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14 de março de 2017

O caráter cristão em tempos de crise

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Vale a pena começar citando a sutil diferença entre os termos passivo e pacífico. Passivo é alguém alienado, pacífico é alguém não-violento. Mahatma Gandhi, Luther King, entre outros, jamais foram alheios aos problemas e as mazelas da sociedade do seu tempo (passivos). Tão pouco Jesus o foi. Todavia, nunca foram violentos (pacíficos).

Sobre caráter, alguém disse certa vez: “Existem três situações em que uma pessoa revela quem realmente ela é. Quando tem muito dinheiro e muito poder: porque não precisa prestar contas a ninguém do que faz ou pensa; quando não tem nada: porque aí se descobre se é ela realmente capaz de dividir o seu ‘nada’ com quem está em uma situação ainda pior; e quando está em um lugar onde ninguém a conhece: porque pode assumir a identidade que quiser e fazer o que bem entender sem nenhuma tipo de censura”: Três contextos onde o verdadeiro caráter de uma pessoa é revelado.

O Brasil passa por um momento muito difícil na sua história. Maior do que a crise política, econômica ou institucional brasileira é a crise moral. A igreja de Cristo já foi reduto de uma moral e de uma ética muito superiores aos modelos propostos pelas sociedades ou instituições, mas lamentavelmente ela também tem sido afetada pelas mesmas imoralidades e falta de ética presentes na contemporaneidade. Hoje, a cristandade não influencia mais a sociedade, mas é influenciada por ela por seus valores e contra valores. Onde a igreja se perdeu? Vários fatores contribuíram para tão grande desvio de conduta, mas certamente a falta de profundidade bíblica ocupa lugar de destaque na perda do caráter cristão. Vale observar que a crise da igreja brasileira não algo novo na história do cristianismo.

A “Europa” do fim do século XV e início do século XVI também tinha na Igreja-Estado seu reduto de moral e ética cristã. No entanto, seus valores estavam completamente deteriorados e absolutamente distantes do caráter de Cristo. Guerras, miséria, fome, grandes distorções sociais e um Estado autoritário apoiado pela igreja, colocavam em xeque o caráter cristão daqueles que falavam em nome de Deus e de um modo nunca visto antes na história. A exploração da fé foi a resposta encontrada pelo clero para manter seus privilégios. Construir a basílica de São Pedro foi a saída encontrada para superar a própria crise moral. O preço? Um sacrifício ainda maior de um povo sofrido e atemorizado pela religião que o emaçava com o inferno e o purgatório.

A Reforma Protestante foi uma reação quase “natural” a este estado de coisas. Para os reformadores a autoridade sobre a vida cristã não residia nos sacerdotes ou na tradição da igreja: “fundada por Pedro, sucessor de Jesus Cristo”. Para eles a autoridade cristã vinha da Bíblia (a Escritura). Foi neste contexto que nasceu a expressão de Sola Scriptura (só a Escritura). Para Lutero e os reformadores a Bíblia era o único parâmetro norteador do caráter e comportamento cristão porque, como afirmava: “os papas também erram”. Absolutamente convicto de seu postulado, ele só reconhecia dois modos de ser convencido acerca da fé e do caráter cristão: a razão ou a Escritura. No contexto Reforma, o comportamento que não fosse fundamentado na Bíblia não poderia ser considerado um comportamento cristão. Essa é a herança da chamada igreja evangélica que chegou até o Brasil.

Em meados dos anos de 1960 e 1970 os valores dos evangélicos brasileiros eram claramente reconhecidos. Essa minoria de cristãos era hostilizada, discriminada e até perseguida, no entanto seu caráter e sua postura ética eram inegáveis. Meio século depois o Brasil está totalmente diferente e, infelizmente, os chamados crentes também. Hoje, a Escritura não é mais o padrão de comportamento a ser seguido. Cristo, o fundador da igreja, não é mais o modelo a ser imitado. Suas palavras já não exercem autoridade sobre a vida dos crentes. Hoje, a igreja evangélica atende aos anseios de uma sociedade egoísta e hedonista. Neste sentido, ela tornou-se uma igreja de varejo onde cada grupo escolhe o que melhor lhe agrada. A proposta da Reforma não encontra eco no coração do crente contemporâneo e os valores distam, e muito, do ideal de seu fundador, o Cristo. Segundo a Escritura o cristão deveria manter-se integro é qualquer situação. Seja na maior riqueza, seja na mais absoluta pobreza, seja em algum lugar anônimo: como a Internet, por exemplo.

No atual contexto de violência, miséria e desigualdades vividos no Brasil, o comportamento cristão tem oscilado entre dois extremos: passividade ou violência. Mas Jesus, o Cristo, jamais foi violento, jamais promoveu a morte, jamais foi injusto, jamais usou seu poder em benefício próprio. Jesus, o Cristo, sempre fez aos outros aquilo gostaria que a ele fizessem, mesmo quando recebeu a injustiça e a calúnia como prêmio. Nascido no legalismo do “olho por olho e dente por dente”, Jesus, o Cristo, tornou-se um subversivo ao judaísmo que aprendeu na infância. Mais do que ensinar ele viveu situações como: “ofereça a outra face”, “bendiga os que lhe amaldiçoam”, “pague o mal com bem” etc. Foi principalmente sua vida exemplar que “contaminou” milhares de pessoas ao longo da história.

Mahatma Gandhi, um reconhecido pacifista hindu, tinha dois livros de cabeceira. A Canção Celestial (escritura hindu) e o “Sermão da Montanha” (Mateus 5-7). Certamente foi à luz do segundo que Gandhi desenvolver o conceito de luta pelo “princípio da não violência”. Os valores morais de justiça e liberdade aprendidos na Bíblia impulsionaram Martin Luther King Jr. a lutar por igualdade em seu país. Suas ações eficazes levaram a mudar a Constituição garantido os direitos civis para os negros estadunidenses. Nunca pelo ódio, nunca de modo violento a exemplo de seus antecessores, Gandhi e Jesus. Pacífico, mas não passivo. Madre Teresa de Calcutá doou toda sua vida em favor dos leprosos abandonados da Índia a partir dos ensinos de Jesus segundo Mateus 25 (o juízo do Filho do homem). À frase inquisidora de um homem muito rico: “eu não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares”, encontrou a inquietante resposta da Madre Tereza: “Eu também não. Só por amor se pode dar banho em um leproso”.  Esse tipo de motivação deveria calar fundo no coração do cristão autêntico. Esses são alguns exemplos de pessoas que jamais se conformaram a um mundo injusto é cruel sem, contudo, abandonar os princípios bíblicos em suas ações.

Certamente esses são tempos difíceis para igreja de Cristo. Tempo de grande apostasia e muito engano religioso. Tempos de muito ódio, egoísmo, indiferença, ausência de misericórdia e muita, muita hipocrisia religiosa. Na parábola do juiz injusto, que apesar de não temer a Deus atendeu o clamor da viúva, Jesus faz duas perguntas inquietantes: “Atentai à resposta do juiz da injustiça! Porventura Deus não fará plena justiça aos seus escolhidos, que a Ele clamam de dia e de noite, ainda que lhes pareça demorado em atendê-los? ... No entanto, quando o Filho do homem vier, encontrará fé em alguma parte da terra?” (Lc 18.1ss). Será que o cristão deste tempo ainda crê na plena justiça de Deus? Será que quando o Filho voltar ainda encontrará quem creia nele?

A crise moral brasileira se agrava mais a cada dia. Por um lado ela há de forjar, mais uma vez, cristãos tenazes cuja justiça é igual a de seu mestre, Jesus, o qual preferiu morrer a matar. Há de criar resiliência nessa gente que não abre mão do Evangelho legítimo. Por outro lado, essa mesma crise também há de revelar àqueles “cristãos” que em nada se diferenciam dos não-cristãos – quantas vezes mais justos e éticos que os chamados filhos da luz. Um tipo de gente que se veste como cristão, fala como cristão, cultua como cristão, mas não é cristão, porque, na verdade, nunca foi cristão de fato.

O caráter cristão precisa pautar-se na Bíblia, abandoando as paixões e juízos radicais, precisa voltar-se para justiça com misericórdia, para ação sem violência, para indignação sem ódio. Sobretudo precisa pauta-se no equilíbrio e no discernimento espiritual e não por essa ou aquela ideia de justiça (ou vingança?) imposta por uma sociedade corrupta e sem esperança. Em tempos de crise tanto maior torna-se a importância da Escritura na vida do crente. O caráter cristão em tempos de crise precisa manter-se firmado sobre a rocha e a rocha é a segurança que há nas palavras de Jesus traz.

1 de março de 2017

Uma andorinha só não faz verão - Aristóteles

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Assim como quem olha uma a andorinha migrando não imagina que o verão está chegando, um único ato de virtude não representa uma pessoa virtuosa. É na prática da vida, tanto mais nas situações difíceis, que se revela o caráter do indivíduo.

A virtude é um valor inerente a qualquer sociedade. E ela, a sociedade, exerce grande poder de influência sobre o indivíduo porque o homem, por uma questão primária de sobrevivência, necessita pertencer a um grupo. Emile Durkheim chama este poder de influência de Fatos Sociais.

Se por um lado, "o fato social, segundo Durkheim, consiste em maneiras de agir, de pensar e de sentir que exercem determinada força sobre os indivíduos, obrigando-os a se adaptar às regras da sociedade onde vivem", por outro, "nem tudo o que uma pessoa faz pode ser considerado um fato social, pois, para ser identificado como tal, tem de atender a três características: coercitividade, exterioridade e generalidade." Em outras palavras, nem todas as ações humanas são frutos do poder da sociedade, portanto, é possível uma pessoa agir, pensar e sentir diferente do grupo. – Não é fácil. É neste momento de "escape", nesse ineditismo da autenticidade humana, que se torna possível forjar a mais verdadeira individualidade.

A sociedade, tanto mais entre os mais jovens, parece viver a pungente necessidade de ser diferente. Mas diferente de quê? Diferente de quem? Diferente da maioria, diriam. No entanto, isso significa tornar-se igual a outros "diferentes", seguindo seus padrões de maneira coercitiva, ainda que não se perceba. A aparente diferença é uma igualdade a um grupo menor (talvez) constituindo pouco ou quase nada de inédito ou de individual próprio da pessoa. É sair de uma caixa para entrar em outra. – "Não existe nada de novo debaixo do sol."

