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6 de novembro de 2017

Ser igreja é assumir um duplo comprometimento

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A amizade de Jesus e Pedro

Pedro foi um discípulo de Jesus reconhecido por sua impulsividade.  Com frequência tomava a iniciativa ao falar ou agir diante das situações que se apresentavam. Essa característica de um líder nato lhe trazia, às vezes, méritos outras vezes, problemas. Apesar disso, Pedro era alguém em quem Jesus confiava. Junto com Tiago e João, ele viveu experiências únicas com Jesus. O Mestre sabia que podia contar com seus discípulos e amigos mais chegados.

A precipitação de Pedro

Certa vez Pedro (Mateus 17.24-27) precipitou-se ao assumir um compromisso desnecessário em Cafarnaum. “O vosso mestre não paga o imposto das duas dracmas, ao templo?”, indagaram os coletores de impostos daquela cidade. “Sim, paga”, foi a resposta imediata do líder e impulsivo Pedro.

A lealdade de Pedro

Observando a trajetória do Apóstolo narrada nos Evangelhos é fácil perceber o quanto Pedro era comprometido com seus amigos e, sobretudo, com seu Mestre – mesmo em momentos de grandes erros. Por exemplo: Depois de Jesus anunciar a sua morte (Mateus 16.21-23) Pedro vai até ele em particular e diz: “Deus seja gracioso contigo, Senhor! De modo algum isso jamais te acontecerá”. Motivado pelo cuidado com o Mestre e querendo evitar seu sofrimento, Pedro acaba se colocando contra à vontade de Deus e é reprendido pó isso. “Para trás de mim, Satanás [adversário]! Tu és uma pedra de tropeço, uma cilada para mim, pois tua atitude não reflete a Deus, mas, sim, os homens”. (Grifo nosso) Mesmo aqui é possível perceber sua motivação, sua lealdade e seu comprometimento. É neste contexto que ele não aceita a afronta dos coletores: “vosso mestre não paga o imposto”?

A pedagogia de Jesus

Para a precipitação de Pedro a antecipação de Jesus. De modo pedagógico Jesus o faz refletir sobre a razão de se assumir um compromisso desnecessário. “De quem cobram os reis da terra impostos e tributos? Dos seus filhos ou dos estranhos?”. Ora, eles eram naturais daquela região, portanto não fazia sentido pagar impostos como se fossem estrangeiros. Em outros termos, o que Jesus faz Pedro perceber é que sempre pagaram impostos e tributos como moradores daquele lugar, desde os tempos em que trabalhavam com a pescaria, portanto este era um tributo para allotrion (ἀλλοτρίων: estrangeiros, estranhos, forasteiros).

A responsabilidade de Jesus com seus amigos

O senso diria que este seria o momento de fazer Pedro voltar e desfazer o compromisso desnecessário à luz da legalidade. Curiosamente não é isso que Jesus faz. Ao invés de tomar uma posição comodamente política (não sei de nada, não assinei nada, não empenhei minha palavra nisso), Jesus assume o compromisso com seu amigo. A questão é que atitude afoita de Pedro não introduzia algo indigno, imoral, antitético ou ilegal a coletividade ou a Jesus em particular. Ele apenas cometera um excesso e não um erro. E, o fez, porque estava profundamente comprometido com seu grupo e, sobretudo com seu Mestre. Por isso a recíproca de Jesus foi além do esperado.
“Entretanto, para que não os escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, e o primeiro peixe que fisgar, tira-o, e, abrindo-lhe a boca, acharás um estáter. Retira aquela moeda e entregue a eles para pagar o meu imposto e o teu também.”

Para não causar skandalisomen (σκανδαλίσωμεν: vegonha, escândalo, ser motivo de tropeço e queda de alguém) Jesus assume a responsabilidade por ele (que não provocou) e por Pedro (que se precipitou). O estáter (equivalente a quatro dracmas) era suficiente para pagar o imposto (indevido) de ambos: Duas dracmas para cada um.

Aprendizado

Esta história demonstra que Jesus não só assume o compromisso pessoal criado por Pedro “vosso mestre não paga o imposto”?, mas também se antecipa a outros questionamentos levando-o a pagar também o tributo. Esse texto mostra um duplo comprometimento. Primeiro, de Pedro com seu mestre e seus amigos, porquanto ele queria evitar o escândalo àqueles a quem amava e respeitava. Segundo, de Jesus com seu amigo e seu líder o qual, na lide e enfrentamento das situações da vida, se precipitou justamente por causa do seu profundo envolvimento. Ao perceber o quanto Pedro se sentia responsável e comprometido, Jesus toma para si a responsabilidade “para que não os escandalizemos” (nós não escandalizemos a eles).

Conclusão

Faz parte de ser igreja: 1) Observar a responsabilidade e o comprometimento; 2) avaliar a as atitudes: quando contrárias à leis (de homens ou de Deus), correção; 3) evitar o escândalos assumindo as responsabilidades mútuas, sem se esquivar, tergiversar ou acusar o outro por eventuais equívocos. Neste texto fica claro um comprometimento de mão dupla: tanto do líder e quanto do liderado. Um belo exemplo de cumplicidade sem a mácula do corporativismo.

31 de maio de 2016

Se quiseres

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"Quando oramos ao Pai e dizemos:  'Seja feita a sua vontade', não é falta de fé, é falta de conhecimento, pois não tenho conhecimento do futuro, mas Deus sabe o melhor e a vontade Dele é perfeita.  Que seja feita a tua vontade!' (Pr Joed Venturini)

A mensagem de "feliz ano novo" diferente e a lembrança de um amigo mais chegado que um irmão. Para mim um exemplo a ser seguido.





26 de junho de 2015

Quem sabe faz a “obra”, não espera acontecer

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Após seu aprendizado Apolo desejou viajar para região da Acaia (onde ficava a igreja de Corinto), por isso "os irmãos o animaram e escreveram aos discípulos solicitando que o recebessem". Aquele que antes conhecia apenas o batismo de João, agora, provava "por meio das Escrituras, que o Messias é Jesus." (At 18.27-28). Enquanto Paulo preparava Timóteo para a igreja de Éfeso, Priscila e Áquila recomendavam Apolo, o futuro pastor de Corinto.

O que pensava o apóstolo sobre isso? Não sabemos ao certo se eles se encontraram ou não. Também não sabemos se foi Paulo quem recomendou Apolo à igreja de Corinto. No entanto, sabemos que Paulo reconhecia o preparo de Apolo e aprovava o seu ministério. "Quem é, portanto, Apolo? E quem é Paulo? Servos por intermédio dos quais viestes a crer ... Eu plantei; Apolo regou; mas foi Deus quem deu o crescimento." (1Co 3.5-6)

Os anciãos de Éfeso eram maduros o bastante para conduzir a igreja antes da chegada do futuro pastor, Timóteo. Priscila e Áquila os ajudaram nesse processo, pois tinham a visão de Reino e o senso de oportunidade ao capacitarem o jovem Apolo. Além disso, eles contavam com a confiança dos irmãos da região da Acaia e do apóstolo Paulo.

