecer uma confusão entre pai acomodado/pai bonzinho e mãe ativa/mãe rabugenta – quando na realidade o pai é negligente e a mãe ativa é obrigada a cobrar as obrigações de todos.

Fica muito clara esta situação quando uma mãe reclama que ela é a “pãe” da família. Ela tenta preencher também as funções de pai, o que é quase impossível.

Há muitos homens, no entanto, que já assumem bem mais seu papel. Muito longe de querer substituir a mãe, eles querem tomar parte na educação do filho. Reparei em um passageiro que, em pleno voo, trocava as fraldas de seu bebê, que deveria ter um ano de idade. A mãe não estava presente. Um bebê cuidado pela mãe e pelo pai cresce com menos preconceitos e com menos machismo. Aquela família parece estar desenvolvendo a Alta Performance.

*Içami Tiba: Psiquiatra, escritor e o educador com mais de 40 livros sobre o assunto entre eles os best-sellers “Quem ama, educa!” e “Limite na medida certa”.

9 de maio de 2015

Um dia eu chutei a sua barriga e ...

0 Depoimento(s)

“Um dia eu chutei a sua barriga e você chorou de emoção. Fiz você engordar uns vinte quilos e você só tinha palavras boas para mim. Fiz você quase morrer de dor e você deu um grito de alegria quando me viu pela primeira vez. Eu roubei o seu tempo, roubei o seu marido e a paixão só aumentou. Mãe, definitivamente você não bate bem e é por isso que eu te amo loucamente.” (autor desconhecido)

Esse texto é motivo de muitas “curtidas” e compartilhamentos nas redes sociais. Ele expressa de forma direta e clara o reconhecimento de um filho pelos sentimentos de sua mãe em meio às situações mais difíceis. Reconhecimento.

O filho de Deus nasceu da mulher, e não do homem, como foi determinado lá no Jardim do Éden. “Estabelecerei inimizade entre ti [a serpente] e a mulher, entre a tua descendência [da serpente] e o descendente dela [da mulher]; porquanto, este te ferirá a cabeça, e tu lhe picarás o calcanhar” (Gn 3.15). “Dela”, feminino singular, e não deles, Adão e Eva. Contrariando a visão de que a Bíblia é machista, Deus dá um valor especial à mulher (sempre deu) e, em particular, a sua maternidade.

Ora, Jesus foi gerado, cuidado, protegido e ensinado pela mãe. – Claro que José foi um excelente pai. Mas, Maria viveu os mesmos sofrimentos, preocupações e a maior dor que qualquer mãe poderia sofrer: ver seu filho morrer de modo tão vil. Diante de seus olhos estava a morte lenta, dolorosa e injusta. Mãe nunca abandona um filho.

Talvez seja por essa razão que o Evangelho de João registre o reconhecimento do Filho; pela mãe que o acolheu, protegeu e cuidou por tantos anos; pela mulher, que mesmo diante do maior infortúnio, estava ali, ao seu lado. “Quando Jesus, contudo, viu sua mãe ... disse: ‘Mulher, eis aí teu filho!’” (Jo 19.26).

Deus, o Pai, reconhece o valor da mulher e da sua maternidade. Jesus, o Filho, viveu de modo exemplar em obediência a pai e mãe. E a ela, em particular, soube honrar. Quer saber qual o presente mais desejado por sua mãe neste dia? ... Se ainda for possível, esteja com ela.


18 de abril de 2015

O “livro de miss”

0 Depoimento(s)
A obra do piloto francês Antoine de Saint-Exupéry, “O pequeno príncipe”, ficou conhecida no Brasil como o “livro de miss”, porque muitas candidatas o citavam como seu livro preferido. Na década de 1980 chegou a ser considerado um livro de autoajuda. Entre as muitas frases da obra, talvez a mais lembrada seja a da raposa: “Nous sommes responsables pour ceux qui nous avons apprivoise” (Nós somos responsáveis por aqueles que nós cativamos – tradução livre). – Na versão brasileira foi acrescentada a palavra “eternamente”. Longe de ser uma história para crianças, ela tem como tema principal, a meu ver, a amizade.

“O amigo dedica sincero amor em todos os momentos e é um irmão querido na hora da adversidade” (Pv 17.17).

Ao contrário da família, amigos nascem das escolhas que fazemos ao longo da vida e dos relacionamentos progressivos, assim como ressalta a raposa, numa aproximação maior a cada dia. O compromisso é fundamental à amizade porque demonstra a importância do outro. “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz”. Não obstante, amizades às vezes são incômodas ou frustrantes. Certo dia o Príncipe descobre que a sua flor, tão especial, era igual às tantas outras daquele belo jardim. Finalmente, ele compreendeu que o tempo e dedicação à sua rosa a tornava única no mundo inteiro. Escolhas, aproximação e dedicação é a receita do bom amigo, o qual, na adversidade, torna-se “um irmão querido”.

A atualidade nos impõe relacionamentos furtivos, virtuais ou, o mais comum, a indiferença. Ávidos pelo individualismo e impulsionados pela velocidade dos nossos dias, fazer amigos verdadeiros parece algo utópico ou adiável. Mas como diz o autor: “Num mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar um amigo”.

Esse é o sentido da parábola de Jesus. “Que farei? Trabalhar na terra, não tenho força; quanto a viver esmolando, tenho vergonha. Já sei o que farei para que, quando perder o cargo de administrador, as pessoas continuem a me receber em suas casas’ ... Então, o senhor elogiou aquele administrador da injustiça, pois agiu com sabedoria” (Lc 16,3-8).

Permita-se fazer amigos sinceros. “Porquanto, se um cair, o outro levantará seu companheiro. Mas pobre do que estiver sozinho e cair, assim não haverá quem o ajude a se reerguer!” (Pv 4.10).

26 de março de 2015

Valorize seus pais

0 Depoimento(s)
Um jovem candidatou-se a uma posição sênior em uma grande empresa. Ele passou na entrevista inicial e foi ao encontro do diretor para a entrevista final. Após observar o excelente currículo do rapaz o diretor perguntou:

– Você recebeu alguma bolsa na escola?
– Não, – respondeu o jovem.
– Foi o seu pai que pagou pela sua educação?
– Sim, – afirmou.
– Onde é que seu pai trabalha?
– Meu pai faz trabalhos de serralheria.
O diretor, então, pediu que o rapaz lhe mostrasse as mãos. Eram mãos macias e perfeitas.