Na sociedade de Jesus os valores são diferentes. Os discípulos, aqueles que nela ingressam, são assim reconhecidos quando possuem a maior de todas as virtudes: o amor. Permanecer “nas minhas palavras” é a regra, o objetivo maior é glorificar ao Pai. O agir, o pensar e o sentir de cada um devem ser capazes de influenciar a sociedade. Para estes, a vida só faz sentido porque o seu grupo social não pertence a este mundo como também não pertence o de Jesus. Sob estas perspectivas, valores e virtudes é que se põem os chamados discípulos de Cristo. Portanto, também no reino de Deus “uma andorinha só não faz verão”. É preciso viver o Evangelho todos os dias.

Nota:
Coercitividade – característica relacionada com o poder, ou a força, com a qual os padrões culturais de uma sociedade se impõem aos indivíduos que a integram, obrigando esses indivíduos a cumpri-los.
Exterioridade – quando o indivíduo nasce, a sociedade já está organizada, com suas leis, seus padrões, seu sistema financeiro, etc.; cabe ao indivíduo aprender, por intermédio da educação, por exemplo.
Generalidade – os fatos sociais são coletivos, ou seja, eles não existem para um único indivíduo, mas para todo um grupo, ou sociedade.
Fonte: http://www.sociologia.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=167

27 de fevereiro de 2017

O que é integridade à luz da Bíblia

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Valores são qualidades atribuídas a pessoas, coisas ou ações. Na antiga Grécia a coragem era um valor porque, naquele contexto de constantes disputas territoriais, essa era uma virtude desejável para se defender a pólis (a cidade), mesmo que isso significasse perder a própria vida. Segundo o professor Clóvis de Barros Filho, “valores são aquelas coisas que definem quem você é”. Para ele, quem trai os seus valores não sabe mais quem é e perde a própria identidade.
A palavra integridade deriva do Latim, intĕgrĭtās, e significa (de modo resumido): 1) aquilo que é fisicamente inteiro (corpo, território etc.); 2) aquilo que é puro sem máculas ou violações (mente, palavras, ações); 3) que tem estado perfeito (saudável) e 4) o que guarda inocência (uma vida pura). Integridade enquanto valor é algo ligado ao caráter, a probidade, a mente inteira, ao comportamento ético e as palavras que reflitam pureza: sem máculas, sem segundas intenções ou aliciamentos.
Na Bíblia não encontramos uma palavra correspondente direta de integridade: nem no hebraico nem no grego. No entanto, ante a exigência moral e ética do conceito, pode-se afirmar que a Bíblia, como um todo, carrega uma mensagem da integridade exigida e necessária a todo homem no seu relacionamento com Deus, sobretudo no Novo Testamento. O conceito de integridade está tão arraigado na Escritura que a palavra πεπληρωμένα (peplērōmena-completo, cheio até o máximo), traduzida normalmente como “perfeita”, na versão King James é traduzida como integridade. “Sê alerta! E fortalece o que ainda resta e estava prestes a morrer; porque não tenho encontrado integridade em tuas obras diante do meu Deus” (Ap 3.2).
Integridade da mente é a característica principal do cristão.  O apóstolo Paulo fala da renovação da mente onde o novo homem pensa de modo diferente do velho homem. A mente é de tal modo importante que a palavra traduzida como arrependimento é μετανοια (metanóia), mudança de mente. No Antigo Testamento guardar o coração (lebab-homem interior, mente, vontade, coração, alma) semanticamente significa guardar a mente. Em Lucas 6.45, certamente Jesus se refere a mente quando afirma: “a boca fala do que está repleto o coração”. Jesus ensinando sobre seus critérios afirma: “Se permanecerdes na minha Palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos”. O discípulo tem sua forma de pensar totalmente diferente da maneira antiga porque a Palavra permanece no seu coração.
Uma mente íntegra leva a atitudes diferentes diante das circunstâncias da vida, sobretudo nas mais conflituosas. Para o pastor Martin Luther King Junior, “a verdadeira medida de um homem não se vê na forma como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em tempos de controvérsias e desafios”. Nesse sentido, a conversão mediante o arrependimento é algo único. Ninguém se converte todos os dias. Paulo ensina que o homem, depois de convertido, renova sua mente a cada dia a partir do maior conhecimento da graça de Cristo. Um crescimento que vai da fase infantil até fase adulta quando, finalmente, esse novo homem alcança a estatura do Varão Perfeito. E para que não haja dúvidas em seus leitores, o apóstolo enumera de modo muito prático como se dão as mudanças de comportamento: Mentia, não minta mais; furtava, não furte mais; irou-se, não peque. Comportamentos necessários a não entristecer o Espírito Santo que habita em todo aquele que já aceitou Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador. Cuidadosamente ele conclui sua lista: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra que cause destruição, mas somente a que seja útil para a edificação”.
Uma mente íntegra resulta em palavras igualmente íntegras (puras, sem malícia). Assim como em Lucas e Efésios, Tiago alerta sobre a necessidade do controle sobre a língua (as palavras). Para ele, a língua “é fogo; é um mundo de iniquidade, pode contaminar a pessoa por inteiro, e põe completamente em chamas o curso da nossa existência”. Destaca ainda o autor que todos os animais e feras se submetem a vontade do homem, mas “a língua, contudo, nenhuma pessoa consegue dominar. É um mal incontrolável, cheia de veneno mortal”. E, por que não consegue dominar? Porque o coração está cheio de ... Tiago argumenta com aqueles que imaginam ser possíveis as contradições intencionais acerca das palavras boas e más (sem integridade): “Da mesma boca procedem bênção e maldição. Meus queridos irmãos, isso não está certo!”
Todavia, silenciar não é necessariamente “controlar” a língua. Para a psicóloga e jornalista Maria Rita Kehl, “quando um processo que nem ao menos é justo, é conduzido por interesses inconfessáveis, mas que todo mundo mais ou menos já sabe, então se cria uma espécie de capa de cinismo que encobre os processos sociais”. Ou seja, faz-se um “Pacto do Cinismo” onde todos, sabendo que está errado, mantém o silêncio diante da injustiça. Neste mesmo sentido o pastor Luther King classifica esse cinismo de “o silêncio dos bons”. Para ele “quem aceita o mal sem protestar, coopera com ele.” Nesse silêncio, a falta de integridade revela-se tão nociva quanto falta de integridade no falar. Por isso, Tiago assevera: “Refleti sobre isto, pois: Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado.”
Portanto, integridade, enquanto um valor cristão, passa pelos conceitos éticos, morais, sociais e psicológicos das chamadas ciências humanas, no entanto, supera estes conceitos em muito. Porque, em Cristo, o homem é transformado totalmente e, à medida que vai crescendo na graça e no conhecimento de Deus, aperfeiçoa (renova) o que já foi mudado no mais profundo do seu ser. Uma mente íntegra, pura, proba, reta, digna, inteira e integrada à mente de Cristo implica em ações coerentes com a mudança ocorrida na alma. De igual modo, o falar e o calar refletem uma mente íntegra. É verdade que a religiosidade pode moldar comportamentos e palavras sem que haja uma mudança interior verdadeira. Mas, isso, só compete a Deus saber. Por outro lado, se o comportamento e as palavras não são as de Cristo é muito difícil afirmar uma integridade cristã ocorrida no interior do homem. Se a filosofia afirma que sem valores o homem perde sua própria identidade, o cristianismo assegura que sem valores cristãos este perde a identidade de Cristo. Talvez o apóstolo Paulo tenha sido quem melhor definiu o conceito integridade sob a ótica de Jesus. “Fui crucificado juntamente com Cristo. E, desse modo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”.
Que a nossa natureza morra e germine a natureza de Cristo em nós. No pensar, no agir e no falar.

OBS: Este texto foi escrito especialmente para a Igreja Batista do Méier(revista Pensar 14, pg 20). Para conhecer mais sobre os valores da igreja clique aqui.

31 de maio de 2016

Se quiseres

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"Quando oramos ao Pai e dizemos:  'Seja feita a sua vontade', não é falta de fé, é falta de conhecimento, pois não tenho conhecimento do futuro, mas Deus sabe o melhor e a vontade Dele é perfeita.  Que seja feita a tua vontade!' (Pr Joed Venturini)

A mensagem de "feliz ano novo" diferente e a lembrança de um amigo mais chegado que um irmão. Para mim um exemplo a ser seguido.





26 de março de 2016

O Nobel da paz: Porque todo mundo pode mudar

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Alfred Bernhard Nobel nasceu em 21 de outubro de 1833, em Estocolmo, Suécia, em uma família de engenheiros. Ele foi químico, engenheiro e inventor. Nobel acumulou uma fortuna durante a sua vida, a maior parte dela como resultado das suas 355 invenções, das quais a dinamite é a mais famosa. Numa manhã de 1888 ele ficou surpreso ao ler o próprio obituário em um jornal francês intitulado: "O mercador da morte está morto". O jornal confundiu Nobel com seu irmão, Alfred Ludvig, que realmente havia falecido. O artigo desconcertado fê-lo refletir sobre como seria lembrado inspirando-o a mudar sua vontade.

Nobel deixou uma herança de 32 milhões de coroas e escreveu vários testamentos em vida. O último, em 1895, para o espanto generalizado, determinava a criação de uma instituição à qual caberia recompensar, a cada ano, aqueles que conferem "maior benefício à humanidade" nos campos da paz ou da diplomacia, literatura, química, fisiologia ou medicina e física. O testamento estabelecia também que a nacionalidade das pessoas não seria considerada na atribuição do prêmio. Nobel legou 94% de seus ativos totais, 31 milhões de coroas suecas, para estabelecer os cinco prêmios Nobel.

No Rio, os resultados dos exames feitos pelo governador, Luiz Fernando Pezão, mostraram que ele tem linfoma não-Hodgkin. O tipo de linfoma diagnosticado nos exames é o anaplásico de grandes células T-ALK positivo que, segundo os médicos, é um dos mais agressivos, mas totalmente curável. O governador não vai passar por nenhuma intervenção cirúrgica, a não ser a colocação de um cateter para receber a medicação. O oncologista Daniel Tabak explicou: “o dado mais importante é que não existe nenhum comprometimento volumoso de linfonodomegalias. Não atingiu nenhum órgão crítico. Por isso, temos uma perspectiva boa. Mais de 70% dos pacientes ficam curados com este tipo de tratamento.”