Atos dos apóstolos, com facilidade poderia ter como título: Atos da Igreja. Ela crescia de várias maneiras e em várias direções porque tinha um Corpo maduro. Havia uma clara harmonia entre aqueles irmãos, seja na visão de Reino, seja na confiança mútua, seja na preparação de novos líderes.

Quer fosse o apóstolo, quer fossem os leigos, todos estavam empenhados na edificação da Igreja de Jesus, na sua expansão e na capacitação de líderes que pudessem levá-la adiante. Foi assim que ela cresceu tanto e em tão pouco tempo. Foi assim que ela chegou até os nossos dias.

Paulo, Priscila, Áquila, anciãos e tantos outros, tinham absoluta clareza da missão, bem como a sua urgência. Parafraseando o poeta: "Quem sabe faz a obra, não espera acontecer".

17 de junho de 2015

O lápis

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O menino observava seu avô escrevendo em um caderno, e perguntou:
– Vovô, você está escrevendo algo sobre mim?

O avô sorriu, e disse ao netinho:
– Sim, estou escrevendo algo sobre você. Entretanto, mais importante do que as palavras que estou escrevendo, é este lápis que estou usando. Espero que você seja como ele, quando crescer.

O menino olhou para o lápis, e não vendo nada de especial, intrigado, comentou:
– Mas este lápis é igual a todos os que já vi. O que ele tem de tão especial?

– Bem, depende do modo como você olha. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir vivê-las, será uma pessoa de bem e em paz com o mundo – respondeu o avô.

Primeira qualidade: Assim como o lápis, você pode fazer coisas grandiosas, mas nunca se esqueça de que existe uma “mão” que guia os seus passos, e que sem ela o lápis não tem qualquer utilidade: a mão de Deus.

Segunda qualidade: Assim como o lápis, de vez em quando você vai ter que parar o que está escrevendo, e usar um “apontador”. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas ao final, ele se torna mais afiado. Portanto, saiba suportar as adversidades da vida, porque elas farão de você uma pessoa mais forte e melhor.

Terceira qualidade: Assim como o lápis, permita que se apague o que está errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos trazer de volta ao caminho certo.

Quarta qualidade: Assim como no lápis, o que realmente importa não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro dele. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você. O seu caráter será sempre mais importante que a sua aparência.

– Finalmente, a quinta qualidade do lápis: Ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida deixará traços e marcas nas vidas das pessoas, portanto, procure ser consciente de cada ação, deixe um legado, e marque positivamente a vida das pessoas.



(Autor desconhecido)

27 de maio de 2015

Antes mesmo dos pastores

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“De Mileto, Paulo pediu para que fossem chamados os presbíteros da Igreja de Éfeso ... tende cuidado de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos estabeleceu como epíscopos para pastoreardes a Igreja de Deus, q
ue Ele comprou com o sangue do seu Filho Unigênito.” (At 20.17,28)

Apóstolo dos gentios, Paulo foi quem mais contribuiu para a expansão do Reino de Deus na sua época. Dedicado e incansável, fundou duas das três maiores igrejas do império, Corinto e Éfeso. (Só não fundou a igreja de Roma). Durante três anos, em Éfeso, Paulo ensinou sobre o Reino de Deus com total zelo e dedicação: “jamais deixei de vos pregar nada que fosse proveitoso, mas vos ensinei tudo em público e de casa em casa” (v. 20). Agora, de partida para Jerusalém, ele sabia que não voltaria mais a ver aqueles irmãos; sabia dos riscos da sua partida e, por isso, grande era sua preocupação com o futuro da igreja ainda sem pastor. “Eu sei que, logo após minha partida, lobos ferozes se infiltrarão por entre a vossa comunidade e não terão piedade do rebanho” (v. 29).

É nesse contexto que o apóstolo entrega a responsabilidade daquela grande igreja aos anciãos (presbíteros), os quais nomeia bispos (epíscopos). Todos tinham o mesmo tempo de experiência cristã, três anos, todavia, os mais velhos (os anciãos) tinham mais experiência de vida. A igreja nascida de casa em casa não tinha templo, não tinha pastor e, agora, perderia seu líder, Paulo. Por outro lado, havia o perigo iminente e real da igreja se perder. Mas Paulo sabia que podia contar com os mais experientes: “tende cuidado de vós mesmos e de todo o rebanho...”.

Portanto, apesar da sua simplicidade, a igreja primitiva já contava com a liderança forte dos anciãos para continuar viva e proclamando o Reino de Deus. Uma liderança estabelecida pelo Espírito Santo para pastorear “a Igreja de Deus”: antes mesmo que chegassem os pastores.

18 de abril de 2015

O “livro de miss”

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A obra do piloto francês Antoine de Saint-Exupéry, “O pequeno príncipe”, ficou conhecida no Brasil como o “livro de miss”, porque muitas candidatas o citavam como seu livro preferido. Na década de 1980 chegou a ser considerado um livro de autoajuda. Entre as muitas frases da obra, talvez a mais lembrada seja a da raposa: “Nous sommes responsables pour ceux qui nous avons apprivoise” (Nós somos responsáveis por aqueles que nós cativamos – tradução livre). – Na versão brasileira foi acrescentada a palavra “eternamente”. Longe de ser uma história para crianças, ela tem como tema principal, a meu ver, a amizade.

“O amigo dedica sincero amor em todos os momentos e é um irmão querido na hora da adversidade” (Pv 17.17).

Ao contrário da família, amigos nascem das escolhas que fazemos ao longo da vida e dos relacionamentos progressivos, assim como ressalta a raposa, numa aproximação maior a cada dia. O compromisso é fundamental à amizade porque demonstra a importância do outro. “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz”. Não obstante, amizades às vezes são incômodas ou frustrantes. Certo dia o Príncipe descobre que a sua flor, tão especial, era igual às tantas outras daquele belo jardim. Finalmente, ele compreendeu que o tempo e dedicação à sua rosa a tornava única no mundo inteiro. Escolhas, aproximação e dedicação é a receita do bom amigo, o qual, na adversidade, torna-se “um irmão querido”.

A atualidade nos impõe relacionamentos furtivos, virtuais ou, o mais comum, a indiferença. Ávidos pelo individualismo e impulsionados pela velocidade dos nossos dias, fazer amigos verdadeiros parece algo utópico ou adiável. Mas como diz o autor: “Num mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar um amigo”.

Esse é o sentido da parábola de Jesus. “Que farei? Trabalhar na terra, não tenho força; quanto a viver esmolando, tenho vergonha. Já sei o que farei para que, quando perder o cargo de administrador, as pessoas continuem a me receber em suas casas’ ... Então, o senhor elogiou aquele administrador da injustiça, pois agiu com sabedoria” (Lc 16,3-8).

Permita-se fazer amigos sinceros. “Porquanto, se um cair, o outro levantará seu companheiro. Mas pobre do que estiver sozinho e cair, assim não haverá quem o ajude a se reerguer!” (Pv 4.10).

