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13 de junho de 2016

Dia da Língua Portuguesa

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Por: Adalberto Alves de Sousa


No nosso calendário, são muitas as datas comemorativas. O número delas ultrapassa o dos dias do ano. Cada uma daquelas consideradas muito importantes transformou-se em feriado nacional. Outras são marcadas por grandes eventos, e algumas, por um aumento considerável de vendas no comércio.  Mas a grande maioria dessas datas nem sequer é conhecida pelo grande público. Neste caso encontra-se o 10 de junho, Dia da Língua Portuguesa. Por que será que, mesmo em se tratando de um dos maiores patrimônios do povo brasileiro, essa data não costuma ser mencionada nem em nossas escolas?

Conforme podemos observar em nosso dia a dia, o português é vítima de descaso por parte das autoridades e também da população. Nesse contexto, nossa língua, como nossa cultura em geral, não é importante (está aí o esquisito Halloween para provar isso). Damos muito valor às línguas estrangeiras, principalmente ao inglês. Basta andarmos pela rua para cruzarmos com pessoas com roupas que estampam dizeres nessa língua, muitas vezes com letras garrafais. No lançamento de empreendimentos imobiliários é quase obrigatório que os produtos sejam apresentados com nomes estrangeiros. “Sala, quarto, cozinha, banheiro”, nem pensar; não atraem o comprador. Centro Comercial passou a ser Shopping Center; liquidação é OFF. No Rio de Janeiro temos o New York Center, com uma réplica da Estátua da Liberdade na entrada. E assim vamos desprestigiando a passos largos a nossa língua. Um fato muito interessante ocorre com os nomes próprios. Na tentativa de pôr nos filhos nomes de figuras notórias, pais fazem surgir alguns como Uoston, Maycom, Kathellym, cada um mais exótico que o outro. Também há uma tendência de inovar na grafia dos nomes: Phillipy, Antthonya, porque nome que se preze tem de ter consoante dobrada, h e y. Um fato frequente em nossas universidades é a rejeição de dissertações de mestrado e de teses de doutorado, por parte de orientadores, pelo fato de estarem redigidas num nível muito aquém daquele esperado de um mestre ou de um doutor.  Essa é uma das consequências do descaso já citado e da falta de interesse pelo estudo do idioma na formação básica. Esse quadro jamais será mudado enquanto nós, como povo brasileiro, não nos conscientizarmos do papel importante que a nossa língua desempenha em todas as áreas de nossas atividades.

O profeta Isaías foi preciso ao sintetizar o que é a língua usada com propriedade: “O Senhor Deus me deu a língua dos instruídos para que eu saiba sustentar com uma palavra o que está cansado; ele desperta-me todas as manhãs; desperta-me o ouvido pra que eu ouça como discípulo. O Senhor Deus abriu-me os ouvidos, e eu não fui rebelde, nem me retirei para trás” (Isaías 50.4,5).  Ele começa por afirmar que “a língua dos instruídos” é uma provisão divina. Ou seja, é Deus quem nos capacita a usá-la. Mas deixa claro que essa capacitação nos é dada com o objetivo específico da comunicação: “para que eu saiba com uma palavra levantar o que está cansado”. Em seguida o profeta esclarece que somos instruídos por meio de um processo, que é: 1) sistemático – “ele desperta-me todas as manhãs”. Desperta para quê? Para que haja dedicação ao estudo da língua; 2) inteligente – “desperta-me o ouvido para que eu ouça como discípulo”, não como aquele que se limita a decorar regras, mas como o que aprende de verdade; 3) dócil – “O Senhor Deus abriu-me os ouvidos, e eu não fui rebelde”. Aquele que estuda não pode se rebelar contra o próprio estudo, mas aceitá-lo e procurar aplicá-lo da melhor forma possível; 4) responsável – “nem me retirei para trás”. É triste ver que alguns diante das primeiras dificuldades desistem e perdem a oportunidade de concluir o que foi iniciado.

Creio que, tendo em mente o que nos ensina o profeta, podemos, como famílias, trabalhar para mudar o triste estado em que se encontra o nosso idioma. Uma forma muito eficiente é introduzirmos nossas crianças no mundo da leitura. (Hoje, alguns pais estão lendo histórias para filhos que ainda estão em fase de gestação!). A partir da alfabetização, crianças precisam ler livros. A leitura deve ser tarefa diária na vida de uma criança. Bons autores escrevem livros para as diversas faixas etárias. No começo os pais leem para os filhos; depois leem com os filhos, e por fim supervisionam a leitura deles. A criança precisa aprender desde cedo a ser sistemática. Deve ter horário para dormir, para acordar, para tudo, inclusive para o lazer.

Uma boa formação acadêmica começa com capacidade de comunicação, tanto escrita quanto oral, e a leitura é uma excelente ferramenta para a consecução desse objetivo. Ao se familiarizar com o idioma por meio da leitura sistemática de autores consagrados, aquelas regras que a escola tanto se preocupa em ensinar são assimiladas automaticamente pela criança. Atualmente, por iniciativa particular, bibliotecas têm surgido em várias comunidades.

É muito bom também que os pais de alunos de uma escola se organizem para ativar um plano de leitura para todos os alunos da turma de seus filhos. Uma ideia que tem dado certo é cada pai oferecer, a cada semestre, um livro, entre vários selecionados criteriosamente, para a biblioteca da escola, o que possibilita que todos os alunos sejam beneficiados. Uma outra ideia é divulgarmos nas redes sociais o Dia da Língua Portuguesa. Mesmo sem ser ADVOGADO, cada um de nós pode ser um defensor da nossa língua.

Quem sabe no futuro nos orgulhemos da Língua Portuguesa, e até comemoremos a sua data. Mas para que isso aconteça precisamos prestar bastante atenção quando formos convocados para votar. Nosso voto é a arma mais poderosa que temos em nossas mãos, ou na ponta de nosso dedo.
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NOTA: Dois dias após a comemoração do Dia da Língua Portuguesa em 2006 (10 de junho), foi criado no Brasil o Dia Nacional da Língua Portuguesa no Brasil: 05 de novembro (Lei nº 11.310, de 12 de junho de 2006). Em 2009 a  Comunidade  dos  Países de  Língua  Portuguesa (CPLP), por   meio da XIV Reunião Ordinária do Conselho de Ministros, escolheu o 05 de maio como o Dia da Língua Portuguesa. O dia 10 de junho foi escolhido como uma homenagem ao poeta português Luís de Camões, falecido em 10/06/1580; o 05 de novembro homenageia Rui Barbosa, que nasceu em 05/11/1849.

3 de outubro de 2015

O culto como um texto

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Quando olhamos para um culto, com as partes que o compõem, a forma como se desenvolve e os objetivos que procura alcançar, percebemos a grande semelhança que ele conserva com um texto. Daí podermos desenvolver a ideia de culto como um texto.

Ao pensarmos num livro, por exemplo, que é um texto mais elaborado, percebemos nele uma série de elementos que não constituem o texto, propriamente, mas funcionam como acessórios, que entre outras funções preparam o leitor para o conteúdo principal, que virá a seguir. Passamos pela capa, contracapas, orelhas, dedicatórias, agradecimentos, prefácio, antes de iniciarmos a Introdução. E o que isso tem a ver com o culto? A resposta é simples: nada. Na realidade, podemos afirmar que esses elementos assemelham-se àqueles que devem ocorrer no momento que aqui denominamos de Pré-culto, aquele espaço de tempo que dedicamos às boas-vindas, cumprimentos, abraços, avisos, informações, promoções, vídeos,   que precedem o culto propriamente dito. É o único momento de informar que o livro mais recente do pregador e o CD do cantor convidados estarão à venda após o culto. Neste espaço só não cabe fazer aquelas perguntinhas óbvias, que não merecem resposta, nem recriminar os irmãos, perguntando-lhes se não tomaram café, por não terem dado uma sonora resposta a um cumprimento. Nos tempos atuais, de tantas tecnologias, uma boa prática é transformar em vídeo tudo o que for possível, para tornar o pré-culto bem objetivo e enxuto.