O governador também está otimista e afirmou durante a coletiva: "Tem coisas piores na vida. Tem coisas que Deus dá para a gente porque sabe que somos capazes de carregar. Eu sei que vou passar por isso daí e vou acabar mais forte."

Considerando a situação atual do país, em particular a do Estado do Rio de Janeiro, pode ser que Deus não esteja dando algo que ele “seja capaz de carregar”, mas, sim, uma segunda chance ao governador, assim como fez com Alfred Nobel. Quem sabe não seja o momento dele refletir sobre o legado que deixaria para história do povo fluminense, se a sua própria história se encerrasse de repente. Embora as perspectivas sejam favoráveis, sempre há o risco do insucesso. Diante da fragilidade da vida, o Pezão talvez possa ser mais Luiz com os Luizes, Joãos e Marias, que dependem da saúde pública (dever do Estado e cujo representante é ele), tornando-se mais sensível à dor do outro.

Que a saúde do governador do segundo maior estado do país se reestabeleça e que, com ela, haja uma mudança na sua forma de pensar. Que ele seja mais humano com os que sofrem, valorize o serviço público porque é prestado àqueles que não têm como pagar um tratamento como ele tem, e, finalmente, tenha a coragem de romper com os tentáculos inescrupulosos dos velhos aliados de campanha. Que ele possa, como Nobel, surpreender a todos e reescrever sua história, quem sabe mais bela, para posteridade. Porque Deus sempre dá a cada pessoa ao menos uma oportunidade de mudar.

5 de março de 2016

Orações que Deus ouve

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Outro dia fiquei desconfortável com uma oração feita em favor dos nossos pequeninos, algo bastante frequente entre nós.
 " ... Pai, protege os nossas crianças da violência, da maldade deste mundo etc."
Estava atento quando, de repente, senti como quem "ouve" uma voz ...

Pai de duas meninas quase chorei, não só por elas, diante deste mundo mal. Pensei, antes, nas tantas crianças abandonadas a própria sorte nas calçadas e marquises das ruas da cidade. Confesso, me senti tão egoísta com aquela oração.

Com a voz embargada murmurei:  "Pai, proteja, primeiro, as crianças abandonadas nas ruas, com fome, com frio e com medo da violência e, se possível, livra as nossas de tão vil destino."

2 de fevereiro de 2016

A Confusão Mental dos Idosos

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Por Arnaldo Lichtenstein

"Durante as aulas de clínica médica que ministro aos estudantes do 4º. ano de Medicina, a certa altura, faço a seguinte pergunta:
- Quais as causas mais comuns de confusão mental nas pessoas idosas?

Alguns tentam adivinhar: "Tumor na cabeça".

Eu respondo: "Não".

Outros arriscam: "Mal de Alzheimer"

Novamente, respondo: "Não".

A cada negativa os alunos vão demonstrando espanto.... E ficam ainda mais boquiabertos quando menciono os três motivos mais comuns:

 diabetes fora de controle;

 infecção urinária;

 a família foi passear e deixou o avô e a avó em casa, para não se cansarem.

Embora pareça brincadeira, não é nada disso. Como o avô e a avó não sentiram sede, não ingeriram líquidos.

Quando não há ninguém mais em casa para lembrá-los de tomar água, ou chá, ou um suquinho, eles desidratam-se rapidamente.

A desidratação pode vir a ser grave, afetando todo o organismo. Pode causar confusão mental repentina, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos, angina (dor no peito), coma e até o óbito.

Atenção: não é brincadeira.

O processo natural de envelhecimento faz com que, na terceira idade  que começa aos 60 anos  tenhamos pouco mais de 50% de água no organismo.

Portanto, os idosos têm menor reserva de líquidos.

Para complicar mais o quadro, mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água porque, muitas vezes, há certa disfunção nos seus mecanismos de equilíbrio interno.

Conclusão:

As pessoas idosas desidratam-se com mais facilidade não apenas porque têm menos reserva de água, mas também porque não se dão conta de que necessitam de água. Mesmo que o idoso seja saudável, a falta de líquido reduz o desempenho das reações químicas e funcionais de todo o organismo.

Por esse motivo, aqui estão dois alertas:

1 - O primeiro é para as pessoas idosas: fiquem bem conscientes do hábito de tomar líquidos. Por líquido entenda-se água, chás, água-de-coco, melancia, sucos, melão, abacaxi, tangerina, gelatina, laranja, leite, sopas... O importante é, a cada duas horas, ingerir um copo ou uma xícara com líquido. Lembrem-se bem disso!

2 - O segundo alerta é endereçado aos familiares: ofereçam com bastante freqüência líquidos aos idosos. Ao mesmo tempo, prestem atenção. Caso percebam que estão rejeitando líquidos e, que, de repente, ficam confusos, irritadiços, alheios ao que se passa ao redor, cuidado!. “É quase certo que sejam sintomas de desidratação.”

"Deem-lhes líquidos e procurem logo atendimento médico".

(*) Arnaldo Lichtenstein, médico, é clínico-geral do Hospital das Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Fonte: http://primeiraedicao.com.br

3 de janeiro de 2016

O poder de Deus na igreja primitiva

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Afinados com a Convenção Batista Brasileira, trabalharemos este ano com o tema “Transformados pelo Poder do Reino de Deus”, cuja divisa se encontra em 1Co 4.20: “Porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder”. Poder presente na fundação do cristianismo. “E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.” (At 2.47)

No texto, o “sujeito” da ação de acrescentar é o Senhor. A igreja dos primeiros séculos dependia totalmente da ação direta do Espírito Santo. Movidos por Ele, os cristãos tinham suas vidas e pensamentos completamente mudados. No entanto, não era essa mudança que acrescentava pessoas à igreja, mas o Senhor. Em outras palavras, o poder de Deus levava as pessoas ao arrependimento e a uma nova vida: “haviam de se salvar.”

O Apóstolo Paulo, homem de profundo conhecimento e dotado de grande poder (de Deus) disse certa vez: “Quem é, portanto, Apolo? E quem é Paulo? ... Eu plantei; Apolo regou; mas foi Deus quem deu o crescimento.” (1Co 3.5-6) Paulo tinha total consciência de que não foi ele, com sua “sabedoria humana”, nem Apolo, com sua eloquência, que haviam firmado os fundamentos da igreja de Corinto.

Na igreja de Atos não era diferente. Apóstolos e gentios eram apenas instrumentos nas mãos do Todo-Poderoso. Se tomarmos o mesmo versículo na ordem direta (sujeito, verbo e predicado), entendemos mais facilmente o sentido do texto. “E, assim, a cada dia o Senhor juntava à comunidade as pessoas que iam sendo salvas.” (KJA) Nesta versão, fica clara a ação do Espírito Santo: acrescentar os salvos. Só ele tem esse poder de salvar e, portanto, fazer a igreja crescer.

Por isso, o tema deste ano é de suma importância para todos nós. O Reino de Deus cresce pelo poder sobrenatural daquele que é o dono da igreja. Como diz o tema: O reino de Deus não consiste em palavras: discursos, mera conversa ou papo furado – dependendo da versão da Bíblia. O reino de Deus sempre será fundamentado no Seu poder, porque o reino é Dele e só Dele. Foi assim no início do cristianismo, na chamada igreja primitiva, e sempre será na igreja onde Jesus Cristo é o Senhor.

Que 2016 seja um ano cheio do poder de Deus em nós, a sua igreja!

Com carinho,

Leonardo Martins.

27 de dezembro de 2015

O espetáculo de luzes anuncia: Haja Paz!

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Ainda impactado pela apresentação de ontem (21) decidi pesquisar sobre a origem de tão bela apresentação que está completando 5 anos. Segundo o site Sopa Cultural*, foi “inspirada no tradicional Coral de Crianças do Palácio Avenida, um dos eventos turísticos de natal de Curitiba, que Jeanni Purin, integrante da Igreja Batista do Méier, criou o projeto Janelas do Natal.” E que bela inspiração! Como completa a reportagem, “uma forma de levar para fora um espetáculo que até então ficava entre as paredes do templo.”

“O coro do natal do Palácio Avenida [fonte da inspiração] é formado por aproximadamente 130 crianças, entre 7 e 16 anos, das 11 instituições parceiras do Programa HSBC Educação”, cujo objetivo é “oferecer uma oportunidade de crescimento emocional, social e artístico às crianças participantes e todo o público que acompanha as belíssimas apresentações.” Embora tenha morado naquela cidade por algum tempo, não tive a oportunidade de assistir a nenhuma delas na conhecida Rua das Flores, em Curitiba. Contudo, no ano passado, fui impactado pela primeira vez pelas apresentações do Janelas do Natal na praça Agripino Grieco, no Méier. Mais do que um trabalho social, as janelas anunciam Jesus, o Senhor do natal.

O tema deste ano não poderia ser mais oportuno: “Haja Paz”. Por tudo que vimos em 2015, no Brasil e no mundo, a paz tornou-se ainda mais desejada e esperada. Por isso, desejo que apesar das perdas, que haja Paz; apesar das dificuldades de saúde, que haja Paz; apesar dos desempregos e das incertezas no ano que virá, que haja Paz. Haja Paz na sua casa, no seu trabalho e nos seus projetos para o próximo ano. E, ainda que tudo pareça ou seja difícil, que a Paz de Jesus, o príncipe da Paz, esteja no seu coração.

Conforme Ele nos afirma no Evangelho de João 14.27: “Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não permitais que vosso coração se preocupe, nem vos deixeis amedrontar.” (KJA)

Haja Paz! Assim nos assevera o Senhor, assim anunciaram os anjos e esse é também o meu desejo a todos os amigos da Igreja Batista do Méier.

Com carinho,

Leonardo Martins.
*Fonte: Sopa Cultural

7 de novembro de 2015

A gratidão do velho Jacó

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José, filho de Raquel, era o preferido de Jacó. Por ciúme e inveja os irmãos o venderam e fizeram o pai acreditar que ele havia morrido. Um sofrimento muito grande: “Todos os seus filhos e filhas se achegaram para oferecer-lhe consolo, contudo ele recusou toda e qualquer consolação, e declarou: ‘Não! É em luto que descerei ao Sheol para me encontrar com meu filho!” (Gn 37.35).