29 de março de 2015

Conversando com Jesus - amar quem te odeia

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“Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem ...”
– Jesus, Jesus!
– Sim.
– Esse negócio de amar os inimigos é sério?
– É, por quê?
– Amar até os corruptos coletores de impostos?
– Claro! “Porque se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos (coletores de impostos corruptos) igualmente assim?”
– Mas, mas eles não merecem. São ladrões e roubam até mesmo os mais pobres.
– Eu sei. Acontece que o Pai “faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos”
– Assim fica difícil. Mas, tudo bem, vou tentar.
– Faça isso.
– Mas pelo menos tenho meus amigos da igreja.
– Sei, e daí?
– Daí que não preciso me misturar. Nem é bom eu ser visto falando gente pecadora.
– Acho que você não entendeu.
– O que?
– Ora, “se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de notável? Não agem os gentios (os não crentes) também dessa maneira?”
– Assim não dá! Amar os inimigos e ainda falar com gente que não gosta de mim.
– Isso mesmo.
– E se eu não quiser? Se eu recusar estes conselhos?
– É o que eu ia dizer quando você me interrompeu “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem ... para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus”.
– Hummm!
– Bem, a escolha é sua. Ainda assim Eu afirmo: “sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai que está nos céus.” (Mateus 5.43-48)

*Dedicado a um amigo com quem tomo café vez por por outra. A partir da conversa com ele sobre esse assunto é que nasceu a ideia.

27 de agosto de 2014

Quando eu era menino ...

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Graças dou ao Senhor pelo sábado, 23 de agosto, em Teresópolis. Poderia listar alguns pontos que não foram como o planejado, mas como não sou mais menino ... Gente madura é assim. Quantas coisas aprendi num único dia.

Gente madura aproveita as coisas boas da vida como o lindo dia de sol de temperatura amena. Graças a Deus! Gente madura não se apavora quando alguma coisa sai diferente do planejado. Antes, confia na liderança mesmo com menos experiência de vida. Gente madura não critica, oferece ajuda. Gente madura é segura e oferece segurança. Gente madura tem sempre uma boa palavra, um bom conselho ou um bom silêncio quando é preciso. Gente madura fala o que pensa porque antes já pensou o que falar. Gente madura é grata. E como foi agradável o passeio! Foi bom pelo lugar, pelo dia e, principalmente, pelas pessoas maduras com quem tive o privilégio de passar o dia. Um dia que ficou com gosto de “quero mais”.

 “Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança; mas, assim que cheguei à idade adulta, acabei com as coisas de criança.” (1 Co 13,11)

Ou em outras palavras: quando eu era criança, minhas palavras eram de uma criança, minha compreensão era de uma criança e minha razão de uma criança; mas quando me tornei adulto deixei estas coisas (falar, compreender e pensar) de criança.

A essa gente madura que tem edificado a minha vida a cada dia a minha sincera gratidão. Porque, além de tudo, me ensinou com suas palavras, sentimentos e atitudes como é ser um cristão maduro.

12 de janeiro de 2014

Tempo que foge! - Por Ricardo Gondim

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Não, não é do Rubem Alves (explicações no final)

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não vou mais a workshops onde se ensina como converter milhões usando uma fórmula de poucos pontos. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos parlamentares e regimentos internos. Não gosto de assembléias ordinárias em que as organizações procuram se proteger e perpetuar através de infindáveis detalhes organizacionais.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos à limpo”. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.

Já não tenho tempo para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções da Bíblia. Não quero ficar explicando porque gosto da Nova Versão Internacional das Escrituras, só porque há um grupo que a considera herética. Minha resposta será curta e delicada: – Gosto, e ponto final! Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.

Já não tenho tempo para ficar dando explicação aos medianos se estou ou não perdendo a fé, porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes; a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego.

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a “última hora”; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus. Caminhar perto dessas pessoas nunca será perda de tempo.

Soli Deo Gloria.

Explicação: Clique aqui
Livro citado (pág 102): Clique aqui

7 de junho de 2013

Perfil de um homem de Deus

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Por: Adalberto Alves de Sousa


Na época eu li sem dar a devida atenção, mas deveria. O texto do amigo e professor Adalberto, um dos poucos a nos pastorear no Seminário do Sul, era uma obra prima. Não por acaso, o texto tronou-se o editorial em homenagem ao pastor Israel Belo de Azevedo naquele dia do pastor na Igreja Batista Itacuruçá.


“Samuel foi o último dos juízes e o primeiro dos profetas. Era homem de profunda piedade e discernimento espiritual, inteiramente dedicado à realização dos propósitos de Deus referentes a Israel (...) Foi chamado para guiar a Israel em algumas das maiores crises de sua história, e chega quase à estatura do próprio Moisés. Sem qualquer vontade de sua parte, viu-se no papel de ‘fabricante de reis’, pois foi comissionado a ungir a Saul, o primeiro rei, então a Davi, o maior dos reis de Israel”. 1

            É justamente dessa vida de que vamos pinçar alguns traços para compor o perfil de um homem de Deus.

1. Chamada — Ninguém pode se apresentar onde quer que seja como homem de Deus a não ser que tenha sido chamado. E quem chama é o próprio Deus: “Rogai, pois ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mateus 9.38). Foi assim com Abraão: “Sai-te da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei” (Gênesis 12.1); foi assim com Moisés: ”Agora, pois, vem e eu te enviarei a Faraó, para que tires do Egito o meu povo, os filhos de Israel” (Êxodo 3.10); foi assim com Paulo: “mas levanta-te e entra na cidade, e lá te será dito o que te cumpre fazer” (Atos 9.6). O homem de Deus tem uma inequívoca chamada de Deus: ”Samuel! Samuel! Ao que respondeu Samuel: Fala, porque o teu servo ouve” (1Samuel 3.10). Você se lembra do dia em que Deus o chamou?

2. Preparo — Quando Deus chama alguém para uma tarefa específica na sua seara, Ele mesmo provê o preparo necessário. Às vezes, antes da própria chamada, como ocorreu com Moisés (na casa de Faraó), com Paulo (aos pés de Gamaliel). O homem de Deus precisa de preparo, e na vida de Samuel percebemos esse traço bem delineado: “Samuel, porém, ministrava perante o Senhor, sendo ainda menino...” (1Samuel 2.18); “Entrementes, o menino Samuel crescia diante do Senhor, como também diante dos homens” (1Samuel 2.26). É interessante notar que Lucas, ao descrever o crescimento de Jesus, praticamente copia este último verso (cf. Lucas 2.52). O preparo de Samuel foi integral: compreendeu teoria e prática. E o seu preparo, como tem sido?

3. Trabalho — Este traço na vida de Samuel extrapola o seu tempo: “Samuel julgou a Israel todos os dias da sua vida. De ano em ano rodeava por Betel, Gilbal e Mizpá, julgando a Israel em todos esses lugares. Depois voltava a Ramá, onde estava a sua casa, e ali julgava a Israel; e edificou ali um altar ao Senhor” (1Samuel 7.15-17). Nestes tempos de ativismo é bom prestar atenção a essas palavras. O texto deixa claro que Samuel, embora trabalhasse todos os dias, era um homem organizado. Seu trabalho submetia-se a um planejamento anual. Será que temos conseguido planejar nosso trabalho pelo menos pra uma semana? O homem de Deus precisa ser devotado ao trabalho: “Importa que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar” (Josué 9.4).

