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1 de março de 2017

Uma andorinha só não faz verão - Aristóteles

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Assim como quem olha uma a andorinha migrando não imagina que o verão está chegando, um único ato de virtude não representa uma pessoa virtuosa. É na prática da vida, tanto mais nas situações difíceis, que se revela o caráter do indivíduo.

A virtude é um valor inerente a qualquer sociedade. E ela, a sociedade, exerce grande poder de influência sobre o indivíduo porque o homem, por uma questão primária de sobrevivência, necessita pertencer a um grupo. Emile Durkheim chama este poder de influência de Fatos Sociais.

Se por um lado, "o fato social, segundo Durkheim, consiste em maneiras de agir, de pensar e de sentir que exercem determinada força sobre os indivíduos, obrigando-os a se adaptar às regras da sociedade onde vivem", por outro, "nem tudo o que uma pessoa faz pode ser considerado um fato social, pois, para ser identificado como tal, tem de atender a três características: coercitividade, exterioridade e generalidade." Em outras palavras, nem todas as ações humanas são frutos do poder da sociedade, portanto, é possível uma pessoa agir, pensar e sentir diferente do grupo. – Não é fácil. É neste momento de "escape", nesse ineditismo da autenticidade humana, que se torna possível forjar a mais verdadeira individualidade.

A sociedade, tanto mais entre os mais jovens, parece viver a pungente necessidade de ser diferente. Mas diferente de quê? Diferente de quem? Diferente da maioria, diriam. No entanto, isso significa tornar-se igual a outros "diferentes", seguindo seus padrões de maneira coercitiva, ainda que não se perceba. A aparente diferença é uma igualdade a um grupo menor (talvez) constituindo pouco ou quase nada de inédito ou de individual próprio da pessoa. É sair de uma caixa para entrar em outra. – "Não existe nada de novo debaixo do sol."

Na sociedade de Jesus os valores são diferentes. Os discípulos, aqueles que nela ingressam, são assim reconhecidos quando possuem a maior de todas as virtudes: o amor. Permanecer “nas minhas palavras” é a regra, o objetivo maior é glorificar ao Pai. O agir, o pensar e o sentir de cada um devem ser capazes de influenciar a sociedade. Para estes, a vida só faz sentido porque o seu grupo social não pertence a este mundo como também não pertence o de Jesus. Sob estas perspectivas, valores e virtudes é que se põem os chamados discípulos de Cristo. Portanto, também no reino de Deus “uma andorinha só não faz verão”. É preciso viver o Evangelho todos os dias.

Nota:
Coercitividade – característica relacionada com o poder, ou a força, com a qual os padrões culturais de uma sociedade se impõem aos indivíduos que a integram, obrigando esses indivíduos a cumpri-los.
Exterioridade – quando o indivíduo nasce, a sociedade já está organizada, com suas leis, seus padrões, seu sistema financeiro, etc.; cabe ao indivíduo aprender, por intermédio da educação, por exemplo.
Generalidade – os fatos sociais são coletivos, ou seja, eles não existem para um único indivíduo, mas para todo um grupo, ou sociedade.
Fonte: http://www.sociologia.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=167

31 de maio de 2016

Se quiseres

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"Quando oramos ao Pai e dizemos:  'Seja feita a sua vontade', não é falta de fé, é falta de conhecimento, pois não tenho conhecimento do futuro, mas Deus sabe o melhor e a vontade Dele é perfeita.  Que seja feita a tua vontade!' (Pr Joed Venturini)

A mensagem de "feliz ano novo" diferente e a lembrança de um amigo mais chegado que um irmão. Para mim um exemplo a ser seguido.





26 de março de 2016

O Nobel da paz: Porque todo mundo pode mudar

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Alfred Bernhard Nobel nasceu em 21 de outubro de 1833, em Estocolmo, Suécia, em uma família de engenheiros. Ele foi químico, engenheiro e inventor. Nobel acumulou uma fortuna durante a sua vida, a maior parte dela como resultado das suas 355 invenções, das quais a dinamite é a mais famosa. Numa manhã de 1888 ele ficou surpreso ao ler o próprio obituário em um jornal francês intitulado: "O mercador da morte está morto". O jornal confundiu Nobel com seu irmão, Alfred Ludvig, que realmente havia falecido. O artigo desconcertado fê-lo refletir sobre como seria lembrado inspirando-o a mudar sua vontade.

Nobel deixou uma herança de 32 milhões de coroas e escreveu vários testamentos em vida. O último, em 1895, para o espanto generalizado, determinava a criação de uma instituição à qual caberia recompensar, a cada ano, aqueles que conferem "maior benefício à humanidade" nos campos da paz ou da diplomacia, literatura, química, fisiologia ou medicina e física. O testamento estabelecia também que a nacionalidade das pessoas não seria considerada na atribuição do prêmio. Nobel legou 94% de seus ativos totais, 31 milhões de coroas suecas, para estabelecer os cinco prêmios Nobel.

No Rio, os resultados dos exames feitos pelo governador, Luiz Fernando Pezão, mostraram que ele tem linfoma não-Hodgkin. O tipo de linfoma diagnosticado nos exames é o anaplásico de grandes células T-ALK positivo que, segundo os médicos, é um dos mais agressivos, mas totalmente curável. O governador não vai passar por nenhuma intervenção cirúrgica, a não ser a colocação de um cateter para receber a medicação. O oncologista Daniel Tabak explicou: “o dado mais importante é que não existe nenhum comprometimento volumoso de linfonodomegalias. Não atingiu nenhum órgão crítico. Por isso, temos uma perspectiva boa. Mais de 70% dos pacientes ficam curados com este tipo de tratamento.”