Raquel, a amada de Jacó, morreu no parto de Benjamin. Por isso, quando o Governador do Egito (José) prendeu Simeão até que lhe trouxessem o irmão caçula, Jacó escolheu Benjamin. Nem Ruben fez o pai mudar de ideia. “Podes tirar a vida de meus dois filhos se eu não o trouxer de volta.” (Gn 42.37). Jacó morreria de tristeza se algo acontecesse a Benjamin e todos sabiam disso: “O menino não pode se ausentar de seu pai; se ele deixar seu pai, este morrerá de desgosto” (Gn 44.22), disse Judá ao Governador do Egito.

Mas uma notícia o reanimou. “Basta! José, meu amado filho, ainda está vivo! Que eu vá imediatamente vê-lo antes de morrer!” (Gn 45.28). Quando Jacó chegou ao Egito e José viu seu pai “correu para abraçá-lo e, abraçando-o com grande emoção, chorou longamente.” (Gn 46.29).

Com frequência, a história de José é lembrada por seu perdão aos seus irmãos, pelo modo como Deus o usou para salvar toda a terra e a própria descendência, e por sua integridade diante de todas as injustiças e tentações que sofrera. No entanto, a perspectiva de Israel (Jacó) não é menos comovente.
O homem que, à beira da morte, revive ao saber que José vivia, se declara feliz pelo simples fato de rever seu filho. “Agora, pois, já posso morrer em paz, porquanto vi o teu rosto e sei que ainda estás vivo!” (Gn 46.30). Mas Jacó também precisou fazer escolhas. Viver a amargura e o rancor pelos anos de separação de José ou viver intensamente a alegria de tê-lo ao seu lado. Viver em atrito com seus filhos por tudo que eles lhe fizeram ou viver em paz com todos e em família.

Jacó morreu feliz porque escolheu deixar no passado toda dor que sofrera e, olhando para o presente com alegria, viveu o futuro com esperança. Se o valor de uma história está no modo como ela termina, a história de Jacó termina com um coração cheio de gratidão ao Senhor. “A mim, que não tinha mais a esperança de rever teu rosto, eis que Deus me concede a bênção de ver até teus descendentes!” (Gn 48.11).

Tão comovente como a história de José é perceber a gratidão do velho Jacó.

6 de novembro de 2015

Dia (Inter)Nacional do idoso

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27 de setembro ou 1 de outubro?

A história do dia Internacional do idoso começou em 1982 com o Plano Internacional de Ação sobre o Envelhecimento em Viena, Áustria. Aprovado pela Assembleia Mundial do Envelhecimento e, no mesmo ano, pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o Plano foi o primeiro instrumento internacional sobre o envelhecimento, e forneceu uma base para a formulação de políticas e programas sobre envelhecimento. Ele incluía sessenta e duas recomendações para a pesquisa-ação de endereçamento, coleta de dados e análise, treinamento e educação, bem como as seguintes áreas setoriais: saúde e nutrição, proteção dos consumidores idosos, habitação e meio ambiente, família, assistência social, segurança de renda e de emprego, e educação.

No dia 14 de dezembro de 1990 a Assembleia Geral da ONU, por meio da resolução 45/106, determinou o dia 1º de outubro como Dia Internacional do Idoso. Na Assembleia seguinte (1991), a ONU aprovou a resolução 46/91 que trata dos direitos dos idosos, cujos princípios norteiam as discussões contemporâneas sobre a situação do idoso. Entre esses princípios, estão os da “autorrealização” e da “dignidade”.

No Brasil, a Comissão de Educação do Senado Federal aprovou a emenda ao Projeto de lei 513/1999 estabelecendo o dia 27 de setembro como Dia Nacional do Idoso, dia de São Vicente de Paula, considerado o pai da caridade. Até 2006, o Dia do Idoso era celebrado no dia 27, mesmo dia em que as religiões afro-brasileiras comemoram o dia de Cosme e Damião. – No catolicismo comemora-se no dia 26.

O Plano Internacional de Ação sobre o Envelhecimento de Madri, Espanha, e a Declaração Política aprovada na Segunda Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento em abril de 2002, marcam um momento decisivo na forma como o mundo abordaria o desafio-chave da "construção de uma sociedade para todas as idades". O Plano de Ação traz uma nova agenda ousada para lidar com a questão do envelhecimento no século XXI. Ele se concentra em três áreas prioritárias: as pessoas idosas e seu desenvolvimento; a promoção da saúde e bem-estar na velhice; e assegurar ambientes propícios e favoráveis. É um recurso para a formulação de políticas, sugerindo formas de governos, organizações não governamentais e outras entidades, no sentido de reorientar as maneiras pelas quais suas sociedades percebem, interagem e cuidam de seus cidadãos mais idosos. Além disso, o Plano representa a primeira vez em que Governos concordaram em vincular questões do envelhecimento com outras estruturas de desenvolvimento social e econômico e dos direitos humanos.

No dia 1º de outubro de 2003 foi aprovada a Lei nº 10.741, que tornou vigente o Estatuto do Idoso no país. Com a criação do Estatuto, o Brasil começou a incorporar à sua jurisprudência resoluções de organizações internacionais, como a ONU e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Finalmente, em 28 de dezembro de 2006, entrou em vigor a Lei Federal nº 11.433/06 que dispõe sobre o Dia do Nacional Idoso a ser comemorado no dia 1º de outubro, juntamente com o Dia Internacional do Idoso.

Para este 25º Dia Internacional do Idoso, a ONU tem como tema: "Sustentabilidade e inclusão do idoso no ambiente urbano" – sublinhando a necessidade de tornar as cidades inclusivas para pessoas de todas as idades.

Portanto, tão importante quanto conhecer a história do dia Nacional ou Internacional do idoso é conhecer o Estatuto e participar dos Fóruns, Congressos e Simpósios, como, por exemplo, o II Simpósio do Envelhecimento promovido pela prefeitura do Rio.

Feliz dia do Idoso!

Bereanos ou baderneiros?

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Cena 1: Atos 17.1-9

Ao chegarem a Tessalônica Paulo e Silas fazem o habitual, vão à sinagoga. Por três sábados Paulo explica e comprova: “Este Jesus que vos anuncio é o Messias!” (v. 3)

Resultado 1: “alguns dos judeus foram convencidos e se uniram a Paulo e Silas, bem como uma multidão de gregos obedientes a Deus e diversas senhoras da alta sociedade local.” (v. 4)

Resultado 2: Com “forte inveja” os líderes judeus reuniram homens perversos dentre os desocupados para causar um tumulto na cidade, e ainda, acusaram Paulo e Silas diante dos governantes: “Estes que têm causado alvoroço em todo o mundo, agora chegaram também aqui.” (v. 6)

Cena 2: Atos 17.10-16

Paulo e Silas vão para Berea e fazem a mesma coisa, vão à sinagoga anunciar o Messias.

Resultado 1: Os bereanos dedicaram-se a estudar a Escritura para verificar se o que Paulo dizia “correspondia à verdade.” (v. 11)

Resultado 2: Muitos judeus, gregos e mulheres da alta sociedade creram em Jesus. (v. 12)

Resultado 3: Os líderes judeus de Tessalônica foram imediatamente à Berea, cerca de 102km de distância por rodovia, para causar confusão na cidade. (v. 13)

Por um lado, é fácil entender a narrativa, por outro, alguns elementos ajudam na compreensão do significado mais profundo do texto. Vide vocabulário abaixo.


Baderneiros

A inveja nunca dá bons frutos.

1) Rejeição. Paulo provou pela Escritura a verdade sobre o Messias. Diante dela, uns aceitaram, outros rejeitaram. Paulo esteve com eles por três sábados, tempo suficiente para que a Escritura fosse examinada e, se estivesse errada, fosse contestada. Eles sabiam que não estava porque Paulo provou, pela Escritura, que Jesus era o Messias. Portanto, aqueles líderes rejeitaram a Escritura, a Verdade e o Messias, e não a Paulo e Silas.

2) Perseguição. Não podendo refutar a Escritura, decidiram perseguir seus pregadores, Paulo e Silas. Talvez seja essa uma das tantas perseguições que Paulo fala em 2Co 11.

3) Abuso. Usando de uma autoridade que tinham (religiosa) invadiram a casa de Jasom com uma autoridade que não tinham (policial). (v. 5)


















4) Insanidade. A palavra inveja, no original, é “forte inveja”. Tal sentimento levou os líderes da religião judaica (a religião de Deus) a se associarem com as piores pessoas da cidade, por mais incrível que isso possa parecer. Uma associação impensável: Juntar religiosos com maus-caracteres. Naquela época muitas pessoas trabalhavam por um salário diário (os diaristas dos nossos dias). Mas os religiosos contrataram justamente aqueles que estariam dispostos a fazer um “trabalho sujo”.

5) Mentira. Os defensores da verdade divina descumpriram o mandamento de Deus: “Não darás falso testemunho contra o teu próximo.” (Êx 20.16) Mentiram intencionalmente acerca de Paulo e Silas aos magistrados romanos. Também na condenação de Jesus, um grupo de líderes religiosos mentiu acusando Jesus perante Pilatos, o governador da Judéia: “Encontramos este homem subvertendo a nossa nação. Inclusive, proibindo o pagamento de impostos a César e se dizendo o Messias, o Rei!” (Lc 23.2)

6) Covardia. Fraudulentamente colocaram pessoas simples (os servos de Deus) contra as autoridades do governo romano: “eles estão agindo contra os decretos de César, proclamando que existe um outro rei, chamado Jesus!” Assim como a atitude de Pilatos foi de tentar libertar Jesus, em Lucas 23, a atitude dos magistrados (não crentes) foi favorável aos inocentes: “libertaram Jasom e os demais irmãos ... ” (v. 9a)

7) Prejuízo ao reino de Deus. A justiça feita a Jasom teve um preço. Eles foram libertos “ ...  após o pagamento da fiança estipulada.”  (v. 9b)


Bereanos

Com frequência ouvimos a expressão, sou bereano! Bereano tornou-se um adjetivo, um sinônimo de virtude atribuída ao cristão atento à leitura da Bíblia. Ou seja, aquele que sempre investiga se o que está sendo exposto está de acordo com a Escritura.

Em primeiro lugar, ser leitor atento da Bíblia é de fato uma virtude, – quanto mais nestes tempos em que ela é mal lida ou negligenciada –, no entanto, Tiago vai além: “Sede praticantes da Palavra e não simplesmente ouvintes, iludindo a vós mesmos.” (Tg 1.22) Ler a Bíblia não é a maior das virtudes e conhecê-la também não, principalmente se considerarmos que o Diabo usou a Escritura para tentar o Filho de Deus.

