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24 de janeiro de 2019

A Fábula dos Dois Lobos (dos índios Cherokee)

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Certo dia, um jovem índio Cherokee chegou perto de seu avô para pedir um conselho. Momentos antes, um de seus amigos havia cometido uma injustiça contra o jovem e, tomado pela raiva, o índio resolveu buscar os sábios conselhos daquele ancião.

O velho índio olhou fundo nos olhos de seu neto e disse:

“Eu também, meu neto, às vezes, sinto grande ódio daqueles que cometem injustiças sem sentir qualquer arrependimento pelo que fizeram. Mas o ódio corrói quem o sente, e nunca fere o inimigo. É como tomar veneno, desejando que o inimigo morra.”

O jovem continuou olhando, surpreso, e o avô continuou:

“Várias vezes lutei contra esses sentimentos. É como se existissem dois lobos dentro de mim. Um deles é bom e não faz mal. Ele vive em harmonia com todos ao seu redor e não se ofende. Ele só luta quando é preciso fazê-lo, e de maneira reta.”

“Mas o outro lobo… Este é cheio de raiva. A coisa mais insignificante é capaz de provocar nele um terrível acesso de raiva. Ele briga com todos, o tempo todo, sem nenhum motivo. Sua raiva e ódio são muito grandes, e por isso ele não mede as consequências de seus atos. É uma raiva inútil, pois sua raiva não irá mudar nada. Às vezes, é difícil conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito.”

 O garoto olhou intensamente nos olhos de seu avô e perguntou: “E qual deles vence?
Ao que o avô sorriu e respondeu baixinho: “Aquele que eu alimento.”

Fonte: https://obemviver.blog.br/2015/03/23/a-fabula-dos-dois-lobos-qual-deles-voce-quer-alimentar-reflexao/

24 de outubro de 2018

A mentalidade da igreja evangélica e o flerte com o autoritarismo

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Uma breve reflexão de suas contradições e paradoxos

Por: Professor Eduardo Filho

Diante do cenário político-eleitoral recente, em especial em relação ao pleito presidencial nos 1º e 2º turnos, causou-me espécie o flerte com que grande parte das lideranças religiosas do espectro evangélico tem tido com uma visão de mundo de caráter autoritário, elitista e conservador.

Em verdade, tal comportamento não é uma novidade. A história demonstra alguns exemplos da proximidade dos segmentos evangélicos e/ou protestantes no mundo ocidental com os políticos autoritários e ditatoriais, sobretudo, os de cunho mais à direita. A exceção, é claro, na história recente, foram as experiências dos evangélicos e cristãos no mundo socialista e comunista. Ali em grande parte foram perseguidos e humilhados em decorrência dos princípios que professavam.

Sofreram, de fato, as agruras do autoritarismo e da intolerância. No quadro político nacional, talvez, tal fato pareça justificar que parcelas das lideranças evangélicas brasileiras apoiem as propostas nem um pouco coadunadas com os princípios democráticos e civilizatórios. Será que em nome de valores morais próprios, anularemos princípios humanitários e democráticos pertencentes ao todo social? Aliás, o embate atual no sentido moral e político tem sido entre a barbárie e a civilização, entre a aniquilação do outro e o respeito à dignidade intrínseca que cada indivíduo deve ter.

Contradições à parte, inerentes à própria condição humana e aos contextos históricos em que os fatos ocorreram, o que dizer do silêncio e do apoio de lideranças protestantes e católicas ao longo do período nazista na perseguição aos judeus, ciganos, Testemunhas de Jeová, homossexuais, comunistas e socialistas e demais dissidentes? O que dizer do apoio de lideranças religiosas protestantes racistas do Sul dos EUA à política segregacionista?

Dietrich Bonhoeffer
Depois, nos perguntamos por que o evangelho “morreu” na Europa e no chamado mundo desenvolvido? Ora, os corações e mentes dos europeus têm ficado endurecidos a qualquer proposta de mundo religiosa – salvacionista ou não – de certo modo em decorrência dos “belos exemplos” que as lideranças deram ao se aliarem ao que há de mais torpe no desrespeito à condição humana. Não tenhamos dúvida, que em ambos os casos o terror foi promovido por cristãos confessionais ou culturais. Evidentemente que para cada generalização, há honrosas exceções, vide os testemunhos de Dietrich Bonhoeffer, religioso luterano contrário ao nazismo e Martin Luther King, pastor batista, ambos mortos por um ideal integralmente próximo ao que o Cristo que professaram os ensinou. Acrescente-se também aos inúmeros relatos de gente comum, gente como a gente, que não se rendeu ao ódio, ao preconceito e à intolerância.

Agora, no atual cenário brasileiro, em pleno século XXI, parece ser a nossa vez, digo dos evangélicos brasileiros, ao que também me incluo, no sentido de não corresponder ao que entendo, Cristo exige de cada um de nós. O apoio de significativa parcela das lideranças evangélicas e das massas que são por elas comandadas decorre, de um lado, da ignorância e do desconhecimento. Meu Deus, que falta faz um ensino de qualidade e crítico? De outro lado, esse apoio parece decorrer da concordância em assuntos de ordem moral e religiosa, como a questão do aborto, da compreensão do significado do que é família, e dos indivíduos que se autoproclamam como “homens de bem”.

Os casos históricos citados acima – que eu chamo de práticas religiosas e morais do terror – macularam o cristianismo naquelas realidades, o que tem se reverberado até os dias atuais. E, nós, aqui no Brasil? Que imagem as gerações futuras terão dos cristãos que apoiaram toda sorte de preconceito e de discriminação, reverenciando uma verdadeira cultura da morte, morte física e social, como diria o sociólogo Betinho, aos acometidos pelas consequências da AIDS em meados dos anos 80 e 90 do século passado.

Caríssimos, há uma dissonância significativa entre condenar a prática do aborto por questões morais e religiosas e dizer que “bandido bom é bandido morto”, há uma incompatibilidade em preservar a família cristã e ser indiferente a morte física e social da gente pobre e de toda a sorte de oprimidos. O relativismo moral que tanto os púlpitos condenam, parece ter encontrado terreno fértil em nossas paragens. Uma combinação perfeita entre fundamentalismo irmanada ao relativismo parece estar ganhando fôlego. Obviamente que ambos os valores são manipulados conforme as conveniências ideológicas, religiosas e políticas de cada grupo. Para melhor entendermos, considero que a Declaração Universal dos Direitos do Homem é um documento muito próximo com que me parece Cristo exige de cada um de nós.

Acredito, sim, até em uma igreja perseguida em função da defesa dos valores cristãos, mas jamais em uma igreja perseguidora e tirânica. Temos que dar vivas à vida e um não à cultura da morte. A história demonstra que teremos um preço a pagar. Saibamos fazer uso de um recurso racional e solidário em relação ao próximo, porque me parece, salvo engano, foi isso que Deus, por meio do seu Filho, nos ensinou.

Professor José Eduardo Pereira Filho – Sociólogo, Cristão-Batista

Gratidão: Ter a honra de publicar o post do meu amigo Eduardo no meu blog é um valor inestimável

14 de outubro de 2018

O que é amar o mundo

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Muitos afirmam ser João 3.16 o versículo mais importante da Bíblia. Dizem: “Se todo o texto sagrado se perdesse e restasse apenas esse, ele seria suficiente para se pregar a Boa Nova da salvação”. Mas o que significa dizer: Deus amou o mundo?

Significa dizer que o Verbo veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas também que Ele veio para os excluídos, os fracos, o estrangeiro. Jesus não condenou a mulher pega no ato do seu adultério, não ignorou os cegos e leprosos, elogiou o samaritano por acolher um judeu vítima de assalto. Imagina! Jesus desviou seu caminho para ir ao encontro de uma mulher em Samaria, almoçou na casa de um coletor de impostos e ainda convidou um outro para ser seu discípulo. Em Jesus, Deus amou os rejeitados pelos religiosos. Ele a todos acolheu. A todos amou.

Por outro lado, o Mestre fazia algumas escolhas “estranhas”. Sem tempo para Nicodemos, o recebeu à noite. Jesus exaltou as moedinhas da viúva desprezando as “grandes ofertas” dos ricos; se agradou da oração de um homem sem coragem sequer para olhar para o altar, rejeitando a oração do fariseu orgulhoso. Ele escolheu estar com as multidões sem pastor, os famintos sem pão, os cegos sem luz, os discípulos sem influência política. Jesus preferia às ruas a templos e sinagogas. Seu alvo eram os sem mérito, os sem valor, os sem esperança. Em toda a sua vida Ele trilhou o caminho da paz. Quando teve a chance de pegar em armas Jesus disse: “todos os que lançam mão da espada pela espada morrerão!”.

O Verbo aceitou morrer injustamente ao invés de condenar o mundo ainda que com justiça. Por que? Porque foi assim que Deus amou e ainda ama o mundo.

Todos nós (eu e você) precisamos escolher qual caminho seguir. Amarmos o mundo e a Deus; ou odiarmos o mundo rejeitando o seu Criador; ou, em terceiro lugar, desprezarmos a sua Palavra como fizeram os mestres da Lei. Religiosos que mandaram matar o próprio Filho de Deus.

