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5 de março de 2016

Orações que Deus ouve

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Outro dia fiquei desconfortável com uma oração feita em favor dos nossos pequeninos, algo bastante frequente entre nós.
 " ... Pai, protege os nossas crianças da violência, da maldade deste mundo etc."
Estava atento quando, de repente, senti como quem "ouve" uma voz ...

Pai de duas meninas quase chorei, não só por elas, diante deste mundo mal. Pensei, antes, nas tantas crianças abandonadas a própria sorte nas calçadas e marquises das ruas da cidade. Confesso, me senti tão egoísta com aquela oração.

Com a voz embargada murmurei:  "Pai, proteja, primeiro, as crianças abandonadas nas ruas, com fome, com frio e com medo da violência e, se possível, livra as nossas de tão vil destino."

3 de janeiro de 2016

O poder de Deus na igreja primitiva

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Afinados com a Convenção Batista Brasileira, trabalharemos este ano com o tema “Transformados pelo Poder do Reino de Deus”, cuja divisa se encontra em 1Co 4.20: “Porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder”. Poder presente na fundação do cristianismo. “E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.” (At 2.47)

No texto, o “sujeito” da ação de acrescentar é o Senhor. A igreja dos primeiros séculos dependia totalmente da ação direta do Espírito Santo. Movidos por Ele, os cristãos tinham suas vidas e pensamentos completamente mudados. No entanto, não era essa mudança que acrescentava pessoas à igreja, mas o Senhor. Em outras palavras, o poder de Deus levava as pessoas ao arrependimento e a uma nova vida: “haviam de se salvar.”

O Apóstolo Paulo, homem de profundo conhecimento e dotado de grande poder (de Deus) disse certa vez: “Quem é, portanto, Apolo? E quem é Paulo? ... Eu plantei; Apolo regou; mas foi Deus quem deu o crescimento.” (1Co 3.5-6) Paulo tinha total consciência de que não foi ele, com sua “sabedoria humana”, nem Apolo, com sua eloquência, que haviam firmado os fundamentos da igreja de Corinto.

Na igreja de Atos não era diferente. Apóstolos e gentios eram apenas instrumentos nas mãos do Todo-Poderoso. Se tomarmos o mesmo versículo na ordem direta (sujeito, verbo e predicado), entendemos mais facilmente o sentido do texto. “E, assim, a cada dia o Senhor juntava à comunidade as pessoas que iam sendo salvas.” (KJA) Nesta versão, fica clara a ação do Espírito Santo: acrescentar os salvos. Só ele tem esse poder de salvar e, portanto, fazer a igreja crescer.

Por isso, o tema deste ano é de suma importância para todos nós. O Reino de Deus cresce pelo poder sobrenatural daquele que é o dono da igreja. Como diz o tema: O reino de Deus não consiste em palavras: discursos, mera conversa ou papo furado – dependendo da versão da Bíblia. O reino de Deus sempre será fundamentado no Seu poder, porque o reino é Dele e só Dele. Foi assim no início do cristianismo, na chamada igreja primitiva, e sempre será na igreja onde Jesus Cristo é o Senhor.

Que 2016 seja um ano cheio do poder de Deus em nós, a sua igreja!

Com carinho,

Leonardo Martins.

7 de novembro de 2015

A gratidão do velho Jacó

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José, filho de Raquel, era o preferido de Jacó. Por ciúme e inveja os irmãos o venderam e fizeram o pai acreditar que ele havia morrido. Um sofrimento muito grande: “Todos os seus filhos e filhas se achegaram para oferecer-lhe consolo, contudo ele recusou toda e qualquer consolação, e declarou: ‘Não! É em luto que descerei ao Sheol para me encontrar com meu filho!” (Gn 37.35).

Raquel, a amada de Jacó, morreu no parto de Benjamin. Por isso, quando o Governador do Egito (José) prendeu Simeão até que lhe trouxessem o irmão caçula, Jacó escolheu Benjamin. Nem Ruben fez o pai mudar de ideia. “Podes tirar a vida de meus dois filhos se eu não o trouxer de volta.” (Gn 42.37). Jacó morreria de tristeza se algo acontecesse a Benjamin e todos sabiam disso: “O menino não pode se ausentar de seu pai; se ele deixar seu pai, este morrerá de desgosto” (Gn 44.22), disse Judá ao Governador do Egito.

Mas uma notícia o reanimou. “Basta! José, meu amado filho, ainda está vivo! Que eu vá imediatamente vê-lo antes de morrer!” (Gn 45.28). Quando Jacó chegou ao Egito e José viu seu pai “correu para abraçá-lo e, abraçando-o com grande emoção, chorou longamente.” (Gn 46.29).

Com frequência, a história de José é lembrada por seu perdão aos seus irmãos, pelo modo como Deus o usou para salvar toda a terra e a própria descendência, e por sua integridade diante de todas as injustiças e tentações que sofrera. No entanto, a perspectiva de Israel (Jacó) não é menos comovente.
O homem que, à beira da morte, revive ao saber que José vivia, se declara feliz pelo simples fato de rever seu filho. “Agora, pois, já posso morrer em paz, porquanto vi o teu rosto e sei que ainda estás vivo!” (Gn 46.30). Mas Jacó também precisou fazer escolhas. Viver a amargura e o rancor pelos anos de separação de José ou viver intensamente a alegria de tê-lo ao seu lado. Viver em atrito com seus filhos por tudo que eles lhe fizeram ou viver em paz com todos e em família.

Jacó morreu feliz porque escolheu deixar no passado toda dor que sofrera e, olhando para o presente com alegria, viveu o futuro com esperança. Se o valor de uma história está no modo como ela termina, a história de Jacó termina com um coração cheio de gratidão ao Senhor. “A mim, que não tinha mais a esperança de rever teu rosto, eis que Deus me concede a bênção de ver até teus descendentes!” (Gn 48.11).

Tão comovente como a história de José é perceber a gratidão do velho Jacó.