Encerrado o pré-culto, o ideal é que haja algo que deixe bem marcada a transição para o culto. Um tempo de oração silenciosa, por exemplo, uma música com letra em língua portuguesa que seja bem conhecida, que propicie a reflexão, algo que prepare o fiel para cultuar.

O culto como um texto começa a ser preparado bem antes de sua realização. Quando o pastor, ou o responsável por pregar nos cultos, elabora o seu plano de pregação, ele escolhe o tema de cada sermão e o(s) texto(s) bíblico(s) que servirá(ão) de base para cada um. De posse dessas informações, o responsável pela elaboração das ordens de culto prepara cada uma de forma tal que todo o culto caminhe para a consecução daquele(s) objetivo(s) que o pregador deseja alcançar ao fim de sua mensagem. Para isso essa pessoa seleciona outros textos bíblicos relacionados ao tema já definido, bem como as músicas que serão cantadas. Aqueles que forem convidados para participações especiais, como cantores e grupos, devem ser orientados a escolher músicas dentro desse mesmo tema. No culto como um texto cada participante tem sua função específica: dirigentes dirigem o culto e os cantos da congregação; cantores apenas cantam; pregadores pregam. (grifo nosso).

É na preparação da ordem do culto que aquele que a elabora pode perceber a grande semelhança entre texto e culto. Tudo começa com o tema proposto pelo pregador. A partir daí, ao elaborar a ordem de culto, ele pensa na Introdução e no Desenvolvimento que conduzam à Conclusão, que virá ao fim da mensagem. Além desses três elementos básicos do texto, o culto precisa de Coesão, Coerência e Argumentação.

A função do dirigente do culto é muito importante, pois é ele que “costura” cada uma dessas partes, para que elas constituam um todo harmônico que prepare a congregação para a mensagem que será entregue pelo pregador. Para isso ele deve estudar cada texto bíblico que será lido, cada música que será cantada pela congregação, para estar preparado e tenha o que dizer. Em momentos de descontração, seminaristas costumavam citar uma regra da homilética, criada por eles, naturalmente: “Quando o seu argumento for fraco, dê um grito e um soco na mesa”. Isso nos remete ao texto de 1Reis 19.11,12, em que lemos: “o Senhor não estava no vento”... “o Senhor não estava no terremoto”... “o Senhor não estava no fogo; e ainda depois do fogo uma voz mansa e delicada... Que fazes aqui, Elias?”. A voz mansa e delicada é muito mais propícia à reflexão, ao louvor, à adoração, mas tem estado ausente em muitos dos nossos cultos. Quando a Bíblia não entra na ordem do culto, e quando o dirigente não estuda o conteúdo do que a congregação canta, o grito parece a alternativa natural. com Igrejas do século 21 correm o sério risco de confundir templo com arena, culto com show, e congregação plateia.

Ainda em relação às músicas cantadas pela congregação, é preciso destacar o papel dos instrumentos. Assim como uma moldura em um quadro, os instrumentos devem ter a função de destacar o canto, as vozes, e não competir com elas. O primeiro plano deve ser sempre o das vozes, enquanto, ao fundo, os instrumentos devem emoldurá-las, pois é nas vozes que se encontra a mensagem, que por sua vez conduz o desenvolvimento do culto em direção ao seu objetivo (estamos pensando aqui no “culto racional!”). É comum o uso do playback em substituição aos instrumentos, mas é preciso treinar os operadores de som para que eles não o transformem em “playfront” como costuma acontecer.

Todo culto deve ter a característica de ser saudável. Neste sentido, a ordem de culto deve prever os momentos em que a congregação permanecerá de pé, cuidando que estes não sejam demasiadamente longos nem repetitivos, tendências comuns atualmente. A sonotécnica, por sua vez, deve exercer um papel relevante: o de controlar a intensidade do som dos instrumentos e dos microfones. “De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o limite suportável para o ouvido humano é 65 decibeis. Acima disso, o organismo começa a sofrer. Para salas de aula, a Associação Brasileira de Normas Técnicas estipula que o limite tolerado é de 40 a 50 decibeis. Esse índice, aprovado por resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), tem força de lei” [confira]. Em nossos dias, quando observamos um enorme apreço pelo barulho, nossas igrejas parecem não estar preocupadas, neste particular, com a saúde de seus fiéis. Para tirar a dúvida, basta uma simples medição.

Nada desqualifica tanto um texto quanto erros gramaticais grosseiros em seu interior. Por isso é importante prestar atenção não só ao conteúdo mas também à forma do que projetamos em nossas telas.

Precisamos criar a cada dia maior intimidade com bons textos para que achemos natural pensar em culto como um texto. Pensar e pôr em prática.

Fonte: www.prazerdapalavra.com.br

8 de abril de 2014

Como entender o salmo 23

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1 - Salmo de Davi: O Senhor me pastoreia, de nada terei falta.
Isso é título. Tudo mais é referência a ele.

2 - Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas.
3 - Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.
4 - Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
5 - Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.
6 - Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor por longos dias.

7 de junho de 2013

Perfil de um homem de Deus

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Por: Adalberto Alves de Sousa


Na época eu li sem dar a devida atenção, mas deveria. O texto do amigo e professor Adalberto, um dos poucos a nos pastorear no Seminário do Sul, era uma obra prima. Não por acaso, o texto tronou-se o editorial em homenagem ao pastor Israel Belo de Azevedo naquele dia do pastor na Igreja Batista Itacuruçá.


“Samuel foi o último dos juízes e o primeiro dos profetas. Era homem de profunda piedade e discernimento espiritual, inteiramente dedicado à realização dos propósitos de Deus referentes a Israel (...) Foi chamado para guiar a Israel em algumas das maiores crises de sua história, e chega quase à estatura do próprio Moisés. Sem qualquer vontade de sua parte, viu-se no papel de ‘fabricante de reis’, pois foi comissionado a ungir a Saul, o primeiro rei, então a Davi, o maior dos reis de Israel”. 1

            É justamente dessa vida de que vamos pinçar alguns traços para compor o perfil de um homem de Deus.

1. Chamada — Ninguém pode se apresentar onde quer que seja como homem de Deus a não ser que tenha sido chamado. E quem chama é o próprio Deus: “Rogai, pois ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mateus 9.38). Foi assim com Abraão: “Sai-te da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei” (Gênesis 12.1); foi assim com Moisés: ”Agora, pois, vem e eu te enviarei a Faraó, para que tires do Egito o meu povo, os filhos de Israel” (Êxodo 3.10); foi assim com Paulo: “mas levanta-te e entra na cidade, e lá te será dito o que te cumpre fazer” (Atos 9.6). O homem de Deus tem uma inequívoca chamada de Deus: ”Samuel! Samuel! Ao que respondeu Samuel: Fala, porque o teu servo ouve” (1Samuel 3.10). Você se lembra do dia em que Deus o chamou?

2. Preparo — Quando Deus chama alguém para uma tarefa específica na sua seara, Ele mesmo provê o preparo necessário. Às vezes, antes da própria chamada, como ocorreu com Moisés (na casa de Faraó), com Paulo (aos pés de Gamaliel). O homem de Deus precisa de preparo, e na vida de Samuel percebemos esse traço bem delineado: “Samuel, porém, ministrava perante o Senhor, sendo ainda menino...” (1Samuel 2.18); “Entrementes, o menino Samuel crescia diante do Senhor, como também diante dos homens” (1Samuel 2.26). É interessante notar que Lucas, ao descrever o crescimento de Jesus, praticamente copia este último verso (cf. Lucas 2.52). O preparo de Samuel foi integral: compreendeu teoria e prática. E o seu preparo, como tem sido?