O governador também está otimista e afirmou durante a coletiva: "Tem coisas piores na vida. Tem coisas que Deus dá para a gente porque sabe que somos capazes de carregar. Eu sei que vou passar por isso daí e vou acabar mais forte."

Considerando a situação atual do país, em particular a do Estado do Rio de Janeiro, pode ser que Deus não esteja dando algo que ele “seja capaz de carregar”, mas, sim, uma segunda chance ao governador, assim como fez com Alfred Nobel. Quem sabe não seja o momento dele refletir sobre o legado que deixaria para história do povo fluminense, se a sua própria história se encerrasse de repente. Embora as perspectivas sejam favoráveis, sempre há o risco do insucesso. Diante da fragilidade da vida, o Pezão talvez possa ser mais Luiz com os Luizes, Joãos e Marias, que dependem da saúde pública (dever do Estado e cujo representante é ele), tornando-se mais sensível à dor do outro.

Que a saúde do governador do segundo maior estado do país se reestabeleça e que, com ela, haja uma mudança na sua forma de pensar. Que ele seja mais humano com os que sofrem, valorize o serviço público porque é prestado àqueles que não têm como pagar um tratamento como ele tem, e, finalmente, tenha a coragem de romper com os tentáculos inescrupulosos dos velhos aliados de campanha. Que ele possa, como Nobel, surpreender a todos e reescrever sua história, quem sabe mais bela, para posteridade. Porque Deus sempre dá a cada pessoa ao menos uma oportunidade de mudar.

3 de outubro de 2015

O culto como um texto

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Quando olhamos para um culto, com as partes que o compõem, a forma como se desenvolve e os objetivos que procura alcançar, percebemos a grande semelhança que ele conserva com um texto. Daí podermos desenvolver a ideia de culto como um texto.

Ao pensarmos num livro, por exemplo, que é um texto mais elaborado, percebemos nele uma série de elementos que não constituem o texto, propriamente, mas funcionam como acessórios, que entre outras funções preparam o leitor para o conteúdo principal, que virá a seguir. Passamos pela capa, contracapas, orelhas, dedicatórias, agradecimentos, prefácio, antes de iniciarmos a Introdução. E o que isso tem a ver com o culto? A resposta é simples: nada. Na realidade, podemos afirmar que esses elementos assemelham-se àqueles que devem ocorrer no momento que aqui denominamos de Pré-culto, aquele espaço de tempo que dedicamos às boas-vindas, cumprimentos, abraços, avisos, informações, promoções, vídeos,   que precedem o culto propriamente dito. É o único momento de informar que o livro mais recente do pregador e o CD do cantor convidados estarão à venda após o culto. Neste espaço só não cabe fazer aquelas perguntinhas óbvias, que não merecem resposta, nem recriminar os irmãos, perguntando-lhes se não tomaram café, por não terem dado uma sonora resposta a um cumprimento. Nos tempos atuais, de tantas tecnologias, uma boa prática é transformar em vídeo tudo o que for possível, para tornar o pré-culto bem objetivo e enxuto.

Encerrado o pré-culto, o ideal é que haja algo que deixe bem marcada a transição para o culto. Um tempo de oração silenciosa, por exemplo, uma música com letra em língua portuguesa que seja bem conhecida, que propicie a reflexão, algo que prepare o fiel para cultuar.

O culto como um texto começa a ser preparado bem antes de sua realização. Quando o pastor, ou o responsável por pregar nos cultos, elabora o seu plano de pregação, ele escolhe o tema de cada sermão e o(s) texto(s) bíblico(s) que servirá(ão) de base para cada um. De posse dessas informações, o responsável pela elaboração das ordens de culto prepara cada uma de forma tal que todo o culto caminhe para a consecução daquele(s) objetivo(s) que o pregador deseja alcançar ao fim de sua mensagem. Para isso essa pessoa seleciona outros textos bíblicos relacionados ao tema já definido, bem como as músicas que serão cantadas. Aqueles que forem convidados para participações especiais, como cantores e grupos, devem ser orientados a escolher músicas dentro desse mesmo tema. No culto como um texto cada participante tem sua função específica: dirigentes dirigem o culto e os cantos da congregação; cantores apenas cantam; pregadores pregam. (grifo nosso).

É na preparação da ordem do culto que aquele que a elabora pode perceber a grande semelhança entre texto e culto. Tudo começa com o tema proposto pelo pregador. A partir daí, ao elaborar a ordem de culto, ele pensa na Introdução e no Desenvolvimento que conduzam à Conclusão, que virá ao fim da mensagem. Além desses três elementos básicos do texto, o culto precisa de Coesão, Coerência e Argumentação.

A função do dirigente do culto é muito importante, pois é ele que “costura” cada uma dessas partes, para que elas constituam um todo harmônico que prepare a congregação para a mensagem que será entregue pelo pregador. Para isso ele deve estudar cada texto bíblico que será lido, cada música que será cantada pela congregação, para estar preparado e tenha o que dizer. Em momentos de descontração, seminaristas costumavam citar uma regra da homilética, criada por eles, naturalmente: “Quando o seu argumento for fraco, dê um grito e um soco na mesa”. Isso nos remete ao texto de 1Reis 19.11,12, em que lemos: “o Senhor não estava no vento”... “o Senhor não estava no terremoto”... “o Senhor não estava no fogo; e ainda depois do fogo uma voz mansa e delicada... Que fazes aqui, Elias?”. A voz mansa e delicada é muito mais propícia à reflexão, ao louvor, à adoração, mas tem estado ausente em muitos dos nossos cultos. Quando a Bíblia não entra na ordem do culto, e quando o dirigente não estuda o conteúdo do que a congregação canta, o grito parece a alternativa natural. com Igrejas do século 21 correm o sério risco de confundir templo com arena, culto com show, e congregação plateia.