O Cristianismo da pureza

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A vida é tão curta e nós tão frágeis. Deveríamos aproveita-la mais nos ocupando das coisas realmente importantes.  Via de regra o cristão deveria ser feliz. Feliz porque tem uma nova vida a qual nunca se acaba. Uma vida que começa aqui e vai à eternidade. Contudo, como ser feliz neste mundo? Ou melhor, como ser um cristão puro diante de um mundo contaminado? Como ser puro diante de igrejas que se deixam contaminar pelos valores mundo?

Pureza, simplicidade e humildade. “Em verdade vos digo que qualquer que não receber o reino de Deus como menino, de maneira nenhuma entrará nele”. (Marcos 10.15).

O Cristianismo puro é simples como é um menino. O cristianismo puro/autêntico é vivido por um coração puro. O Cristianismo puro/verdadeiro é vivido com humildade. Afinal, quantos têm condições de perceber as malícias e artimanhas deste mundo? Quantos percebem a volúpia dos corações de seus líderes? Isso pouco importa! Se o homem pode fazer bem e não faz, peca. Contudo, o cristão humilde sabe discernir uma coisa da outra pela razão? Só pelo Espírito.

É o Senhor quem dá dons a quem Ele quer. Ai daqueles que têm o dom de governo e não governam. Ai daqueles que têm o dom de pastoreio e são mercenários. Ai dos que têm o dom de mestre e não ensinam. Cada dará conta de si e estes darão conta também dos que lhe foram confiados. “E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá”. (Lucas 12.4b).

É preciso ser como um menino para viver o Evangelho de Cristo. É preciso depender como um menino, orar e chorar como um menino. É preciso ter a pureza, a franqueza, a alegria e a simplicidade de um menino. Por isso, não importa ao cristão puro/íntegro os desvios dos outros. O que importa é guardar o seu coração reto diante do Senhor! Simplicidade, é isso que Ele nos pede. “E que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a misericórdia e andes humildemente com o teu Deus?” (Miquéias 6.8c).

Talvez alguém pergunte: - E as agruras da vida? O que fazer num mundo mal e violento? Respondendo com outra pergunta: o que fazer? Matar, morrer? Não, viver!

Portanto, viva e deixe viver! A vida é dura e também bela.
Viver uma vida justa, simples e humilde diante de Deus. Essa é a teologia de Jesus, este é o cristianismo puro que Ele nos ensinou. As demais coisas são importantes (os desvios de pessoas mal intencionadas), mas não são as essenciais.

6 de novembro de 2015

Bereanos ou baderneiros?

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Cena 1: Atos 17.1-9

Ao chegarem a Tessalônica Paulo e Silas fazem o habitual, vão à sinagoga. Por três sábados Paulo explica e comprova: “Este Jesus que vos anuncio é o Messias!” (v. 3)

Resultado 1: “alguns dos judeus foram convencidos e se uniram a Paulo e Silas, bem como uma multidão de gregos obedientes a Deus e diversas senhoras da alta sociedade local.” (v. 4)

Resultado 2: Com “forte inveja” os líderes judeus reuniram homens perversos dentre os desocupados para causar um tumulto na cidade, e ainda, acusaram Paulo e Silas diante dos governantes: “Estes que têm causado alvoroço em todo o mundo, agora chegaram também aqui.” (v. 6)

Cena 2: Atos 17.10-16

Paulo e Silas vão para Berea e fazem a mesma coisa, vão à sinagoga anunciar o Messias.

Resultado 1: Os bereanos dedicaram-se a estudar a Escritura para verificar se o que Paulo dizia “correspondia à verdade.” (v. 11)

Resultado 2: Muitos judeus, gregos e mulheres da alta sociedade creram em Jesus. (v. 12)

Resultado 3: Os líderes judeus de Tessalônica foram imediatamente à Berea, cerca de 102km de distância por rodovia, para causar confusão na cidade. (v. 13)

Por um lado, é fácil entender a narrativa, por outro, alguns elementos ajudam na compreensão do significado mais profundo do texto. Vide vocabulário abaixo.


Baderneiros

A inveja nunca dá bons frutos.

1) Rejeição. Paulo provou pela Escritura a verdade sobre o Messias. Diante dela, uns aceitaram, outros rejeitaram. Paulo esteve com eles por três sábados, tempo suficiente para que a Escritura fosse examinada e, se estivesse errada, fosse contestada. Eles sabiam que não estava porque Paulo provou, pela Escritura, que Jesus era o Messias. Portanto, aqueles líderes rejeitaram a Escritura, a Verdade e o Messias, e não a Paulo e Silas.

2) Perseguição. Não podendo refutar a Escritura, decidiram perseguir seus pregadores, Paulo e Silas. Talvez seja essa uma das tantas perseguições que Paulo fala em 2Co 11.

3) Abuso. Usando de uma autoridade que tinham (religiosa) invadiram a casa de Jasom com uma autoridade que não tinham (policial). (v. 5)


















4) Insanidade. A palavra inveja, no original, é “forte inveja”. Tal sentimento levou os líderes da religião judaica (a religião de Deus) a se associarem com as piores pessoas da cidade, por mais incrível que isso possa parecer. Uma associação impensável: Juntar religiosos com maus-caracteres. Naquela época muitas pessoas trabalhavam por um salário diário (os diaristas dos nossos dias). Mas os religiosos contrataram justamente aqueles que estariam dispostos a fazer um “trabalho sujo”.

5) Mentira. Os defensores da verdade divina descumpriram o mandamento de Deus: “Não darás falso testemunho contra o teu próximo.” (Êx 20.16) Mentiram intencionalmente acerca de Paulo e Silas aos magistrados romanos. Também na condenação de Jesus, um grupo de líderes religiosos mentiu acusando Jesus perante Pilatos, o governador da Judéia: “Encontramos este homem subvertendo a nossa nação. Inclusive, proibindo o pagamento de impostos a César e se dizendo o Messias, o Rei!” (Lc 23.2)

6) Covardia. Fraudulentamente colocaram pessoas simples (os servos de Deus) contra as autoridades do governo romano: “eles estão agindo contra os decretos de César, proclamando que existe um outro rei, chamado Jesus!” Assim como a atitude de Pilatos foi de tentar libertar Jesus, em Lucas 23, a atitude dos magistrados (não crentes) foi favorável aos inocentes: “libertaram Jasom e os demais irmãos ... ” (v. 9a)

7) Prejuízo ao reino de Deus. A justiça feita a Jasom teve um preço. Eles foram libertos “ ...  após o pagamento da fiança estipulada.”  (v. 9b)


Bereanos

Com frequência ouvimos a expressão, sou bereano! Bereano tornou-se um adjetivo, um sinônimo de virtude atribuída ao cristão atento à leitura da Bíblia. Ou seja, aquele que sempre investiga se o que está sendo exposto está de acordo com a Escritura.