A escuridão não pode expulsar a escuridão, apenas a luz pode fazer isso. O ódio não pode expulsar o ódio, só o amor pode fazer isso.” (Martin Luther King Jr. – pastor batista)

14 de março de 2017

O caráter cristão em tempos de crise

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Vale a pena começar citando a sutil diferença entre os termos passivo e pacífico. Passivo é alguém alienado, pacífico é alguém não-violento. Mahatma Gandhi, Luther King, entre outros, jamais foram alheios aos problemas e as mazelas da sociedade do seu tempo (passivos). Tão pouco Jesus o foi. Todavia, nunca foram violentos (pacíficos).

Sobre caráter, alguém disse certa vez: “Existem três situações em que uma pessoa revela quem realmente ela é. Quando tem muito dinheiro e muito poder: porque não precisa prestar contas a ninguém do que faz ou pensa; quando não tem nada: porque aí se descobre se é ela realmente capaz de dividir o seu ‘nada’ com quem está em uma situação ainda pior; e quando está em um lugar onde ninguém a conhece: porque pode assumir a identidade que quiser e fazer o que bem entender sem nenhuma tipo de censura”: Três contextos onde o verdadeiro caráter de uma pessoa é revelado.

O Brasil passa por um momento muito difícil na sua história. Maior do que a crise política, econômica ou institucional brasileira é a crise moral. A igreja de Cristo já foi reduto de uma moral e de uma ética muito superiores aos modelos propostos pelas sociedades ou instituições, mas lamentavelmente ela também tem sido afetada pelas mesmas imoralidades e falta de ética presentes na contemporaneidade. Hoje, a cristandade não influencia mais a sociedade, mas é influenciada por ela por seus valores e contra valores. Onde a igreja se perdeu? Vários fatores contribuíram para tão grande desvio de conduta, mas certamente a falta de profundidade bíblica ocupa lugar de destaque na perda do caráter cristão. Vale observar que a crise da igreja brasileira não algo novo na história do cristianismo.

A “Europa” do fim do século XV e início do século XVI também tinha na Igreja-Estado seu reduto de moral e ética cristã. No entanto, seus valores estavam completamente deteriorados e absolutamente distantes do caráter de Cristo. Guerras, miséria, fome, grandes distorções sociais e um Estado autoritário apoiado pela igreja, colocavam em xeque o caráter cristão daqueles que falavam em nome de Deus e de um modo nunca visto antes na história. A exploração da fé foi a resposta encontrada pelo clero para manter seus privilégios. Construir a basílica de São Pedro foi a saída encontrada para superar a própria crise moral. O preço? Um sacrifício ainda maior de um povo sofrido e atemorizado pela religião que o emaçava com o inferno e o purgatório.

A Reforma Protestante foi uma reação quase “natural” a este estado de coisas. Para os reformadores a autoridade sobre a vida cristã não residia nos sacerdotes ou na tradição da igreja: “fundada por Pedro, sucessor de Jesus Cristo”. Para eles a autoridade cristã vinha da Bíblia (a Escritura). Foi neste contexto que nasceu a expressão de Sola Scriptura (só a Escritura). Para Lutero e os reformadores a Bíblia era o único parâmetro norteador do caráter e comportamento cristão porque, como afirmava: “os papas também erram”. Absolutamente convicto de seu postulado, ele só reconhecia dois modos de ser convencido acerca da fé e do caráter cristão: a razão ou a Escritura. No contexto Reforma, o comportamento que não fosse fundamentado na Bíblia não poderia ser considerado um comportamento cristão. Essa é a herança da chamada igreja evangélica que chegou até o Brasil.

Em meados dos anos de 1960 e 1970 os valores dos evangélicos brasileiros eram claramente reconhecidos. Essa minoria de cristãos era hostilizada, discriminada e até perseguida, no entanto seu caráter e sua postura ética eram inegáveis. Meio século depois o Brasil está totalmente diferente e, infelizmente, os chamados crentes também. Hoje, a Escritura não é mais o padrão de comportamento a ser seguido. Cristo, o fundador da igreja, não é mais o modelo a ser imitado. Suas palavras já não exercem autoridade sobre a vida dos crentes. Hoje, a igreja evangélica atende aos anseios de uma sociedade egoísta e hedonista. Neste sentido, ela tornou-se uma igreja de varejo onde cada grupo escolhe o que melhor lhe agrada. A proposta da Reforma não encontra eco no coração do crente contemporâneo e os valores distam, e muito, do ideal de seu fundador, o Cristo. Segundo a Escritura o cristão deveria manter-se integro é qualquer situação. Seja na maior riqueza, seja na mais absoluta pobreza, seja em algum lugar anônimo: como a Internet, por exemplo.

No atual contexto de violência, miséria e desigualdades vividos no Brasil, o comportamento cristão tem oscilado entre dois extremos: passividade ou violência. Mas Jesus, o Cristo, jamais foi violento, jamais promoveu a morte, jamais foi injusto, jamais usou seu poder em benefício próprio. Jesus, o Cristo, sempre fez aos outros aquilo gostaria que a ele fizessem, mesmo quando recebeu a injustiça e a calúnia como prêmio. Nascido no legalismo do “olho por olho e dente por dente”, Jesus, o Cristo, tornou-se um subversivo ao judaísmo que aprendeu na infância. Mais do que ensinar ele viveu situações como: “ofereça a outra face”, “bendiga os que lhe amaldiçoam”, “pague o mal com bem” etc. Foi principalmente sua vida exemplar que “contaminou” milhares de pessoas ao longo da história.

Mahatma Gandhi, um reconhecido pacifista hindu, tinha dois livros de cabeceira. A Canção Celestial (escritura hindu) e o “Sermão da Montanha” (Mateus 5-7). Certamente foi à luz do segundo que Gandhi desenvolver o conceito de luta pelo “princípio da não violência”. Os valores morais de justiça e liberdade aprendidos na Bíblia impulsionaram Martin Luther King Jr. a lutar por igualdade em seu país. Suas ações eficazes levaram a mudar a Constituição garantido os direitos civis para os negros estadunidenses. Nunca pelo ódio, nunca de modo violento a exemplo de seus antecessores, Gandhi e Jesus. Pacífico, mas não passivo. Madre Teresa de Calcutá doou toda sua vida em favor dos leprosos abandonados da Índia a partir dos ensinos de Jesus segundo Mateus 25 (o juízo do Filho do homem). À frase inquisidora de um homem muito rico: “eu não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares”, encontrou a inquietante resposta da Madre Tereza: “Eu também não. Só por amor se pode dar banho em um leproso”.  Esse tipo de motivação deveria calar fundo no coração do cristão autêntico. Esses são alguns exemplos de pessoas que jamais se conformaram a um mundo injusto é cruel sem, contudo, abandonar os princípios bíblicos em suas ações.

Certamente esses são tempos difíceis para igreja de Cristo. Tempo de grande apostasia e muito engano religioso. Tempos de muito ódio, egoísmo, indiferença, ausência de misericórdia e muita, muita hipocrisia religiosa. Na parábola do juiz injusto, que apesar de não temer a Deus atendeu o clamor da viúva, Jesus faz duas perguntas inquietantes: “Atentai à resposta do juiz da injustiça! Porventura Deus não fará plena justiça aos seus escolhidos, que a Ele clamam de dia e de noite, ainda que lhes pareça demorado em atendê-los? ... No entanto, quando o Filho do homem vier, encontrará fé em alguma parte da terra?” (Lc 18.1ss). Será que o cristão deste tempo ainda crê na plena justiça de Deus? Será que quando o Filho voltar ainda encontrará quem creia nele?

A crise moral brasileira se agrava mais a cada dia. Por um lado ela há de forjar, mais uma vez, cristãos tenazes cuja justiça é igual a de seu mestre, Jesus, o qual preferiu morrer a matar. Há de criar resiliência nessa gente que não abre mão do Evangelho legítimo. Por outro lado, essa mesma crise também há de revelar àqueles “cristãos” que em nada se diferenciam dos não-cristãos – quantas vezes mais justos e éticos que os chamados filhos da luz. Um tipo de gente que se veste como cristão, fala como cristão, cultua como cristão, mas não é cristão, porque, na verdade, nunca foi cristão de fato.

O caráter cristão precisa pautar-se na Bíblia, abandoando as paixões e juízos radicais, precisa voltar-se para justiça com misericórdia, para ação sem violência, para indignação sem ódio. Sobretudo precisa pauta-se no equilíbrio e no discernimento espiritual e não por essa ou aquela ideia de justiça (ou vingança?) imposta por uma sociedade corrupta e sem esperança. Em tempos de crise tanto maior torna-se a importância da Escritura na vida do crente. O caráter cristão em tempos de crise precisa manter-se firmado sobre a rocha e a rocha é a segurança que há nas palavras de Jesus traz.

25 de agosto de 2016

Alguma coisa está muito errada com esse nosso Evangelho!

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Era madrugada e, antes retornarmos, decidimos parar pela primeira vez naquela calçada. De repente, alguém do grupo nos chamou para orarmos por Lorelaine (nome fictício), uma jovem gestante.

– Para quando é esse bebê?

– Para o mês que vem, respondeu-me com um sorriso aberto.

Ela parecia animada com a chegada da criança enquanto eu, pai de duas meninas, mal pude disfarçar minha preocupação.

– Onde ele vai nascer?

– No Carmela Dutra, disse ela cheia de confiança e sorridente.