– Alguma vez você já ajudou seu pai no seu trabalho?
– Nunca, meus pais sempre quiseram que eu estudasse e lesse muitos livros. Além disso, ele pode fazer essas tarefas melhor do que eu.

Então o diretor lhe disse:
– Eu tenho um pedido. Quando chegar a casa, vá e lave as mãos de seu pai, e venha me ver amanhã de manhã.

O jovem sentiu que havia uma chance muito grande de conseguir o emprego. Quando voltou para casa, ele pediu a seu pai que o deixasse lavar suas mãos. O pai achou pedido estranho. Feliz e com sentimentos misturados estendeu as mãos para o filho.

O rapaz passou a lavar as mãos de seu pai lentamente. Foi a primeira vez que ele percebeu que elas estavam enrugadas e tinham muitas cicatrizes. Algumas contusões eram tão doloridas que sua pele se arrepiava quando ele as tocava. Só então ele se deu conta do significado deste par de mãos: trabalhando todos os dias para pagar os seus estudos. As contusões nas mãos de seu pai eram o preço que ele pagou por sua educação, suas atividades escolares e seu futuro.

Depois de limpar as mãos do pai, o jovem, em silêncio, passou a arrumar e a limpar a oficina. Naquela noite, pai e filho conversaram por um longo tempo.

Na manhã seguinte, o rapaz foi encontrar-se com o Diretor. Percebendo as lágrimas nos olhos do moço ele perguntou:
– Você pode me dizer o que você fez e o que você aprendeu em sua casa ontem?

O rapaz respondeu:
– Lavei as mãos de meu pai e também terminei de limpar e organizar sua oficina. Agora eu sei o que é valorizar e reconhecer. Sem meus pais, eu não seria quem eu sou hoje. Por ajudar o meu pai, agora eu percebo o quão difícil e duro é conseguir fazer algo por conta própria. Eu aprendi o que é apreciar, dar importância e o valor de se ajudar a família.

Então o diretor disse:
– Isso é o que eu procuro no meu pessoal. Quero contratar uma pessoa que possa apreciar a ajuda dos outros, uma pessoa que conheça os sofrimentos dos outros para fazer as coisas, e que não coloque o dinheiro como seu único objetivo na vida. Você está contratado.

Uma criança que tenha sido protegida e habitualmente dado a ela tudo o que quer, desenvolve uma mentalidade do “eu tenho direito”, e sempre se coloca em primeiro lugar, ignorando os esforços de seus pais. Se somos esse tipo de pais protetores, estamos realmente demonstrando amor ou estamos destruindo nossos filhos?

Você pode dar ao seu filho uma casa grande, boa comida, as melhores escolas e uma TV de tela grande. Mas quando você está lavando o chão ou pintando uma parede, por favor, que ele também experimente essas coisas. Depois do almoço, que lave os seus pratos com os seus irmãos e irmãs. Não é porque você não tem dinheiro para contratar alguém que possa fazer este trabalho; mas porque deseja amá-lo da maneira correta. Não importa o quão rico você seja, o que quero que entenda é: um dia você vai ter cabelos brancos como a mãe ou o pai deste rapaz.

O mais importante é que a criança aprenda a apreciar o esforço e a ter a experiência da dificuldade, aprendendo a capacidade de trabalhar com os outros para fazer as coisas.

Texto baseado em: vigiai.net/artigos/licao-de-vida

Adaptação e tradução livre – Leonardo Martins

18 de março de 2015

Respeite os mais velhos!

0 Depoimento(s)
Quando criança aprendi com meus pais: “respeite os mais velhos”. Ao longo dos anos a mídia e a sociedade ocidental passaram a enaltecer cada vez mais a juventude. Em 1984 o grupo alemão Alphaville gravou a música Forever Young (para sempre jovem), do álbum de mesmo nome, alcançando grande sucesso nos Estados Unidos e no Brasil. Com uma bela melodia e uma letra forte tornou-se uma espécie de hino à juventude. “Deixem-nos morrer jovens ou deixem-nos viver para sempre”, dizia um dos trechos da música. O refrão era ainda mais direto. “Para sempre jovem / Eu quero ser para sempre jovem / Você realmente quer viver para sempre? / Para sempre ou nunca”.

A música é apenas uma referência ao espírito da época. Aos poucos “velho” passou a significar obsoleto, ultrapassado ou, no mínimo, o que menos se deseja ser. Hoje, chamar alguém de velho é “deselegante”, por isso há tantos codinomes mais palatáveis. Aos poucos as rugas e os cabelos brancos – de grande valor nas comunidades indígenas, por exemplo –, tornaram-se símbolos de vergonha ou enfado.

Onde ficou o ensino de meus pais? Que valores tem uma sociedade que não respeita os mais velhos? Afinal, “Você realmente quer viver para sempre? Para sempre ou nunca?”

Pesquisando sobre o assunto deparei-me com um cartaz que dizia: “Respeitar as pessoas mais velhas é tratar o próprio futuro com respeito”. Mesmo sem conhecer a Bíblia, o ensino de meus pais estava correto. “... Deus não se permite zombar. Portanto, tudo o que o ser humano semear, isso também colherá!” (Gl 6.7b). O texto refere-se a outro assunto, mas se aplica perfeitamente a este caso. “E não nos desfaleçamos de fazer o bem, pois, se não desistirmos, colheremos no tempo certo. Sendo assim, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, principalmente aos da família da fé” (Gl 6.9-10).

Não, eu não quero ser para sempre jovem, e, ainda que quisesse, sei que não poderia. Portanto, vale ainda o velho conselho: Respeite os mais velhos!  Ensinaram-me meus pais e me ensina a Palavra.

1 de fevereiro de 2015

Esaú e Jacó: Coragem ou caráter?

0 Depoimento(s)
Duas histórias em uma: Grávida de gêmeos Rebeca é avisada: "Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor." O que isso queria dizer? Momento importante para entender injustiça deita a Jacó. Não é ele um enganador? É!? Quem disse?

1 - Esaú, o preferido de seu pai, Isaque, não valorizava sua primogenitura. Faminto ele pede um pouco do ensopado que Jacó havia preparado o qual propõe: "Venda-me primeiro o seu direito de filho mais velho". A resposta: "Eis que estou a ponto de morrer; para que me servirá a primogenitura?" Percebeu? Venda e, "para que me servirá?".