Em primeiro lugar, ser leitor atento da Bíblia é de fato uma virtude, – quanto mais nestes tempos em que ela é mal lida ou negligenciada –, no entanto, Tiago vai além: “Sede praticantes da Palavra e não simplesmente ouvintes, iludindo a vós mesmos.” (Tg 1.22) Ler a Bíblia não é a maior das virtudes e conhecê-la também não, principalmente se considerarmos que o Diabo usou a Escritura para tentar o Filho de Deus.

Em segundo lugar, os líderes de Tessalônica, perseguidores de Paulo e Silas, examinavam atentamente a Escritura. Eles eram líderes da religião judaica e a ensinavam na sinagoga, onde haviam muitos prosélitos (os gregos). Tanto examinavam que não puderam confrontar Paulo. A Escritura era de conhecimento de todos, por isso várias pessoas foram convencidas, pela Palavra, que Jesus era o Messias. Portanto, não havia falta de conhecimento ou exame das Escrituras em nenhuma das duas cidades.

Em terceiro lugar, os bereanos não eram deslumbrados com a eloquência de Paulo (como também não o foram os de Tessalônica). A mensagem recebida no sábado foi “ruminada” todos os dias da semana: “dedicaram-se ao estudo diário das Escrituras”.
Por último, eles avaliaram se tudo era mesmo verdade (assim como fizeram os moradores de Tessalônica).

Logo, a virtude dos moradores de Berea consistia em sua mente “mais nobre”. Havia genuíno interesse pela Palavra de Deus a qual recebiam com “vívido interesse”. Ora, só se interessa por algo quem está, de algum modo, comprometido com esse “algo”. Os bereanos queriam conhecer a Escritura para viver segundo Ela e não apenas saber por saber, muito menos intentaram rejeitar a Verdade da Escritura. Por isso, a reação dos homens de Berea foi oposta a dos líderes da cidade vizinha.

Por um lado, examinavam atentamente o que era pregado para não serem levados por qualquer vento de doutrina. Por outro, estavam dispostos a abrir mão da tradição, dos conceitos e pré-conceitos religiosos, e, de toda e qualquer liderança que tivessem em prol da Verdade da Escritura. Para aqueles homens não importava se quem estava pregando era o rabino mais sábio de Jerusalém, o apóstolo Paulo ou qualquer iletrado. Se a Verdade os confrontasse mudariam de procedimento submetendo-se a Palavra de Deus. Nisso consistia a nobreza dos cristãos de Berea. Para os homens da cidade de Berea a Escritura era “a suprema regra de fé e prática”.

Mas a inveja é incansável em fazer o mal. Como os bereanos não se opuseram a verdade apresentada por Paulo e Silas, os religiosos tomaram uma atitude: “.. quando os líderes judeus de Tessalônica tomaram conhecimento que Paulo estava ensinando a Palavra de Deus em Berea, rumaram imediatamente para lá, agitando e instigando a população.” (v. 13)

Definitivamente a inveja é destrutiva em todos os sentidos.


Nos dois casos, Paulo não refutou, reagiu ou defendeu-se das acusações mentirosas. Ao ser perseguido, não criou confusão nas cidades onde passou, antes partiu para outro lugar e continuou anunciando que Jesus é o Messias. E, para isso, usava tão somente a Escritura. Sola scriptura.

Conclusões

Diante da Verdade ninguém fica imparcial. Ou rejeita ou aceita. Quem não se submete a Escritura a persegue, se rebela e nega a soberania do Senhor sobre a sua vida.

Conhecer a Escritura não torna ninguém melhor. Dependendo da intenção do coração pode, até, levar a práticas ruins e impensáveis.

A Verdade sempre é bíblica. Anunciar o Evangelho nunca pode prescindir da Escritura. Assim faziam Paulo e Silas.

Ser cristão não é e nunca foi sinônimo de “alvoroçador” (arruaceiro, baderneiro). Embora na língua portuguesa alvoroço possa assumir um valor positivo, e até de virtude, o texto de Atos 17, não confirma isso.

O cristão chamado bereano examina atentamente a Palavra com coração nobre, ou seja, disposto a moldar a sua vida a vontade do Senhor Jesus. Por isso, tem compromisso com a Escritura a fim de conhecer o propósito de Deus para sua vida.

Finalmente, o que se chama bereano, deve ser um leitor atento da Escritura para não ser levado por um discurso bem elaborado, de quem quer que seja, e acabar fazendo ou repetindo o que não agrada a Deus e não é bíblico.

Bereano, sim, baderneiro, nunca!



Vocabulário.

1 – Desocupados (agoraio). a) mascates, pequenos comerciante, distribuidores varejistas; b) vadios, ociosos, o povo simples, humilde, povo pobre.

2 – Perversos (poneros). Mau, de natureza ou condição má. a) num sentido físico: doença ou cegueira; b) num sentido ético: mau, ruim, iníquo.

3 – Alvoroçar (anastatoo). Agitar, excitar, perturbar. a) incitar tumultos e sedições no estado; b) inquietar ou perturbar pela disseminação de erros religiosos.

4 – Nobre (eugenes). 1) bem nascido, de família nobre; 2) de mente nobre.

Texto em homenagem a todos os bereanos submissos a Escritura e dedicados ao estudo “com o propósito de avaliar se tudo correspondia à verdade.”

Referência bíblica: BJK


9 de agosto de 2015

Pai é PAI e não ajudante da mãe!

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Por Içami Tiba

Paternidade é uma função própria do pai, com direitos e obrigações familiares importantes. Pai não é coadjuvante da mãe, é seu complementar.