3. Trabalho — Este traço na vida de Samuel extrapola o seu tempo: “Samuel julgou a Israel todos os dias da sua vida. De ano em ano rodeava por Betel, Gilbal e Mizpá, julgando a Israel em todos esses lugares. Depois voltava a Ramá, onde estava a sua casa, e ali julgava a Israel; e edificou ali um altar ao Senhor” (1Samuel 7.15-17). Nestes tempos de ativismo é bom prestar atenção a essas palavras. O texto deixa claro que Samuel, embora trabalhasse todos os dias, era um homem organizado. Seu trabalho submetia-se a um planejamento anual. Será que temos conseguido planejar nosso trabalho pelo menos pra uma semana? O homem de Deus precisa ser devotado ao trabalho: “Importa que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar” (Josué 9.4).

4. Fé — O quarto traço que pretendo avivar neste perfil do homem de Deus é a fé. Sem fé a chamada perde todo o seu sentido; sem fé, o preparo é incompleto; sem fé, o trabalho é infrutífero: “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11.6). O homem de Deus precisar ser, necessariamente, um homem de fé. Samuel o foi. A casa de Israel estava afastada de Deus e entregue a toda a sorte de idolatria. Os filisteus eram ameaça iminente. Diante dessa situação caótica Samuel reúne o povo para dizer que a esperança está em Deus. Começa com uma condição: “Se de todo o vosso coração voltais para o Senhor” e conclui com uma promessa: “ele vos livrará da mão dos filisteus” (1Samuel 7.3). O povo aceitou o desafio, voltou-se para Deus, confessando seu pecado e livrando-se dos ídolos. O inimigo veio com toda a sua fúria, enquanto o povo mais se aproximava de Samuel: “Não cesses de clamar ao Senhor nosso Deus por nós para que nos livre da mão dos filisteus (1Samuel 7.9). Indiferente ao ataque do inimigo, Samuel ofereceu um cordeiro em holocausto, clamou ao Senhor, e o Senhor honrou a sua fé: “Enquanto Samuel oferecia o holocausto, os filisteus chegavam para pelejar contra Israel; mas o Senhor trovejou naquele dia com grande estrondo sobre os filisteus, e os aterrou; de modo que foram derrotados diante dos filhos de Israel” (1Samuel 7.10). O homem de Deus precisa não somente de fé; é necessário que ele viva a sua fé, diante do povo.

5. Transparência — Mais do que em qualquer outra época o ministério precisa de transparência. Vivemos numa época de golpes, de falcatruas; estamos no tempo em que a lei é levar vantagem em tudo. Nunca a figura do pastor foi tão aviltada, até porque está muito difícil estabelecer a diferença que existe entre pastor e pastor. Na vida de Samuel o texto fala por si só: “Eis-me aqui! Testificai contra mim perante o Senhor, e perante o seu ungido. De quem tomei o boi? ou de quem tomei o jumento? ou a quem defraudei? ou a quem tenho oprimido? ou da mão de Deus tenho recebido suborno para encobrir com ele os meus olhos? E eu vo-lo restituirei. Responderam eles: Em nada nos defraudaste, nem nos oprimiste, nem tomaste coisa alguma da mão de ninguém. Ele lhes disse: O senhor é testemunha contra vós, e o seu ungido é hoje testemunha de que nada tendes achado na minha mão. Ao que respondeu o povo: Ele é testemunha” (1Samuel 12.3-5). A vida do homem de Deus deve ser marcada pela transparência: ampla; geral; irrestrita.

6. Amor — Na composição do perfil de um homem de Deus, sem dúvida, o amor é um traço de todo indispensável. Aliás, o traço do amor, de tão importante que é, não sobressai, justamente porque, estando presente em todos os demais, confunde-se com eles. A vida de um homem de Deus é uma vida de amor. Assim é que, na vida de Samuel, não vou destacar um momento caracterizado pelo amor. A sua vida inteira foi uma vida permeada pelo amor. “Samuel julgou a Israel todos os dias da sua vida” (1Samuel 7.15). Se você quer ser um verdadeiro homem de Deus, comece por amar o povo.

7. Humildade — Para completar este perfil em que estamos trabalhando, vamos pinçar o sétimo e último traço, característico da vida de Samuel —  a humildade. Se o homem aceita o desafio da chamada, adquire o preparo necessário e se dedica ao trabalho com fé, transparência e amor, com certeza Deus vai atuar grandemente em seu ministério, e é aí que ele vai ter que demonstrar toda a sua humildade. Embora seja tentado, a cada momento, a achar que é ele quem está realizando uma grande obra, não pode perder de vista o fato de que é Deus quem realiza, através da sua instrumentalidade. Se porventura há honra, glória, louvor, tudo deve ser dirigido única e exclusivamente a Deus. A postura do homem de Deus é aquela recomendada pelo Mestre: “Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somo servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer” (Lucas 17.10). Foi a atitude de Samuel. Embora a sua atuação tenha sido decisiva na derrota dos filisteus, ele fez questão de deixar bem claro para o povo que todo o mérito pertencia ao Senhor. “Então Samuel tomou uma pedra, e a pôs entre Mizpá e Sem, e lhe chamou Ebenézer; e disse: “Até aqui nos ajudou o Senhor” (1Samuel 7.12).

Você é um homem de Deus? Como está hoje o seu perfil? A minha oração neste seu dia é que o povo tenha condição de dizer a seu respeito:

“Eis que há nesta cidade um homem de Deus, e ele é muito considerado; tudo quanto diz, sucede infalivelmente. Vamos, pois, até lá; porventura nos mostrará o caminho que devemos seguir” (1Samuel 9.6).


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1 SHEDD, Russel P. A Bíblia Vida Nova. S. Paulo: Vida Nova, apêndice, p. 293.

9 de abril de 2013

Fazendo "oiação"

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Todas as manhãs são parecidas. Levanto, acordo minha filha, preparo a mamadeira e vou orar. Vez por outra ela interrompe. – Papai o que você tá fazendo? Com carinho: –  Xii, fique quietinha! papai tá fazendo oração.

Novo dia tudo igual e ela pergunta: – Papai você tá fazendo oiação? – Tô sim, espera o papai terminar.

Hoje deixei-a na cama com a mamadeira e disse: – Espera aqui, papai vai fazer oração. Na volta ela iniciou a conversa. – Papai você fez oiação? Perguntou porque não me viu orar na sala, como de costume. – Fiz sim, respondi, e você já fez oração? – Ainda não!

Fiquei surpreso com a resposta e a atitude que tomou. Sem pestanejar desceu da cama dizendo. – Peia aí, vou fazer oiação. Dirigindo ao sofá da sala ajoelhou-se, ainda que seus joelhinhos não alcancem o chão, e ficou quietinha de cabeça baixa por alguns momentos.

Logo que levantou perguntei. – Você fez oração filha? – Fiz, papai, eu fiz oiação.

Existe uma fase na vida da criança que ela imita tudo o que os pais fazem, mesmo sem saber o porquê fazem. Duas coisas são verdades sobre esta afirmativa.

1 – Ao longo da vida a criança vai criar sua própria personalidade e fazer suas próprias escolhas. Isto é, nem sempre vão imitar seus pais.
2 – As lembranças desta primeira infância ficarão gravadas na memória da criança para sempre. Isto é, qualquer que seja o caminho que venha a seguir, estas lembranças serão sempre “despertadas” por uma ou outra razão.