Em segundo lugar, os líderes de Tessalônica, perseguidores de Paulo e Silas, examinavam atentamente a Escritura. Eles eram líderes da religião judaica e a ensinavam na sinagoga, onde haviam muitos prosélitos (os gregos). Tanto examinavam que não puderam confrontar Paulo. A Escritura era de conhecimento de todos, por isso várias pessoas foram convencidas, pela Palavra, que Jesus era o Messias. Portanto, não havia falta de conhecimento ou exame das Escrituras em nenhuma das duas cidades.

Em terceiro lugar, os bereanos não eram deslumbrados com a eloquência de Paulo (como também não o foram os de Tessalônica). A mensagem recebida no sábado foi “ruminada” todos os dias da semana: “dedicaram-se ao estudo diário das Escrituras”.
Por último, eles avaliaram se tudo era mesmo verdade (assim como fizeram os moradores de Tessalônica).

Logo, a virtude dos moradores de Berea consistia em sua mente “mais nobre”. Havia genuíno interesse pela Palavra de Deus a qual recebiam com “vívido interesse”. Ora, só se interessa por algo quem está, de algum modo, comprometido com esse “algo”. Os bereanos queriam conhecer a Escritura para viver segundo Ela e não apenas saber por saber, muito menos intentaram rejeitar a Verdade da Escritura. Por isso, a reação dos homens de Berea foi oposta a dos líderes da cidade vizinha.

Por um lado, examinavam atentamente o que era pregado para não serem levados por qualquer vento de doutrina. Por outro, estavam dispostos a abrir mão da tradição, dos conceitos e pré-conceitos religiosos, e, de toda e qualquer liderança que tivessem em prol da Verdade da Escritura. Para aqueles homens não importava se quem estava pregando era o rabino mais sábio de Jerusalém, o apóstolo Paulo ou qualquer iletrado. Se a Verdade os confrontasse mudariam de procedimento submetendo-se a Palavra de Deus. Nisso consistia a nobreza dos cristãos de Berea. Para os homens da cidade de Berea a Escritura era “a suprema regra de fé e prática”.

Mas a inveja é incansável em fazer o mal. Como os bereanos não se opuseram a verdade apresentada por Paulo e Silas, os religiosos tomaram uma atitude: “.. quando os líderes judeus de Tessalônica tomaram conhecimento que Paulo estava ensinando a Palavra de Deus em Berea, rumaram imediatamente para lá, agitando e instigando a população.” (v. 13)

Definitivamente a inveja é destrutiva em todos os sentidos.


Nos dois casos, Paulo não refutou, reagiu ou defendeu-se das acusações mentirosas. Ao ser perseguido, não criou confusão nas cidades onde passou, antes partiu para outro lugar e continuou anunciando que Jesus é o Messias. E, para isso, usava tão somente a Escritura. Sola scriptura.

Conclusões

Diante da Verdade ninguém fica imparcial. Ou rejeita ou aceita. Quem não se submete a Escritura a persegue, se rebela e nega a soberania do Senhor sobre a sua vida.

Conhecer a Escritura não torna ninguém melhor. Dependendo da intenção do coração pode, até, levar a práticas ruins e impensáveis.

A Verdade sempre é bíblica. Anunciar o Evangelho nunca pode prescindir da Escritura. Assim faziam Paulo e Silas.

Ser cristão não é e nunca foi sinônimo de “alvoroçador” (arruaceiro, baderneiro). Embora na língua portuguesa alvoroço possa assumir um valor positivo, e até de virtude, o texto de Atos 17, não confirma isso.

O cristão chamado bereano examina atentamente a Palavra com coração nobre, ou seja, disposto a moldar a sua vida a vontade do Senhor Jesus. Por isso, tem compromisso com a Escritura a fim de conhecer o propósito de Deus para sua vida.

Finalmente, o que se chama bereano, deve ser um leitor atento da Escritura para não ser levado por um discurso bem elaborado, de quem quer que seja, e acabar fazendo ou repetindo o que não agrada a Deus e não é bíblico.

Bereano, sim, baderneiro, nunca!



Vocabulário.

1 – Desocupados (agoraio). a) mascates, pequenos comerciante, distribuidores varejistas; b) vadios, ociosos, o povo simples, humilde, povo pobre.

2 – Perversos (poneros). Mau, de natureza ou condição má. a) num sentido físico: doença ou cegueira; b) num sentido ético: mau, ruim, iníquo.

3 – Alvoroçar (anastatoo). Agitar, excitar, perturbar. a) incitar tumultos e sedições no estado; b) inquietar ou perturbar pela disseminação de erros religiosos.

4 – Nobre (eugenes). 1) bem nascido, de família nobre; 2) de mente nobre.

Texto em homenagem a todos os bereanos submissos a Escritura e dedicados ao estudo “com o propósito de avaliar se tudo correspondia à verdade.”

Referência bíblica: BJK


27 de maio de 2015

Antes mesmo dos pastores

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“De Mileto, Paulo pediu para que fossem chamados os presbíteros da Igreja de Éfeso ... tende cuidado de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos estabeleceu como epíscopos para pastoreardes a Igreja de Deus, q
ue Ele comprou com o sangue do seu Filho Unigênito.” (At 20.17,28)

Apóstolo dos gentios, Paulo foi quem mais contribuiu para a expansão do Reino de Deus na sua época. Dedicado e incansável, fundou duas das três maiores igrejas do império, Corinto e Éfeso. (Só não fundou a igreja de Roma). Durante três anos, em Éfeso, Paulo ensinou sobre o Reino de Deus com total zelo e dedicação: “jamais deixei de vos pregar nada que fosse proveitoso, mas vos ensinei tudo em público e de casa em casa” (v. 20). Agora, de partida para Jerusalém, ele sabia que não voltaria mais a ver aqueles irmãos; sabia dos riscos da sua partida e, por isso, grande era sua preocupação com o futuro da igreja ainda sem pastor. “Eu sei que, logo após minha partida, lobos ferozes se infiltrarão por entre a vossa comunidade e não terão piedade do rebanho” (v. 29).

É nesse contexto que o apóstolo entrega a responsabilidade daquela grande igreja aos anciãos (presbíteros), os quais nomeia bispos (epíscopos). Todos tinham o mesmo tempo de experiência cristã, três anos, todavia, os mais velhos (os anciãos) tinham mais experiência de vida. A igreja nascida de casa em casa não tinha templo, não tinha pastor e, agora, perderia seu líder, Paulo. Por outro lado, havia o perigo iminente e real da igreja se perder. Mas Paulo sabia que podia contar com os mais experientes: “tende cuidado de vós mesmos e de todo o rebanho...”.

Portanto, apesar da sua simplicidade, a igreja primitiva já contava com a liderança forte dos anciãos para continuar viva e proclamando o Reino de Deus. Uma liderança estabelecida pelo Espírito Santo para pastorear “a Igreja de Deus”: antes mesmo que chegassem os pastores.

3 de maio de 2015

Na onda da terceirização

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Esse é um dos assuntos mais discutidos hoje no país. Mas o que é ter-cei-ri-za-ção? “Terceirização do trabalho: processo pelo qual uma instituição contrata outra empresa para prestar um determinado serviço.” Por várias razões esta prática vem crescendo no Brasil e no mundo: transferir para outras empresas (terceiros) parte do produto ou serviço que era de sua responsabilidade.

Nossa matriz evangélica sempre teve um alto padrão de qualidade em tudo o que fez. Notadamente nós não herdamos esse mesmo padrão. Com frequência ouvimos: “é pra Deus, então está bom”. Não raro vemos literaturas com baixa qualidade (quando não é cópia, e ruim), músicas mal executadas e por aí vai. Mas como resolver?

Terceirizar é uma tendência que vem crescendo nas igrejas. Quem “pode pagar” contrata músicos de qualidade (se cristão ou não, não vem ao caso), contrata Ministro pra tudo e, claro, terceiriza missionários para cumprir o “ide de Jesus”, afinal essa é ordem do Mestre.

O que diz a Bíblia sobre essas coisas? Deus não economizou: “deu o seu Filho Unigênito”. Jesus não terceirizou: “veio para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”. Ele também não fez de qualquer maneira: “humilhou-se a si mesmo, entregando-se à obediência até a morte, e morte de cruz.” A cada ano que passa fico pensando na proximidade da aposentadoria. Desejo dar o meu melhor e fazer o máximo que posso, apesar de ser muito pouco diante do que Ele fez por mim. Não desejo enterrar meus talentos nem fazer de qualquer maneira. Almejo gastar-me no serviço do meu Rei. Por outro lado, não intento terceirizar aquilo que entendo ser a minha responsabilidade e a minha missão. Talvez eu seja um sonhador, como ouço muitas vezes. Que seja! Mas penso em Jesus, em tudo que Ele disse e tudo o que Ele fez. A Jesus sigo, não aos modelos e modismos desse mundo.

Enquanto Deus me der fôlego de vida desejo seguir o exemplo de seu Filho. Ameaçado de morte pelos judeus por curar um paralítico no sábado, Jesus respondeu: “Meu Pai continua trabalhando até agora, e Eu também estou trabalhando” (Jo 5.17). Sempre pergunto ao Senhor: o que posso fazer considerando meus “limites e limitações”? Sei que posso fazer mais, muito mais. Hoje, falta-me tempo. Mas, em breve ...



18 de abril de 2015

O “livro de miss”

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A obra do piloto francês Antoine de Saint-Exupéry, “O pequeno príncipe”, ficou conhecida no Brasil como o “livro de miss”, porque muitas candidatas o citavam como seu livro preferido. Na década de 1980 chegou a ser considerado um livro de autoajuda. Entre as muitas frases da obra, talvez a mais lembrada seja a da raposa: “Nous sommes responsables pour ceux qui nous avons apprivoise” (Nós somos responsáveis por aqueles que nós cativamos – tradução livre). – Na versão brasileira foi acrescentada a palavra “eternamente”. Longe de ser uma história para crianças, ela tem como tema principal, a meu ver, a amizade.

“O amigo dedica sincero amor em todos os momentos e é um irmão querido na hora da adversidade” (Pv 17.17).