A mãe costuma pedir ajuda ao pai: Ajude aqui, por favor, fique um pouco com as crianças! Ele acha que está apenas ajudando a mãe e não se sente fazendo a sua parte. Muitos pais nada fazem enquanto suas mulheres não pedem. Para os filhos não interessa se é a mãe que está muito ativa ou se o pai é muito passivo. O que eles precisam é de pai e de mãe. Neste ponto, alguns pais reclamam que suas mulheres os tratam como se fossem filhos.

Paternidade é a atitude de estar pronto a atender seus filhos, sem esperar que a mãe peça.
Um pai acomodado, além de não ser um bom exemplo na família, estimula o filho a explorar a mãe. Numa família assim pode se estabelecer uma confusão entre pai acomodado/pai bonzinho e mãe ativa/mãe rabugenta – quando na realidade o pai é negligente e a mãe ativa é obrigada a cobrar as obrigações de todos.

Fica muito clara esta situação quando uma mãe reclama que ela é a “pãe” da família. Ela tenta preencher também as funções de pai, o que é quase impossível.

Há muitos homens, no entanto, que já assumem bem mais seu papel. Muito longe de querer substituir a mãe, eles querem tomar parte na educação do filho. Reparei em um passageiro que, em pleno voo, trocava as fraldas de seu bebê, que deveria ter um ano de idade. A mãe não estava presente. Um bebê cuidado pela mãe e pelo pai cresce com menos preconceitos e com menos machismo. Aquela família parece estar desenvolvendo a Alta Performance.

*Içami Tiba: Psiquiatra, escritor e o educador com mais de 40 livros sobre o assunto entre eles os best-sellers “Quem ama, educa!” e “Limite na medida certa”.

26 de junho de 2015

Quem sabe faz a “obra”, não espera acontecer

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Após seu aprendizado Apolo desejou viajar para região da Acaia (onde ficava a igreja de Corinto), por isso "os irmãos o animaram e escreveram aos discípulos solicitando que o recebessem". Aquele que antes conhecia apenas o batismo de João, agora, provava "por meio das Escrituras, que o Messias é Jesus." (At 18.27-28). Enquanto Paulo preparava Timóteo para a igreja de Éfeso, Priscila e Áquila recomendavam Apolo, o futuro pastor de Corinto.

O que pensava o apóstolo sobre isso? Não sabemos ao certo se eles se encontraram ou não. Também não sabemos se foi Paulo quem recomendou Apolo à igreja de Corinto. No entanto, sabemos que Paulo reconhecia o preparo de Apolo e aprovava o seu ministério. "Quem é, portanto, Apolo? E quem é Paulo? Servos por intermédio dos quais viestes a crer ... Eu plantei; Apolo regou; mas foi Deus quem deu o crescimento." (1Co 3.5-6)

Os anciãos de Éfeso eram maduros o bastante para conduzir a igreja antes da chegada do futuro pastor, Timóteo. Priscila e Áquila os ajudaram nesse processo, pois tinham a visão de Reino e o senso de oportunidade ao capacitarem o jovem Apolo. Além disso, eles contavam com a confiança dos irmãos da região da Acaia e do apóstolo Paulo.

Atos dos apóstolos, com facilidade poderia ter como título: Atos da Igreja. Ela crescia de várias maneiras e em várias direções porque tinha um Corpo maduro. Havia uma clara harmonia entre aqueles irmãos, seja na visão de Reino, seja na confiança mútua, seja na preparação de novos líderes.

Quer fosse o apóstolo, quer fossem os leigos, todos estavam empenhados na edificação da Igreja de Jesus, na sua expansão e na capacitação de líderes que pudessem levá-la adiante. Foi assim que ela cresceu tanto e em tão pouco tempo. Foi assim que ela chegou até os nossos dias.

Paulo, Priscila, Áquila, anciãos e tantos outros, tinham absoluta clareza da missão, bem como a sua urgência. Parafraseando o poeta: "Quem sabe faz a obra, não espera acontecer".

17 de junho de 2015

O lápis

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O menino observava seu avô escrevendo em um caderno, e perguntou:
– Vovô, você está escrevendo algo sobre mim?

O avô sorriu, e disse ao netinho:
– Sim, estou escrevendo algo sobre você. Entretanto, mais importante do que as palavras que estou escrevendo, é este lápis que estou usando. Espero que você seja como ele, quando crescer.

O menino olhou para o lápis, e não vendo nada de especial, intrigado, comentou:
– Mas este lápis é igual a todos os que já vi. O que ele tem de tão especial?

– Bem, depende do modo como você olha. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir vivê-las, será uma pessoa de bem e em paz com o mundo – respondeu o avô.

Primeira qualidade: Assim como o lápis, você pode fazer coisas grandiosas, mas nunca se esqueça de que existe uma “mão” que guia os seus passos, e que sem ela o lápis não tem qualquer utilidade: a mão de Deus.

Segunda qualidade: Assim como o lápis, de vez em quando você vai ter que parar o que está escrevendo, e usar um “apontador”. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas ao final, ele se torna mais afiado. Portanto, saiba suportar as adversidades da vida, porque elas farão de você uma pessoa mais forte e melhor.

Terceira qualidade: Assim como o lápis, permita que se apague o que está errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos trazer de volta ao caminho certo.

Quarta qualidade: Assim como no lápis, o que realmente importa não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro dele. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você. O seu caráter será sempre mais importante que a sua aparência.

– Finalmente, a quinta qualidade do lápis: Ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida deixará traços e marcas nas vidas das pessoas, portanto, procure ser consciente de cada ação, deixe um legado, e marque positivamente a vida das pessoas.



(Autor desconhecido)

10 de junho de 2015

Gente madura frutifica enquanto edifica

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Passando por Corinto, Paulo encontra Áquila e Priscila, sua esposa, vindos da Itália porquanto Claudio baixara um decreto intimando que todos os judeus se retirassem de Roma. Percebendo que tinham a mesma profissão, Paulo passa a morar e trabalhar na casa deles fabricando tendas. Algum tempo depois aqueles novos crentes estavam prontos para acompanhá-lo em sua viagem. Passando por Éfeso, Paulo segue viagem, mas deixa o casal na cidade.