Portanto, se não há garantias de que os valores dos pais serão os mesmos dos filhos, quando estes crescerem, por outro lado, estes valores nunca serão apagados das suas memórias. A questão é saber quais valores temos “imprimido” nas mentes de nossas crianças.

28 de novembro de 2012

Grandes coisas fez o SENHOR por nós, pelas quais estamos [muito felizes]

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O dia 17 de novembro de 2012 ficará gravado para sempre em nossa memória. A formatura das meninas de pedagogia foi marcada pela simplicidade e profunda emoção que a todos nós contagiou. Conquanto seja esta a última turma de Pedagogia do Seminário do Sul, a formatura constitui uma vitória pessoal, uma vitória da nossa família e uma vitória de todos os batistas brasileiros.

Certamente foi Deus quem deu a visão de criar um curso de Pedagogia com “visão missionária”. O único do Rio de Janeiro, quiçá do Brasil, com “Ênfase em Educação Cristã”. Nada mais estrategicamente missionário: professores cristãos lecionando nas escolas brasileiras.

Certamente não foi em uma simples reunião que tudo aconteceu. Foram meses de trabalho árduo reunindo, estudando, elaborando e reelaborando o projeto a ser apresentado e reapresentado nas Assembleias. Custou o empenho de muitos voluntários apaixonados por educação e missão, capazes de resistir as mais duras críticas dos convencionais em prol de uma causa: a visão do Senhor em suas mentes e corações.

Não foi menor a luta e resistência dos batistas em busca do reconhecimento do curso frente ao MEC. Qualquer reconhecimento começa no projeto avançando para muito além deste. São várias as visitas da Comissão e a cada uma delas novas exigências são feitas. O comprometimento não é suficiente para alcançar um alvo desta envergadura. São necessárias, também, pessoas competentes, muito competentes.

O investimento financeiro não foi menor. Desde a entrada no processo até o reconhecimento foram muitas as mãos generosas a custear cada etapa, cada visita,  cada cumprimento de uma exigência. Batistas brasileiros investindo dinheiro e orações em prol desta nobre causa missionária. A Educação Cristã.

De fato, Deus ouviu nosso clamor. Como justificar mais um curso de Pedagogia tão próximo a outros também reconhecidos? De um modo surpreendente o diferencial (a Educação Cristã) pesou na decisão da comissão do MEC. Contudo, que o Senhor quebrantou os corações dos membros da Comissão disso não há dúvidas.

O reconhecimento veio duplamente: do curso, pelo MEC e da qualidade do mesmo, conforme classificou o ENADE na época.

Mas foi somente neste ano que a visão tornou-se real. A oportunidade ímpar de termos nossos irmãos aprovados, por concurso público, como “Professores de Ensino Religioso”. Pessoas tementes a Deus ensinado a verdadeira Educação Cristã aos brasileirinhos das escolas públicas. Tudo dentro da mais absoluta legalidade. Quem poderia imaginar que seria justamente o Estado a abrir uma porta como essas? O Senhor já sabia por isso nos deu a visão lá atrás.

Como batista sinto-me feliz e profundamente grato por todos quantos doaram seu tempo, talentos e dinheiro nesta causa. Pela visão, pelas orações e pela perseverança dos batistas sem a qual não poderíamos colher, hoje, os frutos. Ao ver minha amada esposa entre as nove formandas do Curso de Pedagogia só posso declarar: “Que darei eu ao SENHOR, por todos os benefícios que me tem feito?”.

Grandes coisas fez o SENHOR por nós, pelas quais estamos [muito felizes]!

8 de novembro de 2012

O meu cálice transborda

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Sem grandes preocupações exegéticas, hermenêuticas, históricas etc., apenas o texto pelo texto. Chame como quiser: insight, sensibilidade, revelação ou de pura intuição.

“...  unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.” (Salmos 23,5b)

Debruçando-me sobre este pequeno trecho a questão sempre foi a mesma: Por quê? Por que o cálice transborda?
1 – Temos dois elementos (substantivos) centrais: óleo e cálice
2 – O segundo, o cálice, transborda
3 – O primeiro, o óleo, é transbordado.
Por que o cálice transborda?

Inferência sobre o cálice. 1 – Tem formato definido; 2 – Tem um volume mensurável; 3 – Pode estar no máximo cheio e no mínimo vazio; 4 – Não pode reter mais que sua capacidade.
Inferências sobre o óleo. 1 – Não tem formato definido; 2 – Não tem volume mensurável (não no texto); 3 – Não conhecemos o seu máximo ou mínimo; 4 – Não pode ser retido pelo cálice.

Perguntas movem as mentes e esta estava equivocada. Porque não é o cálice quem transborda. É o óleo que extrapola o cálice! No início ele se amolda ao primeiro – até o limite da borda – depois o ultrapassa para além dos limites e definições até assumir seu real formato (sem forma definida). Ora, se transborda é porque preencheu totalmente o cálice por dentro e, agora, o recobre por fora. Mais, ele ganha um novo espaço. Ele, o óleo, se derrama. Começa por se derramar dentro até chegar o momento de se derramar também fora dele.

O cálice, visto de fora, – se for opaco – não se pode saber se está cheio, vazio ou em processo. Somente o próprio cálice sabe a quantidade de óleo nele contida. Contudo, ele não consegue reter todo o óleo porquanto seu volume é menor. Ele consegue, no máximo, reter o primeiro à sua própria medida e moldá-lo a seu próprio formato. Depois... depois o óleo lhe escapa, o envolve e se esvai. Trasborda sem controle, sem formato, sem medida.

Conclusão: O cálice só pode estar cheio/vazio, é limitado e tem forma definida. O óleo, não cabe no molde do cálice, é maior que ele e não tem forma definida. Além disso, é fluido, viscoso e antiaderente. É ele quem se faz transbordar e não aquele.

É só uma tese carecendo de aprofundamento, admito. Mas segundo o pressuposto, o texto pelo texto, é o que pude intuir. Claro, somente após mudar a pergunta para. Por que O ÓLEO transborda o cálice? Faz mais sentido, não?

7 de novembro de 2012

Reconhecimento do MEC, uma vitória e um sonho

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Hoje, após longos anos de luta e espera, um antigo sonho se realiza: o curso de Teologia está oficialmente reconhecido no MEC.

Muitos são os que ousaram sonhar com este dia e ele finalmente chegou.
Estamos todos felizes com mais esta conquista do Seminário do Sul e por que não dizer dos Batistas brasileiros.

Clique aqui para consultar o e-MEC















Clique aqui para ver a publicação no DOU

27 de junho de 2012

Os Professores não merecem ...

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Os Professores não merecem ...
Não merecem ser tratados de modo indigno. Não merecem ser usurpados do fruto do seu labor, plantado e colhido com o suor dos seus rostos. Não merecem ficar sem o pão de cada dia. Pai dá-lhes o pão, hoje! Não merecem ser ignorados na sua dor. Não merecem sofrer calados como se nada estivesse acontecendo. Não, isso eles não merecem: choramos com os que choram.

Não merecem ser vilipendiados por ninguém. Não merecem ser instrumentalizados para eximir da culpa àqueles que deveriam assumir suas responsabilidades. Não merecem ser enganados falaciosamente fazendo-os crer que estão seguros e protegidos. Não, eles não merecem. Não merecem ser abandonados pelo mercenário quando vê vir o lobo.

Definitivamente, eles não merecem ...
Não merecem que injustiça prevaleça. Não merecem que os profetas se calem. Não merecem que os olhos se fechem. Não merecem o silêncio. Não merecem ser silenciados. Não merecem ser abandonados à beira do caminho na estrada para Jericó.