Ao contrário da família, amigos nascem das escolhas que fazemos ao longo da vida e dos relacionamentos progressivos, assim como ressalta a raposa, numa aproximação maior a cada dia. O compromisso é fundamental à amizade porque demonstra a importância do outro. “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz”. Não obstante, amizades às vezes são incômodas ou frustrantes. Certo dia o Príncipe descobre que a sua flor, tão especial, era igual às tantas outras daquele belo jardim. Finalmente, ele compreendeu que o tempo e dedicação à sua rosa a tornava única no mundo inteiro. Escolhas, aproximação e dedicação é a receita do bom amigo, o qual, na adversidade, torna-se “um irmão querido”.

A atualidade nos impõe relacionamentos furtivos, virtuais ou, o mais comum, a indiferença. Ávidos pelo individualismo e impulsionados pela velocidade dos nossos dias, fazer amigos verdadeiros parece algo utópico ou adiável. Mas como diz o autor: “Num mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar um amigo”.

Esse é o sentido da parábola de Jesus. “Que farei? Trabalhar na terra, não tenho força; quanto a viver esmolando, tenho vergonha. Já sei o que farei para que, quando perder o cargo de administrador, as pessoas continuem a me receber em suas casas’ ... Então, o senhor elogiou aquele administrador da injustiça, pois agiu com sabedoria” (Lc 16,3-8).

Permita-se fazer amigos sinceros. “Porquanto, se um cair, o outro levantará seu companheiro. Mas pobre do que estiver sozinho e cair, assim não haverá quem o ajude a se reerguer!” (Pv 4.10).

18 de março de 2015

Respeite os mais velhos!

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Quando criança aprendi com meus pais: “respeite os mais velhos”. Ao longo dos anos a mídia e a sociedade ocidental passaram a enaltecer cada vez mais a juventude. Em 1984 o grupo alemão Alphaville gravou a música Forever Young (para sempre jovem), do álbum de mesmo nome, alcançando grande sucesso nos Estados Unidos e no Brasil. Com uma bela melodia e uma letra forte tornou-se uma espécie de hino à juventude. “Deixem-nos morrer jovens ou deixem-nos viver para sempre”, dizia um dos trechos da música. O refrão era ainda mais direto. “Para sempre jovem / Eu quero ser para sempre jovem / Você realmente quer viver para sempre? / Para sempre ou nunca”.

A música é apenas uma referência ao espírito da época. Aos poucos “velho” passou a significar obsoleto, ultrapassado ou, no mínimo, o que menos se deseja ser. Hoje, chamar alguém de velho é “deselegante”, por isso há tantos codinomes mais palatáveis. Aos poucos as rugas e os cabelos brancos – de grande valor nas comunidades indígenas, por exemplo –, tornaram-se símbolos de vergonha ou enfado.

Onde ficou o ensino de meus pais? Que valores tem uma sociedade que não respeita os mais velhos? Afinal, “Você realmente quer viver para sempre? Para sempre ou nunca?”

Pesquisando sobre o assunto deparei-me com um cartaz que dizia: “Respeitar as pessoas mais velhas é tratar o próprio futuro com respeito”. Mesmo sem conhecer a Bíblia, o ensino de meus pais estava correto. “... Deus não se permite zombar. Portanto, tudo o que o ser humano semear, isso também colherá!” (Gl 6.7b). O texto refere-se a outro assunto, mas se aplica perfeitamente a este caso. “E não nos desfaleçamos de fazer o bem, pois, se não desistirmos, colheremos no tempo certo. Sendo assim, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, principalmente aos da família da fé” (Gl 6.9-10).

Não, eu não quero ser para sempre jovem, e, ainda que quisesse, sei que não poderia. Portanto, vale ainda o velho conselho: Respeite os mais velhos!  Ensinaram-me meus pais e me ensina a Palavra.

21 de fevereiro de 2015

Depressão: o assunto é sério!

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A morte do jovem pastor da PIB de Serrinha-BA, Agnaldo Alonso Ferreira Freitas Junior, deveria servir de alerta para todos nós cristãos.  “O que se comenta aqui é que ele havia retornado do culto com a esposa e, alguns minutos depois, os vizinhos ouviram a mulher dele pedindo socorro. O rapaz que mora ao lado correu, pulou o muro e encontrou o corpo já pendurado”, comentou um policial. Entre os amigos o que se diz é “que Agnaldo se matou porque estaria sofrendo de depressão. A informação não foi confirmada pela família.” (Vigiai) O conhecido ator Robin Williams também foi encontrado enforcado em sua casa na região de San Francisco, nos Estados Unidos. Williams lutava contra o alcoolismo e o recente mal de Parkinson, todavia (em ambos os casos) a depressão não está descartada.

Com muita facilidade nós, os evangélicos, atribuímos a morte do ator às doenças e a “falta de Jesus” na sua vida*. Mas como explicar a morte do pastor Agnaldo?

Texto duro e difícil!? Dura será a vida daquela jovem esposa ao enfrentar os “fariseus” de Serrinha com suas “teologias” cuja letra mata. Difícil será explicar aos meninos a morte do pai e ainda encontrar forças para mantê-los nos caminhos do Senhor apesar dos pesares. Minha oração é que essa viúva (e mãe) encontre muitos misericordiosos os quais também “alcançarão misericórdia” da parte de Deus.

A depressão é uma doença silenciosa que vem crescendo em todo o mundo. No meio evangélico a ignorância e o preconceito são seus maiores aliados. Diagnosticada a tempo ela pode ser controlada, mas enquanto ficarmos “demonizando” a doença ou “teologizando” o problema ela vai continuar ceifando vidas de jovens, idosos, pastores** e leigos. Porque a depressão não faz acepção de pessoa, idade, gênero, condição social ou país. Pense nisso com carinho e procure ajuda!

*De acordo com a autópsia, Williams "não tinha drogas ou álcool em seu sistema quando ele morreu". Fonte: abcNEWS

**Pesquisa realizada nos Estados Unidos traçou um panorama dos problemas da atividade pastoral...
70% dos pastores admitem sofrer de depressão e estresse. Fonte: Pastores Feridos

30 de janeiro de 2015

O que é certo é certo!

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By Herizete Staneck
Imagine viver em um lugar onde os líderes oprimem o povo o qual deveriam cuidar; uma nação de profunda injustiça onde as sentenças são compradas; um país onde a informação é manipulada em favor dos poderosos e o engano dos inocentes. Pior, um lugar onde até os sacerdotes só pensam em dinheiro. Imaginou?

No Brasil a corrupção é mais antiga que o próprio país, data da época em que o primeiro forasteiro trocou espelhos por riquezas. Depois disso, ela mudou de forma, sistema político, camuflou-se e pulverizou-se em partidos, instituições e governos. Nos últimos anos ela se tornou mais evidente. No mundo globalizado onde a informação é cada vez mais rápida, os valores da corrupção tornaram-se milionários. O que fazer diante destes fatos? Fugir do país? Mudar os governos ou partidos? Impor uma moral pela força? O que nós cristãos podemos/devemos fazer?

Para combater a corrupção alguns defendem mudanças nos sistemas políticos, outros apostam na mudança dos governos, outros acreditam que nada pode mudar e, há quem aposte numa moralidade baseada na força.

No filme americano, Laranja Mecânica (1971) baseado na obra de Anthony Burgess (1962), “Alex (Malcolm McDowell), líder de uma gangue de delinquentes que matam, roubam e estupram”, é submetido a uma experiência científica para mudar seu o comportamento. O sucesso da experiência, contudo, mostra que ele tornou-se indefeso e “impotente para lidar com a violência que o cercava.” O protesto do capelão denuncia: “Alex foi privado de seu livre-arbítrio dado por Deus”. No fim ele voltou a ser o mesmo delinquente de antes (que crítica).

O regime da força nunca e em nenhum lugar da história da humanidade produziu mudanças permanentes no ser humano. Quando muito, o compeliu a uma falsa moralidade tal qual uma mola sob pressão pronta para voltar ao seu estado natural. Ou o homem se torna civilizado ou nada poderá fazê-lo, nem mesmo o castigo divino. É o que nos revela a história. Lembra da Nação lá do início? Não se trata do Brasil de 2015, mas de um país de 2700 anos passados.
“Então eu disse: Ouvi, rogo-vos, ó chefes de Jacó, e vós, ó príncipes da Casa de Israel: Não sois vós conhecedores do direito? Vós, que odiais o bem e sois apaixonados pelo mal, que arrancais a pele do meu povo e a carne dos seus ossos? ... Vossos líderes ajuízam debaixo da influência de subornos, seus sacerdotes ministram visando lucro, e até vossos profetas fazem revelações em troca de prata. E pior, ainda ousam apoiar-se no SENHOR, alegando: ‘Eis que Yahweh está no meio de nós. Nenhuma desgraça virá sobre nossas cabeças!’”(Miquéias 3,1-2 e 11). De modo claro e lamentável o texto mostra a união dos poderes políticos e religiosos contra os mais fracos.

O livro de Jeremias diz respeito a cerca de um povo obstinado o qual preferiu ouvir o que era conveniente (o profeta Ananiais) a mudar de comportamento. O resultado foram setenta anos de exilo. Em Malaquias (3,9) não sobra ninguém: “Estais debaixo de grande maldição, porquanto me roubais; a nação toda está me roubando.” São inúmeros os exemplos. Seja o povo escolhido ou não, a corrupção é vívida na história da humanidade desde os tempos remotos. Todavia um fato é perene: Só existe corrupção porque existe o corruptor. Quem é? Onde vive? Como age um corruptor?

www.facebook.com/cguonline
1 – Em meados de 2008 o artigo intitulado: “Pirataria ainda é crime” foi tema de uma campanha cujo objetivo era alertar sobre os valores éticos, morais e, principalmente, espirituais em relação às cópias não autorizadas de programas, músicas etc. A campanha teve culto de lançamento, camiseta com slogan do artigo e até uma divisa: “Não furtarás!” (Êxodo 20,15). 2 – "Ser como Cristo praticando a Bíblia!" foi o tema proposto pela Convenção Batista Brasileira (CBB) para o ano de 2012. A preocupação com a integridade estava destacada na ênfase: “Desafiados à prática da bíblia para ser padrão de integridade”. 3 – Em junho de 2013 a Controladoria Geral da União (CGU) lançou a campanha: “Pequenas corrupções, diga não!” cujo objetivo principal é “conscientizar os cidadãos para a necessidade de combater atitudes antiéticas – ou até mesmo ilegais –, que costumam ser culturalmente aceitas e ter a gravidade ignorada ou minimizada”.