Sem mais, oramos pela vida da mãe e do bebê pedindo ao Senhor que tudo corresse bem para ambos. Terminada a oração, ela nos agradeceu, se afastou um pouco e foi deitar no seu papelão cobrindo a cabeça com um cobertor. Alguém do nosso grupo, que conversava com ela há mais tempo, comentou: “Vai dormir feliz hoje porque está com a barriga cheia”.

Lorelaine foi a última pessoa com quem falamos naquela madrugada e, talvez por isso, a lembrança daquele encontro esteja tão viva. A imagem de uma jovem feliz pelo alimento de uma noite; animada com a chegada do filho e; tranquila ao deitar-se, ali, no papelão, protegida por um simples cobertor, dividindo o espaço com outros que fazem da calçada o seu quarto.

Muitas são as razões e experiências que levam as pessoas a viverem nas ruas do Rio de Janeiro. No entanto, momentos como estes são chocantes, mesmo quando a pessoa se sente feliz e tranquila. É o tipo de experiência que deixa marcas profundas no nosso coração. Não consigo parar de pensar naquela jovem gestante e no futuro provável que dará ao seu filho: viver nas ruas dependendo da caridade dos outros.

Das tantas perguntas ou respostas possíveis às situações desse tipo, uma é demasiada incômoda. O que será que está errado com esse nosso Evangelho? Porque sobre uma coisa não há qualquer sombra de dúvida: esse Evangelho que pregamos não está fazendo diferença, ou fazendo muito pouca, na sociedade em que vivemos.

“Então, dirá o Rei a todos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, abençoados de meu Pai! Recebei como herança o Reino, o qual vos foi preparado desde a fundação do mundo. Pois tive fome, e me destes de comer, tive sede, e me destes de beber; fui estrangeiro, e vós me acolhestes.” (Mt 25.34-35)

10 de agosto de 2016

No inferno não existe amor

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Impedidos de seguir viagem por causa da forte tempestade, um casal, um rico empresário e duas jovens encontram refúgio numa lanchonete na beira da estrada. Jesus, o proprietário, sempre dá duas opções de refeição aos clientes: o cardápio ou oferta especial. Na segunda opção, ele afirma saber exatamente o que as pessoas desejam comer e se acertar o cliente não irá pagar pelo que consumir.

No filme, O caminho para eternidade, Jesus vai tratando o drama de cada um à medida que vai preparando as refeições.

Nike, o mais resistente, acusa Jesus de obrigar as pessoas a fazerem a sua vontade e não as delas, quando decidem segui-lo: “mas só nos seu termos ... isso é chantagem”, afirma o empresário. O trecho do filme abaixo apresenta o desfecho desta conversa.

13 de junho de 2016

Dia da Língua Portuguesa

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Por: Adalberto Alves de Sousa


No nosso calendário, são muitas as datas comemorativas. O número delas ultrapassa o dos dias do ano. Cada uma daquelas consideradas muito importantes transformou-se em feriado nacional. Outras são marcadas por grandes eventos, e algumas, por um aumento considerável de vendas no comércio.  Mas a grande maioria dessas datas nem sequer é conhecida pelo grande público. Neste caso encontra-se o 10 de junho, Dia da Língua Portuguesa. Por que será que, mesmo em se tratando de um dos maiores patrimônios do povo brasileiro, essa data não costuma ser mencionada nem em nossas escolas?

Conforme podemos observar em nosso dia a dia, o português é vítima de descaso por parte das autoridades e também da população. Nesse contexto, nossa língua, como nossa cultura em geral, não é importante (está aí o esquisito Halloween para provar isso). Damos muito valor às línguas estrangeiras, principalmente ao inglês. Basta andarmos pela rua para cruzarmos com pessoas com roupas que estampam dizeres nessa língua, muitas vezes com letras garrafais. No lançamento de empreendimentos imobiliários é quase obrigatório que os produtos sejam apresentados com nomes estrangeiros. “Sala, quarto, cozinha, banheiro”, nem pensar; não atraem o comprador. Centro Comercial passou a ser Shopping Center; liquidação é OFF. No Rio de Janeiro temos o New York Center, com uma réplica da Estátua da Liberdade na entrada. E assim vamos desprestigiando a passos largos a nossa língua. Um fato muito interessante ocorre com os nomes próprios. Na tentativa de pôr nos filhos nomes de figuras notórias, pais fazem surgir alguns como Uoston, Maycom, Kathellym, cada um mais exótico que o outro. Também há uma tendência de inovar na grafia dos nomes: Phillipy, Antthonya, porque nome que se preze tem de ter consoante dobrada, h e y. Um fato frequente em nossas universidades é a rejeição de dissertações de mestrado e de teses de doutorado, por parte de orientadores, pelo fato de estarem redigidas num nível muito aquém daquele esperado de um mestre ou de um doutor.  Essa é uma das consequências do descaso já citado e da falta de interesse pelo estudo do idioma na formação básica. Esse quadro jamais será mudado enquanto nós, como povo brasileiro, não nos conscientizarmos do papel importante que a nossa língua desempenha em todas as áreas de nossas atividades.

O profeta Isaías foi preciso ao sintetizar o que é a língua usada com propriedade: “O Senhor Deus me deu a língua dos instruídos para que eu saiba sustentar com uma palavra o que está cansado; ele desperta-me todas as manhãs; desperta-me o ouvido pra que eu ouça como discípulo. O Senhor Deus abriu-me os ouvidos, e eu não fui rebelde, nem me retirei para trás” (Isaías 50.4,5).  Ele começa por afirmar que “a língua dos instruídos” é uma provisão divina. Ou seja, é Deus quem nos capacita a usá-la. Mas deixa claro que essa capacitação nos é dada com o objetivo específico da comunicação: “para que eu saiba com uma palavra levantar o que está cansado”. Em seguida o profeta esclarece que somos instruídos por meio de um processo, que é: 1) sistemático – “ele desperta-me todas as manhãs”. Desperta para quê? Para que haja dedicação ao estudo da língua; 2) inteligente – “desperta-me o ouvido para que eu ouça como discípulo”, não como aquele que se limita a decorar regras, mas como o que aprende de verdade; 3) dócil – “O Senhor Deus abriu-me os ouvidos, e eu não fui rebelde”. Aquele que estuda não pode se rebelar contra o próprio estudo, mas aceitá-lo e procurar aplicá-lo da melhor forma possível; 4) responsável – “nem me retirei para trás”. É triste ver que alguns diante das primeiras dificuldades desistem e perdem a oportunidade de concluir o que foi iniciado.

Creio que, tendo em mente o que nos ensina o profeta, podemos, como famílias, trabalhar para mudar o triste estado em que se encontra o nosso idioma. Uma forma muito eficiente é introduzirmos nossas crianças no mundo da leitura. (Hoje, alguns pais estão lendo histórias para filhos que ainda estão em fase de gestação!). A partir da alfabetização, crianças precisam ler livros. A leitura deve ser tarefa diária na vida de uma criança. Bons autores escrevem livros para as diversas faixas etárias. No começo os pais leem para os filhos; depois leem com os filhos, e por fim supervisionam a leitura deles. A criança precisa aprender desde cedo a ser sistemática. Deve ter horário para dormir, para acordar, para tudo, inclusive para o lazer.

Uma boa formação acadêmica começa com capacidade de comunicação, tanto escrita quanto oral, e a leitura é uma excelente ferramenta para a consecução desse objetivo. Ao se familiarizar com o idioma por meio da leitura sistemática de autores consagrados, aquelas regras que a escola tanto se preocupa em ensinar são assimiladas automaticamente pela criança. Atualmente, por iniciativa particular, bibliotecas têm surgido em várias comunidades.

É muito bom também que os pais de alunos de uma escola se organizem para ativar um plano de leitura para todos os alunos da turma de seus filhos. Uma ideia que tem dado certo é cada pai oferecer, a cada semestre, um livro, entre vários selecionados criteriosamente, para a biblioteca da escola, o que possibilita que todos os alunos sejam beneficiados. Uma outra ideia é divulgarmos nas redes sociais o Dia da Língua Portuguesa. Mesmo sem ser ADVOGADO, cada um de nós pode ser um defensor da nossa língua.

Quem sabe no futuro nos orgulhemos da Língua Portuguesa, e até comemoremos a sua data. Mas para que isso aconteça precisamos prestar bastante atenção quando formos convocados para votar. Nosso voto é a arma mais poderosa que temos em nossas mãos, ou na ponta de nosso dedo.
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NOTA: Dois dias após a comemoração do Dia da Língua Portuguesa em 2006 (10 de junho), foi criado no Brasil o Dia Nacional da Língua Portuguesa no Brasil: 05 de novembro (Lei nº 11.310, de 12 de junho de 2006). Em 2009 a  Comunidade  dos  Países de  Língua  Portuguesa (CPLP), por   meio da XIV Reunião Ordinária do Conselho de Ministros, escolheu o 05 de maio como o Dia da Língua Portuguesa. O dia 10 de junho foi escolhido como uma homenagem ao poeta português Luís de Camões, falecido em 10/06/1580; o 05 de novembro homenageia Rui Barbosa, que nasceu em 05/11/1849.

31 de maio de 2016

Se quiseres

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"Quando oramos ao Pai e dizemos:  'Seja feita a sua vontade', não é falta de fé, é falta de conhecimento, pois não tenho conhecimento do futuro, mas Deus sabe o melhor e a vontade Dele é perfeita.  Que seja feita a tua vontade!' (Pr Joed Venturini)

A mensagem de "feliz ano novo" diferente e a lembrança de um amigo mais chegado que um irmão. Para mim um exemplo a ser seguido.