Merecem nosso cuidado, nosso respeito, nosso conforto e nossas lágrimas. Merecem nossas mãos e nossas ações. Merecem, principalmente, a nossa voz a gritar e clamar por justiça.  Até quando!? Eles merecem exercer seu ofício, seu sacerdócio, em paz.

A Verdadeira paz não é somente a falta de tensão, é a presença de justiça.” (Martin Luther King Jr.)

Aos mestres com carinho.

22 de junho de 2012

O Seminário do Sul não vai fechar!!!

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Por Davidson Pereira de Freitas 
Diretor-geral do Seminário do Sul

Meus amados membros da Comunidade Acadêmica do Seminário do Sul/FABAT e amigos desta Casa,

Alguns comentários têm sido veiculados nas redes sociais sobre o futuro do Seminário do Sul. Muitos irmãos que amam esta casa, como nós amamos, preocupados com as mudanças que já ocorreram e que vão ocorrer, tem perguntado sobre o futuro da nossa Instituição mais que centenária. Por isso, invisto este tempo para fornecer alguns esclarecimentos que podem sanar as dúvidas que tenho identificado. Peço desculpas pelo tamanho deste texto, mas procurei relacionar informações que julgo úteis para a compreensão de todos os interessados.

Louvo a Deus pela vida de cada um que tem se preocupado e se voluntariado para atravessar conosco este período repleto de desafios e emoções.

Vivemos em um contexto diferente daquele instalado quando esta casa foi criada há 104 anos. Os Seminários da Convenção Batista Brasileira, aqueles geridos pela estrutura denominacional, primeiramente o Seminário do Norte (Recife), do Sul (Rio de Janeiro) e posteriormente, o Equatorial (Belém), tinham uma conotação de seminários nacionais, que recebiam, em sua grande maioria, alunos de outras regiões do país. Especificamente em nosso caso, todos os prédios construídos para moradia dos alunos, inclusive o prédio localizado na área que hoje pertence ao Colégio Batista, ficavam lotados de alunos de todas as partes do país e do mundo. A lotação era completa. Atualmente, 38% dos alunos dos cursos regulares, com duração de 4 anos, residem no campus. Somente no Estado do Rio de Janeiro, são identificados cerca de 40 Seminários Batistas e com isso, mesmo alunos que residem na cidade do Rio de Janeiro, nas regiões mais distantes, cujo trajeto demanda longo período de tempo, estão optando por estudarem em outras instituições de ensino, mais próximas de suas residências, igrejas ou trabalho. Com o crescimento da obra batista ao redor do país e a organização das Convenções Estaduais, foram surgindo os Seminários Estaduais que atendem à necessidade de formação ministerial dos campos, mantendo os vocacionados em suas regiões se preparando e trabalhando nas igrejas locais. Em muitos campos, não é possível abrir mão do trabalho destes vocacionados enquanto estão vivendo o momento de formação ministerial, e portanto, não são enviados para instituições mais distantes. Obviamente que este fenômeno reduziu consideravelmente o número de vocacionados de outros estados que são enviados para o Seminário do Sul.

Além disso, grande parte dos alunos que hoje estudam em nossa Instituição tem suas ocupações profissionais ao longo do dia. A demanda pelo curso diurno é quase inexistente. Com o advento da internet e a grande disponibilidade de material via mídia eletrônica, o movimento de pesquisa na biblioteca vem sofrendo considerável redução ao longo do período.
As condições das instalações físicas também são muito limitadas, pois os prédios são antigos e sofreram o desgaste natural da utilização e do tempo. Com isso, o nível de conforto oferecido está aquém das expectativas daqueles que planejam residir no campus. Para que nossas instalações sejam elevadas aos níveis satisfatórios, no que se refere ao ambiente destinado para moradia de alunos, é preciso fazer significativos investimentos para reformas englobando reforma hidráulica, elétrica e de modernização de paredes, banheiros, copas e cozinhas.

Essa nova realidade leva à uma taxa de desocupação elevada das instalações que outrora recebiam alunos no internato. Este fato somado aos altos custos de manutenção da propriedade, impossibilidade de realização de investimentos para modernização das instalações, inclusive das salas de aula que, com pouquíssimas exceções, mantém as características originais de sua construção, nos leva à necessidade de alterações na forma de utilização da propriedade.
Somado a isso, a dívida da instituição com o fisco, com os professores e empregados, assim como com outras organizações da denominação, nos leva à necessidade de venda de parte da propriedade para que seja possível quitar todos os débitos hoje existentes.

A parte da propriedade que está sendo negociada, conforme já anunciado desde 2009, engloba os três prédios destinados à moradia dos alunos casados com filhos – prédios 24, 25 e 26, hoje ocupados somente por 5 famílias que serão transferidas para outras instalações que serão reformadas e adaptadas para recebê-las de maneira digna. A propriedade onde está instalado o Seminário do Sul está registrada em nome da Associação Denominada Batista. A instituição tem com aquela organização, um contrato de comodato que nos permite utilizar a propriedade para a realização de nossa atividade fim: a formação ministerial. Por isso, os recursos a serem pagos pela área a ser vendida, deverão ser depositados em conta bancária daquela organização, que é gerida por nosso Diretor Executivo – Pr Sócrates Oliveira de Souza, servo do Senhor, comprometido com a Obra Batista no Brasil, com reputação ilibada, com longa folha de serviços prestados à nossa denominação e que está completamente comprometido com o desafio de sanear as dívidas da nossa instituição. Além disso, a Assembleia Geral da Convenção Batista Brasileira, reunida na cidade de Foz do Iguaçu, em janeiro de 2012, determinou que os recursos oriundos da venda da propriedade do Seminário do Sul deverão ser utilizados prioritariamente para sanar as dívidas existentes. Vale esclarecer este ponto em função de comentários especulativos acerca da utilização dos recursos da venda da área em negociação.

Esta negociação deve ser definitivamente concluída nos próximos dias e teremos, então, um visão completa dos próximos passos que deveremos dar. Peço a todos que estejam em oração pela conclusão desta etapa da negociação, dando ao Pr Sócrates a direção necessária para as decisões que ele precisa tomar.

Com a subutilização de todo o espaço da propriedade, surgiu o entendimento da liderança denominacional no sentido de criar o tão sonhado Centro Batista que abrigará quase todas as organizações da denominação, à exceção da União Feminina que permanecerá em sua propriedade. Assim, teremos em um mesmo local, a sede da Convenção Batista Brasileira, as sedes das duas Juntas Missionárias – Missões Nacionais e Missões Mundiais e a sede da Juventude Batista Brasileira. Estas organizações virão juntar-se à União de Homens, à Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, à Associação dos Músicos Batistas e Associação dos Diáconos Batistas, cujas sedes hoje já funcionam em nosso campus. Com isso, será criado um grande condomínio no qual todas as organizações assumirão a responsabilidade pela manutenção da propriedade, pela forma de rateio proporcional. Para os batistas brasileiros, será uma grande vantagem poder encontrar quase todas as organizações denominacionais em um mesmo espaço físico.

A estruturação do Centro Batista, seja pela construção de um novo prédio, seja pelo aproveitamento de espaços hoje existentes que demandam reformas, não vai, de forma alguma, impossibilitar o funcionamento do Seminário do Sul. Pelo contrário, vai facilitar ainda mais, pela redução dos custos de manutenção hoje completamente arcados pela instituição. Além disso, os alunos terão a possibilidade de contato direto e próximo com as organizações denominacionais e suas lideranças, o que é extremamente saudável para que se fortaleça os vínculos denominacionais daqueles que estão se preparando para a vida ministerial.