2 - Jacó, o preferido de  Rebeca, nasceu agarrado ao calcanhar do irmão, por isso o seu nome (o suplantador). Era também mais caseiro e atento à tradição da família enquanto Esaú era inconsequente: casou-se com Judite e Basemate comprometendo a descendência. "Essas jovens hititas tornaram-se uma grande amargura para Isaque e Rebeca"

3 - Rebeca ouviu a conversa de Isaque com Esaú: Trazer uma caça e fazer um gizado para receber a bênção da descendência. Então, ela disse a Jacó que se antecipasse ao irmão ao que ele retrucou: “Vê: meu irmão Esaú é peludo. E se meu pai me apalpar? Poderá entender que estou tentando enganá-lo, em vez de bênção, atrairei sobre mim maldição."

4 - "Afirmou-lhe sua mãe: 'Que tal maldição recaia sobre mim, meu filho! Tão-somente faze o que te peço: traze os animais para mim!'". Isaque já não enxergava então Rebeca vestiu Jacó com as roupas do irmão, cobriu as mãos e a parte lisa do pescoço com as peles dos cabritos "e, por fim, entregou a Jacó a refeição saborosa e o pão que tinha feito."

5 - Jacó obedeceu, passou-se por Esaú recebendo a bênção de Isaque. Ao descobrir tudo "Esaú gritou com grande amargura 'Abençoa-me de igual modo, meu pai!' e  acrescentou: 'Com razão se chama Jacó: foi a segunda vez que me enganou. Ele tomou(!?) o meu direito de primogenitura e eis que agora tomou (Jacó ou Rebeca?) também minha bênção!'"

6 - Reações: 1) Isaque não repreendeu Jacó pleo que fez; 2) Esaú passou a odiar o irmão e planejou matá-lo; 3) Rebeca ao descobrir o plano avisou a Jacó e 4) Jacó fugiu para casa de seu tio conforme o plano de sua mãe. Lá, casou-se com suas primas dando continuidade a descendência dentro da família. Lembra do desastre de Agar a egípcia?

Conclusão: Esaú era forte e valente, mas também irresponsável, inconsequente e vingativo. Sabendo que as cananitas não eram do agrado de seu o pai "tomou como mulher, além das que já possuía, Maalate, filha de Ismael (o filho de Agar)". Jacó não era forte ou valente, mas era obediente a seus pais e atento aos valores de Deus e da família. Entre a coragem e o caráter parece ser mais fácil tornar alguém corajoso do que mudar a sua índole.

26 de janeiro de 2015

A inveja matou Caim

1 Depoimento(s)
1 - “Onde está teu irmão Abel?” Retrucou Caim: “Não sei; acaso sou eu o protetor do meu irmão?” A pergunta é retórica, a resposta uma fuga. Caim havia acabado de matar seu irmão. Mas por que ele faria tal coisa? Inveja! Como diz o dito popular “a inveja matou Caim”. Inveja do que?

2 - Caim: 1) nome do primeiro filho de Adão e Eva; 2) verbo (entoar uma canção fúnebre). Abel (hebel): 1) nome próprio; 2) sopro, espírito. Abel ofereceu a Deus suas premissas, ou seja, o que era mais importante ou prioritário. Deus aceitou a sua oferta, mas não aceitou a oferta de Caim. Por que não?

3 - Quando o espírito (hebel) é reto as prioridades são claras e as atitudes corretas, portanto são aceitas por Deus. Caim, se irou porque a sua oferta não fora aceita. "Por que te iraste? ...  Se bem fizeres, não é certo que serás aceito?" Além de não agir corretamente, intentou e matou seu irmão. A inveja é assim, mata o espírito nobre.

"e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e o matou." (Gênesis 4,8b)

5 de janeiro de 2015

A tigela de madeira

0 Depoimento(s)
Um frágil e velho homem foi viver com seu filho, a nora e o neto de quatro anos. As mãos do velho tremiam, a vista era embaralhada e o seu passo era hesitante.

A hora da refeição era ainda mais complicada. Por causa das mãos trêmulas, por vezes o garfo ou a comida acabava caindo no chão. Ao pegar seu copo de leite, ele acabava derramando um pouco na toalha da mesa, o que irritava muito o filho e a nora.

“Nós temos que fazer algo com respeito ao papai”, disse o filho. “Já tivemos bastante do seu leite derramado, ouvindo-o comer ruidosamente e de sua comida pelo chão”.

O casal decidiu então colocar uma pequena mesa em um canto da cozinha, onde o velho comia sozinho, enquanto a família desfrutava do jantar no lugar de costume. Desde que o avô tinha quebrado um ou dois pratos, a comida dele passou a ser servida em uma tigela de madeira.

Quando a família olhava de relance na direção do velho, às vezes percebiam nele lágrimas nos olhos por estar só. Ainda assim, as únicas palavras que o casal tinha para ele eram advertências acentuadas por derrubar algo no chão. O menino assistia e prestava atenção a tudo em silêncio.

Certa noite, antes da ceia, o pai notou que a criança estava brincando no chão com sucatas de madeira e perguntou docemente ao menino: “O que você está fazendo?”

De modo inocente ele respondeu: “Eu estou fabricando uma pequena tigela para você e a mamãe comerem sua comida quando eu crescer”, e voltou a trabalhar.

Essas palavras fizeram os pais emudecerem e as lágrimas vieram aos seus rostos. Naquela mesma noite, o pai pegou o avô gentilmente pelas mãos e o levou até a mesa de jantar onde ele passou a comer com a família todos os dias.  A partir daquela data o casal não se importava mais com o garfo ou a comida que caía no chão, nem com o leite derramado sobre a toalha da mesa. (adaptado de autor desconhecido).

O estatuto do idoso completou 11 anos no dia 1º de outubro, no entanto, ele só terá efeito quando for entendido no seio das famílias. Nesse sentido, aliás, nem seria necessário um estatuto.

Eis aí a tua mãe!
Nós, cristãos, temos a Palavra a qual nos ensina muito a respeito deste assunto. “Honra a teu pai e tua mãe”, “Ensina a criança no Caminho em que deve andar”, “cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades”. Todavia, dentre todos, o que eu mais gosto vem do Mestre. “Quando Jesus, contudo, viu sua mãe e junto a ela o discípulo a quem Ele amava, disse à sua mãe: ‘Mulher, eis aí teu filho!’” (Jo 19,26).