26 de março de 2016

O Nobel da paz: Porque todo mundo pode mudar

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Alfred Bernhard Nobel nasceu em 21 de outubro de 1833, em Estocolmo, Suécia, em uma família de engenheiros. Ele foi químico, engenheiro e inventor. Nobel acumulou uma fortuna durante a sua vida, a maior parte dela como resultado das suas 355 invenções, das quais a dinamite é a mais famosa. Numa manhã de 1888 ele ficou surpreso ao ler o próprio obituário em um jornal francês intitulado: "O mercador da morte está morto". O jornal confundiu Nobel com seu irmão, Alfred Ludvig, que realmente havia falecido. O artigo desconcertado fê-lo refletir sobre como seria lembrado inspirando-o a mudar sua vontade.

Nobel deixou uma herança de 32 milhões de coroas e escreveu vários testamentos em vida. O último, em 1895, para o espanto generalizado, determinava a criação de uma instituição à qual caberia recompensar, a cada ano, aqueles que conferem "maior benefício à humanidade" nos campos da paz ou da diplomacia, literatura, química, fisiologia ou medicina e física. O testamento estabelecia também que a nacionalidade das pessoas não seria considerada na atribuição do prêmio. Nobel legou 94% de seus ativos totais, 31 milhões de coroas suecas, para estabelecer os cinco prêmios Nobel.

No Rio, os resultados dos exames feitos pelo governador, Luiz Fernando Pezão, mostraram que ele tem linfoma não-Hodgkin. O tipo de linfoma diagnosticado nos exames é o anaplásico de grandes células T-ALK positivo que, segundo os médicos, é um dos mais agressivos, mas totalmente curável. O governador não vai passar por nenhuma intervenção cirúrgica, a não ser a colocação de um cateter para receber a medicação. O oncologista Daniel Tabak explicou: “o dado mais importante é que não existe nenhum comprometimento volumoso de linfonodomegalias. Não atingiu nenhum órgão crítico. Por isso, temos uma perspectiva boa. Mais de 70% dos pacientes ficam curados com este tipo de tratamento.”

O governador também está otimista e afirmou durante a coletiva: "Tem coisas piores na vida. Tem coisas que Deus dá para a gente porque sabe que somos capazes de carregar. Eu sei que vou passar por isso daí e vou acabar mais forte."

Considerando a situação atual do país, em particular a do Estado do Rio de Janeiro, pode ser que Deus não esteja dando algo que ele “seja capaz de carregar”, mas, sim, uma segunda chance ao governador, assim como fez com Alfred Nobel. Quem sabe não seja o momento dele refletir sobre o legado que deixaria para história do povo fluminense, se a sua própria história se encerrasse de repente. Embora as perspectivas sejam favoráveis, sempre há o risco do insucesso. Diante da fragilidade da vida, o Pezão talvez possa ser mais Luiz com os Luizes, Joãos e Marias, que dependem da saúde pública (dever do Estado e cujo representante é ele), tornando-se mais sensível à dor do outro.

Que a saúde do governador do segundo maior estado do país se reestabeleça e que, com ela, haja uma mudança na sua forma de pensar. Que ele seja mais humano com os que sofrem, valorize o serviço público porque é prestado àqueles que não têm como pagar um tratamento como ele tem, e, finalmente, tenha a coragem de romper com os tentáculos inescrupulosos dos velhos aliados de campanha. Que ele possa, como Nobel, surpreender a todos e reescrever sua história, quem sabe mais bela, para posteridade. Porque Deus sempre dá a cada pessoa ao menos uma oportunidade de mudar.

5 de março de 2016

Orações que Deus ouve

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Outro dia fiquei desconfortável com uma oração feita em favor dos nossos pequeninos, algo bastante frequente entre nós.
 " ... Pai, protege os nossas crianças da violência, da maldade deste mundo etc."
Estava atento quando, de repente, senti como quem "ouve" uma voz ...

Pai de duas meninas quase chorei, não só por elas, diante deste mundo mal. Pensei, antes, nas tantas crianças abandonadas a própria sorte nas calçadas e marquises das ruas da cidade. Confesso, me senti tão egoísta com aquela oração.

Com a voz embargada murmurei:  "Pai, proteja, primeiro, as crianças abandonadas nas ruas, com fome, com frio e com medo da violência e, se possível, livra as nossas de tão vil destino."

27 de dezembro de 2015

O espetáculo de luzes anuncia: Haja Paz!

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Ainda impactado pela apresentação de ontem (21) decidi pesquisar sobre a origem de tão bela apresentação que está completando 5 anos. Segundo o site Sopa Cultural*, foi “inspirada no tradicional Coral de Crianças do Palácio Avenida, um dos eventos turísticos de natal de Curitiba, que Jeanni Purin, integrante da Igreja Batista do Méier, criou o projeto Janelas do Natal.” E que bela inspiração! Como completa a reportagem, “uma forma de levar para fora um espetáculo que até então ficava entre as paredes do templo.”

“O coro do natal do Palácio Avenida [fonte da inspiração] é formado por aproximadamente 130 crianças, entre 7 e 16 anos, das 11 instituições parceiras do Programa HSBC Educação”, cujo objetivo é “oferecer uma oportunidade de crescimento emocional, social e artístico às crianças participantes e todo o público que acompanha as belíssimas apresentações.” Embora tenha morado naquela cidade por algum tempo, não tive a oportunidade de assistir a nenhuma delas na conhecida Rua das Flores, em Curitiba. Contudo, no ano passado, fui impactado pela primeira vez pelas apresentações do Janelas do Natal na praça Agripino Grieco, no Méier. Mais do que um trabalho social, as janelas anunciam Jesus, o Senhor do natal.

O tema deste ano não poderia ser mais oportuno: “Haja Paz”. Por tudo que vimos em 2015, no Brasil e no mundo, a paz tornou-se ainda mais desejada e esperada. Por isso, desejo que apesar das perdas, que haja Paz; apesar das dificuldades de saúde, que haja Paz; apesar dos desempregos e das incertezas no ano que virá, que haja Paz. Haja Paz na sua casa, no seu trabalho e nos seus projetos para o próximo ano. E, ainda que tudo pareça ou seja difícil, que a Paz de Jesus, o príncipe da Paz, esteja no seu coração.

Conforme Ele nos afirma no Evangelho de João 14.27: “Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não permitais que vosso coração se preocupe, nem vos deixeis amedrontar.” (KJA)

Haja Paz! Assim nos assevera o Senhor, assim anunciaram os anjos e esse é também o meu desejo a todos os amigos da Igreja Batista do Méier.

Com carinho,

Leonardo Martins.
*Fonte: Sopa Cultural

7 de novembro de 2015

A gratidão do velho Jacó

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José, filho de Raquel, era o preferido de Jacó. Por ciúme e inveja os irmãos o venderam e fizeram o pai acreditar que ele havia morrido. Um sofrimento muito grande: “Todos os seus filhos e filhas se achegaram para oferecer-lhe consolo, contudo ele recusou toda e qualquer consolação, e declarou: ‘Não! É em luto que descerei ao Sheol para me encontrar com meu filho!” (Gn 37.35).

Raquel, a amada de Jacó, morreu no parto de Benjamin. Por isso, quando o Governador do Egito (José) prendeu Simeão até que lhe trouxessem o irmão caçula, Jacó escolheu Benjamin. Nem Ruben fez o pai mudar de ideia. “Podes tirar a vida de meus dois filhos se eu não o trouxer de volta.” (Gn 42.37). Jacó morreria de tristeza se algo acontecesse a Benjamin e todos sabiam disso: “O menino não pode se ausentar de seu pai; se ele deixar seu pai, este morrerá de desgosto” (Gn 44.22), disse Judá ao Governador do Egito.

Mas uma notícia o reanimou. “Basta! José, meu amado filho, ainda está vivo! Que eu vá imediatamente vê-lo antes de morrer!” (Gn 45.28). Quando Jacó chegou ao Egito e José viu seu pai “correu para abraçá-lo e, abraçando-o com grande emoção, chorou longamente.” (Gn 46.29).

Com frequência, a história de José é lembrada por seu perdão aos seus irmãos, pelo modo como Deus o usou para salvar toda a terra e a própria descendência, e por sua integridade diante de todas as injustiças e tentações que sofrera. No entanto, a perspectiva de Israel (Jacó) não é menos comovente.
O homem que, à beira da morte, revive ao saber que José vivia, se declara feliz pelo simples fato de rever seu filho. “Agora, pois, já posso morrer em paz, porquanto vi o teu rosto e sei que ainda estás vivo!” (Gn 46.30). Mas Jacó também precisou fazer escolhas. Viver a amargura e o rancor pelos anos de separação de José ou viver intensamente a alegria de tê-lo ao seu lado. Viver em atrito com seus filhos por tudo que eles lhe fizeram ou viver em paz com todos e em família.

Jacó morreu feliz porque escolheu deixar no passado toda dor que sofrera e, olhando para o presente com alegria, viveu o futuro com esperança. Se o valor de uma história está no modo como ela termina, a história de Jacó termina com um coração cheio de gratidão ao Senhor. “A mim, que não tinha mais a esperança de rever teu rosto, eis que Deus me concede a bênção de ver até teus descendentes!” (Gn 48.11).

Tão comovente como a história de José é perceber a gratidão do velho Jacó.