“Chegaram então a Éfeso, onde Paulo deixou Priscila e Áquila. ... Assim que chegou a Cesareia, subiu até a Igreja para saudá-la e depois desceu para Antioquia. Havendo passado algum tempo em Antioquia, Paulo partiu dali e viajou por toda a região da Galácia e da Frígia, encorajando todos os discípulos.” (At 18.19,22-23).

A importância de irmãos maduros na fé para igreja é sabida, Antes mesmo dos pastores e Mesmo com os pastores. Gente madura edifica!

Entretanto, enquanto Paulo estava fora, Priscila e Áquila fizeram a mesma coisa que o apóstolo lhes fizera. “Enquanto isso, chegou a Éfeso um judeu, natural de Alexandria, chamado Apolo, homem eloquente e que acumulava grande experiência nas Escrituras. ... E assim que Priscila e Áquila o ouviram, convidaram-no para uma visita à casa deles e lhe explicaram com acerto e clareza o Caminho de Deus.” (At 18.24,26).

Por um lado, eles sabiam a importância da sua fé madura para a igreja de Éfeso; por outro, tinham o mesmo senso de oportunidade de Paulo. O Jovem Apolo “com notável fervor pregava e ensinava com exatidão a respeito de Jesus, ainda que tivesse apenas o conhecimento do batismo de João.” (v. 25). Por isso, o casal apressou-se a ensinar aquilo que havia acabado de aprender a respeito do Messias. Gente madura frutifica!

Portanto, quem tem a fé madura reconhece a sua importância para a igreja local, bem como, está atento às oportunidades que Deus lhes apresenta. Apolo era uma “pedra bruta”, a qual foi “lapidada” por dois leigos, Priscila e Áquila. Gente madura é assim: frutifica enquanto edifica.

2 de junho de 2015

Mesmo com os pastores

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Movido de grande preocupação, Paulo deixa seu discípulo, Timóteo, em Éfeso. Não era para menos. “Alguns ... se desviaram desses princípios, e se entregaram a discussões sem valor algum, intentando ser mestres da Lei, quando não compreendem nem o que propalam nem os assuntos sobre os quais fazem afirmações com tanta convicção.” (1Tm 1.6-7). De que princípios o Apóstolo está falando? “Da obra de Deus, que tem como fundamento a fé”.

Os desvios daqueles crentes eram tão grandes que Paulo assevera na sua segunda carta: “nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens amarão a si mesmos, serão ainda mais gananciosos, arrogantes, presunçosos, blasfemos, desrespeitosos aos pais, ingratos, ímpios, sem amor, incapazes de perdoar, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, inconsequentes, orgulhosos, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus”(2Tm 3.1-4). Como Timóteo deveria agir?

“O que ouviste de mim diante de muitas testemunhas, transmite a homens fiéis e capacitados a fim de que possam igualmente discipular a outros” (2Tm 2.2). A recomendação é clara. 1) Aquilo que ouvistes (akouo: entender, compreender o que foi ensinado) de mim; 2) transmite (paratithemi: a partir [de si mesmo], explica); 3) a homens [ou mulheres] fiéis (pistos: pessoa que mantêm a fé com a qual se comprometeu, digna de confiança); 4) capacitados a discipular (didaskalos: alguém que ensina a respeito das coisas de Deus, e dos deveres do homem) a outros.

Portanto, para manter a igreja viva, Timóteo precisava focar na sã doutrina ensinada por Paulo e precisava lembrar-se da fé não fingida ensinada por sua mãe e avó. Todavia, para resistir aos “homens que tiveram suas mentes corrompidas”, ele precisava contar com pessoas maduras e capacitadas a ensinar a outros acerca da sua fé em Jesus Cristo. A igreja de Éfeso, mesmo com um pastor tão bem preparado, contava com servos fiéis à Palavra e a Missão de Deus

27 de maio de 2015

Antes mesmo dos pastores

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“De Mileto, Paulo pediu para que fossem chamados os presbíteros da Igreja de Éfeso ... tende cuidado de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos estabeleceu como epíscopos para pastoreardes a Igreja de Deus, q
ue Ele comprou com o sangue do seu Filho Unigênito.” (At 20.17,28)

Apóstolo dos gentios, Paulo foi quem mais contribuiu para a expansão do Reino de Deus na sua época. Dedicado e incansável, fundou duas das três maiores igrejas do império, Corinto e Éfeso. (Só não fundou a igreja de Roma). Durante três anos, em Éfeso, Paulo ensinou sobre o Reino de Deus com total zelo e dedicação: “jamais deixei de vos pregar nada que fosse proveitoso, mas vos ensinei tudo em público e de casa em casa” (v. 20). Agora, de partida para Jerusalém, ele sabia que não voltaria mais a ver aqueles irmãos; sabia dos riscos da sua partida e, por isso, grande era sua preocupação com o futuro da igreja ainda sem pastor. “Eu sei que, logo após minha partida, lobos ferozes se infiltrarão por entre a vossa comunidade e não terão piedade do rebanho” (v. 29).

É nesse contexto que o apóstolo entrega a responsabilidade daquela grande igreja aos anciãos (presbíteros), os quais nomeia bispos (epíscopos). Todos tinham o mesmo tempo de experiência cristã, três anos, todavia, os mais velhos (os anciãos) tinham mais experiência de vida. A igreja nascida de casa em casa não tinha templo, não tinha pastor e, agora, perderia seu líder, Paulo. Por outro lado, havia o perigo iminente e real da igreja se perder. Mas Paulo sabia que podia contar com os mais experientes: “tende cuidado de vós mesmos e de todo o rebanho...”.

Portanto, apesar da sua simplicidade, a igreja primitiva já contava com a liderança forte dos anciãos para continuar viva e proclamando o Reino de Deus. Uma liderança estabelecida pelo Espírito Santo para pastorear “a Igreja de Deus”: antes mesmo que chegassem os pastores.

26 de abril de 2015

Limites e limitações

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Segundo os dicionários a palavra limite está associada à ideia de fronteira, espaço e tempo, entre outros, que determinam o fim de algo ou alguma coisa. Mesmo subjetivamente há uma clara intenção de identificar até quando ou onde se pode ir. Neste sentido, é possível admitir ir além dos limites, porque limite é, em última análise, um acordo o qual pode ser quebrado. Ultrapassar fronteiras, avançar além do tempo determinado e até mesmo superar uma expectativa é ir além dos limites.