O ponto comum nas três campanhas é o mesmo, o indivíduo. Para a CGU, por exemplo, falsificar a carteirinha escolar, roubar TV a cabo, aceitar troco a mais, furar fila, apresentar atestado médico falso, tentar subornar o guarda de trânsito, bater o ponto do colega, copiar trabalho acadêmico da Internet, declarar informação falsa no IR etc., são “hábitos cotidianos de um povo que podem refletir como são encaradas os casos de corrupção com dinheiro público no país.”

A raiz da corrupção está todos nós. Cabe a cada um fazer (individualmente) é dominar sobre esse mal. “Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Entretanto, se assim não fizeres, sabe que o pecado espreita à tua porta e deseja destruir-te; cabe a ti vencê-lo!” (Gênesis 4,7). A única diferença entre furtar uma caneta e roubar bilhões da refinaria de Pasadena é o tamanho do dano. Tudo mais é rigorosamente idêntico. O princípio é o mesmo e o sujeito também é. Como dizia mamãe: “quem rouba um centavo ou um milhão é ladrão do mesmo jeito”.

By Herizete Staneck
Portanto, ninguém pode acabar com a corrupção no Brasil ou qualquer outro país. No máximo pode-se reprimi-la pela força. Por outro lado, ninguém pode obrigar uma pessoa a ser corrupta: muito menos um cristão. O que podemos fazer? Cada um examine a si mesmo e pergunte: eu faço essa ou aquela coisa? Se cada um cuidar de si nas pequenas coisas já será um ótimo começo. “Foste fiel no pouco, muito confiarei em tuas mãos para administrar.” (Mateus 25,21).

Corrupção? Um princípio válido a qualquer pessoa (cristã ou não). “O que é errado é errado, mesmo que todo mundo esteja fazendo. O que é certo é certo, mesmo que ninguém esteja fazendo.” – Leonardo Martins.

5 de janeiro de 2015

A tigela de madeira

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Um frágil e velho homem foi viver com seu filho, a nora e o neto de quatro anos. As mãos do velho tremiam, a vista era embaralhada e o seu passo era hesitante.

A hora da refeição era ainda mais complicada. Por causa das mãos trêmulas, por vezes o garfo ou a comida acabava caindo no chão. Ao pegar seu copo de leite, ele acabava derramando um pouco na toalha da mesa, o que irritava muito o filho e a nora.

“Nós temos que fazer algo com respeito ao papai”, disse o filho. “Já tivemos bastante do seu leite derramado, ouvindo-o comer ruidosamente e de sua comida pelo chão”.

O casal decidiu então colocar uma pequena mesa em um canto da cozinha, onde o velho comia sozinho, enquanto a família desfrutava do jantar no lugar de costume. Desde que o avô tinha quebrado um ou dois pratos, a comida dele passou a ser servida em uma tigela de madeira.

Quando a família olhava de relance na direção do velho, às vezes percebiam nele lágrimas nos olhos por estar só. Ainda assim, as únicas palavras que o casal tinha para ele eram advertências acentuadas por derrubar algo no chão. O menino assistia e prestava atenção a tudo em silêncio.

Certa noite, antes da ceia, o pai notou que a criança estava brincando no chão com sucatas de madeira e perguntou docemente ao menino: “O que você está fazendo?”

De modo inocente ele respondeu: “Eu estou fabricando uma pequena tigela para você e a mamãe comerem sua comida quando eu crescer”, e voltou a trabalhar.

Essas palavras fizeram os pais emudecerem e as lágrimas vieram aos seus rostos. Naquela mesma noite, o pai pegou o avô gentilmente pelas mãos e o levou até a mesa de jantar onde ele passou a comer com a família todos os dias.  A partir daquela data o casal não se importava mais com o garfo ou a comida que caía no chão, nem com o leite derramado sobre a toalha da mesa. (adaptado de autor desconhecido).

O estatuto do idoso completou 11 anos no dia 1º de outubro, no entanto, ele só terá efeito quando for entendido no seio das famílias. Nesse sentido, aliás, nem seria necessário um estatuto.

Eis aí a tua mãe!
Nós, cristãos, temos a Palavra a qual nos ensina muito a respeito deste assunto. “Honra a teu pai e tua mãe”, “Ensina a criança no Caminho em que deve andar”, “cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades”. Todavia, dentre todos, o que eu mais gosto vem do Mestre. “Quando Jesus, contudo, viu sua mãe e junto a ela o discípulo a quem Ele amava, disse à sua mãe: ‘Mulher, eis aí teu filho!’” (Jo 19,26).

Em meio à dor torturante da cruz e antes que tudo fosse consumado (v. 30) Jesus lembrou-se daquela que o carregou no ventre, alimentou e o educou até que se tornasse homem feito. Não, Ele não poderia deixá-la só, então: “Em seguida, disse Jesus ao seu discípulo: ‘Eis aí a tua mãe!’ E daquele momento em diante, o discípulo amado a recebeu como parte de sua família.” (Jo 19,27b)

2 de outubro de 2014

A igreja do futuro é velha

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O Brasil está envelhecendo













Os gráficos mostram aquilo que já vem sendo anunciado nos últimos anos: a população brasileira está envelhecendo. O número de pessoas com mais de 60 anos saltou de 8,6% da população brasileira, em 2000, para 10,8%, em 2010. No outro extremo houve grande queda no número de jovens até 19 anos. No total, houve um acréscimo de  21 milhões de pessoas em 2010.

Comparando este acréscimo nas faixas etárias percebe-se uma redução de 5,3 milhões de pessoas (-21%) entre os jovens de até 19 anos e, ao mesmo tempo, um aumento de 6,1 milhões de pessoas (41,7%) entre os mais idosos.

Estima-se que o grupo com 60 anos ou mais será maior que o grupo de crianças com até 14 anos em 2030 e, em 2055, irá superar o grupo de jovens com até 29 anos. Com o crescimento cada vez menor na base da pirâmide etária, em 2043, pela primeira vez, o número de mortes superarão os de partos em 2%. Esse percentual vai aumentar gradualmente até 2060 quando o número de idosos será três vezes maior do que hoje (em relação a 2013).

A longevidade é um dos fatores influenciadores deste fenômeno mundial. A expectativa de vida do brasileiro que era de 69,8 anos, em 2000, deve chegar a 81,2 anos em 2060 graças aos avanços da medicina e das políticas públicas adotadas pelos governos.

Expectativa de vida ao nascer - 2000/2060



As crianças estão diminuindo
Mas, para o pesquisador Gabriel Borges a longevidade não é o fator mais importante para o envelhecimento dos brasileiros. “O envelhecimento da população acima dos 65 anos tem a ver com a diminuição da fecundidade. Você diminui o número de jovens e tem o aumento relativo dos idosos. Mesmo sem o avanço da expectativa de vida, os idosos aumentariam”. Estudos mostram que as brasileiras hoje têm um terço dos filhos da década de 1940. Mesmo os estados do Norte/Nordeste registram uma forte queda no número de bebês (2,47% e 2,06% em média respectivamente). Esses números tornam-se ainda mais significativos quando considera-se a forte queda da mortalidade infantil nessas regiões. Ou seja, se há uma redução na mortalidade infantil então há de fato uma redução no número de bebês.























Os problemas sociais 
Esse perfil mais maduro do brasileiro representa mudanças na estrutura das cidades. No Amazonas, por exemplo, faltam asilos. Para a vice-presidente da Fundação Dr. Thomas, Ana Lúcia Araújo, “o melhor acolhimento para o idoso ainda é no seio da família”. De modo geral o acesso ao lazer e a saúde são as maiores demandas sociais dos idosos do país.

Os problemas econômicos
A economia é o setor mais afetado por esse desequilíbrio: força produtiva versus aposentados. Segundo Ana Lúcia Saboia “Hoje em dia a população de idosos que recebe benefícios é muito expressiva, grande parte recebe contribuições de transferência de renda. Os trabalhadores (que irão se aposentar no futuro e em tem carteira assinada) têm mais garantias. O sistema previdenciário tem que estar atento ao envelhecimento”.

Enquanto o número de aposentados vem crescendo a população ativa vem caindo. Ora, grande parte dos  recurso que pagam as aposentadorias (um direito) vem da força de trabalho dos mais jovens (em queda) e, como se diz na economia, a conta não fecha. É por isso que a partir de 1998 os governos vem alterando as regras para o recebimento integral do benefício. A contribuição dos aposentados para INSS e o valor proporcional (e não integral) do salário foram tentativas de equacionar o problema. Outra medida adotada foi a criação do Fator Previdenciário (FP) apelidado de fórmula 95/85. Para ter direito à aposentadoria integral o trabalhador precisa somar o tempo de contribuição com a idade (95 para os homens e 85 para as mulheres). Entretanto considerando-se a realidade atual, já se fala em 47 anos de contribuição para os homens e 42 para as mulheres.

A questão econômica é tão séria que hoje existem vários processos de desaposentadoria, o que, em linhas gerais, vem a ser o retorno do aposentado ao trabalho a fim de completar os anos necessários para aposentadoria integral.

A questão do Estatuto
Cumprindo seu papel legislativo o Estado aprovou o Estatuto do Idoso em 2003 (Lei 10.741/03) e a partir dele, estados e prefeituras vêm criando normas, procedimentos e adequações que visam atender a pessoa com mais de 60 anos.

Os problemas do Estatuto
Duas críticas são frequentes ao Estatuto. A primeira: pequeno avanço desde 2003. Políticas públicas não implementadas, direitos não respeitados e a assistência do Estado pouco presente. A segunda: A idade da pessoa idosa. Alguns analistas entendem que 60 anos, conforme os padrões da ONU, não é a idade mais adequada para se considerar uma pessoa idosa e sugerem a mudança para 65 anos.

Onde vivem os idosos
O estado de São Paulo comporta o maior número de idoso do país (5,4 milhões) e o Rio de Janeiro é a unidade da federação em que o grupo da terceira idade é mais expressivo em relação à população total (15%). Na lista dos dez bairros do Brasil com maior proporção de idosos, a capital fluminense possui nove segundo Censo 2010 do IBGE.

O problema da mobilidade urbana
A mobilidade urbana é um problema comum às grandes cidades e nos municípios com grande concentração de pessoas com mais de 60 anos o desafio torna-se ainda maior.