6 de novembro de 2015

Bereanos ou baderneiros?

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Cena 1: Atos 17.1-9

Ao chegarem a Tessalônica Paulo e Silas fazem o habitual, vão à sinagoga. Por três sábados Paulo explica e comprova: “Este Jesus que vos anuncio é o Messias!” (v. 3)

Resultado 1: “alguns dos judeus foram convencidos e se uniram a Paulo e Silas, bem como uma multidão de gregos obedientes a Deus e diversas senhoras da alta sociedade local.” (v. 4)

Resultado 2: Com “forte inveja” os líderes judeus reuniram homens perversos dentre os desocupados para causar um tumulto na cidade, e ainda, acusaram Paulo e Silas diante dos governantes: “Estes que têm causado alvoroço em todo o mundo, agora chegaram também aqui.” (v. 6)

Cena 2: Atos 17.10-16

Paulo e Silas vão para Berea e fazem a mesma coisa, vão à sinagoga anunciar o Messias.

Resultado 1: Os bereanos dedicaram-se a estudar a Escritura para verificar se o que Paulo dizia “correspondia à verdade.” (v. 11)

Resultado 2: Muitos judeus, gregos e mulheres da alta sociedade creram em Jesus. (v. 12)

Resultado 3: Os líderes judeus de Tessalônica foram imediatamente à Berea, cerca de 102km de distância por rodovia, para causar confusão na cidade. (v. 13)

Por um lado, é fácil entender a narrativa, por outro, alguns elementos ajudam na compreensão do significado mais profundo do texto. Vide vocabulário abaixo.


Baderneiros

A inveja nunca dá bons frutos.

1) Rejeição. Paulo provou pela Escritura a verdade sobre o Messias. Diante dela, uns aceitaram, outros rejeitaram. Paulo esteve com eles por três sábados, tempo suficiente para que a Escritura fosse examinada e, se estivesse errada, fosse contestada. Eles sabiam que não estava porque Paulo provou, pela Escritura, que Jesus era o Messias. Portanto, aqueles líderes rejeitaram a Escritura, a Verdade e o Messias, e não a Paulo e Silas.

2) Perseguição. Não podendo refutar a Escritura, decidiram perseguir seus pregadores, Paulo e Silas. Talvez seja essa uma das tantas perseguições que Paulo fala em 2Co 11.

3) Abuso. Usando de uma autoridade que tinham (religiosa) invadiram a casa de Jasom com uma autoridade que não tinham (policial). (v. 5)


















4) Insanidade. A palavra inveja, no original, é “forte inveja”. Tal sentimento levou os líderes da religião judaica (a religião de Deus) a se associarem com as piores pessoas da cidade, por mais incrível que isso possa parecer. Uma associação impensável: Juntar religiosos com maus-caracteres. Naquela época muitas pessoas trabalhavam por um salário diário (os diaristas dos nossos dias). Mas os religiosos contrataram justamente aqueles que estariam dispostos a fazer um “trabalho sujo”.

5) Mentira. Os defensores da verdade divina descumpriram o mandamento de Deus: “Não darás falso testemunho contra o teu próximo.” (Êx 20.16) Mentiram intencionalmente acerca de Paulo e Silas aos magistrados romanos. Também na condenação de Jesus, um grupo de líderes religiosos mentiu acusando Jesus perante Pilatos, o governador da Judéia: “Encontramos este homem subvertendo a nossa nação. Inclusive, proibindo o pagamento de impostos a César e se dizendo o Messias, o Rei!” (Lc 23.2)

6) Covardia. Fraudulentamente colocaram pessoas simples (os servos de Deus) contra as autoridades do governo romano: “eles estão agindo contra os decretos de César, proclamando que existe um outro rei, chamado Jesus!” Assim como a atitude de Pilatos foi de tentar libertar Jesus, em Lucas 23, a atitude dos magistrados (não crentes) foi favorável aos inocentes: “libertaram Jasom e os demais irmãos ... ” (v. 9a)

7) Prejuízo ao reino de Deus. A justiça feita a Jasom teve um preço. Eles foram libertos “ ...  após o pagamento da fiança estipulada.”  (v. 9b)


Bereanos

Com frequência ouvimos a expressão, sou bereano! Bereano tornou-se um adjetivo, um sinônimo de virtude atribuída ao cristão atento à leitura da Bíblia. Ou seja, aquele que sempre investiga se o que está sendo exposto está de acordo com a Escritura.

Em primeiro lugar, ser leitor atento da Bíblia é de fato uma virtude, – quanto mais nestes tempos em que ela é mal lida ou negligenciada –, no entanto, Tiago vai além: “Sede praticantes da Palavra e não simplesmente ouvintes, iludindo a vós mesmos.” (Tg 1.22) Ler a Bíblia não é a maior das virtudes e conhecê-la também não, principalmente se considerarmos que o Diabo usou a Escritura para tentar o Filho de Deus.

Em segundo lugar, os líderes de Tessalônica, perseguidores de Paulo e Silas, examinavam atentamente a Escritura. Eles eram líderes da religião judaica e a ensinavam na sinagoga, onde haviam muitos prosélitos (os gregos). Tanto examinavam que não puderam confrontar Paulo. A Escritura era de conhecimento de todos, por isso várias pessoas foram convencidas, pela Palavra, que Jesus era o Messias. Portanto, não havia falta de conhecimento ou exame das Escrituras em nenhuma das duas cidades.

Em terceiro lugar, os bereanos não eram deslumbrados com a eloquência de Paulo (como também não o foram os de Tessalônica). A mensagem recebida no sábado foi “ruminada” todos os dias da semana: “dedicaram-se ao estudo diário das Escrituras”.
Por último, eles avaliaram se tudo era mesmo verdade (assim como fizeram os moradores de Tessalônica).

Logo, a virtude dos moradores de Berea consistia em sua mente “mais nobre”. Havia genuíno interesse pela Palavra de Deus a qual recebiam com “vívido interesse”. Ora, só se interessa por algo quem está, de algum modo, comprometido com esse “algo”. Os bereanos queriam conhecer a Escritura para viver segundo Ela e não apenas saber por saber, muito menos intentaram rejeitar a Verdade da Escritura. Por isso, a reação dos homens de Berea foi oposta a dos líderes da cidade vizinha.

Por um lado, examinavam atentamente o que era pregado para não serem levados por qualquer vento de doutrina. Por outro, estavam dispostos a abrir mão da tradição, dos conceitos e pré-conceitos religiosos, e, de toda e qualquer liderança que tivessem em prol da Verdade da Escritura. Para aqueles homens não importava se quem estava pregando era o rabino mais sábio de Jerusalém, o apóstolo Paulo ou qualquer iletrado. Se a Verdade os confrontasse mudariam de procedimento submetendo-se a Palavra de Deus. Nisso consistia a nobreza dos cristãos de Berea. Para os homens da cidade de Berea a Escritura era “a suprema regra de fé e prática”.

Mas a inveja é incansável em fazer o mal. Como os bereanos não se opuseram a verdade apresentada por Paulo e Silas, os religiosos tomaram uma atitude: “.. quando os líderes judeus de Tessalônica tomaram conhecimento que Paulo estava ensinando a Palavra de Deus em Berea, rumaram imediatamente para lá, agitando e instigando a população.” (v. 13)

Definitivamente a inveja é destrutiva em todos os sentidos.


Nos dois casos, Paulo não refutou, reagiu ou defendeu-se das acusações mentirosas. Ao ser perseguido, não criou confusão nas cidades onde passou, antes partiu para outro lugar e continuou anunciando que Jesus é o Messias. E, para isso, usava tão somente a Escritura. Sola scriptura.

Conclusões

Diante da Verdade ninguém fica imparcial. Ou rejeita ou aceita. Quem não se submete a Escritura a persegue, se rebela e nega a soberania do Senhor sobre a sua vida.

Conhecer a Escritura não torna ninguém melhor. Dependendo da intenção do coração pode, até, levar a práticas ruins e impensáveis.

A Verdade sempre é bíblica. Anunciar o Evangelho nunca pode prescindir da Escritura. Assim faziam Paulo e Silas.

Ser cristão não é e nunca foi sinônimo de “alvoroçador” (arruaceiro, baderneiro). Embora na língua portuguesa alvoroço possa assumir um valor positivo, e até de virtude, o texto de Atos 17, não confirma isso.

O cristão chamado bereano examina atentamente a Palavra com coração nobre, ou seja, disposto a moldar a sua vida a vontade do Senhor Jesus. Por isso, tem compromisso com a Escritura a fim de conhecer o propósito de Deus para sua vida.

Finalmente, o que se chama bereano, deve ser um leitor atento da Escritura para não ser levado por um discurso bem elaborado, de quem quer que seja, e acabar fazendo ou repetindo o que não agrada a Deus e não é bíblico.

Bereano, sim, baderneiro, nunca!



Vocabulário.

1 – Desocupados (agoraio). a) mascates, pequenos comerciante, distribuidores varejistas; b) vadios, ociosos, o povo simples, humilde, povo pobre.

2 – Perversos (poneros). Mau, de natureza ou condição má. a) num sentido físico: doença ou cegueira; b) num sentido ético: mau, ruim, iníquo.

3 – Alvoroçar (anastatoo). Agitar, excitar, perturbar. a) incitar tumultos e sedições no estado; b) inquietar ou perturbar pela disseminação de erros religiosos.