Ainda em relação às músicas cantadas pela congregação, é preciso destacar o papel dos instrumentos. Assim como uma moldura em um quadro, os instrumentos devem ter a função de destacar o canto, as vozes, e não competir com elas. O primeiro plano deve ser sempre o das vozes, enquanto, ao fundo, os instrumentos devem emoldurá-las, pois é nas vozes que se encontra a mensagem, que por sua vez conduz o desenvolvimento do culto em direção ao seu objetivo (estamos pensando aqui no “culto racional!”). É comum o uso do playback em substituição aos instrumentos, mas é preciso treinar os operadores de som para que eles não o transformem em “playfront” como costuma acontecer.

Todo culto deve ter a característica de ser saudável. Neste sentido, a ordem de culto deve prever os momentos em que a congregação permanecerá de pé, cuidando que estes não sejam demasiadamente longos nem repetitivos, tendências comuns atualmente. A sonotécnica, por sua vez, deve exercer um papel relevante: o de controlar a intensidade do som dos instrumentos e dos microfones. “De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o limite suportável para o ouvido humano é 65 decibeis. Acima disso, o organismo começa a sofrer. Para salas de aula, a Associação Brasileira de Normas Técnicas estipula que o limite tolerado é de 40 a 50 decibeis. Esse índice, aprovado por resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), tem força de lei” [confira]. Em nossos dias, quando observamos um enorme apreço pelo barulho, nossas igrejas parecem não estar preocupadas, neste particular, com a saúde de seus fiéis. Para tirar a dúvida, basta uma simples medição.

Nada desqualifica tanto um texto quanto erros gramaticais grosseiros em seu interior. Por isso é importante prestar atenção não só ao conteúdo mas também à forma do que projetamos em nossas telas.

Precisamos criar a cada dia maior intimidade com bons textos para que achemos natural pensar em culto como um texto. Pensar e pôr em prática.

Fonte: www.prazerdapalavra.com.br

3 de maio de 2015

Na onda da terceirização

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Esse é um dos assuntos mais discutidos hoje no país. Mas o que é ter-cei-ri-za-ção? “Terceirização do trabalho: processo pelo qual uma instituição contrata outra empresa para prestar um determinado serviço.” Por várias razões esta prática vem crescendo no Brasil e no mundo: transferir para outras empresas (terceiros) parte do produto ou serviço que era de sua responsabilidade.

Nossa matriz evangélica sempre teve um alto padrão de qualidade em tudo o que fez. Notadamente nós não herdamos esse mesmo padrão. Com frequência ouvimos: “é pra Deus, então está bom”. Não raro vemos literaturas com baixa qualidade (quando não é cópia, e ruim), músicas mal executadas e por aí vai. Mas como resolver?

Terceirizar é uma tendência que vem crescendo nas igrejas. Quem “pode pagar” contrata músicos de qualidade (se cristão ou não, não vem ao caso), contrata Ministro pra tudo e, claro, terceiriza missionários para cumprir o “ide de Jesus”, afinal essa é ordem do Mestre.

O que diz a Bíblia sobre essas coisas? Deus não economizou: “deu o seu Filho Unigênito”. Jesus não terceirizou: “veio para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”. Ele também não fez de qualquer maneira: “humilhou-se a si mesmo, entregando-se à obediência até a morte, e morte de cruz.” A cada ano que passa fico pensando na proximidade da aposentadoria. Desejo dar o meu melhor e fazer o máximo que posso, apesar de ser muito pouco diante do que Ele fez por mim. Não desejo enterrar meus talentos nem fazer de qualquer maneira. Almejo gastar-me no serviço do meu Rei. Por outro lado, não intento terceirizar aquilo que entendo ser a minha responsabilidade e a minha missão. Talvez eu seja um sonhador, como ouço muitas vezes. Que seja! Mas penso em Jesus, em tudo que Ele disse e tudo o que Ele fez. A Jesus sigo, não aos modelos e modismos desse mundo.

Enquanto Deus me der fôlego de vida desejo seguir o exemplo de seu Filho. Ameaçado de morte pelos judeus por curar um paralítico no sábado, Jesus respondeu: “Meu Pai continua trabalhando até agora, e Eu também estou trabalhando” (Jo 5.17). Sempre pergunto ao Senhor: o que posso fazer considerando meus “limites e limitações”? Sei que posso fazer mais, muito mais. Hoje, falta-me tempo. Mas, em breve ...



29 de março de 2015

Conversando com Jesus - amar quem te odeia

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“Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem ...”
– Jesus, Jesus!
– Sim.
– Esse negócio de amar os inimigos é sério?
– É, por quê?
– Amar até os corruptos coletores de impostos?
– Claro! “Porque se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos (coletores de impostos corruptos) igualmente assim?”
– Mas, mas eles não merecem. São ladrões e roubam até mesmo os mais pobres.
– Eu sei. Acontece que o Pai “faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos”
– Assim fica difícil. Mas, tudo bem, vou tentar.
– Faça isso.
– Mas pelo menos tenho meus amigos da igreja.
– Sei, e daí?
– Daí que não preciso me misturar. Nem é bom eu ser visto falando gente pecadora.
– Acho que você não entendeu.
– O que?
– Ora, “se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de notável? Não agem os gentios (os não crentes) também dessa maneira?”
– Assim não dá! Amar os inimigos e ainda falar com gente que não gosta de mim.
– Isso mesmo.
– E se eu não quiser? Se eu recusar estes conselhos?
– É o que eu ia dizer quando você me interrompeu “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem ... para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus”.
– Hummm!
– Bem, a escolha é sua. Ainda assim Eu afirmo: “sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai que está nos céus.” (Mateus 5.43-48)

*Dedicado a um amigo com quem tomo café vez por por outra. A partir da conversa com ele sobre esse assunto é que nasceu a ideia.