O Seminário do Sul, nestes últimos anos, passou por uma reestruturação, não somente administrativa, mas especialmente de direcionamento da formação que oferece aos alunos. As declarações de visão e missão sofreram alterações que direcionaram ajustes nos cursos oferecidos e nas disciplinas lecionadas, a fim de contribuir para a formação ministerial esperada pelas igrejas que enviam ou recomendam seus membros com vistas a tê-los atuando nos mais diversos ministérios.
Missão
Servir às igrejas batistas atuando na capacitação ministerial dos vocacionados e líderes por elas enviados, a fim de viabilizar sua missão evangelizadora e transformadora do ser humano de forma integral.

Visão
Ser uma instituição de educação ministerial batista, comprometida com a Palavra de Deus, com os princípios denominacionais, com a excelência de um ensino cristão firme e apologético, que  satisfaça às igrejas que desejarem capacitar seus líderes em consonância com nossa confissão de fé e princípios.

Valores
1.      Reconhecimento da soberania de Deus;
2.       Cooperação com a denominação Batista em todos os níveis;
3.      Lealdade aos princípios e doutrinas batistas, para assim vivenciar e difundir os valores e a ética cristã;
4.      Desenvolvimento de um ambiente de comunhão e unidade com o cultivo do convívio social em termos de respeito e cooperação mútuos e formação da consciência crítica em sociedade que preserve o ser humano e sua dignidade;
5.      Busca constante de melhoria da qualidade e da profundidade no ensino, sempre norteado pelos princípios e doutrinas batistas;
6.      Promover uma formação integral da pessoa humana com o desenvolvimento do senso crítico e a autocrítica, sem perda dos valores batistas e legítimos do cristianismo, com foco no aluno e na qualidade acadêmica;
7.      Ética, transparência e integridade em todos os nossos atos;
8.      Respeito à liberdade de pensamento;
9.      Priorização das pessoas em detrimento das coisas com foco no ser humano e sua qualidade de vida;
10.  Preocupação permanente com a satisfação das pessoas que fazem parte da Comunidade Acadêmica do Seminário do Sul;
11.  Qualidade e produtividade acima da média;
12.  Aprendizado contínuo;
13.  Excelência naquilo que fazemos

Atualmente, o STBSB tem recuperado a sua missão de servir às igrejas batistas atuando na capacitação ministerial dos vocacionados e líderes por elas enviados, a fim de viabilizar sua missão evangelizadora e transformadora do ser humano de forma integral. A partir da visão de ser uma instituição de educação ministerial batista, comprometida com a Palavra de Deus, com os princípios denominacionais, com a excelência de um ensino cristão firme e apologético, que satisfaça às igrejas que desejarem capacitar seus líderes em consonância com nossa confissão de fé e princípios. Com sua missão e visão em mente, o STBSB tem oferecido cursos que coadunem a visão ministerial com o alto nível acadêmico. Esta vocação tem trazido alunos ansiosos por formação/atualização ministerial. O ambiente de trabalho, em termos de cooperação mútua dos membros do corpo docente e equipe administrativa, tem contribuído para a continuidade de nossas atividades.

Na reestruturação administrativa os custos têm sido reduzidos significativamente. Contudo, como o nível de inadimplência tem se mantido alto, ainda não temos a capacidade de honrar com todos os compromissos financeiros inerentes à operação. Neste momento, temos quase três meses de salários em atraso, ao mesmo tempo que temos R$ 203 mil de mensalidades do ano de 2012 a receber. Caso tais valores tivessem sido pagos pelos alunos matriculados, estaríamos com nossos compromissos em dia. Se somarmos os R$ 158 mil de mensalidades de 2011 não recebidas no período, além da pontualidade em nossos pagamentos, ainda teríamos fôlego para investimentos de modernização de instalações. Em 18 meses, temos um valor de inadimplência de R$ 361 mil a receber. Significativo valor que teria mudado a nossa realidade. Vejam o gráfico:



Apesar destas dificuldades, não se cogita a hipótese de fechamento da instituição. Estamos aguardando a qualquer momento a publicação no Diário Oficial da União do reconhecimento do Curso de Teologia e poderemos então, oferecer a convalidação dos diplomas de alunos dos cursos livres, significando este fato uma oportunidade de aumento da receita operacional que levará a instituição ao superávit operacional tão sonhado.

Neste momento, precisamos das orações dos batistas brasileiros, precisamos de alunos que venham estudar conosco, precisamos da pontualidade no pagamento daqueles alunos que já estão caminhando conosco, precisamos da participação daqueles que desejarem contribuir para que possamos colocar em dia nossos compromissos.

Esperamos ainda, que neste segundo semestre de 2012, as dívidas mais criticas da instituição sejam sanadas. Isso somado ao fato de estarmos com a estrutura organizacional enxuta, despesas sob controle e novos cursos disponibilizados, nos leva à uma grande expectativa de um ano de 2013 de expansão, equilíbrio e desenvolvimento que viabilizem a longevidade da instituição que tem sido relevante para a formação ministerial.

É fato que temos problemas operacionais para serem resolvidos a curtíssimo prazo, como por exemplo o pagamento dos salários em atraso e a redução da inadimplência. É verdade que a solução do segundo, viabiliza a solução do primeiro. Para tanto, precisamos das orações e ação daqueles que amam esta casa e têm interesse em sua continuidade.

Crendo no poder de Deus, que é o verdadeiro proprietário do Seminário do Sul, olho para o futuro com esperança e gratidão, em primeiro lugar ao nosso Senhor, mas também gratidão a cada membro da equipe do Seminário do Sul que nestes três últimos anos, tem caminhado ao meu lado, com fé, parceria, amizade, determinação, fidelidade ao ministério da docência e amor a Deus e aos alunos que o Senhor nos tem confiado. É um privilégio para mim servir a Deus ao lado de vocês!

O conteúdo desta mensagem pode ser distribuído sem qualquer dificuldade a fim de dirimir dúvidas e evitar que a especulação pelo fechamento do Seminário do Sul tome grandes proporções.

Oremos e marchemos para a glória de Deus!

Em Cristo, o nosso Senhor,


25 de junho de 2011

Por que a garça é branca?

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Oasis só é bom porque fica no deserto. Nestes dias difíceis o mais fácil a se fazer é desistir. Como diria Nancy Dusilek estamos na contra mão da história. Mas às vezes surge um lugar onde pode-se beber água e se renovar as forças.
Como viver nestes tempos sem desistir e sem se corromper?




Assista o vídeo...


9 de dezembro de 2010

Um homem, um pastor, um exemplo

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Quando se pensa em ministério pastoral uma das imagens que nos vem a mente é a de um homem usando terno e gravata pregando sobre o cristianismo. Este estereótipo é associado à ideia de uma pessoa mansa, de modos comedidos e hábitos discretos. Pastor é quem pastoreia, ou, conforme a orientação de Jesus: “Apascenta as minhas ovelhas”.
Procurando nos bons exemplos do passado surpreendi-me com algumas descobertas a começar pela história de um homem em particular. Será que você o conhece?

Deixo algumas de suas frases como pistas:
1 – "A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar."
Filho de pai pastor e mãe professora estudou em escolas públicas formando-se em sociologia aos 19 anos. Fez teologia, foi nomeado pastor batista e concluiu seu Phd em Teologia Sistemática pela Universidade de Boston. Um homem letrado dedicado a esposa e aos quatro filhos e que lutava por justiça.