4. Fé — O quarto traço que pretendo avivar neste perfil do homem de Deus é a fé. Sem fé a chamada perde todo o seu sentido; sem fé, o preparo é incompleto; sem fé, o trabalho é infrutífero: “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11.6). O homem de Deus precisar ser, necessariamente, um homem de fé. Samuel o foi. A casa de Israel estava afastada de Deus e entregue a toda a sorte de idolatria. Os filisteus eram ameaça iminente. Diante dessa situação caótica Samuel reúne o povo para dizer que a esperança está em Deus. Começa com uma condição: “Se de todo o vosso coração voltais para o Senhor” e conclui com uma promessa: “ele vos livrará da mão dos filisteus” (1Samuel 7.3). O povo aceitou o desafio, voltou-se para Deus, confessando seu pecado e livrando-se dos ídolos. O inimigo veio com toda a sua fúria, enquanto o povo mais se aproximava de Samuel: “Não cesses de clamar ao Senhor nosso Deus por nós para que nos livre da mão dos filisteus (1Samuel 7.9). Indiferente ao ataque do inimigo, Samuel ofereceu um cordeiro em holocausto, clamou ao Senhor, e o Senhor honrou a sua fé: “Enquanto Samuel oferecia o holocausto, os filisteus chegavam para pelejar contra Israel; mas o Senhor trovejou naquele dia com grande estrondo sobre os filisteus, e os aterrou; de modo que foram derrotados diante dos filhos de Israel” (1Samuel 7.10). O homem de Deus precisa não somente de fé; é necessário que ele viva a sua fé, diante do povo.

5. Transparência — Mais do que em qualquer outra época o ministério precisa de transparência. Vivemos numa época de golpes, de falcatruas; estamos no tempo em que a lei é levar vantagem em tudo. Nunca a figura do pastor foi tão aviltada, até porque está muito difícil estabelecer a diferença que existe entre pastor e pastor. Na vida de Samuel o texto fala por si só: “Eis-me aqui! Testificai contra mim perante o Senhor, e perante o seu ungido. De quem tomei o boi? ou de quem tomei o jumento? ou a quem defraudei? ou a quem tenho oprimido? ou da mão de Deus tenho recebido suborno para encobrir com ele os meus olhos? E eu vo-lo restituirei. Responderam eles: Em nada nos defraudaste, nem nos oprimiste, nem tomaste coisa alguma da mão de ninguém. Ele lhes disse: O senhor é testemunha contra vós, e o seu ungido é hoje testemunha de que nada tendes achado na minha mão. Ao que respondeu o povo: Ele é testemunha” (1Samuel 12.3-5). A vida do homem de Deus deve ser marcada pela transparência: ampla; geral; irrestrita.

6. Amor — Na composição do perfil de um homem de Deus, sem dúvida, o amor é um traço de todo indispensável. Aliás, o traço do amor, de tão importante que é, não sobressai, justamente porque, estando presente em todos os demais, confunde-se com eles. A vida de um homem de Deus é uma vida de amor. Assim é que, na vida de Samuel, não vou destacar um momento caracterizado pelo amor. A sua vida inteira foi uma vida permeada pelo amor. “Samuel julgou a Israel todos os dias da sua vida” (1Samuel 7.15). Se você quer ser um verdadeiro homem de Deus, comece por amar o povo.

7. Humildade — Para completar este perfil em que estamos trabalhando, vamos pinçar o sétimo e último traço, característico da vida de Samuel —  a humildade. Se o homem aceita o desafio da chamada, adquire o preparo necessário e se dedica ao trabalho com fé, transparência e amor, com certeza Deus vai atuar grandemente em seu ministério, e é aí que ele vai ter que demonstrar toda a sua humildade. Embora seja tentado, a cada momento, a achar que é ele quem está realizando uma grande obra, não pode perder de vista o fato de que é Deus quem realiza, através da sua instrumentalidade. Se porventura há honra, glória, louvor, tudo deve ser dirigido única e exclusivamente a Deus. A postura do homem de Deus é aquela recomendada pelo Mestre: “Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somo servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer” (Lucas 17.10). Foi a atitude de Samuel. Embora a sua atuação tenha sido decisiva na derrota dos filisteus, ele fez questão de deixar bem claro para o povo que todo o mérito pertencia ao Senhor. “Então Samuel tomou uma pedra, e a pôs entre Mizpá e Sem, e lhe chamou Ebenézer; e disse: “Até aqui nos ajudou o Senhor” (1Samuel 7.12).

Você é um homem de Deus? Como está hoje o seu perfil? A minha oração neste seu dia é que o povo tenha condição de dizer a seu respeito:

“Eis que há nesta cidade um homem de Deus, e ele é muito considerado; tudo quanto diz, sucede infalivelmente. Vamos, pois, até lá; porventura nos mostrará o caminho que devemos seguir” (1Samuel 9.6).


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1 SHEDD, Russel P. A Bíblia Vida Nova. S. Paulo: Vida Nova, apêndice, p. 293.

30 de março de 2013

Um estranho jantar

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Havia um estranho silêncio naquela noite de primavera. Aquele parecia ser mais um encontro deles com seu grande amigo, assim como tantos outros, mas algo diferente pairava no ar. Que noite estranha aquela! O que a fazia diferentes de todas as outras? Seria a tradicional festa que se avizinhava? Seria alguma nova revelação? O amigo tinha um olhar distante e melancólico. Por quê? Será que algo o afligia? O que seria? De repente um deles sai às pressas com um semblante ainda mais estranho.

Então bem no meio do jantar Ele fez algo diferente e tudo começava a se revelar. Tomando o pão em suas mãos deu graças e disse as mais estranhas palavras já ditas até então: “Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim.” O que elas significavam? Olhavam-se atônitos sem que houvesse em nenhum deles coragem bastante para perguntar-lhe. Seu olhar era de profunda tristeza. Ficou a dúvida e o silêncio sepulcral.

Uma vez mais ele quebrou o protocolo. Tomando o cálice com vinho deu graças outra vez e disse: “Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós.” Essas palavras lhes calaram ainda mais fundo. O medo começava a tomar conta dos seus corações. Homens experimentados nos vários momentos vividos com Ele, o Mestre.  Entreolhando-se perceberam que aquela noite, aquele jantar tinha algo de muito estranho, mesmo para eles.

Afinal, qual o sentido destas coisas?

Num terceiro ato o Mestre os surpreendeu mais uma vez. Tomou uma toalha e uma bacia e pôs-se a lavar-lhes os pés. Na verdade constrangeu-os a que lhes lavasse. Definitivamente o Mestre estava mais estranho e misterioso naquela noite e nada parecia fazer sentido.