30 de janeiro de 2015

O que é certo é certo!

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By Herizete Staneck
Imagine viver em um lugar onde os líderes oprimem o povo o qual deveriam cuidar; uma nação de profunda injustiça onde as sentenças são compradas; um país onde a informação é manipulada em favor dos poderosos e o engano dos inocentes. Pior, um lugar onde até os sacerdotes só pensam em dinheiro. Imaginou?

No Brasil a corrupção é mais antiga que o próprio país, data da época em que o primeiro forasteiro trocou espelhos por riquezas. Depois disso, ela mudou de forma, sistema político, camuflou-se e pulverizou-se em partidos, instituições e governos. Nos últimos anos ela se tornou mais evidente. No mundo globalizado onde a informação é cada vez mais rápida, os valores da corrupção tornaram-se milionários. O que fazer diante destes fatos? Fugir do país? Mudar os governos ou partidos? Impor uma moral pela força? O que nós cristãos podemos/devemos fazer?

Para combater a corrupção alguns defendem mudanças nos sistemas políticos, outros apostam na mudança dos governos, outros acreditam que nada pode mudar e, há quem aposte numa moralidade baseada na força.

No filme americano, Laranja Mecânica (1971) baseado na obra de Anthony Burgess (1962), “Alex (Malcolm McDowell), líder de uma gangue de delinquentes que matam, roubam e estupram”, é submetido a uma experiência científica para mudar seu o comportamento. O sucesso da experiência, contudo, mostra que ele tornou-se indefeso e “impotente para lidar com a violência que o cercava.” O protesto do capelão denuncia: “Alex foi privado de seu livre-arbítrio dado por Deus”. No fim ele voltou a ser o mesmo delinquente de antes (que crítica).

O regime da força nunca e em nenhum lugar da história da humanidade produziu mudanças permanentes no ser humano. Quando muito, o compeliu a uma falsa moralidade tal qual uma mola sob pressão pronta para voltar ao seu estado natural. Ou o homem se torna civilizado ou nada poderá fazê-lo, nem mesmo o castigo divino. É o que nos revela a história. Lembra da Nação lá do início? Não se trata do Brasil de 2015, mas de um país de 2700 anos passados.
“Então eu disse: Ouvi, rogo-vos, ó chefes de Jacó, e vós, ó príncipes da Casa de Israel: Não sois vós conhecedores do direito? Vós, que odiais o bem e sois apaixonados pelo mal, que arrancais a pele do meu povo e a carne dos seus ossos? ... Vossos líderes ajuízam debaixo da influência de subornos, seus sacerdotes ministram visando lucro, e até vossos profetas fazem revelações em troca de prata. E pior, ainda ousam apoiar-se no SENHOR, alegando: ‘Eis que Yahweh está no meio de nós. Nenhuma desgraça virá sobre nossas cabeças!’”(Miquéias 3,1-2 e 11). De modo claro e lamentável o texto mostra a união dos poderes políticos e religiosos contra os mais fracos.

O livro de Jeremias diz respeito a cerca de um povo obstinado o qual preferiu ouvir o que era conveniente (o profeta Ananiais) a mudar de comportamento. O resultado foram setenta anos de exilo. Em Malaquias (3,9) não sobra ninguém: “Estais debaixo de grande maldição, porquanto me roubais; a nação toda está me roubando.” São inúmeros os exemplos. Seja o povo escolhido ou não, a corrupção é vívida na história da humanidade desde os tempos remotos. Todavia um fato é perene: Só existe corrupção porque existe o corruptor. Quem é? Onde vive? Como age um corruptor?

www.facebook.com/cguonline
1 – Em meados de 2008 o artigo intitulado: “Pirataria ainda é crime” foi tema de uma campanha cujo objetivo era alertar sobre os valores éticos, morais e, principalmente, espirituais em relação às cópias não autorizadas de programas, músicas etc. A campanha teve culto de lançamento, camiseta com slogan do artigo e até uma divisa: “Não furtarás!” (Êxodo 20,15). 2 – "Ser como Cristo praticando a Bíblia!" foi o tema proposto pela Convenção Batista Brasileira (CBB) para o ano de 2012. A preocupação com a integridade estava destacada na ênfase: “Desafiados à prática da bíblia para ser padrão de integridade”. 3 – Em junho de 2013 a Controladoria Geral da União (CGU) lançou a campanha: “Pequenas corrupções, diga não!” cujo objetivo principal é “conscientizar os cidadãos para a necessidade de combater atitudes antiéticas – ou até mesmo ilegais –, que costumam ser culturalmente aceitas e ter a gravidade ignorada ou minimizada”.

O ponto comum nas três campanhas é o mesmo, o indivíduo. Para a CGU, por exemplo, falsificar a carteirinha escolar, roubar TV a cabo, aceitar troco a mais, furar fila, apresentar atestado médico falso, tentar subornar o guarda de trânsito, bater o ponto do colega, copiar trabalho acadêmico da Internet, declarar informação falsa no IR etc., são “hábitos cotidianos de um povo que podem refletir como são encaradas os casos de corrupção com dinheiro público no país.”

A raiz da corrupção está todos nós. Cabe a cada um fazer (individualmente) é dominar sobre esse mal. “Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Entretanto, se assim não fizeres, sabe que o pecado espreita à tua porta e deseja destruir-te; cabe a ti vencê-lo!” (Gênesis 4,7). A única diferença entre furtar uma caneta e roubar bilhões da refinaria de Pasadena é o tamanho do dano. Tudo mais é rigorosamente idêntico. O princípio é o mesmo e o sujeito também é. Como dizia mamãe: “quem rouba um centavo ou um milhão é ladrão do mesmo jeito”.