O acesso à informação
Outro desafio às prefeituras destes lugares é o acesso à informação. Muitos serviços não são usados pelo desconhecimento por parte dos usuários.  Num Brasil que envelhece cada vez mais, a sociedade precisa participar da discussão de como tratar os idosos dos país suas demandas e seus direito porque essa é uma questão posta inexoravelmente a cada brasileiro mais cedo ou mais tarde.

A falta de preparo para velhice
Após uma longa pesquisa, Paul Tournier afirma em sua obra, É Preciso Saber Envelhecer, que a falta de preparo é a principal causa da baixa qualidade de vida na aposentadoria e na velhice. Para o autor é preciso planejar a aposentadoria entre os 40 e 50 anos porque, em geral, a aposentadoria apresenta-se como um momento muito angustiante para homens e mulheres.

“É terrível ... estou aposentado há três meses! Nunca pensei que fosse tão duro.”, confessa um velho amigo de Paul. No segundo encontro, ele torna a perguntar: “E então, como vão as coisas?”  “Muito bem! O banco que eu trabalhava precisa organizar um trabalhinho de classificação, então me pediram para ir algumas horas por dia. É uma grande sorte”, responde o amigo. Conclui então o autor “... esse homem, capaz de encontrar tão facilmente novo impulso para um trabalho que, há pouco, deixaria para outro mais jovem ... contentava-se com uma modesta possibilidade de brilho; pouca coisa bastava para transfigurá-lo”.

Essa também é uma realidade no Brasil. Impulsionados pela necessidade de completar a renda ou de refrear a angústia da aposentadoria muitos voltam a mercado de trabalho e, na maioria dos casos, exercendo funções tidas como menores por eles a pouco tempo. Em fevereiro deste ano A Folha de São Paulo destacou: “Emprego para mais velhos é o que mais cresce no país”. Na mesma época o portal da União Geral dos Trabalhadores (UGT) publicou matéria sob o título “A contratação de idosos é dez vezes maior que de jovens.”

Em seu livro, Tournier também aborda a questão da aposentadoria da mulher. Numa entrevista, a esposa de Leon Zitrone declara-se feliz no seu papel de ajudar o marido famoso. “Quando está em casa é absorvente. Sempre precisa de uma coisa.” E logo a seguir, confessa: “Levamos uma vida muito dinâmica; se meu marido morresse, eu afundaria por completo.”

A perda de sentido da vida após a viuvez não privilégio de mulheres bem-sucedidas como ela. “Muitas mulheres sacrificam de bom grado sua vida pessoal, para satisfazer os caprichos do marido ... E subitamente, após a viuvez, a mulher se vê em meio a um deserto.” Esta é a realidade de grande número de viúvas (e viúvos) no Brasil.

Um destaque necessário: Paul Tournier começa pelo tema aposentadoria porque, em suas próprias palavras: “Se aposentadoria anuncia a velhice, esta anuncia a morte”, razão pela qual o último capítulo do livro trata da questão da fé.

A visão da igreja
Para Tournier há um ponto comum entre estes dois termos: “o indivíduo que busca o sentido da vida, ou o ancião que busca o sentido da velhice, no fundo questiona o sentido da morte ... no entanto o sentido da morte é um problema religioso por excelência.” O papel da igreja é fundamental neste contexto. “Se minha vida tem um sentido, se posso vivê-la olhando para frente e não para trás ... é porque ela caminha para além da morte”, afirma serenamente o autor. Tema imperativo, mas que exige enfoque diferente, naturalmente. “É preciso reconhecer que todas as nossas igrejas cristãs exploraram por séculos, e de forma abusiva, o medo natural dos homens diante da morte, para assegurar domínio sobre eles.”

A visão romântica do idoso
A obra de Tournier, feita sobre encomenda nos idos dos anos 70 e no contexto europeu, se apresenta bastante atual quanto a visão romântica sobre a pessoa idosa. “Manter falatórios joviais com um ancião, cuidando-nos para não nos referimos ao tema da morte, pode converter-nos em cúmplices desse artifício ingênuo, que deixará o velho sozinho à mercê de sua angústia”. Por vezes a igreja se deixa levar pelos modismos da sociedade e, de forma ingênua, adota termos como “melhor idade”, “boa idade”, entre outros. No fundo tais recursos, constituem, em certa medida, uma fuga dos temas que angustiam a pessoa idosa (termo politicamente correto para velho. Será?)

A visão decaída do velho
No prefácio do livro, o psiquiatra Joel Tibúrcio de Sousa - membro do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos destaca que “Os tempos são outros. Envelhecer hoje não é como envelhecer nos dias de Paul Tournier.”, referindo-se ao grande valor da obra apesar da diferença no contexto em que ela foi escrita, há 4 décadas. “Daí a provável estranheza de alguns exemplos do autor”, conclui.

Se por um lado a sociedade (e a igreja) ainda mantém uma visão romântica a respeito dessa fase da vida intitulada de melhor, maior, boa idade etc., por outro, a ideia de uma velhinha sentada numa cadeira de balanço fazendo crochê está longe de ser 100% verdadeira. Em 2103, nos EUA, a participação de usuários acima de 65 anos no Facebook cresceu 10%. No Brasil O Globo publicou matéria semelhante: “Idosos internautas compõem grupo que mais cresce nas redes. Presença nas redes é alternativa para fugir do isolamento do mundo real”. Assim como os avanços da medicina, a tecnologia e as ferramentas de interatividade tem ajudado o idoso a “fugir do isolamento”.

A chamada terceira idade não é tanto nem tão pouco como são mostrados na maioria dos casos. Há que se buscar um equilíbrio ou realismo, eu diria. Envelhecer é uma arte que pode ser aprendida e “É Preciso Saber Envelhecer é um livro urgente para ainda jovem igreja brasileira.” Numa combinação entre “conhecimento bíblico e psicologia, Paul Tournier aborda importantes questões, como tédio, solidão, saúde, aposentadoria, aceitação e morte. Um livro tão importante como este deveria ser lido por aqueles que estão na casa dos vinte, e para aqueles que estão chegando aos quarenta deveria ser leitura obrigatória”, cometa a revista cristã The Christian Century

Prólogo
Neste artigo busquei sintetizar e ao mesmo tempo extrair o máximo do material pesquisado visando alcançar três objetivos: 1) Informar: Organizando da forma mais clara possível as informações sobre o perfil dos brasileiros nos próximos anos (alguns dados nos surpreenderam); 2) Refletir: Oferecendo elementos a uma reflexão mais fundamentada na realidade do idoso e sua vida no seio da igreja; 3) Agir: Aguçando nos leitores o desejo de avaliar com maior profundidade o que foi aqui exposto no sentido de encontrar as resposta para realidade de cada igreja. (todas as referências usadas estão no rodapé).

Por exemplo, informar. A partir dos números e gráficos um líder do Rio de Janeiro pode planejar o espaço do tempo oferecendo acesso e cuidados aos idosos porque sabe que o crescimento da terceira idade na capital fluminense tende a ser maior do que média nacional. Noutra cidade, consciente desse movimento migratórios dos aposentados, o líder dedicará maior atenção a questão da lidrança da igreja.

Com base na leitura do livro de Tournier e os recentes contatos com grupos afins de algumas igrejas (poucas, confesso) a sensação é de que a igreja está menos contextualizada a respeito da situação do idoso do que a sociedade civil. O recente Estatuo e as políticas públicas adotadas em poucas cidades de forma ainda modesta constituem avanços maiores do que os movimentos das igrejas sob o mesmo tema. A economia, em particular, já entendeu o potencial produtivo do idoso enquanto a igreja parece não ter percebido a fortes mudanças no seu rol de membros em 2030, 2043 e 2060, por exemplo. Com isso não quero ressaltar o aspecto econômico em si mesmo ou o número de membros friamente. O destaque econômico é quanto às angústias e dissabores financeiros que levam os idosos a abandonarem as merecidas férias (a aposentadoria) e voltar ao trabalho sendo explorados ou não. Quanto ao número de membros refiro-me ao maior cuidado necessário ao crescente número de idosos das/nas igrejas.

A igreja do futuro é velha
Esses dados devem servir de alerta porquanto a igreja reflete a sociedade (neste caso). Olhando a evolução das últimas décadas é possível prever com grande margem de certeza os próximos quarenta anos. Não serão as crianças a igreja do futuro, mas os longevos. A igreja do futuro será uma igreja velha composta de pessoas com conflitos, limitações e capacidades próprias à sua idade. A igreja precisa ficar atenta e agir o quanto antes.

Referências
Gráficos
Pirâmide etária (IBGE)
Nascimentos e óbitos (IBGE)

Notícias
Brasileira tem um terço dos filhos da década de 1940 (R7)
Número de nascimentos no Brasil cai 10% em 8 anos (VEJA)
Segundo IBGE mortalidade vai ultrapassar nascimento em alguns anos no Brasil (EPOCH TIMES)
Idosos são grupo que mais cresce no facebook (Estadão)
Idosos internautas compõem grupo que mais cresce nas redes (O Globo)
Brasil vai se tornar um país de idosos já em 2030, diz IBGE (Terra)
Cresce o número de idosos e faltam asilos no Amazonas (Diário do Amazonas)
Dados do IBGE apontam redução da natalidade no Amazonas (Diário do Amazonas)
Proporção de idosos no Brasil deve ser três vezes maior em 2060, diz IBGE (UOL)
Rio de Janeiro é capital brasileira com mais idosos (R7)
Rio tem 9 dos 10 bairros com mais idosos do Brasil, diz Censo 2010 do IBGE (R7)
Em 2040, população idosa vai superar número de jovens (R7)
Tempo de contribuição para aposentadoria pode aumentar (VEJA)
Fórmula 95/85 (A Tribuna)
Acolhimento e Envelhecimento (Área temática-Saúde do Idoso: SP - Texto em PDF)
Número de idosos dobrou nos últimos 20 anos no Brasil, aponta IBGE (UOL)
Emprego para mais velhos é o que mais cresce no país (Folha de São Paulo)
Contratação de idosos é dez vezes maior que de jovens (União Geral dos Trabalhadores - UGT)

Livro
É Preciso Saber Envelhecer (Paul Tournier)
Ano: 2014
Editora: Ultimato
ISBN: 978-85-7779-110-1
Páginas: 280
Assunto: Aconselhamento, Liderança, Vida Cristã


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