Em meio à dor torturante da cruz e antes que tudo fosse consumado (v. 30) Jesus lembrou-se daquela que o carregou no ventre, alimentou e o educou até que se tornasse homem feito. Não, Ele não poderia deixá-la só, então: “Em seguida, disse Jesus ao seu discípulo: ‘Eis aí a tua mãe!’ E daquele momento em diante, o discípulo amado a recebeu como parte de sua família.” (Jo 19,27b)

A melhor notícia de todos os tempos!

0 Depoimento(s)
É Natal! O Filho nasceu trazendo perdão ao mundo. Perdão que trouxe a reconciliação entre o Pai e os homens de boa vontade. É Natal, perdoe! Porque Ele nos perdoou sem levar em conta as nossas faltas, sem olhar o nosso passado ou o tamanho dos nossos erros.

É Natal! Sem o perdão não haveria paz com Deus, por isso Ele é chamado o Príncipe da Paz. É Natal, tenha paz! Porque Ele dá a Paz que excede todo entendimento. Uma paz que só é possível se o perdão for verdadeiro, integral e irrevogável. Perdão autêntico, paz completa.

É Natal! O Rei abandonou a sua glória para ser servo. Nem palácios, nem castelos, nem sacerdócios ou poderes. Nasceu humilde sem encontrar um lugar para ficar. É Natal, seja humilde! Porque Ele se sujeitou ser gerado, alimentado e cuidado por uma família simples.

É Natal! Ele nos amou até o fim, aceitando a morte na Cruz. É Natal, ame! Porque Ele nos amou sem esperar nada em troca. Foi traído, humilhado, esquecido e rejeitado desde o primeiro dia e, ainda assim, não desistiu porque sabia que valeria a pena. “Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito” (Isaías 53,11)

O sentido do Natal está na grandeza deste dia. “E o anjo lhes disse: ... trago novas de grande alegria, que será para todo o povo”. Mas, que notícia maravilhosa é essa? Jesus nasceu!

Que em cada lar haja uma “manjedoura” onde (re)nasça “o Menino”. Que o Natal esteja em cada família reconciliada com Deus pelo perdão e paz, unidas em humildade e amor entre todos para os quais Ele veio. O Menino nos nasceu! Essa é a maior notícia de todos os tempos.

2 de outubro de 2014

A igreja do futuro é velha

2 Depoimento(s)
O Brasil está envelhecendo













Os gráficos mostram aquilo que já vem sendo anunciado nos últimos anos: a população brasileira está envelhecendo. O número de pessoas com mais de 60 anos saltou de 8,6% da população brasileira, em 2000, para 10,8%, em 2010. No outro extremo houve grande queda no número de jovens até 19 anos. No total, houve um acréscimo de  21 milhões de pessoas em 2010.

Comparando este acréscimo nas faixas etárias percebe-se uma redução de 5,3 milhões de pessoas (-21%) entre os jovens de até 19 anos e, ao mesmo tempo, um aumento de 6,1 milhões de pessoas (41,7%) entre os mais idosos.

Estima-se que o grupo com 60 anos ou mais será maior que o grupo de crianças com até 14 anos em 2030 e, em 2055, irá superar o grupo de jovens com até 29 anos. Com o crescimento cada vez menor na base da pirâmide etária, em 2043, pela primeira vez, o número de mortes superarão os de partos em 2%. Esse percentual vai aumentar gradualmente até 2060 quando o número de idosos será três vezes maior do que hoje (em relação a 2013).

A longevidade é um dos fatores influenciadores deste fenômeno mundial. A expectativa de vida do brasileiro que era de 69,8 anos, em 2000, deve chegar a 81,2 anos em 2060 graças aos avanços da medicina e das políticas públicas adotadas pelos governos.

Expectativa de vida ao nascer - 2000/2060



As crianças estão diminuindo
Mas, para o pesquisador Gabriel Borges a longevidade não é o fator mais importante para o envelhecimento dos brasileiros. “O envelhecimento da população acima dos 65 anos tem a ver com a diminuição da fecundidade. Você diminui o número de jovens e tem o aumento relativo dos idosos. Mesmo sem o avanço da expectativa de vida, os idosos aumentariam”. Estudos mostram que as brasileiras hoje têm um terço dos filhos da década de 1940. Mesmo os estados do Norte/Nordeste registram uma forte queda no número de bebês (2,47% e 2,06% em média respectivamente). Esses números tornam-se ainda mais significativos quando considera-se a forte queda da mortalidade infantil nessas regiões. Ou seja, se há uma redução na mortalidade infantil então há de fato uma redução no número de bebês.























Os problemas sociais 
Esse perfil mais maduro do brasileiro representa mudanças na estrutura das cidades. No Amazonas, por exemplo, faltam asilos. Para a vice-presidente da Fundação Dr. Thomas, Ana Lúcia Araújo, “o melhor acolhimento para o idoso ainda é no seio da família”. De modo geral o acesso ao lazer e a saúde são as maiores demandas sociais dos idosos do país.

Os problemas econômicos
A economia é o setor mais afetado por esse desequilíbrio: força produtiva versus aposentados. Segundo Ana Lúcia Saboia “Hoje em dia a população de idosos que recebe benefícios é muito expressiva, grande parte recebe contribuições de transferência de renda. Os trabalhadores (que irão se aposentar no futuro e em tem carteira assinada) têm mais garantias. O sistema previdenciário tem que estar atento ao envelhecimento”.

Enquanto o número de aposentados vem crescendo a população ativa vem caindo. Ora, grande parte dos  recurso que pagam as aposentadorias (um direito) vem da força de trabalho dos mais jovens (em queda) e, como se diz na economia, a conta não fecha. É por isso que a partir de 1998 os governos vem alterando as regras para o recebimento integral do benefício. A contribuição dos aposentados para INSS e o valor proporcional (e não integral) do salário foram tentativas de equacionar o problema. Outra medida adotada foi a criação do Fator Previdenciário (FP) apelidado de fórmula 95/85. Para ter direito à aposentadoria integral o trabalhador precisa somar o tempo de contribuição com a idade (95 para os homens e 85 para as mulheres). Entretanto considerando-se a realidade atual, já se fala em 47 anos de contribuição para os homens e 42 para as mulheres.