By Herizete Staneck
Portanto, ninguém pode acabar com a corrupção no Brasil ou qualquer outro país. No máximo pode-se reprimi-la pela força. Por outro lado, ninguém pode obrigar uma pessoa a ser corrupta: muito menos um cristão. O que podemos fazer? Cada um examine a si mesmo e pergunte: eu faço essa ou aquela coisa? Se cada um cuidar de si nas pequenas coisas já será um ótimo começo. “Foste fiel no pouco, muito confiarei em tuas mãos para administrar.” (Mateus 25,21).

Corrupção? Um princípio válido a qualquer pessoa (cristã ou não). “O que é errado é errado, mesmo que todo mundo esteja fazendo. O que é certo é certo, mesmo que ninguém esteja fazendo.” – Leonardo Martins.

28 de janeiro de 2015

Caim, um nome almaldiçoado. Será?

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1 - Seria seu nome, Caim, uma maldição? Seria ele um predestinado? Após agir de modo errado Deus o inqueriu. "Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante?" Era a dica para mudar de atitude. Todavia ele decidiu olhar para o lado (Abel) e inveja-lo. Mas, que escolha ele teria? Não é esse o seu nome? Nomes não carregam maldições? Sabe fazer bolo?

2 - Segundo aviso: "se não fizeres bem, o pecado jaz à porta ... mas sobre ele deves dominar." Caim estava preste a perder o controle da sua vida e do seu destino. Ainda dava tempo de mudar sua história.  Só dependia dele. Na receita, o fermento é a menor parte, no entanto é ele quem faz o bolo triplicar de tamanho. Caim fermentou o mal em sua mente. E claro, ele cresceu, tomou forma até que, finalmente, "ficou pronto". Matou!

3 -  Caim não era um predestinado a ser mau por causa do seu nome (ninguém é). Vítima dos maus pensamentos ele tornou-se amaldiçoado por causas das suas escolhas e atitudes. Errou (poderia refazer), pensou (poderia dominar), planejou (poderia desistir) e, executou (não havia mais volta). Das quatro, só a última fase era irreversível. Pobres pais: um filho assassino outro assassinado. Sabe fazer bolo? Não esqueça o fermento. Maus pensamentos? Melhor deixar "solar".

"E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão" (Gênesis 4,11)

26 de janeiro de 2015

A inveja matou Caim

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1 - “Onde está teu irmão Abel?” Retrucou Caim: “Não sei; acaso sou eu o protetor do meu irmão?” A pergunta é retórica, a resposta uma fuga. Caim havia acabado de matar seu irmão. Mas por que ele faria tal coisa? Inveja! Como diz o dito popular “a inveja matou Caim”. Inveja do que?

2 - Caim: 1) nome do primeiro filho de Adão e Eva; 2) verbo (entoar uma canção fúnebre). Abel (hebel): 1) nome próprio; 2) sopro, espírito. Abel ofereceu a Deus suas premissas, ou seja, o que era mais importante ou prioritário. Deus aceitou a sua oferta, mas não aceitou a oferta de Caim. Por que não?

3 - Quando o espírito (hebel) é reto as prioridades são claras e as atitudes corretas, portanto são aceitas por Deus. Caim, se irou porque a sua oferta não fora aceita. "Por que te iraste? ...  Se bem fizeres, não é certo que serás aceito?" Além de não agir corretamente, intentou e matou seu irmão. A inveja é assim, mata o espírito nobre.

"e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e o matou." (Gênesis 4,8b)

20 de julho de 2014

Tempo que foge! E foge depressa

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“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.”1

Em seu conhecido texto: Tempo que foge, o pastor Ricardo Gondim:2 1) Se dá conta que o tempo que falta viver é menor do que o aquele que viveu até agora; 2) Deseja aproveitar ao máximo o tempo que lhe resta: “faltam poucas”. Pensar sob essa perspectiva costuma realinhar o modo ver e viver a vida cristã. Normalmente ajuda a redefinir com o que vale ou não a pena gastar o tempo.

Para o autor, algumas coisas perderam a importância. “Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos ... para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos parlamentares e regimentos internos ... para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos ... para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções da Bíblia. ‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos. Já não tenho tempo para ficar dando explicação aos medianos se estou ou não perdendo a fé, porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes ...”

Por outro lado, ele se encanta com outras pessoas que valem cada segundo do seu tempo. “Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a ‘última hora’; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus. Caminhar perto dessas pessoas nunca será perda de tempo.”

Tomado por essa mesma sensação penso no Senhor Jesus. Ele veio ao mundo em forma humana e, decidiu andar, ensinar e acreditar nas pessoas. Num ato esplêndido de amor, aceitou morrer em favor dos redimidos, mesmo sabendo que nem todos o aceitariam. “Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10,45). Foi humilhado, traído e abandonado, inclusive por seus maiores amigos. Foi insultado, incompreendido pela religião dura e fria e, finalmente, foi açoitado e morto injustamente. Então; será que valeu a pena?

“Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si.” (Is 53,11). Sim, por amor valeu. Valeu a pena ser pisado e espremido (Getsêmani)3. Por “causa dos eleitos que escolheu” (Mc 13,20) valeu a pena gastar seu tempo e acreditar nas pessoas. Nossa vida cristã precisa valer a pena e, de modo geral, a finitude nos ajuda a realinha as prioridades e a valorizar aquilo que realmente tem valor: gente.

Portanto, precisamos remir o tempo de modo a produzirmos frutos dignos de arrependimento enquanto há tempo. Porque, pensando bem, o tempo foge e foge depressa.


1GONDIM, Ricardo. Eu creio, mas tenho duvidas (Tempo que foge). Viçosa: ed. Ultimato, 2007. p. 102.
2Alguns atribuem, por engano, a autoria desse texto a Rubem Alves.
3Lugar onde se espremiam as azeitonas para se retirar o azeite.