O que sucedeu em seguida foi só suor, lágrimas, sangue e dor. Muita dor. Aquela noite, aquele jantar era uma despedida. Não o veriam novamente, pensavam consigo. O Mestre estava morto e tudo estava acabado. Esse era o sentimento dos que o conheciam e o amavam. Estavam literalmente quebrados, sem esperança ou orientação. “vou pescar”.

Certamente aqueles dias foram difíceis, dias de grande reflexão, dias de lágrimas. Tudo o que viram, ouviram e fizeram juntos; alegrias, tristezas e desavenças e tudo tão intenso não mais havia. Não o tinham mais por perto e nada mais fazia sentido. “vou pescar”.

Fico pensando no pesar daqueles homens com a perda de alguém tão especial como Jesus. Aquela noite nunca mais sairia das suas mentes. A noite em que se despediam de seu grande amigo sem saber.

Naquele caso uma grande alegria ainda os aguardava, Ele ressuscitaria. Mas na nossa vida nem sempre é assim. Um dia, uma noite, um momento, pode ser o último. Tantas palavras ditas, que não deveriam, outras não ditas, que deveriam. Tanta “força”, tanta necessidade de vencer, de chegar primeiro, de superar a si, de superar o outro. Isso tudo para quê? E se for essa a última vez? Se for o último encontro? Será que vale a pena? Talvez não haja outra chance de retornar, de pedir perdão, de despedir-se. Talvez as lembranças fiquem na memória para sempre daquele momento que não voltará nunca mais.

“Como as crianças hierosolimitanas contemporâneas de Jesus, preciso ser vulnerável. Abraçar minha fraqueza, finitude e fugacidade. Insignificar-me. Substituir autonomia por liberdade em uma temporária, e depois voluntária (mas sempre saudável e amorosa), dependência do Pai, que me alimenta, protege, cuida, ensina e acarinha.”*

* https://prazerdapalavra.com.br/criancas/3410--ser-como-uma-crianca-dercinei-figueiredo-.html

28 de novembro de 2012

Grandes coisas fez o SENHOR por nós, pelas quais estamos [muito felizes]

2 Depoimento(s)


O dia 17 de novembro de 2012 ficará gravado para sempre em nossa memória. A formatura das meninas de pedagogia foi marcada pela simplicidade e profunda emoção que a todos nós contagiou. Conquanto seja esta a última turma de Pedagogia do Seminário do Sul, a formatura constitui uma vitória pessoal, uma vitória da nossa família e uma vitória de todos os batistas brasileiros.

Certamente foi Deus quem deu a visão de criar um curso de Pedagogia com “visão missionária”. O único do Rio de Janeiro, quiçá do Brasil, com “Ênfase em Educação Cristã”. Nada mais estrategicamente missionário: professores cristãos lecionando nas escolas brasileiras.

Certamente não foi em uma simples reunião que tudo aconteceu. Foram meses de trabalho árduo reunindo, estudando, elaborando e reelaborando o projeto a ser apresentado e reapresentado nas Assembleias. Custou o empenho de muitos voluntários apaixonados por educação e missão, capazes de resistir as mais duras críticas dos convencionais em prol de uma causa: a visão do Senhor em suas mentes e corações.

Não foi menor a luta e resistência dos batistas em busca do reconhecimento do curso frente ao MEC. Qualquer reconhecimento começa no projeto avançando para muito além deste. São várias as visitas da Comissão e a cada uma delas novas exigências são feitas. O comprometimento não é suficiente para alcançar um alvo desta envergadura. São necessárias, também, pessoas competentes, muito competentes.

O investimento financeiro não foi menor. Desde a entrada no processo até o reconhecimento foram muitas as mãos generosas a custear cada etapa, cada visita,  cada cumprimento de uma exigência. Batistas brasileiros investindo dinheiro e orações em prol desta nobre causa missionária. A Educação Cristã.

De fato, Deus ouviu nosso clamor. Como justificar mais um curso de Pedagogia tão próximo a outros também reconhecidos? De um modo surpreendente o diferencial (a Educação Cristã) pesou na decisão da comissão do MEC. Contudo, que o Senhor quebrantou os corações dos membros da Comissão disso não há dúvidas.

O reconhecimento veio duplamente: do curso, pelo MEC e da qualidade do mesmo, conforme classificou o ENADE na época.

Mas foi somente neste ano que a visão tornou-se real. A oportunidade ímpar de termos nossos irmãos aprovados, por concurso público, como “Professores de Ensino Religioso”. Pessoas tementes a Deus ensinado a verdadeira Educação Cristã aos brasileirinhos das escolas públicas. Tudo dentro da mais absoluta legalidade. Quem poderia imaginar que seria justamente o Estado a abrir uma porta como essas? O Senhor já sabia por isso nos deu a visão lá atrás.

Como batista sinto-me feliz e profundamente grato por todos quantos doaram seu tempo, talentos e dinheiro nesta causa. Pela visão, pelas orações e pela perseverança dos batistas sem a qual não poderíamos colher, hoje, os frutos. Ao ver minha amada esposa entre as nove formandas do Curso de Pedagogia só posso declarar: “Que darei eu ao SENHOR, por todos os benefícios que me tem feito?”.

Grandes coisas fez o SENHOR por nós, pelas quais estamos [muito felizes]!

7 de novembro de 2012

Reconhecimento do MEC, uma vitória e um sonho

0 Depoimento(s)
Hoje, após longos anos de luta e espera, um antigo sonho se realiza: o curso de Teologia está oficialmente reconhecido no MEC.

Muitos são os que ousaram sonhar com este dia e ele finalmente chegou.
Estamos todos felizes com mais esta conquista do Seminário do Sul e por que não dizer dos Batistas brasileiros.

Clique aqui para consultar o e-MEC















Clique aqui para ver a publicação no DOU

24 de outubro de 2012

Uma dose (cavalar) de realidade em apenas uma gota

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Domingo vivi uma experiência muito singela da realidade pastoral. Antes mesmo de terminar o culto de posse de um grande amigo de seminário fui ao sepultamento da mãe de um outro amigo. Ela era uma destas mulheres que são/falam/vivem coisas incríveis. Foram muitos os testemunhos da sua vida. Fico apenas com um deles. Sua resposta à pergunta: O que você faria se soubesse que tem mais trinta dias de vida? ... “Eu acho que seria muito pouco tempo para agradecer por todas as coisas que o Senhor fez por mim”. A cada testemunho crescia em mim a admiração por aquela mulher que não conheci.

A questão é o que dizer numa hora destas? O que dizer aos parentes? O que dizer ao meu amigo que sofria a perda de sua querida mamãe?

Comecei um “passeio” por todas as coisas que estudei na teologia. E, no final, senti certo desapontamento. Nessa hora fiquei aliviado por não ser eu o pastor a conduzir a cerimônia fúnebre. Então entendi que nenhum livro CLÁSSICO de teologia poderia me ajudar.

Depois comecei a folhear a Bíblia para trazer uma palavra de conforto à família. E, embora conhecesse certo número deles, nenhum parecia adequado. Folheei, folheei, folheei ... até que:
Descobri que na Bíblia não encontraria um versículo que pudesse ESPECIFICAMENTE amenizar aquela dor, mas encontrei um grande valor contido nela: o silêncio.