No 13º Congresso Vida Radiante o preletor, pastor João Melo da PIB em Vila da Penha, falou sobre limitações dando exemplo de Moisés. “eles não acreditarão em mim ... Eu nunca fui bom orador, nem antes, nem agora” (Êx 4.1-10). Há uma evidente diferença entre os dois termos: limite e limitação. Limitação aponta para imperfeição, insuficiência ou impossibilidade e, neste caso, não há como superá-la.

Ora, Moisés foi o grande líder na libertação de Israel e, embora pudesse superar alguns limites, não podia vencer suas limitações. Reconhecer isso foi a sua virtude. Quem não respeita limites pode, sim, ir além (ainda que venha pagar o preço), mas quem não percebe suas limitações sempre se vê em apuros.

Na gerontolescência* da vida não é mais possível correr, pular e plantar bananeiras como se fazia antes; não é mais possível lembrar tantas coisas, fazer tantos cálculos e decorar tantas informações como no passado; porque o tempo impõe limitações físicas e cognitivas. No entanto, Deus ajudou Moisés a superar suas limitações: “Arão, o levita, não é teu irmão? Eu sei que ele fala bem... Ele falará ao povo em teu lugar. Assim, ele será a tua boca ...  Portanto, levarás essa vara na tua mão e realizarás os sinais com ela” (Êx 4.14-17). Diante da incredulidade, uma simples vara é o instrumento de sinais poderosos. Diante da impossibilidade física, Arão é a boca de Moisés.

Se, por um lado, é possível ultrapassar os limites pelas próprias forças, por outro, Deus pode superar nossas limitações pelas forças Dele. E o melhor, neste caso, as consequências são sempre boas. É preciso respeitar os limites e deixar Deus superar as nossas limitações.

*Gerontolescente é aquele que reinventa o ato de envelhecer (Alexandre Kalache).

18 de abril de 2015

O “livro de miss”

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A obra do piloto francês Antoine de Saint-Exupéry, “O pequeno príncipe”, ficou conhecida no Brasil como o “livro de miss”, porque muitas candidatas o citavam como seu livro preferido. Na década de 1980 chegou a ser considerado um livro de autoajuda. Entre as muitas frases da obra, talvez a mais lembrada seja a da raposa: “Nous sommes responsables pour ceux qui nous avons apprivoise” (Nós somos responsáveis por aqueles que nós cativamos – tradução livre). – Na versão brasileira foi acrescentada a palavra “eternamente”. Longe de ser uma história para crianças, ela tem como tema principal, a meu ver, a amizade.

“O amigo dedica sincero amor em todos os momentos e é um irmão querido na hora da adversidade” (Pv 17.17).

Ao contrário da família, amigos nascem das escolhas que fazemos ao longo da vida e dos relacionamentos progressivos, assim como ressalta a raposa, numa aproximação maior a cada dia. O compromisso é fundamental à amizade porque demonstra a importância do outro. “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz”. Não obstante, amizades às vezes são incômodas ou frustrantes. Certo dia o Príncipe descobre que a sua flor, tão especial, era igual às tantas outras daquele belo jardim. Finalmente, ele compreendeu que o tempo e dedicação à sua rosa a tornava única no mundo inteiro. Escolhas, aproximação e dedicação é a receita do bom amigo, o qual, na adversidade, torna-se “um irmão querido”.

A atualidade nos impõe relacionamentos furtivos, virtuais ou, o mais comum, a indiferença. Ávidos pelo individualismo e impulsionados pela velocidade dos nossos dias, fazer amigos verdadeiros parece algo utópico ou adiável. Mas como diz o autor: “Num mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar um amigo”.

Esse é o sentido da parábola de Jesus. “Que farei? Trabalhar na terra, não tenho força; quanto a viver esmolando, tenho vergonha. Já sei o que farei para que, quando perder o cargo de administrador, as pessoas continuem a me receber em suas casas’ ... Então, o senhor elogiou aquele administrador da injustiça, pois agiu com sabedoria” (Lc 16,3-8).

Permita-se fazer amigos sinceros. “Porquanto, se um cair, o outro levantará seu companheiro. Mas pobre do que estiver sozinho e cair, assim não haverá quem o ajude a se reerguer!” (Pv 4.10).

9 de abril de 2015

Tanto para se fazer

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A história de Lillian Weber, uma senhora de 99 anos do estado de Iowa, nos Estados Unidos, é inspiradora. Ela assumiu o desafio de “costurar um vestido por dia para a associação filantrópica Little Dresses for Africa (Pequenos Vestidos para África), uma instituição beneficente cristã que distribui vestidos para meninas carentes em todo o continente africano.” A meta de Weber é alcançar mil vestidos costurados até o seu aniversário de 100 anos, em 6 de maio de 2015. O mais impressionante é o zelo com que trabalha. Ela admite que poderia fazer dois vestidos por dia, mas “se limita a apenas um, já que prefere customizá-los com bordados e uma série de intrincados detalhes.”

No Brasil, a Segunda Igreja Batista do Plano Piloto (SIBPP), em Brasília, assumiu o compromisso de fazer os uniformes das crianças da Escola Batista de Bafatá, na Guiné-Bissau. A escola criada por missionários (onde não havia escola) despertou o desejo no coração daquelas mulheres de participar. Diariamente a equipe trabalha na confecção dos uniformes. O pastor, fundador da missão, relatou certa vez que as camisas precisam ser vigiadas quando são lavadas. Se forem deixadas secando sozinhas elas serão roubadas dada à importância da escola naquela comunidade. Curiosamente estes uniformes custam (para igreja) R$ 30,00 cada um.

O valor não está nos tecidos, sejam dos vestidos das meninas, sejam nos uniformes escolares. O valor está no trabalho e no significado para quem recebe as roupas.

O desejo de Lillian Weber “é que as meninas que recebem seus vestidos tenham orgulho de si próprias e se sintam bonitas”. Orgulho semelhante sentem as crianças da escola de Bafatá.