21 de junho de 2014

Emoções são más conselheiras

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Direto da sala da EBD. A pergunta desconcertante era: “Hananias cria mesmo na profecia que ele fez?”

Em primeiro lugar, os títulos da Bíblia (de todas) foram criados depois dela estar pronta (depois do Cânon). Portanto, chamá-lo de falso profeta é título e não texto bíblico.

Em segundo lugar, a pergunta era temporal, isto é, não anacrônica. A leitura e interpretação da bíblia costuma ser quase que 100% vezes anacrônica. Ou seja, o leitor, já conhecedor dos resultados, analisa os erros dos envolvidos quando eles não tinham a menor certeza do que iria acontecer.

Ora, Hananias repetiu a profecia de Jeremias, mas ... sutilmente divergiu dele quanto aos anos de cativeiro. Enquanto Jeremias havia profetizado setenta anos de cativeiro na Babilônia, Hananias falou em dois anos.

Jeremias: “Acontecerá, porém, que, quando se cumprirem os setenta anos, visitarei o rei de babilônia, e esta nação, diz o SENHOR, castigando a sua iniqüidade, e a da terra dos caldeus; farei deles ruínas perpétuas.” (Jr 25,12)

Hananias: “Depois de passados dois anos completos, eu tornarei a trazer a este lugar todos os utensílios da casa do SENHOR, que deste lugar tomou Nabucodonosor, rei de babilônia, levando-os a babilônia.” (Jr 28,3).

Antes de julgarmos o segundo profeta como falso, termo que, repito, não está na Bíblia, é preciso atenção à resposta do próprio Jeremias. “Disse, pois, Jeremias, o profeta: Amém!” (Jr 28,6). Amém quer dizer, assim seja, portanto Jeremias está concordando com a profecia de Hananias e não o desmentido.

O contexto de Judá sob quem a profecia se refere, era péssimo. O Reino do Norte já havia sido destruído e o Reino do Sul (Judá) estava sob o controle do rei da Babilônia, Nabucodonosor (cap. 25-27).

Jeremias não é conhecido como o “profeta chorão” por acaso. Ele tinha grande tristeza em seu coração por causa do grande sofrimento de seu povo. Ver duas gerações no exílio, 70 anos, era muito triste e certamente ninguém desejava isso; nem o rei, nem o povo, nem os profetas Jeremias e Hananaias. Por outro lado, muitas vezes o Senhor “mudou de ideia” diante do arrependimento de seu povo e até de outros povos, como os Ninivitas, por exemplo (livro de Jonas). Além disso, recentemente o Senhor havia livrado Judá da destruição certa de uma forma milagrosa (2 Rs 19) e todos sabiam disso. Mas havia uma diferença, Jeremias era prudente:

“Os profetas que houve antes de mim e antes de ti, desde a antiguidade, profetizaram contra muitas terras, e contra grandes reinos, acerca de guerra, e de mal, e de peste. O profeta que profetizar de paz, quando se cumprir a palavra desse profeta, será conhecido como aquele a quem o Senhor na verdade enviou.” (Jr 28,8-9).
Ora, todos os profetas antes dele profetizaram de males e pestes, agora Hananias profetizava de prosperidade, então somente se a profecia se cumprisse era vinda do Senhor.

Infelizmente, aquela notícia boa, a qual todos queriam ouvir e trazendo alegria aos corações era apenas movida pelos sentimentos e percepções do profeta Hananias. Suas emoções o levaram a mentir em nome de Deus e trazer grande sofrimento ao povo. Ao quebrar jugo de madeira, que o Senhor mesmo havia mandado, acabou por piorar a situação de Judá.

“E agora eu entreguei todas estas terras na mão de Nabucodonosor, rei de babilônia, meu servo; e ainda até os animais do campo lhe dei, para que o sirvam. E todas as nações servirão a ele, e a seu filho, e ao filho de seu filho ... E acontecerá que, se alguma nação e reino não servirem .. e não puserem o seu pescoço debaixo do jugo do rei de babilônia, a essa nação castigarei com espada, e com fome, e com peste, diz o SENHOR, até que a consuma pela sua mão” (Jr 27,6-8).

E foi isso que fez Hananias, rejeitou o jugo: “Então Hananias, o profeta, tomou o jugo do pescoço do profeta Jeremias, e o quebrou.” (Jr 28,10).

E disse ainda, “Assim diz o SENHOR: Assim, passados dois anos completos, quebrarei o jugo de Nabucodonosor, rei de babilônia, de sobre o pescoço de todas as nações.” (Jr 28,11).

Diante destas palavras e sem a certeza de qual seria o veredito do Senhor Jeremias decidiu ir embora. Jeremias não contendeu com Hananias, antes foi prudente e, ao ser confrontado, fez silêncio. Mas a dúvida não ficaria em seu coração, o Senhor não mudaria de ideia, não desta vez. Agora o jugo seria de ferro, a morte e a peste viriam por causa da desobediência do povo que decidiu dar ouvidos a Hananais, ou melhor, às suas próprias emoções.

Ainda que tenha dito amém preferiu ouvir o Senhor a ouvir o seu coração. Por mais dura ainda que fosse a mensagem de Deus, Jeremias ficou com ela. (Jr 28,13-14).

Hananias fez com que o “...povo confiasse em mentiras.” (Jr 28,15). Mentira, essa é a palavra descrita na Bíblia e não “falso”.

Numa sociedade tão embrutecida como a nossa, é claro que emoções (boas) são mais que bem vindas. Mas quando se trata da Palavra de Deus, as emoções não são boas conselheiras. No caso de Hananias custou-lhe a vida. “E morreu Hananias, o profeta, no mesmo ano, no sétimo mês.” (Jr 28,17).