Antes dos amigos começarem a falar bobagem, julgando a vida de Jó, eles foram de uma profunda sensibilidade/sabedoria. Eles simplesmente se calaram:

Ouvindo, pois, três amigos de Jó todo este mal que tinha vindo sobre ele, vieram cada um do seu lugar [...] e combinaram condoer-se dele, para o consolarem. E, levantando de longe os seus olhos, não o conheceram; e levantaram a sua voz e choraram, e rasgaram cada um o seu manto, e sobre as suas cabeças lançaram pó ao ar. E assentaram-se com ele na terra, sete dias e sete noites; e nenhum lhe dizia palavra alguma, porque viam que a dor era muito grande.” (Jó 2,11-13).

Foi o melhor que pude fazer. Abraçar meu amigo e dizer-lhe “Conte comigo”. Qualquer coisa além disso me pareceu insano. Preferi o silêncio. Por alguns instantes vivi uma pequena amostra da rotina do ministério pastoral, algo quase esquizofrênico: alegria e tristeza profundas. Foi uma dose cavalar de realidade numa pequena gota de tempo. Vivi algo que nenhuma teoria pode dar conta. Algo, aí, bem presente e muito real na vida das pessoas.

30 de junho de 2012

Uma vida marcada por lutas e vitórias

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Ao pastor, professor e amigo José Avenas Filho.
Pastor porque com verdadeira humilde nos ajudava a encontrar o caminho. Professor porque, por tudo que sabia, preferia a irreverência como modo de ensinar e assim nós realmente aprendíamos. Amigo porque nunca se colocava acima dos seus alunos, mas ao lado ajudando na caminhada.

Agradeço a Deus por tê-lo conhecido e peço a Ele que esteja sempre com você por onde andar. Sua vida tem sido assim, marcada por lutas e vitórias. Você é um vencedor.

Haveria muito a dizer, mas esta é uma hora de silêncio.
Profundo, inquietante e o mais absoluto silêncio! chiiii!

"You can chain me, you can torture me, you can even destroy this body, but you will never imprison my mind."
"Você pode me acorrentar, você pode me torturar, você pode até mesmo destruir este corpo, mas você nunca vai aprisionar minha mente." (Mohandas Karamchand Gandhi: o Mahatma Gandhi)

27 de junho de 2012

Os Professores não merecem ...

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Os Professores não merecem ...
Não merecem ser tratados de modo indigno. Não merecem ser usurpados do fruto do seu labor, plantado e colhido com o suor dos seus rostos. Não merecem ficar sem o pão de cada dia. Pai dá-lhes o pão, hoje! Não merecem ser ignorados na sua dor. Não merecem sofrer calados como se nada estivesse acontecendo. Não, isso eles não merecem: choramos com os que choram.

Não merecem ser vilipendiados por ninguém. Não merecem ser instrumentalizados para eximir da culpa àqueles que deveriam assumir suas responsabilidades. Não merecem ser enganados falaciosamente fazendo-os crer que estão seguros e protegidos. Não, eles não merecem. Não merecem ser abandonados pelo mercenário quando vê vir o lobo.

Definitivamente, eles não merecem ...
Não merecem que injustiça prevaleça. Não merecem que os profetas se calem. Não merecem que os olhos se fechem. Não merecem o silêncio. Não merecem ser silenciados. Não merecem ser abandonados à beira do caminho na estrada para Jericó.

Merecem nosso cuidado, nosso respeito, nosso conforto e nossas lágrimas. Merecem nossas mãos e nossas ações. Merecem, principalmente, a nossa voz a gritar e clamar por justiça.  Até quando!? Eles merecem exercer seu ofício, seu sacerdócio, em paz.

A Verdadeira paz não é somente a falta de tensão, é a presença de justiça.” (Martin Luther King Jr.)

Aos mestres com carinho.

19 de fevereiro de 2012

Das brincadeiras à rebeldia

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Brincar faz parte da infância. Criança que não brinca não se desenvolve. Divertir-se é mais que um prazer é uma necessidade. Mesmo caindo, e até se machucando, no dia seguinte a criança quer outra vez brincar.

Das brincadeiras! Tem crente que não ri, não brinca, não aproveita os momentos bons. A Bíblia recomenda. “Alegrai com os que se alegram” e mesmo que haja quedas “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”.

Essa fase tão saudosa, a infância, passa rápido e logo começa uma nova transformação. Uma mudança brutal em todos os sentidos. Antes, era cada um no seu canto; menino brinca com menino e menina com menina. Agora, num piscar de olhos tudo muda. Tal mudança tem também seu preço: os questinamentos. Questionar é próprio e necessário ao adolescente. Sem elas ele irá tornar-se um adulto inseguro e inconstante. Tudo está sob a hedge do crivo questionador do adolescente que já não aceita mais aquelas respostas tolas da sua infância. É porque é; sempre foi assim; quando você crescer vai entender; etc. Para alguns o rótulo do adolescente é a rebeldia. Como ele pode questionar os valores “sagrados”? perguntam. Ora, sejamos honestos. Nós também não sabemos as respostas porque também nunca nos responderam a tais perguntas.

À rebeldia! O crente questionador pode ir por duas vertentes. Uma, aquela do adolescente cheio de perguntas e questionamentos que, uma vez respondido o faz um adulto na fé não sendo mais levado por todo vento de doutrina. A segunda, do crente que nunca abandona sua curiosidade e torna-se, sim, um rebelde. Para este, tudo está sempre errado, sempre ruim e sempre faltando. Entra ano e sai ano e tudo que ele faz é criticar e reclamar. Ele mesmo nunca se compromete, se envolve ou traz sugestões. E pior, ele nunca está feliz.

Portanto, aproveite a vida cristã. Sorria mais e viva mais! Ao crescer questione tudo até mesmo a sua fé. Deus não se ofende com perguntas desde que sejam sinceras. Um dos problemas deste tempo é não são muitas as igrejas maduras capazes de entender e responder tais questionamentos. Os mais velhos muitas vezes já fizeram tais perguntas e não encontraram as respostas. Agora, perpetuar-se na crítica infunda, a crítica pela crítica, isso já é soberba e o Senhor resiste a estes. Ou seja, alegre-se, questione e cresça. Caso contrário você se tornará um eterno ranzinza e infeliz.

18 de dezembro de 2011

Com lágrimas de gratidão

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Como uma homenagem à Primeira Igreja Batista de Campo Grande pelo seu centésimo oitavo aniversário, publico minha carta de despedida lida no culto do dia 30 de novembro de 2011.