4 – Nobre (eugenes). 1) bem nascido, de família nobre; 2) de mente nobre.

Texto em homenagem a todos os bereanos submissos a Escritura e dedicados ao estudo “com o propósito de avaliar se tudo correspondia à verdade.”

Referência bíblica: BJK


4 de novembro de 2015

O dia dos avós é muito mais do que isso

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"A tigela de madeira" conta a história de um garoto que aprende como tratar seus pais quando eles ficarem velhos, isto é, do mesmo modo que eles tratavam o seu avô: "estou fabricando uma pequena tigela para você e a mamãe comerem sua comida quando eu crescer". Infelizmente, isso está longe de ser apenas uma história.

"Por um instante observo um casal com seus filhos e uma senhora idosa perambulando pelo supermercado. As crianças, com 5 e 7 anos de idade aproximadamente, brincam com um saco plástico ao mesmo tempo que seguem os pais. O entra e sai nervoso dos corredores e os olhares do casal não escondem o desagrado em acompanhar essa senhora cansada pelo peso da idade. Ela parece confusa diante de tanta gente com pressa, falando alto, e tantas gôndolas com promoções. .... em voz alta o homem diz àquela senhora: ‘Já não basta pagar as compras, eu ainda tenho que ficar acompanhando a senhora de um lado para o outro que nem barata tonta. Afinal, eu não tenho tanto tempo assim. Tudo isso porque esqueceu a lista de novo?’ A senhora responde: ‘Desculpa, meu filho, eu te amo. Não queria estragar o seu sábado.'"*

Dia 27 de julho, dia dos avós, é mais do que um dia para celebrar. É um dia para refletir. Recentes pesquisas afirmam que a partir de 2030 nossa população começa a diminuir e que em 2050 as pessoas com mais de 60 anos representará um terço dos brasileiros.

Ora, os avós de hoje estão longe de serem pessoas de cabelos brancos sentados em cadeiras de balanço na varanda. Entretanto, não há como negar o quanto os valores de nossa sociedade estão distantes daqueles quando essa eram as imagem da figura dos avós. O dia dos avós é mais do que saudosismo, é resgate. Resgate dos valores da família com pai, mãe, filhos e avós. Valores do "respeito aos mais velhos", do ceder o lugar no ônibus para um idoso antes de haver leis e bancos preferenciais para eles.

Celebrar o dia dos avós é mais do que olhar o passado, é construir o futuro, mesmo que seja por uma razão meio egoísta: "respeitar as pessoas idosas é tratar o próprio futuro com respeito". Respeito que começa na infância, no modo como tratamos nossos pais a vistas dos filhos, no nosso proceder diário nos supermercados da vida, na forma como lembramos das datas importantes, como o dia dos avós, por exemplo.

Sem o dia 15 de junho, Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, dificilmente saberíamos que "cerca de 10% dos idosos brasileiros morrem por homicídio" vítimas de violência visível e invisível. Sem o dia 23 do mesmo mês, Dia Mundial de Prevenção de Quedas, talvez esse assunto tão importante sequer fosse abordado. Por isso, celebrar o dia 26 de julho é tão importante. É construir na mente dos pequeninos, os netos, o valor de tê-los, os avós, no seio da família no modelo proposto por Deus. É perpetuar valores de respeito e dignidade tão raros em nossa sociedade. E, por último, é olhar para si mesmo com respeito. Porque se a estatística estiver correta a aritmética não deixa dúvida. No último censo (2010) as pessoas com mais de 60 anos somavam 23 milhões de brasileiros (12%). Em 2050 os netos de hoje serão os adultos e nós, os adultos, faremos parte dos cerca de 63 milhões de brasileiros acima dos 60 anos (33%). E aí, não vai adiantar olhar para traz ou reclamar. "Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará." (Gl 6.7)

Portanto, celebre esse dia em família, celebre com alegria, celebre dando honra a quem tem honra. Porque o dia dos avós é muito mais do que isso. – Leonardo Martins.

*Hercules e Nirvana Garcia – Professores na classe de Casais. Pensar nº 8: junho/2014 (pg. 04)

2 de novembro de 2015

A Reforma Protestante e o espírito dos batistas brasileiros

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Introdução

Martin Lutero foi um monge agostiniano empenhado em agradar a Deus com todas as suas forças, a ponto de ter sua saúde afetada por causa das longas privações e penitências praticadas no mais severo mosteiro da época, o qual escolheu para preparar-se para o sacerdócio. “Eu me torturava até a morte para conseguir a paz com Deus”. Apesar disso, Lutero não conseguia a paz tão desejada e concluiu: “Deus é mau em si, é preciso atribuir a diabolicidade a Deus.”

A interpretação da Escritura, segundo a igreja, asseverava as boas obras como o modo pelo qual o homem deve agradar a Deus. Dado que o homem é imperfeito, era impossível que qualquer ação humana merecesse o favor e a graça divina. Por isso, a resposta à pergunta, como sei se fiz o bastante? era: “Faça ainda mais”.

Como professor de grego na Universidade de Wittenberg, Lutero encontrou a liberdade no texto da carta aos romanos. “Mas o justo viverá pela fé.” (Rm 1.17) Na interpretação da versão em latim, a língua oficial da igreja, entendia-se que se alguém quisesse viver (vida eterna com Deus) precisava demonstrar sua fé, sendo justo. Em outras palavras, fazendo boas obras. Mas, então, retoma-se a pergunta: “Como saber se fiz o bastante?”.

No texto grego, a língua original, Lutero encontra a real compreensão da mensagem paulina. Basta crer em Jesus como Senhor para ser justificado por Ele mesmo, porquanto não há nada que o homem possa fazer para ser salvo (viver). “Porque nele [Jesus] se descobre a justiça de Deus de fé em fé”.
Lutero passou a dedicar-se ao estudo das Escrituras nas suas línguas pátrias (grego e hebraico) confrontando os dogmas e interpretações da igreja. Uma tarefa nada fácil: “A paz, se possível, mas a verdade, a qualquer preço.” Finalmente, decidiu traduzir a Bíblia direto dos textos originais, contribuindo para criação daquela que se tornaria língua alemã.

Direto do coração da reforma

Os batistas brasileiros possuem normas básicas de fé e conduta, os chamados princípios batistas. – “Princípio. Aquilo que regula o comportamento ou a ação de alguém; preceito moral.” – Estes princípios possuem muitos paralelos com a Reforma Protestante.

A AUTORIDADE

Solus Christus

Para Lutero, somente Cristo é o mediador entre Deus e o homem. Isso contrariava completamente a doutrina da igreja Católica, a qual afirmava que somente nela existe salvação para o homem, por se considerar a única igreja verdadeira, sucessora de Jesus por meio do apóstolo Pedro, o primeiro Papa.
Cristo como Senhor
Para os batistas, “A fonte suprema da autoridade cristã é o Senhor Jesus Cristo. Sua soberania emana da eterna divindade e poder – como o unigênito filho do Deus Supremo”. Como Lutero, os batistas creem na divindade de Jesus por ser filho de Deus Pai. Autoridade que remete a sua obra salvífica: “sua redenção vicária e ressurreição vitoriosa.”

Sola scriptura

Uma vez que Jesus não está mais entre nós, é preciso conhecer a sua vontade. Então, Lutero afirma que somente a Escritura é a única palavra autorizada por Deus por ser divinamente inspirada, novamente, contrariando a doutrina da igreja: “tudo o que está relacionado com a maneira de interpretar as Escrituras está sujeito ao julgamento da Igreja”. Ele sabia que isso poderia custar a sua vida, assim como de tantos outros antes dele, no entanto, Lutero afirmou:

“A Menos que eu seja convencido pela evidência das Escrituras ou por plena razão, – já que eu não aceito a autoridade do papa ou dos concílios sozinha, visto que, está claro, que eles frequentemente erraram e se contradisseram –, eu estou preso pelas Escrituras e a minha consciência está cativa a Palavra de Deus. Eu não posso e não vou reconsiderar, porque não é seguro nem é certo agir contra a consciência. Que Deus me ajude, amém.”

As Escrituras

Para os batistas brasileiros “a Bíblia fala com autoridade porque é a palavra de Deus. É a suprema regra de fé e prática porque é testemunha fidedigna e inspirada dos atos maravilhosos de Deus.” Tal qual postulado por Lutero, o modo de pensar e agir do cristão está fundamentado na Bíblia e não em qualquer instituição ou pessoa, por mais justas e corretas que sejam. Por isso, o cristão batista “tem que aceitar a responsabilidade de estudar a Bíblia, com a mente aberta e com atitude reverente, procurando o significado de sua mensagem através de pesquisa e oração”.

A VIDA CRISTÃ

Sola gratia

Estudando os originais, Lutero entendeu corretamente o sentido da epístola de Tiago e percebeu que não havia qualquer contradição com Efésios ou Gálatas do apóstolo Paulo. Ele teve certeza de que somente a graça pode salvar o homem porque Deus é o autor dessa graça, sendo impossível ao ser humano fazer qualquer coisa para alcançá-la.

A salvação pela graça

Para os batistas “A graça é a provisão misericordiosa de Deus para a condição do homem perdido.” Como Lutero, os batistas rompem com duas ideias: 1) a de que o homem pode fazer algo que o faça merecedor da graça e; 2) a de que exista alguma autoridade espiritual terrena que possa conferir a graça ao pecador. “A salvação não é o resultado dos méritos humanos, antes emana de propósito e iniciativa divinos. Não vem através de mediação sacramental, nem de treinamento moral, mas como resultado da misericórdia e poder divinos.”