Quanto à pergunta “Hananias cria mesmo na profecia que ele fez?” a resposta está diluída no corpo do texto. Examine a Bíblia e o texto com cuidado e encontre você mesmo a resposta.

Nossa gratidão ao professor Walmir da igreja do Méier por suas considerações.

12 de janeiro de 2014

Tempo que foge! - Por Ricardo Gondim

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Não, não é do Rubem Alves (explicações no final)

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não vou mais a workshops onde se ensina como converter milhões usando uma fórmula de poucos pontos. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos parlamentares e regimentos internos. Não gosto de assembléias ordinárias em que as organizações procuram se proteger e perpetuar através de infindáveis detalhes organizacionais.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos à limpo”. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.

Já não tenho tempo para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções da Bíblia. Não quero ficar explicando porque gosto da Nova Versão Internacional das Escrituras, só porque há um grupo que a considera herética. Minha resposta será curta e delicada: – Gosto, e ponto final! Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.

Já não tenho tempo para ficar dando explicação aos medianos se estou ou não perdendo a fé, porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes; a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego.

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a “última hora”; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus. Caminhar perto dessas pessoas nunca será perda de tempo.

Soli Deo Gloria.

Explicação: Clique aqui
Livro citado (pág 102): Clique aqui

16 de março de 2013

Texto áureo da Bíblia: João 3:17 – para cristãos

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Se alguém perguntar a um cristão qual o texto áureo da Bíblia, João 3,16 ganha disparado.

De fato é um dos poucos versículos completos da Bíblia com  introdução, desenvolvimento e conclusão. Ele é o versículo que resume o plano salvífico de Deus para o homem. São livros e livros, pregações e mais pregações a respeito dele. Se você digitar “João 3:16” no Google encontrará 9,5 milhões de ocorrências, só hoje, amanhã ...

Menos popular, com apenas  2,9 milhões de ocorrências, existe um versículo tão belo e tão fundamental para nós cristão, principalmente para os cristãos “pós-modernos” ocidentais. Vale  muito a pena rever João 3,17: 1) Se cremos que Jesus é Deus; 2) Se cremos ser a Bíblia é a Palavra de Deus, então é melhor repensarmos o nosso cristianismo a luz do que nos afirma este versículo.

No versículo, anterior, o  16, temos o Pai oferecendo o próprio Filho para salvar o homem. Salvar foi a missão de Jesus, e só foi essa sua missão. É o que nos afirma o versículo 17. Ele também começa com “porque” como o anterior, logo trata-se da mesma explicação.

Ora, se Ele, o Filho, não veio condenar o mundo, mas salvá-lo, de onde será que vem esta ideia de julgar/condenar as pessoas? de Deus? de Jesus? de onde? Não sei de nenhum lugar na Bíblia onde Jesus julgou alguém. Onde está escrito tal coisa? E se tivesse escrito? Com que direito julgamos, nós, os outros?

Um parêntese: Julgar, aqui, é condenar, é não usar de misericórdia. Não é o mesmo que discernir/conhecer de Mateus 7,15-20. Pelos frutos (os resultados) conhecereis a árvore (os profetas). Claro, acautelando-se dos falsos. Isto é, não dando ouvidos as suas profecias erradas.

Julgar é algo tão sério mesmo no contexto de Mateus, no capítulo 7, de forma clara lemos: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.” (vs 1 e 2).

Nós não temos nenhuma autoridade para julgamos/condenamos as pessoas. Nem mesmo o Filho fez tal coisa. Pelo contrário, diante diante do evidente e condenável pecado da mulher adúltera Jesus foi misericordioso:: “... Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? ... Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.” (João 8,10-11).


Se cremos serem as palavras de João 3,17 verdadeiras e se levarmos a sério o que elas dizem, então é melhor revermos que cristianismo é esse que julga/condena o próximo. Porque, se Deus também leva a sério as Suas palavras dirá a cada um dos julgadores naquele dia: “... o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa do juízo.” (Tiago 2,13).

João 3,17:  Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.”

Portanto, se Ele não condenou, não seja eu a fazê-lo.

7 de novembro de 2012

Reconhecimento do MEC, uma vitória e um sonho

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Hoje, após longos anos de luta e espera, um antigo sonho se realiza: o curso de Teologia está oficialmente reconhecido no MEC.

Muitos são os que ousaram sonhar com este dia e ele finalmente chegou.
Estamos todos felizes com mais esta conquista do Seminário do Sul e por que não dizer dos Batistas brasileiros.

Clique aqui para consultar o e-MEC















Clique aqui para ver a publicação no DOU

2 de novembro de 2012

A infantil busca de felicidade

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Por: Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Uma característica muito forte na criança é a busca do prazer. Ela quer apenas o que é agradável. Um exemplo simples, banal mesmo: legumes e verduras não são agradáveis. Doces, sim. Também para o adolescente: fazer os deveres da escola não é agradável. Perder-se em banalidades pelo celular é.

De adultos espera-se noção de dever e senso de responsabilidade. Trocar fraldas e limpar bebês não é a coisa mais cheirosa do mundo. Mas as mães fazem isso. Ser adulto é saber que a vida é algo mais que buscar prazer. Por isso, uma das frases mais tolas que li é “Todo homem tem direito à felicidade”. O que é felicidade? Para o viciado, uma pedra de crack, uma picada, mais um gole. Para o sádico, causar dor a alguém. A felicidade do atacante é a dor do goleiro adversário.

O alvo da vida é ser feliz? Isso explica o caos do mundo: o egoísmo, a indiferença aos sofredores, o luxo sibarita diante da fome alheia. Um lar desfeito por que o marido acha que tem direito a ser feliz e larga a esposa e filhos para viver com uma sirigaita mais nova. Ou por que a moça não assume que é mãe e deve viver nova realidade; ainda quer ser “gatona” e “curtir a vida”. Avultam casos de bebês largados por mães que foram ao baile, no seu direito de felicidade. Esta postura infantil de tantos adultos tem produzido um mundo miserável, onde a piedade escasseia e a mesquinhez cresce.