2 – "O ser humano deve desenvolver, para todos os seus conflitos, um método que rejeite a vingança, a agressão e a retaliação. A base para esse tipo de método é o amor."
Apesar de sua luta intensa pelos direitos civis ele era um pacificador. Defendia todo tipo de manifestação e protesto contra injustiça aos moldes de Gandhi, de forma pacífica. Pacifista por princípio declarava-se abertamente contra a Guerra do Vietnã. Essa, dentre outras atitudes, o tornaram um dos maiores líderes de seu tempo sendo premiado com o Nobel da paz com apenas 35 anos.

3 – "Se um homem não descobriu algo por que morrer, ele não está preparado para viver."
Morreu jovem, aos 39 anos, vítima de um atentado após comandar uma das maiores marchas até a capital do país, Washington. Não deseja morrer, mas desejava a paz e a justiça.

4 –  "A Verdadeira paz somente não é a falta de tensão, é a presença de justiça."
Hoje, terminado mais um semestre, fico pensando o porquê não estudamos sobre a vida de pastores como ele.  Um homem que dedicou-se com afinco aos estudos e lutou sempre de forma pacífica. Um pastor que soube dar o exemplo a ponto de ser reconhecido com o Nobel e teve a coragem lutar contra o preconceito racial até o ponto de ser morto. Um exemplo de alguém que sonha com um mundo melhor para todos independente de raça, credo, cor, sexo ou nacionalidade.

Um homem, um pastor, um exemplo, cujo sonho era um dia ver a justiça se cumprir.

5 – "Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados pelo caráter, e não pela cor da pele." (Martin Luther King Jr.)

1 de agosto de 2010

Trinta e um anos, dez meses e... alguns dias

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O PRIMEIRO ENCONTRO
Aquela era uma semana de muita expectativa. Um por um nos apresentávamos para cada professor que iniciava sua aula e ficávamos atentos ao que eles tinham a nos dizer. Palavras de incentivo, alerta e palavras de desafios. Fazer teologia: um sonho ou um desafio? Mas quando ele se apresentou chamou minha atenção.

Não falo dos cabelos grisalhos, do jeito calmo ou das palavras acolhedoras, falo da voz. Uma voz tão baixinha e quase inaudível. Lembro bem do que ele nos disse, mas pensava comigo: como ele pode dar aula falando abaixo do tom da fala?

Naquele semestre quase que ele passou despercebido, mas, ao final, descobri algo de diferente naquele professor em particular.

O PROFESSOR E O EDUCADOR
No primeiro semestre não fui tão bem nas aulas de português (só um pouco acima da média), entretanto ao entregar minha última avaliação ele me disse: “Oh! você não foi tão bem nesta, mas vou te dar um voto de confiança. Espero que você ...”. Ele era assim, às vezes não terminava as frases (nem precisava). Refleti em suas palavras durante o recesso de julho de 2009 e comecei a entender o que estava acontecendo.

O professor Adalberto não era tão somente um professor, era um educador. Um professor preocupa-se em ensinar a matéria enquanto um educador preocupa-se em ensinar a vida. E como ele vibrava com os devocionais em nossas aulas de leitura. Ele nos corrigia com elegância e, principalmente, respeito; muito respeito.

Sabia que existia a avaliação dos alunos a cada final de semestre, mas isso não era o bastante. Ele queria ouvir a nossa opinião. E cá para nós, ele nos ouvia mesmo, não fingia que escutava. Como costumava dizer: “Vocês vão viver da palavra e o meu papel é ajudar”.

Terminou o segundo semestre e eu melhorei, mas não o bastante e nós sabíamos disso. Então ele fez ainda mais por mim: “Eu não tenho tempo pra nada, mas para você e para Priscila (nossa colega de classe) eu sempre arranjo tempo”.

O segundo semestre tinha sido confuso, mas naquele dia fiz-lhe uma promessa: “No próximo semestre não vou desapontá-lo, o senhor verá”. Ele não disse nada, só nos entreolhamos. Nascia ali uma bela amizade.

O AMIGO
De todos os semestres, o terceiro foi de longe o pior da minha vida acadêmica (foi ruim para todos nós), mas cumpri minha promessa. Fiquei pendurado em quase todo mundo, fui para reconstrução (segunda época) em quatro disciplinas. Mas eu não podia falhar com o professor, não podia decepcionar o educador e não poderia desonrar o amigo.

Eu fiz tudo o que foi combinado; fiz antes, fiz primeiro, fiz com alegria. As aulas do professor Adalberto foram umas das poucas coisas boas do terceiro período.

Eu poderia contar várias histórias: sobre as pessoas a quem ajudou, as coisas que fez, o que construiu, mas prefiro guardá-las comigo, quem sabe para um livro de memórias.

No dia vinte de julho comemoramos o dia do amigo. A data não era importante para mim até o dia que não me despedi de meu amigo Joed. Neste ano de 2010 faz um ano que ele partiu para Portugal. É, mas a vida haveria de me surpreender mais uma vez!

SEM DESPEDIDAS
Numa quarta-feira o professor do primeiro horário não veio e todos se perguntavam: será que o Adalberto vem? Então eu disse cheio de confiança: Adalberto é Adalberto, ele virá!

Enquanto esperávamos no corredor ele chegou, mais cedo como sempre, e lhe falamos do que conversávamos, foi quando eu o ouvi dizer: “São trinta e um anos, dez meses e ... alguns dias de trabalho e eu nunca faltei e nunca cheguei atrasado”. E continuou: “Não falto porque acho um desrespeito com meus alunos. Tem gente que vem de longe e eu não acho justo com vocês”.

Confesso que fiquei espantado e, enquanto aguardávamos o início da aula, convidei-o, e aos meus colegas, para um café em minha casa. O que eu não sabia é que aquele seria também o último.

Neste julho de 2010 descobri que dentre os professores que foram cortados estava o professor Adalberto Alves de Sousa. Professor titular da cadeira de português. Nunca faltou, nunca chegou atrasado. Já sabíamos da imposição dos cortes de professores (também por isso o semestre foi tão tenso), sabíamos que os mestrados e doutorados tinham a “preferência”, sabíamos também que bons professores teriam que sair. Assim como bons professores ficaram conosco, mas para mim a perda foi ainda maior e outra vez não pude me despedir de um amigo.

Estou começando a não gostar do mês de julho. Tenho poucos amigos e os poucos que tenho se vão sempre nos meses de julho.

SEM HOMENAGENS
Sei que foi muito bom para ele sair agora, afinal merecia um o justo descanso da aposentadoria já conquistada. Foi uma vida inteira de trabalho, muito trabalho. Uma infinidade de revisões livros, monografias, resenhas e textos que leu e corrigiu. Literalmente ele construiu sua vida sobre as palavras. Com palavras, educou suas filhas, conquistou seu espaço e transformou muita gente. Quantos pastores, professores e líderes nestes trinta e dois anos?

Alegro-me com meu amigo Adalberto e seu merecido descanso. Entretanto confesso que esperava mais. Com sua história de lutas, de fidelidade a Deus e aos homens, com sua dedicação para além das paredes da sala de aula, ele bem que merecia uma homenagem. Uma justa homenagem, diga-se de passagem. Mas nem uma “plaquinha” se quer? Para alguém que viveu pelo “prazer da palavra” ele bem merecia muitas palavras de gratidão.

No dia primeiro de agosto de 2010 ele terminou seu compromisso com o Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, exatamente no mesmo dia e mês em que começou seu ministério. E lá se vão não mais trinta e um anos, mas trinta e dois anos exatos de trabalho e dedicação... Sem NUNCA FALTAR E NUNCA CHEGAR ATRASADO!
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Para que não restem dúvidas:
1 – A exigência de cortes foi da CBB e não da direção ou da coordenação do STBSB.
Veja o item 3 do artigo:
http://coordinatum.blogspot.com/2010/06/2010166-pronunciamento-do-senhor.html
2 – Foi combinado com os alunos quais seriam os critérios preferenciais de corte de pessoal.
Veja o artigo:
http://coordinatum.blogspot.com/2010/03/2010043-das-reunioes-com-corpo-discente.html
3 – Decidi falar do amigo Adalberto e não dos tantos outros excelentes professores que também tiveram que sair.
4 – Não há demérito nos que ficaram. São igualmente excelentes professores.