Sola fide

Se, por um lado, a salvação vem pela graça e isso não depende do homem, por outro, a graça não invade a pessoa sem que ela permita. Lutero, entendendo o texto da carta aos romanos, afirma que somente a fé no Sacrifício de Jesus, como àquele que pagou por nossos pecados, pode se apropriar dessa graça. Em outras palavras, aceitar que Deus nos aceita apesar de nossas mazelas. Aceitar é crer no sacrifício do seu filho, Jesus.

Nos princípios batistas este postulado encontra-se no mesmo item da graça. “A salvação do pecado é a dádiva de Deus através de Jesus Cristo, condicionada, apenas, pelo arrependimento em relação a Deus, pela fé em Jesus Cristo, e pela entrega incondicional a Ele como Senhor.”

Soli Deo gloria

Considerando a obra do Pai, pelo Filho e a ação do Espírito Santo para salvação do pecador, Lutero conclui que somente Deus é merecedor de toda glória, negando visceralmente com a tradição da igreja, seus líderes e seus antepassados, de merecerem qualquer glória, ainda que tenham morrido pelo Evangelho.

Nos princípios batistas não existe paralelo a esta sola de Lutero. A glória de Deus só é citada quando trata da mordomia cristã.

A NOSSA TAREFA CONTÍNUA

Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est

Finalmente, outros reformadores influenciaram os princípios batistas. Gisbertus Voetius postula que “A Igreja é reformada e está sempre se reformando.” Este conceito é muitas vezes mal compreendido.

“Só para ilustrar, ‘Sempre Reformanda’ é o nome de uma organização religiosa nos Estados Unidos, que defende a inclusão de gays e lésbicas no ministério pastoral e o casamento homossexual.”

O que Voetius propôs foi voltar a Escritura permitindo, assim, uma nova iluminação do texto bíblico. Ou seja, voltar a Escritura para que a igreja seja cada vez melhor.

A autocrítica

A herança de Voetius chega aos batistas como o último princípio da lista.  Este princípio preocupa-se em garantir que tudo o que é feito como denominação batista pode e deve ser avaliado e reavaliado, claro, à luz da Escritura.

“Tanto a igreja local quanto a denominação, a fim de permanecerem sadias e florescentes, têm que aceitar a responsabilidade da autocrítica. Seria prejudicial às igrejas e à denominação se fosse negado ao indivíduo o direito de discordar, ou se fossem considerados nossos métodos ou técnicas como finais ou perfeitos.”

Assim como Voetius percebeu, a igreja institucionalizada, tende, com o tempo, a se cristalizar ou dogmatizar. “O trabalho de nossas igrejas e de nossa denominação precisa de frequente avaliação, a fim de evitar a esterilidade do tradicionalismo.” Todo cristão batista deve contribuir para o “desenvolvimento à maturidade cristã, tanto para o indivíduo quanto para a denominação ... e  aceitar a responsabilidade da autocrítica construtiva.”

Conclusão

A Reforma Protestante deixou um grande legado para os batistas brasileiros. Conhecer os valores da Reforma e os princípios batistas, não significa fossilizar a igreja, mas, ao contrário, respirar o mais puro ar reformador do século XVI, percebendo pessoas que não aceitavam uma igreja que se fechava em dogmas e doutrinas, nem num clero sentado no trono de Deus como se de fato o fossem. As solas e princípios entregam na mão de cada cristão a responsabilidade por sua própria vida cristã, baseada na fé, na graça e na soberania de Jesus segundo a Palavra de Deus. A Reforma não se conforma, antes, questiona tudo a sua volta para o crescimento daquele que é chamado o corpo de Cristo.


Referências:

http://tempora-mores.blogspot.com.br/2006_04_01_archive.html
http://www.mensagenscomamor.com/frases-de-famosos/frases_martinho_lutero.htm
http://comandodafe.blogspot.com/2015/08/martinho-lutero-15201750-o-anjo-da.html
http://www.igrejaapedraangular.com.br/estudos/Votos.pdf
http://www.apalavraoriginal.org.br/mensprof/1960-12-09.pdf http://www.luteranos.com.br/site/conteudo_organizacao/confessionalidade-luteranos-em-contexto/martim-lutero-palavras
http://www.batistas.com/index.php?option=com_content&view=article&id=16&Itemid=16&showall=1
http://www.mackenzie.br/fileadmin/Mantenedora/CPAJ/revista/VOLUME_I__1996__2/lutero_ainda.....pdf

3 de outubro de 2015

O culto como um texto

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Quando olhamos para um culto, com as partes que o compõem, a forma como se desenvolve e os objetivos que procura alcançar, percebemos a grande semelhança que ele conserva com um texto. Daí podermos desenvolver a ideia de culto como um texto.

Ao pensarmos num livro, por exemplo, que é um texto mais elaborado, percebemos nele uma série de elementos que não constituem o texto, propriamente, mas funcionam como acessórios, que entre outras funções preparam o leitor para o conteúdo principal, que virá a seguir. Passamos pela capa, contracapas, orelhas, dedicatórias, agradecimentos, prefácio, antes de iniciarmos a Introdução. E o que isso tem a ver com o culto? A resposta é simples: nada. Na realidade, podemos afirmar que esses elementos assemelham-se àqueles que devem ocorrer no momento que aqui denominamos de Pré-culto, aquele espaço de tempo que dedicamos às boas-vindas, cumprimentos, abraços, avisos, informações, promoções, vídeos,   que precedem o culto propriamente dito. É o único momento de informar que o livro mais recente do pregador e o CD do cantor convidados estarão à venda após o culto. Neste espaço só não cabe fazer aquelas perguntinhas óbvias, que não merecem resposta, nem recriminar os irmãos, perguntando-lhes se não tomaram café, por não terem dado uma sonora resposta a um cumprimento. Nos tempos atuais, de tantas tecnologias, uma boa prática é transformar em vídeo tudo o que for possível, para tornar o pré-culto bem objetivo e enxuto.

Encerrado o pré-culto, o ideal é que haja algo que deixe bem marcada a transição para o culto. Um tempo de oração silenciosa, por exemplo, uma música com letra em língua portuguesa que seja bem conhecida, que propicie a reflexão, algo que prepare o fiel para cultuar.

O culto como um texto começa a ser preparado bem antes de sua realização. Quando o pastor, ou o responsável por pregar nos cultos, elabora o seu plano de pregação, ele escolhe o tema de cada sermão e o(s) texto(s) bíblico(s) que servirá(ão) de base para cada um. De posse dessas informações, o responsável pela elaboração das ordens de culto prepara cada uma de forma tal que todo o culto caminhe para a consecução daquele(s) objetivo(s) que o pregador deseja alcançar ao fim de sua mensagem. Para isso essa pessoa seleciona outros textos bíblicos relacionados ao tema já definido, bem como as músicas que serão cantadas. Aqueles que forem convidados para participações especiais, como cantores e grupos, devem ser orientados a escolher músicas dentro desse mesmo tema. No culto como um texto cada participante tem sua função específica: dirigentes dirigem o culto e os cantos da congregação; cantores apenas cantam; pregadores pregam. (grifo nosso).

É na preparação da ordem do culto que aquele que a elabora pode perceber a grande semelhança entre texto e culto. Tudo começa com o tema proposto pelo pregador. A partir daí, ao elaborar a ordem de culto, ele pensa na Introdução e no Desenvolvimento que conduzam à Conclusão, que virá ao fim da mensagem. Além desses três elementos básicos do texto, o culto precisa de Coesão, Coerência e Argumentação.

A função do dirigente do culto é muito importante, pois é ele que “costura” cada uma dessas partes, para que elas constituam um todo harmônico que prepare a congregação para a mensagem que será entregue pelo pregador. Para isso ele deve estudar cada texto bíblico que será lido, cada música que será cantada pela congregação, para estar preparado e tenha o que dizer. Em momentos de descontração, seminaristas costumavam citar uma regra da homilética, criada por eles, naturalmente: “Quando o seu argumento for fraco, dê um grito e um soco na mesa”. Isso nos remete ao texto de 1Reis 19.11,12, em que lemos: “o Senhor não estava no vento”... “o Senhor não estava no terremoto”... “o Senhor não estava no fogo; e ainda depois do fogo uma voz mansa e delicada... Que fazes aqui, Elias?”. A voz mansa e delicada é muito mais propícia à reflexão, ao louvor, à adoração, mas tem estado ausente em muitos dos nossos cultos. Quando a Bíblia não entra na ordem do culto, e quando o dirigente não estuda o conteúdo do que a congregação canta, o grito parece a alternativa natural. com Igrejas do século 21 correm o sério risco de confundir templo com arena, culto com show, e congregação plateia.

Ainda em relação às músicas cantadas pela congregação, é preciso destacar o papel dos instrumentos. Assim como uma moldura em um quadro, os instrumentos devem ter a função de destacar o canto, as vozes, e não competir com elas. O primeiro plano deve ser sempre o das vozes, enquanto, ao fundo, os instrumentos devem emoldurá-las, pois é nas vozes que se encontra a mensagem, que por sua vez conduz o desenvolvimento do culto em direção ao seu objetivo (estamos pensando aqui no “culto racional!”). É comum o uso do playback em substituição aos instrumentos, mas é preciso treinar os operadores de som para que eles não o transformem em “playfront” como costuma acontecer.