Costurar roupas; algo aparentemente simples, mas capaz de abençoar tantas pessoas. Juntar peças de tecidos de pouco valor, mas que trazem sentido à vida de pessoas conhecidas, como a senhora Lillian, lá do Iowa, e pessoas anônimas, como as mulheres, lá de Brasília.

Histórias assim me fazem pensar: há tanto para se fazer no Reino de Deus. E, me fazem perguntar: como posso usar meus talentos para abençoar vidas como fazem essas mulheres?

“Eu devo fazer as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (Jo 9.4).

Fontes: http://awebic.com/pessoas/senhora-99-anos-costura-um-vestido-por-dia http://www.sibpp.org.br/index.php/inicio/101-uniforme.html


29 de março de 2015

Conversando com Jesus - amar quem te odeia

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“Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem ...”
– Jesus, Jesus!
– Sim.
– Esse negócio de amar os inimigos é sério?
– É, por quê?
– Amar até os corruptos coletores de impostos?
– Claro! “Porque se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos (coletores de impostos corruptos) igualmente assim?”
– Mas, mas eles não merecem. São ladrões e roubam até mesmo os mais pobres.
– Eu sei. Acontece que o Pai “faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos”
– Assim fica difícil. Mas, tudo bem, vou tentar.
– Faça isso.
– Mas pelo menos tenho meus amigos da igreja.
– Sei, e daí?
– Daí que não preciso me misturar. Nem é bom eu ser visto falando gente pecadora.
– Acho que você não entendeu.
– O que?
– Ora, “se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de notável? Não agem os gentios (os não crentes) também dessa maneira?”
– Assim não dá! Amar os inimigos e ainda falar com gente que não gosta de mim.
– Isso mesmo.
– E se eu não quiser? Se eu recusar estes conselhos?
– É o que eu ia dizer quando você me interrompeu “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem ... para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus”.
– Hummm!
– Bem, a escolha é sua. Ainda assim Eu afirmo: “sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai que está nos céus.” (Mateus 5.43-48)

*Dedicado a um amigo com quem tomo café vez por por outra. A partir da conversa com ele sobre esse assunto é que nasceu a ideia.

15 de março de 2015

Por que Tomé duvidou?

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Estigmatizar: “Condenar; marcar uma pessoa negativamente ou de modo desagradável”.

Com frequência estigmatizamos as pessoas. Tomé é marcado como aquele que não creu. Uma marca capaz de adjetivar as pessoas até os dias de hoje. Mas será mesmo que Tomé é aquele que duvidou? Ou melhor, é justa essa marca?

Preâmbulo: Logo pela manhã Maria Madalena vai ao túmulo onde Jesus foi enterrado, vê que a pedra foi removida e corre para avisar a Pedro dizendo: “Eles tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o colocaram!” (Jo 20.3). Pedro e João correm até o local. Pedro entra, vê as faixas, mas o corpo não estava mais lá. Quando João entrou “viu e creu.” (Jo 20.8). Maria continuou do lado de fora chorando até que o próprio Jesus lhe apareceu. Então ele disse: “... vai, e ao encontrar meus irmãos, dize-lhes assim: ‘estou ascendendo ao meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus’” (Jo 20.17). Ela foi e fez conforme Jesus lhe havia dito.

É nesse contexto que encontramos a história que estigmatizou Tomé como aquele que precisa ver para crer.

No Evangelho de Mateus não encontramos detalhes do que sucedeu depois. Mas, segundo Evangelho de Marcos, “ela foi e comunicou aos que com Ele tinham estado. Eles, porém ... Quando receberam a notícia de que Jesus estava vivo e fora visto por ela, não conseguiram acreditar” (Mc 16.9-11). O Evangelho de Lucas é ainda mais enfático. “Entretanto, eles não acreditaram nelas, as palavras daquelas mulheres lhes pareciam um delírio” (Lc 24.11).

A bem da integridade do texto, no Evangelho de João não há uma referência clara a esse respeito: se eles creram ou não nas palavras de Maria Madalena. Contudo escapa um comportamento, no mínimo estranho, quando Jesus aparece aos discípulos. “Enquanto falava aos discípulos, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos ficaram muito alegres ao verem o Senhor” (Jo 20.20).

Dois detalhes chamam a atenção. Primeiro, sobre o que os discípulos falavam quando Jesus mostra as mãos e o lado? Segundo o texto, somente após este ato – então – eles “ficaram muito alegres”. O detalhe mais forte desta frase está em “ao verem ao Senhor”. Ora, o Senhor já não estava entre eles? Por que “ao verem”? Já não o estavam vendo?

Segundo, por que Jesus mostra as mãos e o lado aos seus discípulos? Não é essa atitude que vai estigmatizar Tomé como quem precisa ver para crer?

Ato contínuo, os discípulos anunciam a Tomé que estiveram com o Jesus, porquanto ele não estava com eles naquele dia. A resposta de Tomé é conhecida. “Se eu não vir as marcas dos pregos nas suas mãos, não colocar o meu dedo onde estavam os pregos e não puser a minha mão no seu lado, não acreditarei” (Jo 20.25). Aqui fica claro que as provas que Tomé precisa para crer na ressurreição são as mesmas protagonizadas por Jesus no encontro anterior.

Pensando neste contexto onde os discípulos passaram de um grande momento de dor para uma alegria extasiante, e considerando a ausência de Tomé no primeiro encontro, eu ousaria acrescenta a afirma de Tomé a palavra “também” sem muitas dúvidas. Caberia perfeitamente começar a frase com: “Se eu [também] não vir as marcas dos pregos nas suas mãos ...”. De todo modo tocar as mãos e o lado é a forma de Jesus provar que está vivo.


Finalmente o texto o qual estigmatiza Tomé. Depois de oito dias Jesus faz tudo igual: chega, anuncia a Paz e mostra as mãos e o lado para Tomé porque ele não cria. Então Jesus diz: “Tomé, porque me viste, acreditaste? Bem-aventurados os que não viram e creram!” (Jo 20.29).