A questão econômica é tão séria que hoje existem vários processos de desaposentadoria, o que, em linhas gerais, vem a ser o retorno do aposentado ao trabalho a fim de completar os anos necessários para aposentadoria integral.

A questão do Estatuto
Cumprindo seu papel legislativo o Estado aprovou o Estatuto do Idoso em 2003 (Lei 10.741/03) e a partir dele, estados e prefeituras vêm criando normas, procedimentos e adequações que visam atender a pessoa com mais de 60 anos.

Os problemas do Estatuto
Duas críticas são frequentes ao Estatuto. A primeira: pequeno avanço desde 2003. Políticas públicas não implementadas, direitos não respeitados e a assistência do Estado pouco presente. A segunda: A idade da pessoa idosa. Alguns analistas entendem que 60 anos, conforme os padrões da ONU, não é a idade mais adequada para se considerar uma pessoa idosa e sugerem a mudança para 65 anos.

Onde vivem os idosos
O estado de São Paulo comporta o maior número de idoso do país (5,4 milhões) e o Rio de Janeiro é a unidade da federação em que o grupo da terceira idade é mais expressivo em relação à população total (15%). Na lista dos dez bairros do Brasil com maior proporção de idosos, a capital fluminense possui nove segundo Censo 2010 do IBGE.

O problema da mobilidade urbana
A mobilidade urbana é um problema comum às grandes cidades e nos municípios com grande concentração de pessoas com mais de 60 anos o desafio torna-se ainda maior.

O acesso à informação
Outro desafio às prefeituras destes lugares é o acesso à informação. Muitos serviços não são usados pelo desconhecimento por parte dos usuários.  Num Brasil que envelhece cada vez mais, a sociedade precisa participar da discussão de como tratar os idosos dos país suas demandas e seus direito porque essa é uma questão posta inexoravelmente a cada brasileiro mais cedo ou mais tarde.

A falta de preparo para velhice
Após uma longa pesquisa, Paul Tournier afirma em sua obra, É Preciso Saber Envelhecer, que a falta de preparo é a principal causa da baixa qualidade de vida na aposentadoria e na velhice. Para o autor é preciso planejar a aposentadoria entre os 40 e 50 anos porque, em geral, a aposentadoria apresenta-se como um momento muito angustiante para homens e mulheres.

“É terrível ... estou aposentado há três meses! Nunca pensei que fosse tão duro.”, confessa um velho amigo de Paul. No segundo encontro, ele torna a perguntar: “E então, como vão as coisas?”  “Muito bem! O banco que eu trabalhava precisa organizar um trabalhinho de classificação, então me pediram para ir algumas horas por dia. É uma grande sorte”, responde o amigo. Conclui então o autor “... esse homem, capaz de encontrar tão facilmente novo impulso para um trabalho que, há pouco, deixaria para outro mais jovem ... contentava-se com uma modesta possibilidade de brilho; pouca coisa bastava para transfigurá-lo”.

Essa também é uma realidade no Brasil. Impulsionados pela necessidade de completar a renda ou de refrear a angústia da aposentadoria muitos voltam a mercado de trabalho e, na maioria dos casos, exercendo funções tidas como menores por eles a pouco tempo. Em fevereiro deste ano A Folha de São Paulo destacou: “Emprego para mais velhos é o que mais cresce no país”. Na mesma época o portal da União Geral dos Trabalhadores (UGT) publicou matéria sob o título “A contratação de idosos é dez vezes maior que de jovens.”

Em seu livro, Tournier também aborda a questão da aposentadoria da mulher. Numa entrevista, a esposa de Leon Zitrone declara-se feliz no seu papel de ajudar o marido famoso. “Quando está em casa é absorvente. Sempre precisa de uma coisa.” E logo a seguir, confessa: “Levamos uma vida muito dinâmica; se meu marido morresse, eu afundaria por completo.”

A perda de sentido da vida após a viuvez não privilégio de mulheres bem-sucedidas como ela. “Muitas mulheres sacrificam de bom grado sua vida pessoal, para satisfazer os caprichos do marido ... E subitamente, após a viuvez, a mulher se vê em meio a um deserto.” Esta é a realidade de grande número de viúvas (e viúvos) no Brasil.

Um destaque necessário: Paul Tournier começa pelo tema aposentadoria porque, em suas próprias palavras: “Se aposentadoria anuncia a velhice, esta anuncia a morte”, razão pela qual o último capítulo do livro trata da questão da fé.

A visão da igreja
Para Tournier há um ponto comum entre estes dois termos: “o indivíduo que busca o sentido da vida, ou o ancião que busca o sentido da velhice, no fundo questiona o sentido da morte ... no entanto o sentido da morte é um problema religioso por excelência.” O papel da igreja é fundamental neste contexto. “Se minha vida tem um sentido, se posso vivê-la olhando para frente e não para trás ... é porque ela caminha para além da morte”, afirma serenamente o autor. Tema imperativo, mas que exige enfoque diferente, naturalmente. “É preciso reconhecer que todas as nossas igrejas cristãs exploraram por séculos, e de forma abusiva, o medo natural dos homens diante da morte, para assegurar domínio sobre eles.”

A visão romântica do idoso
A obra de Tournier, feita sobre encomenda nos idos dos anos 70 e no contexto europeu, se apresenta bastante atual quanto a visão romântica sobre a pessoa idosa. “Manter falatórios joviais com um ancião, cuidando-nos para não nos referimos ao tema da morte, pode converter-nos em cúmplices desse artifício ingênuo, que deixará o velho sozinho à mercê de sua angústia”. Por vezes a igreja se deixa levar pelos modismos da sociedade e, de forma ingênua, adota termos como “melhor idade”, “boa idade”, entre outros. No fundo tais recursos, constituem, em certa medida, uma fuga dos temas que angustiam a pessoa idosa (termo politicamente correto para velho. Será?)

A visão decaída do velho
No prefácio do livro, o psiquiatra Joel Tibúrcio de Sousa - membro do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos destaca que “Os tempos são outros. Envelhecer hoje não é como envelhecer nos dias de Paul Tournier.”, referindo-se ao grande valor da obra apesar da diferença no contexto em que ela foi escrita, há 4 décadas. “Daí a provável estranheza de alguns exemplos do autor”, conclui.