Todo culto deve ter a característica de ser saudável. Neste sentido, a ordem de culto deve prever os momentos em que a congregação permanecerá de pé, cuidando que estes não sejam demasiadamente longos nem repetitivos, tendências comuns atualmente. A sonotécnica, por sua vez, deve exercer um papel relevante: o de controlar a intensidade do som dos instrumentos e dos microfones. “De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o limite suportável para o ouvido humano é 65 decibeis. Acima disso, o organismo começa a sofrer. Para salas de aula, a Associação Brasileira de Normas Técnicas estipula que o limite tolerado é de 40 a 50 decibeis. Esse índice, aprovado por resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), tem força de lei” [confira]. Em nossos dias, quando observamos um enorme apreço pelo barulho, nossas igrejas parecem não estar preocupadas, neste particular, com a saúde de seus fiéis. Para tirar a dúvida, basta uma simples medição.

Nada desqualifica tanto um texto quanto erros gramaticais grosseiros em seu interior. Por isso é importante prestar atenção não só ao conteúdo mas também à forma do que projetamos em nossas telas.

Precisamos criar a cada dia maior intimidade com bons textos para que achemos natural pensar em culto como um texto. Pensar e pôr em prática.

Fonte: www.prazerdapalavra.com.br

17 de junho de 2015

O lápis

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O menino observava seu avô escrevendo em um caderno, e perguntou:
– Vovô, você está escrevendo algo sobre mim?

O avô sorriu, e disse ao netinho:
– Sim, estou escrevendo algo sobre você. Entretanto, mais importante do que as palavras que estou escrevendo, é este lápis que estou usando. Espero que você seja como ele, quando crescer.

O menino olhou para o lápis, e não vendo nada de especial, intrigado, comentou:
– Mas este lápis é igual a todos os que já vi. O que ele tem de tão especial?

– Bem, depende do modo como você olha. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir vivê-las, será uma pessoa de bem e em paz com o mundo – respondeu o avô.

Primeira qualidade: Assim como o lápis, você pode fazer coisas grandiosas, mas nunca se esqueça de que existe uma “mão” que guia os seus passos, e que sem ela o lápis não tem qualquer utilidade: a mão de Deus.

Segunda qualidade: Assim como o lápis, de vez em quando você vai ter que parar o que está escrevendo, e usar um “apontador”. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas ao final, ele se torna mais afiado. Portanto, saiba suportar as adversidades da vida, porque elas farão de você uma pessoa mais forte e melhor.

Terceira qualidade: Assim como o lápis, permita que se apague o que está errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos trazer de volta ao caminho certo.

Quarta qualidade: Assim como no lápis, o que realmente importa não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro dele. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você. O seu caráter será sempre mais importante que a sua aparência.

– Finalmente, a quinta qualidade do lápis: Ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida deixará traços e marcas nas vidas das pessoas, portanto, procure ser consciente de cada ação, deixe um legado, e marque positivamente a vida das pessoas.



(Autor desconhecido)

10 de junho de 2015

Gente madura frutifica enquanto edifica

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Passando por Corinto, Paulo encontra Áquila e Priscila, sua esposa, vindos da Itália porquanto Claudio baixara um decreto intimando que todos os judeus se retirassem de Roma. Percebendo que tinham a mesma profissão, Paulo passa a morar e trabalhar na casa deles fabricando tendas. Algum tempo depois aqueles novos crentes estavam prontos para acompanhá-lo em sua viagem. Passando por Éfeso, Paulo segue viagem, mas deixa o casal na cidade.

“Chegaram então a Éfeso, onde Paulo deixou Priscila e Áquila. ... Assim que chegou a Cesareia, subiu até a Igreja para saudá-la e depois desceu para Antioquia. Havendo passado algum tempo em Antioquia, Paulo partiu dali e viajou por toda a região da Galácia e da Frígia, encorajando todos os discípulos.” (At 18.19,22-23).

A importância de irmãos maduros na fé para igreja é sabida, Antes mesmo dos pastores e Mesmo com os pastores. Gente madura edifica!

Entretanto, enquanto Paulo estava fora, Priscila e Áquila fizeram a mesma coisa que o apóstolo lhes fizera. “Enquanto isso, chegou a Éfeso um judeu, natural de Alexandria, chamado Apolo, homem eloquente e que acumulava grande experiência nas Escrituras. ... E assim que Priscila e Áquila o ouviram, convidaram-no para uma visita à casa deles e lhe explicaram com acerto e clareza o Caminho de Deus.” (At 18.24,26).

Por um lado, eles sabiam a importância da sua fé madura para a igreja de Éfeso; por outro, tinham o mesmo senso de oportunidade de Paulo. O Jovem Apolo “com notável fervor pregava e ensinava com exatidão a respeito de Jesus, ainda que tivesse apenas o conhecimento do batismo de João.” (v. 25). Por isso, o casal apressou-se a ensinar aquilo que havia acabado de aprender a respeito do Messias. Gente madura frutifica!

Portanto, quem tem a fé madura reconhece a sua importância para a igreja local, bem como, está atento às oportunidades que Deus lhes apresenta. Apolo era uma “pedra bruta”, a qual foi “lapidada” por dois leigos, Priscila e Áquila. Gente madura é assim: frutifica enquanto edifica.

2 de junho de 2015

Mesmo com os pastores

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Movido de grande preocupação, Paulo deixa seu discípulo, Timóteo, em Éfeso. Não era para menos. “Alguns ... se desviaram desses princípios, e se entregaram a discussões sem valor algum, intentando ser mestres da Lei, quando não compreendem nem o que propalam nem os assuntos sobre os quais fazem afirmações com tanta convicção.” (1Tm 1.6-7). De que princípios o Apóstolo está falando? “Da obra de Deus, que tem como fundamento a fé”.

Os desvios daqueles crentes eram tão grandes que Paulo assevera na sua segunda carta: “nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens amarão a si mesmos, serão ainda mais gananciosos, arrogantes, presunçosos, blasfemos, desrespeitosos aos pais, ingratos, ímpios, sem amor, incapazes de perdoar, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, inconsequentes, orgulhosos, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus”(2Tm 3.1-4). Como Timóteo deveria agir?

“O que ouviste de mim diante de muitas testemunhas, transmite a homens fiéis e capacitados a fim de que possam igualmente discipular a outros” (2Tm 2.2). A recomendação é clara. 1) Aquilo que ouvistes (akouo: entender, compreender o que foi ensinado) de mim; 2) transmite (paratithemi: a partir [de si mesmo], explica); 3) a homens [ou mulheres] fiéis (pistos: pessoa que mantêm a fé com a qual se comprometeu, digna de confiança); 4) capacitados a discipular (didaskalos: alguém que ensina a respeito das coisas de Deus, e dos deveres do homem) a outros.

Portanto, para manter a igreja viva, Timóteo precisava focar na sã doutrina ensinada por Paulo e precisava lembrar-se da fé não fingida ensinada por sua mãe e avó. Todavia, para resistir aos “homens que tiveram suas mentes corrompidas”, ele precisava contar com pessoas maduras e capacitadas a ensinar a outros acerca da sua fé em Jesus Cristo. A igreja de Éfeso, mesmo com um pastor tão bem preparado, contava com servos fiéis à Palavra e a Missão de Deus

27 de maio de 2015

Antes mesmo dos pastores

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“De Mileto, Paulo pediu para que fossem chamados os presbíteros da Igreja de Éfeso ... tende cuidado de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos estabeleceu como epíscopos para pastoreardes a Igreja de Deus, q
ue Ele comprou com o sangue do seu Filho Unigênito.” (At 20.17,28)

Apóstolo dos gentios, Paulo foi quem mais contribuiu para a expansão do Reino de Deus na sua época. Dedicado e incansável, fundou duas das três maiores igrejas do império, Corinto e Éfeso. (Só não fundou a igreja de Roma). Durante três anos, em Éfeso, Paulo ensinou sobre o Reino de Deus com total zelo e dedicação: “jamais deixei de vos pregar nada que fosse proveitoso, mas vos ensinei tudo em público e de casa em casa” (v. 20). Agora, de partida para Jerusalém, ele sabia que não voltaria mais a ver aqueles irmãos; sabia dos riscos da sua partida e, por isso, grande era sua preocupação com o futuro da igreja ainda sem pastor. “Eu sei que, logo após minha partida, lobos ferozes se infiltrarão por entre a vossa comunidade e não terão piedade do rebanho” (v. 29).

É nesse contexto que o apóstolo entrega a responsabilidade daquela grande igreja aos anciãos (presbíteros), os quais nomeia bispos (epíscopos). Todos tinham o mesmo tempo de experiência cristã, três anos, todavia, os mais velhos (os anciãos) tinham mais experiência de vida. A igreja nascida de casa em casa não tinha templo, não tinha pastor e, agora, perderia seu líder, Paulo. Por outro lado, havia o perigo iminente e real da igreja se perder. Mas Paulo sabia que podia contar com os mais experientes: “tende cuidado de vós mesmos e de todo o rebanho...”.

Portanto, apesar da sua simplicidade, a igreja primitiva já contava com a liderança forte dos anciãos para continuar viva e proclamando o Reino de Deus. Uma liderança estabelecida pelo Espírito Santo para pastorear “a Igreja de Deus”: antes mesmo que chegassem os pastores.
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