Isso acontece no evangelho. As pessoas não consagram mais a vida ao serviço de Deus. Ele existe para torná-las felizes. Elas não mais servem à igreja nem se engajam nela para serem úteis. A igreja se torna um espaço social onde exibem sua vaidade e buscam reconhecimento. Se não os obtêm, passam a falar mal da igreja, alheiam-se ou buscam outra. Nunca vi um crítico contumaz de igreja exibir vida espiritual exuberante. Espalham mal estar por onde passam, cheias de ranço.

Ao lavar os pés dos discípulos, Jesus ensinou uma grande lição: mostrou-se como servo, realizando uma tarefa baixa, de escravo. E disse: “Se eu, Senhor e Mestre, lavei os vossos pés, também deveis lavar os pés uns dos outros” (Jo 13.14). Ele disse que “não veio para ser servido, mas para servir…” (Mc 10.45). E sinalizou a vida rica, abençoada e feliz: a que é útil, a que serve. Felicidade é um subproduto de utilidade. Quem tem uma vida útil, que beneficia aos outros, é uma pessoa realizada. Quem só quer receber é como as filhas da sanguessuga: “Dá! Dá” (Pv 30.15). Nunca se satisfará.

O reino de Deus carece de mais cristãos adultos e menos bebês espirituais. Carece de gente que queira ser útil e queira servir. Que critique menos, que não queira visibilidade e importância, mas que entenda a lição de Jesus: nós nos realizamos na autodoação à obra e aos outros.

“Ninguém busque seu próprio bem, e sim o dos outros” (1Co 10.24). Adultos espirituais e emocionais são felizes. Bebês espirituais não são engraçados e dão muito trabalho!

Fonte: http://www.isaltino.com.br/2012/11/a-infantil-busca-de-felicidade
Ilustração: Leonardo Martins

14 de fevereiro de 2012

Assimilação e acomodação

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Assimilação e acomodação são termos técnicos da pedagogia. O primeiro, a assimilação, se refere a capacidade do indivíduo compreender ou entender algo. O segundo, a acomodação, se refere a capacidade do indivíduo colocar o ensino em prática (explicação minha de forma bem sintética).

Fumei durante três anos e garanto que qualquer fumante sabe exatamente TODOS os males do tabagismo, entretanto poucos deixam de fumar. Especificamente neste caso existem implicações biológicas que interferem no comportamental. Chamamos de dependência química.

Se eu pudesse encontrar um sinônimo para aprender do ponto de vista pedagógico diria que aprender é o mesmo que mudar.  Podemos aprender (mudar) de comportamento tanto positivamente quanto negativamente. Eu, por exemplo, aprendi a fumar (algo negativo para mim) depois, aprendi a deixar de fumar. Não, não se trata de um artigo sobre tabagismo, mas sobre o conceito do que seja aprender.

Quais as implicações disso?

Quando eu era católico conhecia muitos conceitos bíblicos e como todo “bom católico” da época eu detestava os crentes. Eu os achava chatos, prepotentes e arrogantes. Mas uma coisa me incomodava de forma cabal: eles eram coerentes com a Bíblia e eu não. Confesso que isso me corroia a alma.

Não sou fundamentalista (no sentido comumente empregado ao termo), mas percebo os relativismos das nossas atitudes. Aos poucos fazemos pequenas concessões (não tem nada a ver) até o dia que não teremos nada mesmo. Negociamos valores fundamentais por pequenos favores e benefícios e fazemos isso com o dinheiro dos outros. Melhor, com o dinheiro do Senhor. E o fazemos sem a menor parcimônia. A desfaçatez vem travestida dos jargões mais estapafúrdios adotados pelos valores imorais do mundo (sei disso por eu os usava com frequência). Coisas como: não tem nada a ver; uma mão lava a outra; é preciso entrar na política; prefiro ser feliz a ter razão e por aí vai.

É verdade que o mundo mudou e os crentes também mudaram nestas últimas décadas. Mas duas coisas eu tenho certeza. Primeira, Jesus não mudou. Ele nunca negociou com os valores imorais dos homens; fossem eles, políticos ou não, poderosos ou não, inteligentes ou não. Segunda, se hoje sou uma nova criatura muito devo a ética cristã daqueles crentes “chatos” que insistiam em não colar na escola, não falar palavrões, não beber, não fumar etc. Eles eram autênticos e zelosos dos ensinos bíblicos. Aqueles “chatos” poderiam nem mesmo entender de pedagogia e seus termos técnicos. Agora, eles viviam o que pregavam e pregavam porque viviam.

Sem a teoria (a assimilação) não há ação (a prática). Por outro lado, sem mudança, não há aprendizado. No nosso caso não há testemunho, não há veracidade e não há unção (diria eu).

Hoje, desejo ser tão ou mais “chato” que eles porque Deus os usou para que um dia eu viesse a me converter. Sinceramente, Deus me livre de ser a palmatória do mundo (não é disso que falo), mas tenho vergonha do que tenho visto e ouvido. Por outro lado agradeço a Deus por estar acontecendo neste tempo. Se fosse naquele eu jamais aceitaria Jesus como meu salvador. Se fosse hoje sei bem o que eu diria a estes novos "crentes":

“Respondendo, porém, o espírito maligno, disse: Conheço a Jesus, e bem sei quem é Paulo; mas vós quem sois?” (Atos 19.15).

22 de janeiro de 2010

Por que não fazemos nada?

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O poema de Maiakovski fala por si só.

E, porque não dissemos nada…

Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.


Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.


Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.


E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.

(Maiakovski)

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