Hoje, 30 de novembro de 2011, despeço-me da Primeira Igreja Batista de Campo Grande depois de exatos 15 anos e 6 dias.
Aqui, aceitei Jesus como meu Salvador sendo esta a minha primeira gratidão à igreja. Agradeço por ela existir para pregar o Evangelho de Cristo.
Minha segunda gratidão é ao amigo João Luiz que me conduziu ao COMOGRAN em 1996 onde me converti.
Minha gratidão aos professores das classes de doutrina, Paulo e Eliane.
Gratidão ao pastor José Laurindo Filho que me batizou em 24 de novembro de 1996.
Gratidão a Deus porque em 2004 minha esposa aceitou Jesus como seu Salvador: Nesta igreja.
Gratidão a suas professoras Leide e Zenaide.
Gratidão pelo batismo dela em 18 de dezembro de 2005 pelo pastor José Laurindo Filho.
Gratidão pelo 8º COMOCRIN quando minha filha também aceitou Jesus. Também aqui, também nesta mesma igreja.
Gratidão pelo irmão Valdir Ventura que orou comigo um ano inteiro sem saber o propósito que o Senhor colocou em meu coração: O Seminário. Sei que ainda ora por minha vida e meu ministério. Irmão Valdir! só o Senhor pode recompensá-lo.
Gratidão aos diáconos que confiaram em mim e me encaminharam para o Seminário.
Gratidão à irmã Carmen que ajudou a salvar meu casamento enquanto eu estava estudando. Suas orações e, principalmente, suas ações sempre serão lembradas por nossa família.
Gratidão a todos os irmãos que generosamente ofereceram muito mais que suas casas para um almoço de domingo. Ofereceram o seu carinho e a sua generosidade. Quão generosas são as suas mãos queridos irmãos. Mãos hospitaleiras.
Gratidão à igreja que permitiu que eu fosse enviado a nossa igreja irmã, a igreja Evangélica Batista do Engenho Novo.
Como aprendi! Fui um menino voltei um rapaz crescido com um grande desejo. O desejo servir a minha amada igreja.
Voltei por causa da dor do meu coração. Porque enquanto eu trabalhava no Engenho Novo meu pastor estava sozinho à frente da igreja e da Convenção Carioca. Sim, voltei para ajudá-lo. Voltei para ajudar a igreja.
Voltei sem casa para morar. Voltei sem saber bem o porquê. Hoje sei. Deus quis!
Como Abraão, fui e voltei pelo mesmo caminho. Hoje, meu coração não dói porque meu pastor não está mais sozinho no ministério. Por outro lado, enquanto estive longe, os irmãos do Engenho Novo concluíram o processo sucessão pastoral. E, em 26 de novembro deste ano o pastor Nelson Taylor tomou posse naquela igreja. Deus sabe o que faz e como faz!
Finalmente, minha gratidão a Deus pela vida do pastor Carlos Elias de Souza Santos. Com saberia me aconselhou e atendeu ao meu pedido de transferência. Ele pode entender este momento que um dia também já foi o dele. A hora de partir.
Saio em paz com todos da primeira e única igreja que já estive. Saio pela porta da frente. Saio levando na bagagem muitas lembranças e muita saudade.
Sim eu vou. Como disse certa vez o pastor Carlos: sei que alguns dos irmãos não verei outra vez.
Vou desejando, a todos, paz de Cristo.
Se volto eu não sei e por isso mesmo não digo adeus. Digo apenas: até breve Primeira Igreja Batista de Campo Grande amada igreja do meu coração.

Com lágrimas de gratidão,

Leonardo Gonçalves Martins.

Rio de Janeiro 30 de novembro de 2011.

1 de agosto de 2010

Trinta e um anos, dez meses e... alguns dias

4 Depoimento(s)
O PRIMEIRO ENCONTRO
Aquela era uma semana de muita expectativa. Um por um nos apresentávamos para cada professor que iniciava sua aula e ficávamos atentos ao que eles tinham a nos dizer. Palavras de incentivo, alerta e palavras de desafios. Fazer teologia: um sonho ou um desafio? Mas quando ele se apresentou chamou minha atenção.

Não falo dos cabelos grisalhos, do jeito calmo ou das palavras acolhedoras, falo da voz. Uma voz tão baixinha e quase inaudível. Lembro bem do que ele nos disse, mas pensava comigo: como ele pode dar aula falando abaixo do tom da fala?

Naquele semestre quase que ele passou despercebido, mas, ao final, descobri algo de diferente naquele professor em particular.

O PROFESSOR E O EDUCADOR
No primeiro semestre não fui tão bem nas aulas de português (só um pouco acima da média), entretanto ao entregar minha última avaliação ele me disse: “Oh! você não foi tão bem nesta, mas vou te dar um voto de confiança. Espero que você ...”. Ele era assim, às vezes não terminava as frases (nem precisava). Refleti em suas palavras durante o recesso de julho de 2009 e comecei a entender o que estava acontecendo.

O professor Adalberto não era tão somente um professor, era um educador. Um professor preocupa-se em ensinar a matéria enquanto um educador preocupa-se em ensinar a vida. E como ele vibrava com os devocionais em nossas aulas de leitura. Ele nos corrigia com elegância e, principalmente, respeito; muito respeito.

Sabia que existia a avaliação dos alunos a cada final de semestre, mas isso não era o bastante. Ele queria ouvir a nossa opinião. E cá para nós, ele nos ouvia mesmo, não fingia que escutava. Como costumava dizer: “Vocês vão viver da palavra e o meu papel é ajudar”.

Terminou o segundo semestre e eu melhorei, mas não o bastante e nós sabíamos disso. Então ele fez ainda mais por mim: “Eu não tenho tempo pra nada, mas para você e para Priscila (nossa colega de classe) eu sempre arranjo tempo”.

O segundo semestre tinha sido confuso, mas naquele dia fiz-lhe uma promessa: “No próximo semestre não vou desapontá-lo, o senhor verá”. Ele não disse nada, só nos entreolhamos. Nascia ali uma bela amizade.

O AMIGO
De todos os semestres, o terceiro foi de longe o pior da minha vida acadêmica (foi ruim para todos nós), mas cumpri minha promessa. Fiquei pendurado em quase todo mundo, fui para reconstrução (segunda época) em quatro disciplinas. Mas eu não podia falhar com o professor, não podia decepcionar o educador e não poderia desonrar o amigo.

Eu fiz tudo o que foi combinado; fiz antes, fiz primeiro, fiz com alegria. As aulas do professor Adalberto foram umas das poucas coisas boas do terceiro período.

Eu poderia contar várias histórias: sobre as pessoas a quem ajudou, as coisas que fez, o que construiu, mas prefiro guardá-las comigo, quem sabe para um livro de memórias.

No dia vinte de julho comemoramos o dia do amigo. A data não era importante para mim até o dia que não me despedi de meu amigo Joed. Neste ano de 2010 faz um ano que ele partiu para Portugal. É, mas a vida haveria de me surpreender mais uma vez!

SEM DESPEDIDAS
Numa quarta-feira o professor do primeiro horário não veio e todos se perguntavam: será que o Adalberto vem? Então eu disse cheio de confiança: Adalberto é Adalberto, ele virá!

Enquanto esperávamos no corredor ele chegou, mais cedo como sempre, e lhe falamos do que conversávamos, foi quando eu o ouvi dizer: “São trinta e um anos, dez meses e ... alguns dias de trabalho e eu nunca faltei e nunca cheguei atrasado”. E continuou: “Não falto porque acho um desrespeito com meus alunos. Tem gente que vem de longe e eu não acho justo com vocês”.