Se por um lado a sociedade (e a igreja) ainda mantém uma visão romântica a respeito dessa fase da vida intitulada de melhor, maior, boa idade etc., por outro, a ideia de uma velhinha sentada numa cadeira de balanço fazendo crochê está longe de ser 100% verdadeira. Em 2103, nos EUA, a participação de usuários acima de 65 anos no Facebook cresceu 10%. No Brasil O Globo publicou matéria semelhante: “Idosos internautas compõem grupo que mais cresce nas redes. Presença nas redes é alternativa para fugir do isolamento do mundo real”. Assim como os avanços da medicina, a tecnologia e as ferramentas de interatividade tem ajudado o idoso a “fugir do isolamento”.

A chamada terceira idade não é tanto nem tão pouco como são mostrados na maioria dos casos. Há que se buscar um equilíbrio ou realismo, eu diria. Envelhecer é uma arte que pode ser aprendida e “É Preciso Saber Envelhecer é um livro urgente para ainda jovem igreja brasileira.” Numa combinação entre “conhecimento bíblico e psicologia, Paul Tournier aborda importantes questões, como tédio, solidão, saúde, aposentadoria, aceitação e morte. Um livro tão importante como este deveria ser lido por aqueles que estão na casa dos vinte, e para aqueles que estão chegando aos quarenta deveria ser leitura obrigatória”, cometa a revista cristã The Christian Century

Prólogo
Neste artigo busquei sintetizar e ao mesmo tempo extrair o máximo do material pesquisado visando alcançar três objetivos: 1) Informar: Organizando da forma mais clara possível as informações sobre o perfil dos brasileiros nos próximos anos (alguns dados nos surpreenderam); 2) Refletir: Oferecendo elementos a uma reflexão mais fundamentada na realidade do idoso e sua vida no seio da igreja; 3) Agir: Aguçando nos leitores o desejo de avaliar com maior profundidade o que foi aqui exposto no sentido de encontrar as resposta para realidade de cada igreja. (todas as referências usadas estão no rodapé).

Por exemplo, informar. A partir dos números e gráficos um líder do Rio de Janeiro pode planejar o espaço do tempo oferecendo acesso e cuidados aos idosos porque sabe que o crescimento da terceira idade na capital fluminense tende a ser maior do que média nacional. Noutra cidade, consciente desse movimento migratórios dos aposentados, o líder dedicará maior atenção a questão da lidrança da igreja.

Com base na leitura do livro de Tournier e os recentes contatos com grupos afins de algumas igrejas (poucas, confesso) a sensação é de que a igreja está menos contextualizada a respeito da situação do idoso do que a sociedade civil. O recente Estatuo e as políticas públicas adotadas em poucas cidades de forma ainda modesta constituem avanços maiores do que os movimentos das igrejas sob o mesmo tema. A economia, em particular, já entendeu o potencial produtivo do idoso enquanto a igreja parece não ter percebido a fortes mudanças no seu rol de membros em 2030, 2043 e 2060, por exemplo. Com isso não quero ressaltar o aspecto econômico em si mesmo ou o número de membros friamente. O destaque econômico é quanto às angústias e dissabores financeiros que levam os idosos a abandonarem as merecidas férias (a aposentadoria) e voltar ao trabalho sendo explorados ou não. Quanto ao número de membros refiro-me ao maior cuidado necessário ao crescente número de idosos das/nas igrejas.

A igreja do futuro é velha
Esses dados devem servir de alerta porquanto a igreja reflete a sociedade (neste caso). Olhando a evolução das últimas décadas é possível prever com grande margem de certeza os próximos quarenta anos. Não serão as crianças a igreja do futuro, mas os longevos. A igreja do futuro será uma igreja velha composta de pessoas com conflitos, limitações e capacidades próprias à sua idade. A igreja precisa ficar atenta e agir o quanto antes.

Referências
Gráficos
Pirâmide etária (IBGE)
Nascimentos e óbitos (IBGE)

Notícias
Brasileira tem um terço dos filhos da década de 1940 (R7)
Número de nascimentos no Brasil cai 10% em 8 anos (VEJA)
Segundo IBGE mortalidade vai ultrapassar nascimento em alguns anos no Brasil (EPOCH TIMES)
Idosos são grupo que mais cresce no facebook (Estadão)
Idosos internautas compõem grupo que mais cresce nas redes (O Globo)
Brasil vai se tornar um país de idosos já em 2030, diz IBGE (Terra)
Cresce o número de idosos e faltam asilos no Amazonas (Diário do Amazonas)
Dados do IBGE apontam redução da natalidade no Amazonas (Diário do Amazonas)
Proporção de idosos no Brasil deve ser três vezes maior em 2060, diz IBGE (UOL)
Rio de Janeiro é capital brasileira com mais idosos (R7)
Rio tem 9 dos 10 bairros com mais idosos do Brasil, diz Censo 2010 do IBGE (R7)
Em 2040, população idosa vai superar número de jovens (R7)
Tempo de contribuição para aposentadoria pode aumentar (VEJA)
Fórmula 95/85 (A Tribuna)
Acolhimento e Envelhecimento (Área temática-Saúde do Idoso: SP - Texto em PDF)
Número de idosos dobrou nos últimos 20 anos no Brasil, aponta IBGE (UOL)
Emprego para mais velhos é o que mais cresce no país (Folha de São Paulo)
Contratação de idosos é dez vezes maior que de jovens (União Geral dos Trabalhadores - UGT)

Livro
É Preciso Saber Envelhecer (Paul Tournier)
Ano: 2014
Editora: Ultimato
ISBN: 978-85-7779-110-1
Páginas: 280
Assunto: Aconselhamento, Liderança, Vida Cristã


19 de agosto de 2014

Ninguém ficará só

0 Depoimento(s)
“Porque, assim como o corpo é uma só unidade e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, ainda que muitos, formam um só corpo, assim também acontece com relação a Cristo.” (1 Co 12,13). Às vezes as vicissitudes da vida nos surpreendem. Fazemos tudo certo, mas aquilo que era óbvio nos assalta de modo surpreendente. Olhando friamente, o fato era esperado desde o início, ainda assim apagamos da nossa mente o que é inexorável, a solidão.