O Autor.

17 de março de 2010

Quando tudo parece perdido, eles estão morrendo de medo

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Sociedade dos poetas mortos é, certamente, um dos melhores filmes que já vi. Duas cenas me marcaram até hoje. A primeira é aquela em que o professor rasga todo o primeiro capítulo do livro de literatura, levanta, vai até o quadro de ex-alunos no corredor e diz: “vocês estão ouvindo o que eles estão dizendo? carpe diem”. (“colha o dia” ou “aproveita o momento”). (continua...)

Vladimir Maiakóvski, jamais imaginaria ver o dia em que aqueles que têm medo se levantariam e falariam tão alto e claro que todos teriam que ouvi-los. Logo eles os fracos, os oprimidos, os sem voz, os sem prestígio. Mas eles se levantaram e falaram, e como falaram. Meninos tornados adultos, postura de gente grande com o coração de gente inocente.

Que não os tomem por tolos. Primeiro soltaram o pitbull para ver o que aconteceria. A velha e manjada estratégia do “tira bom” e do “tira mau”. O famoso um morde o outro assopra. Não colou. E agora? Meninos, eles nunca não vão admitir, mas deixa eu contar-lhes: eles estão morrendo de medo. Medo de os enfrentar novamente porque agora, vocês estão mais fortes e mais sábios.

Na quinta e sexta passadas vimos a introdução da história que esses meninos (será) começaram a escrever. Hoje, meus olhos testemunharam a introdução do capítulo. E que beleza de obra. É verdade, ainda precisa de polimento, mas como foi bonito de ver esse “nascer do sol”.

Mas porque falam tão alto? O que querem esses moços afinal? Pelo que lutam?

Eles lutam por você, porque não há nada mais precioso que a vida humana. “Mas, se ergues da justiça a clava forte, / Verás que um filho teu não foge à luta, / Nem teme, quem te adora, a própria morte”. Se o hino nacional nos inspira que dirá a Palavra: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;” (Mateus 5:6). A misericórdia foi o único propulsor para transformar meninos medrosos em homens arrojados e maduros. Quem é o meu próximo? O que teve misericórdia. (Lucas 10:29-37).

Eles lutam pelos que vieram antes e pelos que virão depois. Gente que não conhecem nem conhecerão, mas sabem que no mesmo lugar onde dobram seus joelhos todos os dias, outros o fizeram antes deles e também o farão outros tantos. Eles lutam pela nossa história.

Esses moços barulhentos querem passar alimpo nossa moral, porque a ética existe (a Bíblia), mas a moral (as ações) não dão testemunho daquela. Esses moços sabem que toda boa limpeza começa por tirar a sujeira debaixo do tapete e quanta sujeira estamos vendo (e nem levantaram todo o tapete). Mas cá pra nós (eu e você) já sabíamos disso não é verdade.

Meninos, permaneçam firme mas cuidado! Existem ainda dois grandes perigos. O primeiro é o medo. Quando alguém se sente acuado é capaz de qualquer coisa. Não por maldade em si, é a lei da sobrevivência, portanto estejam alerta. O segundo é também o maior de todos, a vaidade. Ela e doce e mortal como o diabetes. Percebam meninos, foi última cartada de Satanás. “Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares”. (Mateus 4:8,9). Resitam a tentação porque certamente ela virá.

A segunda cena marcante é aquela que, quando tudo parecia perdido os meninos foram se levantando um a pós o outro e sem dizer nada subiram nas carteiras do colégio. Ali e naquele instante eles venciam o medo. Naquela hora deixavam de ser meninos para ser tornarem homens, curiosamente nem se davam conta isso.
Meninos, carpe diem!

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21 de janeiro de 2010

Seminário do Sul? Sim, Eu Defendo!

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Não tinha mais jeito, alguém precisava pará-Lo. Mas como fazer isso se o juízo não cabia, o império não permitia e a multidão não deixava? Mas eles tinham um plano: Primeiro, seduziram o traidor para o entregarem aos soldados romanos. Segundo, reuniram-se Caifás e seus sátrapas para o julgarem a noite quando os outros não estavam presentes. Terceiro, levaram-no a um governador medroso para que julgasse segundo a lei romana. Por último, manipularam a multidão para que o condenassem. Crucifica-o! Crucifica-o! Gritava a multidão.

O modo mais vil de destruir a memória dos batistas do Brasil e dos EUA é a venda do seminário, pois interrompe a formação de novos líderes, menospreza a linda história dos batistas e demonstra o nosso total abandono à instituição.

O seminário do Teológico Batista do Sul do Brasil é assim chamado por ter sido construído pelos batistas do sul dos EUA, segundo a vontade de Deus. Há mais de 100 anos vem cumprindo o seu objetivo: formar líderes conhecidos e reconhecidos na denominação batista e fora dela. Com a venda, ainda que parcial, o que estamos fazendo é interromper este processo. Nossas igrejas precisarão rever o perfil de seus futuros líderes “formados no seminário do sul”.  As dificuldades na busca de novos líderes só tendem a agravar-se. Se está difícil, se tornará ainda pior.

Na entrada do alojamento está escrito: “Este edifício foi construído graças à generosidade do povo batista dos Estados Unidos da América do Norte”. É “este edifício”, não qualquer outro.  Este edifício que abençoa tantos estudantes há tanto tempo (desde 1959).  Lugar onde os joelhos de muitos de nossos atuais líderes já se curvaram centenas de vezes. Um edifício construído “graças à generosidade”. Uma generosidade que parece nos faltar.  Falta de generosidade para com aqueles homens e mulheres que deixaram suas casas para nos abençoar. Falta de generosidade com a memória dos Batistas do Brasil e do mundo que estudaram (e estudam) nesta instituição.  Ingratidão... não é a primeira vez que a vemos.

E nós como igreja, o que temos feito?  Nós consentimos e deixamos que isso aconteça. Ou não nos interessamos pelo que acontece ou ficamos como espectadores olhando passivamente.  Alguns fecham os olhos, como se não fôssemos o mesmo corpo, como se o reino de Deus não tivesse nada a ver com isso. Outros nem se interessam por sua própria história e sua memória. Também foi assim que os hebreus ficaram exilados na Babilônia por setenta anos. Abandono, também não é a primeira vez.

A aparente derrota na cruz se tornou em vitória e nada do que foi feito impediu o plano de Deus. A história mostra que Ele estava o tempo todo no controle, entretanto um detalhe chama a atenção.  Não me lembro de ter lido na Bíblia os nomes dos defensores de Jesus, mas os nomes dos que o traíram estão registrados: Anás, Caifás, e seus sátrapas; Judas Iscariotes, o traidor; Pôncio Pilatos, o covarde; e a multidão, a ingrata. Seus nomes estarão para sempre marcados na história por seus feitos.

Neste ano de 2010 estão reunidos sacerdotes, homens e mulheres de Deus, para tomada de muitas decisões. Dentre elas a confirmação da venda do seminário. Se for realmente vendido, Deus está no controle. Se não, Deus está controle do mesmo modo.  A questão é como cada um será lembrado na história dos Batistas do Brasil (e do mundo).

Se é para repetir o erro, prefiro que meu nome nunca seja lembrado. Eu defendo, sim, o seminário do sul!


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