Confesso que fiquei espantado e, enquanto aguardávamos o início da aula, convidei-o, e aos meus colegas, para um café em minha casa. O que eu não sabia é que aquele seria também o último.

Neste julho de 2010 descobri que dentre os professores que foram cortados estava o professor Adalberto Alves de Sousa. Professor titular da cadeira de português. Nunca faltou, nunca chegou atrasado. Já sabíamos da imposição dos cortes de professores (também por isso o semestre foi tão tenso), sabíamos que os mestrados e doutorados tinham a “preferência”, sabíamos também que bons professores teriam que sair. Assim como bons professores ficaram conosco, mas para mim a perda foi ainda maior e outra vez não pude me despedir de um amigo.

Estou começando a não gostar do mês de julho. Tenho poucos amigos e os poucos que tenho se vão sempre nos meses de julho.

SEM HOMENAGENS
Sei que foi muito bom para ele sair agora, afinal merecia um o justo descanso da aposentadoria já conquistada. Foi uma vida inteira de trabalho, muito trabalho. Uma infinidade de revisões livros, monografias, resenhas e textos que leu e corrigiu. Literalmente ele construiu sua vida sobre as palavras. Com palavras, educou suas filhas, conquistou seu espaço e transformou muita gente. Quantos pastores, professores e líderes nestes trinta e dois anos?

Alegro-me com meu amigo Adalberto e seu merecido descanso. Entretanto confesso que esperava mais. Com sua história de lutas, de fidelidade a Deus e aos homens, com sua dedicação para além das paredes da sala de aula, ele bem que merecia uma homenagem. Uma justa homenagem, diga-se de passagem. Mas nem uma “plaquinha” se quer? Para alguém que viveu pelo “prazer da palavra” ele bem merecia muitas palavras de gratidão.

No dia primeiro de agosto de 2010 ele terminou seu compromisso com o Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, exatamente no mesmo dia e mês em que começou seu ministério. E lá se vão não mais trinta e um anos, mas trinta e dois anos exatos de trabalho e dedicação... Sem NUNCA FALTAR E NUNCA CHEGAR ATRASADO!
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Para que não restem dúvidas:
1 – A exigência de cortes foi da CBB e não da direção ou da coordenação do STBSB.
Veja o item 3 do artigo:
http://coordinatum.blogspot.com/2010/06/2010166-pronunciamento-do-senhor.html
2 – Foi combinado com os alunos quais seriam os critérios preferenciais de corte de pessoal.
Veja o artigo:
http://coordinatum.blogspot.com/2010/03/2010043-das-reunioes-com-corpo-discente.html
3 – Decidi falar do amigo Adalberto e não dos tantos outros excelentes professores que também tiveram que sair.
4 – Não há demérito nos que ficaram. São igualmente excelentes professores.

O Autor.

22 de março de 2010

Café com bolo de micro-ondas

3 Depoimento(s)
Brasil, 22 de março de 2010


Aqueles dias eram sempre diferentes. A rotina da casa mudava. Naqueles dias eu buscava minha filha na escola, almoçava em casa e chegava mais tarde no trabalho só porque nas terças-feiras ele vinha almoçar conosco. A rotina da minha esposa também mudava. Ela caprichava mais e, mesmo na sua simplicidade, tentava fazer as coisas de um modo todo especial só porque nosso amigo vinha almoçar conosco. Nos alvoroçávamos. Eu passava no mercado para comprar algo diferente, uma sobremesa, um refrigerante ou um sorvete.

Lembro que certa vez não estava bem com minha esposa, mas logo tudo se dissipou, afinal ele vinha a nossa casa e vinha para almoçar conosco.

Não, não era pelo almoço; era ele, o meu amigo. Nos tornamos tão próximos que eu fazia questão de encontrá-lo no trabalho. Como era bom ir caminhando naqueles 300 ou 400 metros que separam o CIEM do Seminário. E eu não poderia perder um minuto sequer de sua companhia porque ele era (e é) um amigo especial. Ah, como aquelas horas que passávamos juntos tornaram-se únicas.

E foi na simplicidade da nossa sala e durante aqueles almoços que nossa amizade foi crescendo. Ali ele não era o pastor, não era o médico, nem mesmo o professor. Ele era só meu amigo. O meu amigo sabia que poderia dizer o que pensava sem medo de ser censurado ou julgado. Caminhada, almoço e Seminário, a cada encontro nossa amizade crescia.

Aquelas terças do outono costumavam esfriar ao final do almoço, e então ele sempre dizia: “Com essa chuvinha e esse friozinho, humm... “. Mas ele era muito responsável e teria aula em seguida. Nunca entendi por que ia à aula da tarde se nada recebia por isso, mas nunca o questionei.

No primeiro almoço minha esposa resolveu experimentar um bolo que aprendera com uma amiga. Um bolo de chocolate que fica pronto em cinco minutos no micro-ondas. Que delícia! Diante daquele bolo quentinho e do dia frio convidativo a uma soneca foi que ele disse: “Esse bolo fica muito bom com....”. Confesso que levei alguns segundos parado pensando na resposta até que de repente disse: “com café”. Com seu jeito terno e seu humor contido ele sorriu meio de lado.

Tivemos outros almoços e outras sobremesas, mas nunca vou me esquecer do café com bolo de micro-ondas.

Mas um dia suas aulas terminaram e nunca mais as terças-feiras foram iguais. E agora meu amigo ia embora e de fato foi. Numa das noites mais frias de 2009 ele partiu. Que ironia e crueldade para mim, ele viajou justamente no dia do amigo e eu não pude me despedir dele.

Na última vez que nos encontramos fomos à Quinta da Boa Vista. Colocamos nossas filhas no pedalinho e passeamos pelo lago com elas. Mal sabia eu que esse seria nosso último encontro.

Tempos difíceis foram aqueles. Ele andava triste e talvez por isso mesmo nos tornamos tão próximos. Mas como era bom ver seu sorriso franco, por isso vivia contar-lhe piadas. A Ida também é muito risonha, mas fazê-lo rir era muito bom.

Hoje meu amigo está completando mais um ano de vida. Para mim um dia especial porque me alegro com ele, sua esposa e seus filhos, por sua vida. Sei que muitos o conhecem como um homem de Deus e nem sabem o seu nome; outros oram por ele e nunca estiveram com ele; e há quem tenha estado com ele sem o conhecer. Para alguns é um grande missionário da Junta de Missões Mundiais, para outros um médico conceituado e poliglota; há também quem o considere um grande pastor e um excelente pregador. Sim, de fato ele é isso tudo mesmo.

Homem de modos educados, formado pela escola européia, é muito simples e também generoso. Mas para mim ele é tão somente Joed Venturini, o meu grande amigo.

(Peço desculpas ao leitor deste blog por este particular. Mas se você soubesse quem é Joed Venturini certamente entenderia).

Agradecimento especial ao Prof. Adalberto.

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