Viúva, aquela mãe de três meninos se vê, hoje, sozinha na sonhada casa própria. Mas a Palavra de Deus nos confronta: “o corpo é uma só unidade”, por isso o termo família de Deus nos cai muito bem. O desafio, no entanto, é ainda maior, porque “ainda que muitos” somos “todos os membros do corpo”. E que desafio! Uma família com tantos membros não encontra nenhuma justificativa para que alguém viva isolado, pelo contrário.

Mas não fossem estes motivos bastantes a Palavra nos exorta: “assim também acontece com relação a Cristo”. Cristo é a razão maior da unidade que temos uns com os outros; por Ele “também somos herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo” (Rm 8,17); nele somos justificados; e, “todas as coisas são dele, por ele e para ele.” (Rm 11,36).

Portanto na família de Cristo, a qual chamamos de igreja, ninguém está ou ficará só. “Pois todos fomos batizados por um só Espírito para ser um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres [quer viúvas, quer órfãos]*
; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito.” (1 Co 12,13)

* inserção nossa baseada em Tiago 1,27

23 de novembro de 2013

O perdão liberta

0 Depoimento(s)
O perdão é uma escolha individual, ninguém pode decidir perdoar ou não pelo outro

Na frase “a vida é feita de escolhas” estão embutidas duas ideias: liberdade e ‘destino’. Liberdade pelas escolhas que fazemos e ‘destino’ como consequências destas escolhas. De certo modo pode-se dizer que cada um de nós tem toda liberdade de escolher quais caminhos tomar. E, ao mesmo tempo, cada um destes caminhos nos levam a destinos diferentes.

Um parêntese: isso não é verdade sempre. As escolhas dos pais trarão consequências para os filhos, escolher beber e dirigir pode trazer consequência para os outros e assim por diante. Portanto: 1) Nem sempre o que nos acontece depende exclusivamente de nós; 2) Destino aqui tem o sentido de consequência.

De modo geral, naquilo que nos é restrito, somos afetados por nossas escolhas, mesmo quando elas também afetam a outras pessoas. Neste sentido, podemos dizer nós definimos o modo como iremos viver o nosso destino. Quantas vezes buscamos viver da melhor maneira, mas não nos damos conta que algumas escolhas que fazemos nos levam a viver de outra. Às vezes se quer percebemos que o único responsável  pela não realização dos nossos sonhos somos nós mesmos. Isto é, não os realizamos por causa das escolhas erradas que fazemos.

O perdão é uma dessas escolhas que podemos ou não fazer. Perdoar é uma escolha do tipo pessoal e intransferível. Pode-se teorizar, racionalizar e sublimar ao máximo sobre o assunto, mas sempre será algo pessoal, será sempre uma decisão ‘foro íntimo’. Certamente não se trata algo fácil, até porque quanto maior a ofensa mais difícil é perdoar. Certas situações de a vida, o perdão parece ser algo impossível.

Contudo, é de menor importância saber se a ofensa é grande ou pequena ou, se a situação é fácil  ou difícil. Seja qual for o caso uma coisa é certa, essa decisão (perdoar/não perdoar) trará consequências para a vida da pessoa para o bem ou para o mal. E mais do que isso, o ofendido será sempre o principal receptor da decisão que ele vier a tomar. A história de José é um bom exemplo disso.

“Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos pese aos vossos olhos por me haverdes vendido para cá; ... Porque já houve dois anos de fome no meio da terra, e ainda restam cinco anos em que não haverá lavoura nem sega. Pelo que Deus me enviou adiante de vós, para conservar vossa sucessão na terra, ... Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, ...” (Gn 45,5-8)

Encontramos na história de José momentos de superação das várias injustiças sofridas. José superou a dor de ter sido vendido como escravo pelos próprios irmãos. Preferido de seu pai, Jacó, era invejado por seus irmãos e por isso eles pretendiam matá-lo e acabaram por vendê-lo. Por pouco Jacó não morreu de tristeza ao saber da morte - mentira contada pelos irmãos - de seu filho preferido. José também não levou em conta a mentira da mulher de Potifar, oficial de Faraó. Por causa da mentira dela, José foi levado à prisão injustamente. Na prisão José fez vários amigos, entre eles o copeiro-mor. Porém, este não cumpriu a promessa feita a seu amigo e José foi esquecido na prisão por mais dois anos.

Essas coisas: injustiça, abandono e desprezo, acabaram por moldar o seu caráter. Ao tornar-se o segundo homem mais poderoso do Egito, abaixo apenas do Faraó, José não se vigou de nenhum deles.

Dizem que uma das maiores dores sofridas por uma pessoa são aquelas ocorridas no seio da família. Ler a história de José é emocionante justamente porque ainda que seus irmãos não merecessem José decidiu lhes perdoar. Ora, ele se tornara poderoso e, de certo modo, estava sendo recompensado por manter sua integridade em meio as situações da vida. José não precisava “provar nada pra ninguém”, como se diz. Mas ele foi além, decidiu ser livre, decidiu pelo perdão.

Sentimentos como rancores e mágoas nos aprisionam e por mais que queiramos nos livrar deles, não é tão simples assim. Por outro lado, essa é (sempre será) uma decisão pessoal. Podemos escolher viver como escravos das amarguras, das tristezas e da sede de vingança (ou justiça), ou podemos ser livres para viver uma vida mais leve e mais feliz. Essa foi a decisão de José. Ele possuía muito mais do que poderia sonhar: família, poder, prestígio, e riqueza. Embora não vivesse mais no cárcere, ele poderia ter decido viver escravo de seus ressentimentos. José preferiu a liberdade.

A história de José nos ensina que o perdão é possível e libertador. Liberta o homem, em primeiro lugar, de si mesmo. Se há perdão então não há espaço para dores, mágoas ressentimentos e lembranças ruins. Se há perdão há espaço para conforta o sofrimento de causo a ofensa. “Agora, pois, não vos entristeçais”.

Nesta história a parte mais emocionante é aquela em que José surpreende a todos e sem o menor vergonha chora com seus irmãos. “E lançou-se ao pescoço de Benjamim seu irmão, e chorou; ... E beijou a todos os seus irmãos, e chorou sobre eles; ...” (Gn 45,14-15)


Podemos decidir estudar/não estudar, fumar/não fumar; casar/não casar; etc. Quaisquer que sejam nossas escolhas elas nos trarão consequências. De todos os desejos da vida ser feliz é o mais frequente deles, todavia raramente pensamos na felicidade como consequência de nossas escolhas. Se queremos ser felizes precisamos fazer as escolhas certas. Na história de José, todas as suas conquistas não lhe trouxeram a felicidade: viver em paz com sei e seus irmãos. Ele só a encontrou quando tomou uma decisão difícil e pessoal, perdoar. Nem sua esposa, seus filhos o seus irmãos poderiam tomar essa decisão por ele. Essa atitude dependia José e só de José.