Numa análise muito severa podemos afirmar que Jesus se refere claramente somente a Tomé. E isso pesa contra ele. Se, contudo, usarmos a mesma severidade que pese a seu favor que ele foi o único a reconhecer Jesus como Senhor e Deus. “E Tomé confessou a Jesus: ‘Meu Senhor e meu Deus!’” (Jo 20.28).

Numa análise menos rigorosa a partir da natureza humana – limitada à razão, aos sentidos e com grande dificuldade em compreender a grandeza de Deus –, não seria absurdo pensar que Tomé foi apenas isso, humano. Como os outros, ele não creu nas mulheres. Talvez o seu diferencial seja não ter crido no testemunho dos amigos. Mas será que eu e você teríamos crido estando neste mesmo contexto? Será que isso justifica a “marca” de Tomé?

O Evangelho de João é o mais teológico dos quatro. E, a frase que encerra essa narrativa é absolutamente clara:
“Verdadeiramente Jesus realizou, na presença dos seus discípulos, muitos outros milagres, que não estão escritos neste livro. Estes, entretanto, foram escritos para que possais acreditar que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu Nome” (Jo 20.30-31).

Portanto, Tomé sou eu, Tomé somos nós quando precisamos ver para crer e quando duvidamos da Escritura, a qual foi registrada pelo Apóstolo João para que pudéssemos crer que Jesus é o Cristo, nosso Senhor e nosso Deus.

12 de fevereiro de 2015

O que é mais importante, dizer ou agir?

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1 - Questionado por religiosos sobre a autoridade para ensinar sobre o Reino de Deus, Jesus propõe uma parábola sobre um homem o qual pede aos dois filhos: "Filho, vai trabalhar hoje na vinha". O primeiro disse: "'Não quero ir'. Todavia, mais tarde, arrependido, foi." O segundo "respondeu: 'Sim, senhor!' Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?" Cont ...

2 - Responderam: "O primeiro". Disse Jesus: "Com toda a certeza vos afirmo que os publicanos e as prostitutas estão ingressando antes de vós no Reino de Deus." Quem!? Publicano: cobrador de taxas/impostos). Classe detestada por judeus e outras nações por causa de seu trabalho, sua crueldade, avareza e engano usados para realizar sua tarefa. Cont ...

3 - Uma questão de gênero: de um lado publicanos, do outro prostitutas. Prostituta: mulher praticantes da porneia. Relação sexual ilícita como adultério, fornicação, homossexualidade, lesbianismo, zoofilia, incesto, além de relação entre divorciados). Jesus cita dois grupos detestáveis daquela sociedade. Mas por que logo estes?

4 - Ao afirmar que publicanos/prostitutas entram primeiro no Reino de Deus, Jesus: 1) Não está dizendo que os religiosos não entram; 2) Não está se limitando apenas a estes dois grupos; 3) Não está enaltecendo o comportamento deles; 4) Não está afirmando uma prática errada dos religiosos. Explica Jesus: "João veio para vos mostrar o caminho da justiça, mas vós não acreditastes nele; em compensação, os cobradores de impostos e as meretrizes creram."

5 -  Tanto os publicanos quanto as meretrizes, creram e, certamente, mudaram suas práticas. Mudanças vindas do coração. Por outro lado, as boas práticas dos religiosos não eram sinceras, a ponto de questionarem Jesus sobre quem lhe dera autorização para ensinar tais coisas. Ou seja, viam as mudanças nas pessoas, mas ainda assim faziam críticas a Ele e a João Batista. Agir é melhor que dizer (lembra da parábola?). Mas um agir sincero é prioridade para Deus. Religiosidade? Está em segundo plano, segundo o ensino de Jesus.

28 de janeiro de 2015

Caim, um nome almaldiçoado. Será?

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1 - Seria seu nome, Caim, uma maldição? Seria ele um predestinado? Após agir de modo errado Deus o inqueriu. "Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante?" Era a dica para mudar de atitude. Todavia ele decidiu olhar para o lado (Abel) e inveja-lo. Mas, que escolha ele teria? Não é esse o seu nome? Nomes não carregam maldições? Sabe fazer bolo?

2 - Segundo aviso: "se não fizeres bem, o pecado jaz à porta ... mas sobre ele deves dominar." Caim estava preste a perder o controle da sua vida e do seu destino. Ainda dava tempo de mudar sua história.  Só dependia dele. Na receita, o fermento é a menor parte, no entanto é ele quem faz o bolo triplicar de tamanho. Caim fermentou o mal em sua mente. E claro, ele cresceu, tomou forma até que, finalmente, "ficou pronto". Matou!

3 -  Caim não era um predestinado a ser mau por causa do seu nome (ninguém é). Vítima dos maus pensamentos ele tornou-se amaldiçoado por causas das suas escolhas e atitudes. Errou (poderia refazer), pensou (poderia dominar), planejou (poderia desistir) e, executou (não havia mais volta). Das quatro, só a última fase era irreversível. Pobres pais: um filho assassino outro assassinado. Sabe fazer bolo? Não esqueça o fermento. Maus pensamentos? Melhor deixar "solar".

"E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão" (Gênesis 4,11)

24 de janeiro de 2015

Jesus: como um menino, confia no Pai.

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1 - Ao clamar “nas tuas mãos entrego o meu espírito”, Jesus faz referência ao salmo 31,5 confiando que o Pai o resgataria. “Nas tuas mãos encomendo o meu espírito; tu me redimiste, Senhor Deus da verdade.” Espírito aqui é fôlego (hebel), mesma palavra que dá nome ao segundo filho de Adão, Abel.

2 - A escuridão da noite está muito associada ao medo do desconhecido (muitos salmos falam disso). “nas tuas mãos entrego o meu espírito” fazia parte da oração que as crianças faziam antes de dormir. Ou seja, como um menino que confia que o Senhor vela por seu sono e traz um novo amanhecer, Jesus entrega seu futuro nas mãos do Pai.

3 - Em seu último ato antes de morrer Jesus, como Abel (hebel), entrega o seu melhor ao Pai. A despeito da imensa dor e sofrimento, a despeito da separação da família e, de toda injustiça sofrida, Jesus decide confia a Ele seu "sopro" porque sabia que isso era o melhor a fazer, entregar. Porque Deus, o Pai, é especialista em fazer o melhor, resgatar.
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