Conclusão: 1) Perdoar é muito difícil, mas não é impossível; 2) Perdoar/não perdoar é uma decisão pessoal; 3) As consequências da decisão a ser tomada afetarão, em primeiro lugar, a própria pessoa.

Que o Senhor nos ajude a fazermos as melhores escolhas porque delas dependem, em grande parte, o modo viveremos.

9 de abril de 2013

Fazendo "oiação"

4 Depoimento(s)
Todas as manhãs são parecidas. Levanto, acordo minha filha, preparo a mamadeira e vou orar. Vez por outra ela interrompe. – Papai o que você tá fazendo? Com carinho: –  Xii, fique quietinha! papai tá fazendo oração.

Novo dia tudo igual e ela pergunta: – Papai você tá fazendo oiação? – Tô sim, espera o papai terminar.

Hoje deixei-a na cama com a mamadeira e disse: – Espera aqui, papai vai fazer oração. Na volta ela iniciou a conversa. – Papai você fez oiação? Perguntou porque não me viu orar na sala, como de costume. – Fiz sim, respondi, e você já fez oração? – Ainda não!

Fiquei surpreso com a resposta e a atitude que tomou. Sem pestanejar desceu da cama dizendo. – Peia aí, vou fazer oiação. Dirigindo ao sofá da sala ajoelhou-se, ainda que seus joelhinhos não alcancem o chão, e ficou quietinha de cabeça baixa por alguns momentos.

Logo que levantou perguntei. – Você fez oração filha? – Fiz, papai, eu fiz oiação.

Existe uma fase na vida da criança que ela imita tudo o que os pais fazem, mesmo sem saber o porquê fazem. Duas coisas são verdades sobre esta afirmativa.

1 – Ao longo da vida a criança vai criar sua própria personalidade e fazer suas próprias escolhas. Isto é, nem sempre vão imitar seus pais.
2 – As lembranças desta primeira infância ficarão gravadas na memória da criança para sempre. Isto é, qualquer que seja o caminho que venha a seguir, estas lembranças serão sempre “despertadas” por uma ou outra razão.

Portanto, se não há garantias de que os valores dos pais serão os mesmos dos filhos, quando estes crescerem, por outro lado, estes valores nunca serão apagados das suas memórias. A questão é saber quais valores temos “imprimido” nas mentes de nossas crianças.

30 de março de 2013

Um estranho jantar

2 Depoimento(s)
Havia um estranho silêncio naquela noite de primavera. Aquele parecia ser mais um encontro deles com seu grande amigo, assim como tantos outros, mas algo diferente pairava no ar. Que noite estranha aquela! O que a fazia diferentes de todas as outras? Seria a tradicional festa que se avizinhava? Seria alguma nova revelação? O amigo tinha um olhar distante e melancólico. Por quê? Será que algo o afligia? O que seria? De repente um deles sai às pressas com um semblante ainda mais estranho.

Então bem no meio do jantar Ele fez algo diferente e tudo começava a se revelar. Tomando o pão em suas mãos deu graças e disse as mais estranhas palavras já ditas até então: “Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim.” O que elas significavam? Olhavam-se atônitos sem que houvesse em nenhum deles coragem bastante para perguntar-lhe. Seu olhar era de profunda tristeza. Ficou a dúvida e o silêncio sepulcral.

Uma vez mais ele quebrou o protocolo. Tomando o cálice com vinho deu graças outra vez e disse: “Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós.” Essas palavras lhes calaram ainda mais fundo. O medo começava a tomar conta dos seus corações. Homens experimentados nos vários momentos vividos com Ele, o Mestre.  Entreolhando-se perceberam que aquela noite, aquele jantar tinha algo de muito estranho, mesmo para eles.

Afinal, qual o sentido destas coisas?

Num terceiro ato o Mestre os surpreendeu mais uma vez. Tomou uma toalha e uma bacia e pôs-se a lavar-lhes os pés. Na verdade constrangeu-os a que lhes lavasse. Definitivamente o Mestre estava mais estranho e misterioso naquela noite e nada parecia fazer sentido.

O que sucedeu em seguida foi só suor, lágrimas, sangue e dor. Muita dor. Aquela noite, aquele jantar era uma despedida. Não o veriam novamente, pensavam consigo. O Mestre estava morto e tudo estava acabado. Esse era o sentimento dos que o conheciam e o amavam. Estavam literalmente quebrados, sem esperança ou orientação. “vou pescar”.

Certamente aqueles dias foram difíceis, dias de grande reflexão, dias de lágrimas. Tudo o que viram, ouviram e fizeram juntos; alegrias, tristezas e desavenças e tudo tão intenso não mais havia. Não o tinham mais por perto e nada mais fazia sentido. “vou pescar”.

Fico pensando no pesar daqueles homens com a perda de alguém tão especial como Jesus. Aquela noite nunca mais sairia das suas mentes. A noite em que se despediam de seu grande amigo sem saber.

Naquele caso uma grande alegria ainda os aguardava, Ele ressuscitaria. Mas na nossa vida nem sempre é assim. Um dia, uma noite, um momento, pode ser o último. Tantas palavras ditas, que não deveriam, outras não ditas, que deveriam. Tanta “força”, tanta necessidade de vencer, de chegar primeiro, de superar a si, de superar o outro. Isso tudo para quê? E se for essa a última vez? Se for o último encontro? Será que vale a pena? Talvez não haja outra chance de retornar, de pedir perdão, de despedir-se. Talvez as lembranças fiquem na memória para sempre daquele momento que não voltará nunca mais.

“Como as crianças hierosolimitanas contemporâneas de Jesus, preciso ser vulnerável. Abraçar minha fraqueza, finitude e fugacidade. Insignificar-me. Substituir autonomia por liberdade em uma temporária, e depois voluntária (mas sempre saudável e amorosa), dependência do Pai, que me alimenta, protege, cuida, ensina e acarinha.”*

* https://prazerdapalavra.com.br/criancas/3410--ser-como-uma-crianca-dercinei-figueiredo-.html
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...